PM que matou jovem com tiro nas costas em favela no Rio irá a júri

PM que matou jovem com tiro nas costas em favela no Rio irá a júri

Por unanimidade, desembargadores do TJ-RJ rejeitaram recurso de Alessandro Marcelino, que era da UPP Manguinhos em 2014, quando atirou em Johnatha de Oliveira

Reportagem de Luiza Sansão

 

“Saí daquele Tribunal satisfeita por contrariar as estatísticas desse Estado assassino, pois ainda estou de pé, ainda tenho fôlego, ainda tenho voz pra gritar contra a maldade que fizeram com o meu filho e com tantas outras vítimas dessas mesmas violações”. É assim que Ana Paula Oliveira expressa seu sentimento após o Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RJ) decidir, na última quinta-feira (24), que o policial militar Alessandro Marcelino de Souza, acusado de matar seu filho, irá a júri popular.

Moradora da favela de Manguinhos, na Zona Norte do Rio de Janeiro, Ana Paula luta por justiça desde que Johnatha de Oliveira Lima foi morto com um tiro nas costas, aos 19 anos, na favela onde vive a família. Interrogado no dia do crime, Marcelino, então lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Manguinhos, negou participação na ocorrência. Mas o exame pericial de confronto balístico concluiu que o projétil que tirou a vida do jovem partiu de sua arma.

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Mães de jovens mortos por agentes do Estado se reúnem em Salvador

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Mulheres de várias regiões do país falam sobre os assassinatos praticados por policiais nas periferias, violações no sistema socioeducativo e outras questões em grande encontro organizado por movimento de familiares de vítimas de violência de Estado. Mãe de Marielle Franco é recebida pela rede de mães

Reportagem de Luiza Sansão

Foram três dias de debates, elaboração de propostas relacionadas à segurança pública e justiça, compartilhamento de experiências, solidariedade e fortalecimento da luta que reúne principalmente mães que tiveram seus filhos mortos por policiais. O 3º Encontro Internacional de Mães e Familiares de Vítimas do Terrorismo do Estado, que terminou neste domingo (20), em Salvador (BA), reuniu mulheres de várias partes do Brasil — e também da Colômbia e dos Estados Unidos.

“Além de tratar do foco principal, que são os assassinatos de jovens negros periféricos de todo o Brasil por agentes do Estado, também aprofundamos nossa ênfase nas medidas socioeducativas. Não permitimos mais que ‘auto de resistência’ seja usado como desculpa e permissão para matar adolescentes autores de ato infracional, com a lógica do ‘se tem passagem, pode matar’. Esse é o lema deste terceiro encontro”, conta Monica Cunha, mãe de Rafael da Silva Cunha, morto por um policial civil aos 20 anos, em dezembro de 2006, no Riachuelo, Zona Norte do Rio.

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