Estudante da UFG diz que usará novamente camiseta “menos amor, mais glifosato”

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Guilherme Mendes, que apareceu em foto viralizada, diz que tem horta orgânica, defende banimento do agrotóxico e reclama do MST, que associa a “vagabundos”

Ele é um dos estudantes de agronomia da Universidade Federal de Goiás (UFG) que aparecem em foto que viralizou, com a camiseta: “Menos amor, mais glifosato”. Está em primeiro plano, no canto da esquerda. Revoltou-se com a publicação da notícia, pelo De Olho nos Ruralistas, sobre o uso da camiseta em evento da Agro Centro-Oeste Familiar sobre soja e alimentação humana, divulgado pela Emater-GO: “Estudantes de agronomia da UFG pedem ‘menos amor e mais agrotóxico’“. Motivo: glifosato – o agrotóxico mais consumido do mundo, da Monsanto – seria apenas o nome de uma bebida alcoólica consumida pelos universitários.

“Futuro será orgânico”, diz o estudante

Guilherme Ferreira Mendes diz que o futuro é orgânico (estuda a agricultura sintrópica, que utiliza sistema agroflorestal) e que o glifosato, “eficiente e letal”, deve ser banido dos campos, embora considere pior a utilização de outras substâncias. Não vê problema na associação atlética dos estudantes “tirar uma ondinha” com o glifosato e é contra o que chama de invasão de terras. Ele associa os militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) a “vagabundos que não querem saber de trabalhar”.

O observatório fez sete perguntas ao estudante. Ele respondeu cinco, pois considera que as outras estão contempladas em sua “nota de repúdio”. Mendes refere-se ao seguinte comentário (feito em linguagem bastante informal, assim como as respostas da entrevista) publicado no site, como resposta à notícia sobre a camiseta:

“Aí, Alceu, para sua surpresa, nosso objetivo foi atendido, sim, fizemos uma camiseta para provocar pensamento e discussões e, principalmente, anunciar para toda faculdade que alguns querem mais cachaça do que às vezes estar namorando! E outra, cara, são pensamentos distintos, já tem mais de mês que eu estou passando por críticas nas redes sociais, gente querendo me jogar em uma piscina de glifosato, kkkkkkkk. Convido a qualquer um saber da minha vida, para os que não têm nada pra fazer é só ficar postando merda, eu possuo uma horta orgânica e gasto muito com cursos de (agricultura) sintrópica e estudos direcionados para o nosso futuro, que é orgânico. Eu sei quem fez o primeiro post da foto, o incrível é que ninguém comentou que na mesa do evento não estava um grande apoiador (inclusive financeiro) e deram lugar para um cabeça dessa organização muito ‘fraudável’ que é o MST. Agora, se a feira da Agro Centro-Oeste pode receber de braços abertos vagabundos que não querem saber de trabalhar, só de ganhar terra dos outros, por que a nossa Atlética não pode tirar uma ondinha do glifosato! Eu só não havia respondido às provocações porque estava em semana de provas, e eu tenho o que fazer! Ah, eu sou esse gordim loirim modelo da camiseta, agro estaremos contigo, com o glifosato na mão. O paieiro me espera, vai começar a festa. Agro dos loucos!”

Segue a entrevista feita por Alceu Luís Castilho, e respondida por email:

Qual a sua posição sobre o uso de glifosato? Está ciente da polêmica internacional que cerca o uso do agrotóxico?

Sim, estou ciente das grandes discussões a respeito. Sobre o glifosato prefiro tratá-lo como um defensivo muito eficiente, porém letal a nós. O uso da substância já está mais do claro que deve ser banido dos campos, contudo o não uso e a macroprodução de alimentos atrairia pragas e o combate poderia ser pior, por se tratar de outros químicos. A grande solução é o orgânico, mas precisamos de tecnologia que maximize a produção e facilite o transporte sem perdas.

Protesto na Europa contra o uso do agrotóxico da Monsanto.

Vocês dizem que glifosato é o nome de uma bebida alcoólica consumida na universidade. Por que colocar o nome de um pesticida numa bebida?

Foi o único que se igualou ao nível percentual de câncer!

O evento era público, sobre soja na alimentação humana, e discutiu o uso de agrotóxicos. E vocês posaram com a camiseta. Consideram, de fato, que ela ia ser tomada apenas como uma piada local?

Sim, pois ninguém tem nada a ver com a minha vida, o dinheiro é meu e eu compro a camiseta que eu quiser, foda-se o “auê” que vai causar. Jovens vestem camisetas de tudo e é assim que vocês os julgam?? Se estiver com uma camiseta sexy significa que eu quero sexo? Ou se eu estiver com uma camiseta “salva gatas”, kkkkk?? Nada a ver.

Qual a sua posição em relação ao MST?

Reforma agrária é uma coisa, MST é outra. Não concordo com as atitudes dos rebeldes, a maioria das pessoas que estão lá de fato não precisam de terra, estão por interesse. Pagam pessoas pra olhar a barraca e saem em carros consideravelmente novos. Se existe terra para ser desapropriada, o Incra se encarregará de tudo, não há necessidade de as pessoas invadirem a terra. Até mesmo por motivos de segurança, será que o mundo ainda não percebeu que resolvemos tudo juridicamente e passivamente?

Usaria de novo a camiseta, em público?

Mas com toda a certeza do mundo. Eu uso todas as semanas e pretendo usar mais vezes, e se preparem que semestre que vem tá chegando e tem mais! Kkkkkk.

***

O observatório também pediu ao estudante detalhes sobre a composição da mesa do evento em Goiânia, aspecto que não ficou claro em sua resposta inicial. Mas ele preferiu não comentar. Também foi perguntado se ele considera que o futuro “orgânico”, como diz, é compatível com o modelo do agronegócio. Igualmente não quis responder. Foi oferecido, ainda, espaço para que ele fizesse outros comentários sobre os temas da entrevista.

LEIA MAIS:
Estudantes de agronomia da UFG pedem ‘menos amor e mais agrotóxico’

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