Fala o professor intimado pela USP

171106-Sorrentino

Marcos Sorrentino, que responde a sindicância por realizar atividade em parceria com o MST, descreve a discriminação aos movimentos sociais e denuncia: “há triagem ideológica na universidade brasileira”

Por Djalma Nery

Em artigo recente, o portal da ADUSP (Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo) expôs o gravíssimo caso das ameaças sofridas pelo professor Marcos Sorrentino. Ele é alvo de sindicância e foi convocado para uma oitiva com a finalidade “de investigar uma atividade acadêmica organizada em conjunto com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)”. A atividade foi realizada em abril desse ano, durante a quarta edição da “Jornada Universitária em Apoio à Reforma Agrária” (JURA). Organizaram o evento o Laboratório de Educação e Política Ambiental (OCA, do qual faz parte o professor Sorrentino), o Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão em Educação e Conservação Ambiental (NACE PTECA/ESALQ) e movimentos sociais ligados à Via Campesina.

Segundo conta a matéria, “no dia 18/4, no gramado central do campus, foi organizada uma oficina de lona preta em conjunto com o MST com o objetivo de mostrar como se montam as barracas de assentamentos e promover uma conversa sobre a vida de um militante acampado. Entretanto, no mesmo dia uma notícia falsa foi compartilhada nas redes sociais, espalhando o boato de que o MST estaria promovendo uma invasão do campus. A notícia foi rapidamente desmentida pela direção da ESALQ e pela Prefeitura do Campus”.

Dada a comoção gerada pelo factoide e tendo em vista o intenso momento de polarização e criminalização da política que atravessamos, instalou-se nesse contexto uma Comissão Sindicante, para averiguar os fatos. Sorrentino foi convocado para a oitiva, que trazia dois questionamentos gerais: se havia autorização para utilizar a logomarca da ESALQ no evento; e se algum colegiado havia aprovado a realização das atividades. Sobre os questionamentos, o professor afirma categoricamente trabalhar há 30 anos na ESALQ e sempre haver se utilizado da logomarca da universidade sem qualquer problema; e que, até hoje, jamais precisou de autorização de um órgão colegiado para organizar suas atividades.

O que está em questão, como o próprio professor expõe, é uma espécie de “triagem ideológica”, com as universidades claramente a serviço das elites e corporações. Tanto que se naturaliza e estimula quaisquer eventos empresariais voltados a fomentar o agronegócio — como o ESALQShow, realizado no último mês de outubro –, ao passo em que se criminalizam e dificultam atividades vinculadas a movimentos sociais e de contestação ao estabelecido. A universidade torna-se, assim, uma correia de transmissão dos interesses das classes dominantes, e transforma-se em palco de batalhas e disputas sempre que tensionada a cumprir um papel social, crítico e transformador. Nas palavras de Sorrentino, “a escola serve majoritariamente a essas grandes empresas que trazem recursos a laboratórios, e quando há um conjunto de professores ou estudantes que se comprometem com a agricultura familiar ou com agricultores acampados, vem esta triagem dizendo que não poderíamos usar o gramado para a oficina”.

O blog “Plantar o Futuro” publica a seguir entrevista exclusiva com o professor Marcos Sorrentino, procurando aprofundar o debate. Além disso, iniciou abaixo-assinado em forma de manifesto para denunciar e impedir que tais situações de retaliação ideológica se multipliquem, firmando o papel da universidade como um espaço de liberdade, emancipação e pesquisa voltada ao benefício da sociedade. Você pode ajudar, divulgando e assinando esse manifesto.

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Fala o professor intimado pela USP

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Marcos Sorrentino, que responde a sindicância por realizar atividade em parceria com o MST, descreve a discriminação aos movimentos sociais e denuncia: “há triagem ideológica na universidade brasileira”

Por Djalma Nery

Em artigo recente, o portal da ADUSP (Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo) expôs o gravíssimo caso das ameaças sofridas pelo professor Marcos Sorrentino. Ele é alvo de sindicância e foi convocado para uma oitiva com a finalidade “de investigar uma atividade acadêmica organizada em conjunto com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)”. A atividade foi realizada em abril desse ano, durante a quarta edição da “Jornada Universitária em Apoio à Reforma Agrária” (JURA). Organizaram o evento o Laboratório de Educação e Política Ambiental (OCA, do qual faz parte o professor Sorrentino), o Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão em Educação e Conservação Ambiental (NACE PTECA/ESALQ) e movimentos sociais ligados à Via Campesina.

Segundo conta a matéria, “no dia 18/4, no gramado central do campus, foi organizada uma oficina de lona preta em conjunto com o MST com o objetivo de mostrar como se montam as barracas de assentamentos e promover uma conversa sobre a vida de um militante acampado. Entretanto, no mesmo dia uma notícia falsa foi compartilhada nas redes sociais, espalhando o boato de que o MST estaria promovendo uma invasão do campus. A notícia foi rapidamente desmentida pela direção da ESALQ e pela Prefeitura do Campus”.

Dada a comoção gerada pelo factoide e tendo em vista o intenso momento de polarização e criminalização da política que atravessamos, instalou-se nesse contexto uma Comissão Sindicante, para averiguar os fatos. Sorrentino foi convocado para a oitiva, que trazia dois questionamentos gerais: se havia autorização para utilizar a logomarca da ESALQ no evento; e se algum colegiado havia aprovado a realização das atividades. Sobre os questionamentos, o professor afirma categoricamente trabalhar há 30 anos na ESALQ e sempre haver se utilizado da logomarca da universidade sem qualquer problema; e que, até hoje, jamais precisou de autorização de um órgão colegiado para organizar suas atividades.

O que está em questão, como o próprio professor expõe, é uma espécie de “triagem ideológica”, com as universidades claramente a serviço das elites e corporações. Tanto que se naturaliza e estimula quaisquer eventos empresariais voltados a fomentar o agronegócio — como o ESALQShow, realizado no último mês de outubro –, ao passo em que se criminalizam e dificultam atividades vinculadas a movimentos sociais e de contestação ao estabelecido. A universidade torna-se, assim, uma correia de transmissão dos interesses das classes dominantes, e transforma-se em palco de batalhas e disputas sempre que tensionada a cumprir um papel social, crítico e transformador. Nas palavras de Sorrentino, “a escola serve majoritariamente a essas grandes empresas que trazem recursos a laboratórios, e quando há um conjunto de professores ou estudantes que se comprometem com a agricultura familiar ou com agricultores acampados, vem esta triagem dizendo que não poderíamos usar o gramado para a oficina”.

O blog “Plantar o Futuro” publica a seguir entrevista exclusiva com o professor Marcos Sorrentino, procurando aprofundar o debate. Além disso, iniciou abaixo-assinado em forma de manifesto para denunciar e impedir que tais situações de retaliação ideológica se multipliquem, firmando o papel da universidade como um espaço de liberdade, emancipação e pesquisa voltada ao benefício da sociedade. Você pode ajudar, divulgando e assinando esse manifesto.

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