Grito da favela por Marielle ecoa alto no centro do Rio

Grito da favela por Marielle ecoa alto no centro do Rio

Organizado por pessoas que vivem cotidianamente a realidade de violações contra a qual lutava Marielle, evento no Circo Voador reuniu milhares em grito por justiça para a vereadora executada em março

Reportagem de Luiza Sansão

Se um dos recados dados por aqueles que executaram Marielle Franco na noite de 14 de março era o de que pessoas negras e faveladas como ela deveriam se recolher aos espaços periféricos de onde vieram, o evento Marielle Gigante, em sua homenagem e cobrando justiça, na última quinta-feira (26/04), mostrou, mais uma vez, que os tiros que tiraram a vida da vereadora saíram, literalmente, pela culatra. Em alto e bom som, favelados gritaram que ocuparão todos os espaços, como aquele onde o encontro ocorreu, na Lapa, coração do Rio de Janeiro. Diferente dos outros atos por Marielle ocorridos até então, este foi organizado somente por coletivos de favelas.

“A execução da Marielle foi um recado bem explícito: ‘o lugar de vocês é na favela’. Além de nos deixar reclusos em prisões, querem nos deixar reclusos em nosso próprio território. Só que não. A gente vai ocupar academia, a mídia e todos os demais espaços em que a gente acredita que precisa estar. Porque a gente tem que estar mesmo. Então eles deram um tiro no pé. Porque quanto mais eles tentam avançar contra a gente, mais a gente se mantém firme para mostrar a força da nossa luta”, diz Buba Aguiar, do Fala Akari — que reúne militantes da favela de Acari, na Zona Norte do Rio, em luta contra a violência praticada por agentes do Estado —, um dos coletivos organizadores do evento.

“O Estado vai continuar colocando o fuzil na nossa testa,
mas 
a gente vai continuar resistindo, gritando, se levantando cada vez mais”
Buba Aguiar, do Fala Akari

Além dele, o grito que ecoou no centro da capital fluminense foi organizado pela Casa das Pretas — espaço de encontros para debates sobre mulheres negras que, localizado na Lapa, sediou o evento do qual Marielle participou até minutos antes de ser executada; pelo Maré Vive — canal de mídia comunitária feito de forma colaborativa, por moradores de diversas partes do conjunto de favelas da Maré, onde viveu Marielle; e pelo Pré-Vestibular Comunitário do Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM) que, com o apoio de Marielle, foi responsável pelo ingresso de mais de mil moradores de favelas nas universidades públicas do estado desde sua criação, em 1998.

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