Maurício Ayer: a construção de um pós-desenvolvimentismo

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“É preciso criar novas escolas e universidades, novas estratégias de diálogo e comunicação, novas formas de ocupação do campo e da cidade, maneiras de enfrentar os mecanismos do capital no século 21”

Por Maurício Ayer


Outras Palavras está indagando, a pessoas que pensam e lutam por Outro Brasil, que estratégias permitirão resgatar o país da crise (Leia a questão completa aqui e veja todas as respostas dos entrevistados aqui).

Penso que é preciso atuar com vários horizontes temporais. De imediato, há que ir às ruas – entendidas como todo espaço de encontro/confronto público – para gerar solidariedades e acumular forças. Ao mesmo tempo, quando as oligarquias avançam despudoradas sobre os direitos, cria-se o momento propício para desmascará-las e escancarar os interesses e forças presentes na sociedade, politizar o imaginário, mobilizar os desejos. Isso é fundamental: denunciar e resistir, rasgar ao máximo o véu de normalidade com que se tenta cobrir esses tempos.

Enquanto isso, o campo da esquerda se reorganiza, mas isso leva tempo. 2018 poderá ser, na melhor hipótese, uma retomada parcial de poderes, mas só terá algum significado se houver massas nas ruas mantendo sob pressão qualquer que seja o governo – esperemos que mais à esquerda, mas pode ser à direita. No entanto, não vejo como virar a página se os grupos políticos não construírem (desde já) o(s) seu(s) projeto(s) popular(es) de país – um pós-lulismo, pós-desenvolvimentismo –, capaz de disputar o eleitorado de centro e de vencer eleições no médio prazo. Haverá aqueles entre nós que, por vocação, deverão atuar (desde já) para a construção estratégica de futuros possíveis. Denunciar e resistir intensamente hoje, mas também sonhar e produzir os embriões do futuro que ora não se apresenta. É preciso criar novas escolas e universidades, novas estratégias de diálogo e comunicação, novas formas de ocupação do campo e da cidade, maneiras de enfrentar os mecanismos do capital no século 21.


Maurício Ayer é escritor, tradutor e pesquisador de Literatura

TEXTO-FIM

Gunther Alexander: a inspiração do Podemos e das ações exemplares

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Em 2013, uma nova geração crítica despertou. Mas ela ainda não encontra formas políticas para articular seus desejos, nem se enxerga na hipocrisia dos velhos partidos

Por Gunther Alexander


Outras Palavras está indagando, a pessoas que pensam e lutam por Outro Brasil, que estratégias permitirão resgatar o país da crise (Leia a questão completa aqui e veja todas as respostas dos entrevistados aqui).

Como sair desta maré?

Para nos inspirar podemos olhar para a Espanha, a Índia e o Chile e compreender como se criam novas formas, partidos-movimento e frentes amplas onde o partido não é a vanguarda, mas sim uma ferramenta dos movimentos sociais. Tal é o caso do Podemos na Espanha e o Partido do Homem Comum na India, e tal é o caso da frente ampla organizada por Humanistas, Piratas e o RD no Chile.

No caso do Brasil, a resposta pode estar em Junho de 2013 e nas duas últimas eleições.

Em 2013 uma nova geração crítica despertou e começou a se expressar social e culturalmente, mas no campo político brasileiro esta juventude todavia não se definiu claramente.

Esta nova geração ainda não se organizou de forma mais permanente e, ao contrário do que os liberais querem vender, esta juventude não definiu seu campo ideológico. E de certa forma ela é mais transversal do que as gerações anteriores, pois tem um pensamento menos binário.

Nas duas últimas eleições, entre outros motivos, houve retrocesso porque esta geração não votou. A abstenção recorde indica que ela ainda está a espera de algo novo, talvez uma frente ampla e/ou um novo movimento que esteja mais de acordo a sua sensibilidade.

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Berenice Bento: Compreender que classe, raça e gênero são indissociáveis

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“Esquerda reduz feminismos, LGBTTI e movimentos negros a ‘pauta identitária’. Não entende que o neoliberalismo precisa de um sistema de valores que lhe dê sustentação; e que há conexão indissolúvel entre a família tradicional e a base do sistema econômico

Por Berenice Bento


Outras Palavras está indagando, a pessoas que pensam e lutam por Outro Brasil, que estratégias permitirão resgatar o país da crise (Leia a questão completa aqui e veja todas as respostas dos entrevistados aqui).

“Se você está confuso, está no bom caminho”. Li alguma coisa parecida há algum tempo. Tenho certa desconfiança daqueles que têm respostas prontas para tudo que tem acontecido no Brasil. Para quem trabalha no campo das interseccionalidades não basta afirmar: “em última instância…”. Me nego a pensar o mundo a partir de determinismo de qualquer ordem, seja de classe, de raça, de gênero, de sexualidade. E ao fazer isso, também reconheço, que há um campo possível de coligação (pensando aqui com filósofa Judith Butler) das esquerdas.

Não existe apenas a elite econômica, mas as elites políticas, as elites intelectuais, sexuais e de gênero. Seria coincidência que os direitos trabalhistas e previdenciários estão sendo atacados pelo mesmo Estado que tem atacado os direitos das mulheres, censurado os debates sobre diversidade de gênero, de sexualidade? Será coincidência que aqueles/as que votaram em 17 de abril de 2016, pela abertura do processo de impedimento da presidenta Dilma, vociferam suas declarações de voto em nome da família? Continuar lendo

Darlan Montenegro: Voltar ao governo, mas para mudar de fato o país

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“Os governos petistas limitaram-se a mudar ‘pelas beiradas’. Mas Interessa a toda a esquerda derrotar o golpe, garantir que Lula  possa concorrer e preparar o terreno para condições de enfrentamento totalmente distintas

Por Darlan Montenegro


Outras Palavras está indagando, a pessoas que pensam e lutam por Outro Brasil, que estratégias permitirão resgatar o país da crise (Leia a questão completa aqui e veja todas as respostas dos entrevistados aqui).

É um equívoco contrapor as lutas sociais à disputa eleitoral de 2018. As eleições são a expressão da capacidade que os segmentos populares dispõem, nesse momento, de fazer a luta política. E a luta política é sempre o elemento decisivo das grandes disputas sociais. A questão do poder político tem que estar posta, todo o tempo, para as forças sociais populares, sob pena de essas forças permanecerem prisioneiras da lógica social em que se constitui a sua dominação. Sabemos disso desde que Lênin publicou o Que Fazer?, em 1902.

Evidentemente, nem as eleições de 2018 configuram a possibilidade de tomada do poder pelas forças populares, nem um eventual novo governo Lula significará a chegada ao socialismo. Muito longe disso. Mesmo assim, o raciocínio exposto acima se aplica. As disputas em torno do poder político estão sempre articuladas às lutas sociais. O golpe não foi apenas um golpe contra o mandato de Dilma Rousseff. Ele desencadeou uma ofensiva contra conquistas e direitos estabelecidos ao longo de muitas décadas, ofensiva essa que só pode estar acontecendo porque as condições políticas assim o permitem. E essas condições, nesse momento, são caracterizadas pelo rompimento quase completo entre a vontade popular e os espaços de tomada de decisão política. A realização de eleições não significará, é claro, o estabelecimento do controle popular sobre o governo. Não é esse o objetivo dos regimes liberais-representativos. Mas significará (ou poderá significar) uma maior aproximação entre a vontade popular e a tomada de decisões. Continuar lendo

Alceu Castilho: o papel essencial dos povos do campo

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As estratégias de resistência precisam incorporar outros povos (do campo e das periferias) a narrativas já um tanto cansadas de uma esquerda — e não somente a identitária — que se acostumou demais a contemplar a si mesma

Por Alceu Castilho


Outras Palavras está indagando, a pessoas que pensam e lutam por Outro Brasil, que estratégias permitirão resgatar o país da crise (Leia a questão completa aqui e veja todas as respostas dos entrevistados aqui).

Não vejo a ofensiva ultraconservadora apenas nesse campo jurídico, da República de Curitiba e setores relacionados. Até vejo contradições internas na elite política e econômica a respeito. Mas a ofensiva reacionária, sim, está clara, com uma centralidade grande (ainda que não a única) em Brasília, no governo Temer, ilegítimo, e no Congresso. Existe aí uma questão quase geográfica, de centralidades (entre Brasília e Curitiba), que precisa ser respondida de modo mais capilarizado do que a esquerda urbana se acostumou a fazer. E o que aconteceu no dia da greve geral, e naquela semana, foi uma amostra disso. Somente iniciativas de manifestações urbanas, em locais concentrados, tornarão a esquerda — ou os resistentes — presa fácil das polícias a serviço dos golpistas. É preciso haver simultaneidade de ações (com greve ou sem greve) e capilaridade geográfica, com a participação de povos da cidade e povos do campo. Naquela semana tivemos manifestação indígena em Brasília, reprimida diante da concentração excessiva, e tivemos atos em centenas de municípios. Com a participação, por exemplo, de camponeses e camponesas. Esse colorido, esse mosaico, essa diversidade precisam ser mais valorizados pelas forças de resistência. E capitalizados no discurso que se seguirá (ou a eles serão simultâneos) aos atos, aos protestos, aos gritos. Esses gritos precisam ser ouvidos internacionalmente, mas é preciso haver uma densidade — uma densidade geográfica e de massas que faça frente à força do monopólio midiático. As estratégias de resistência precisam passar pela comunicação e pela incorporação de outros povos (do campo e das periferias) a narrativas já um tanto cansadas de uma esquerda — e não somente a identitária — que se acostumou demais a contemplar a si mesma”.


Alceu Castilho é jornalista e escritor. Publicou O Partido da Terra; coordena e edita o projeto e site De Olho nos Ruralistas

Felipe Milanez: jovem resistência indígena enterrará velhos ruralistas

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Acampamento Terra Livre provou a capacidade política em uma das maiores mobilizações indígenas da história do país. Nessa nova geração, emerge ainda um movimento feminista, que deve chacoalhar o pensamento radical

Por Felipe Milanez*


Outras Palavras está indagando, a pessoas que pensam e lutam por Outro Brasil, que estratégias permitirão resgatar o país da crise (Leia a questão completa aqui e veja todas as respostas dos entrevistados aqui).

As bombas jogadas pela polícia contra a marcha pacífica dos indígenas, em 25 de abril, não foram suficientes para abafar os gritos de guerra. As fumaças do gás lacrimogênio não tiravam o fôlego de quem corria pelos gramados da Esplanada, transformados num campo de batalha.

E não escrevo de forma retórica: observei os guerreiros com flechas correndo contra a nuvem tóxica, em direção ao Congresso Nacional. Corriam com flechas apontadas contra revólveres e espingardas. Nesse cenário, vi xavante com o olho ardendo, tossindo, mas gritando de forma contínua e intercalada; um guarani chutando as bombas; um jovem pataxó pegando uma bomba com a mão e lançando contra os novos bugreiros uniformizados; um grupo pankararu cantando e dançando o toré com tanta força espiritual que o lacrimogênio virou gelo seco em frente ao Ministério da (in)Justiça.

A força da mobilização vinha de quem sabe suspender o céu. Do carro de som ecoavam cantos xamânicos, cantos de força espiritual e de proteção, cantos para pacificar os inimigos. Eram velhos xamãs marchando ao lado de jovens guerreiras e guerreiros; avôs e avós de braços dados com seus netos e netas.

Essa foi a mais linda, a mais inspiradora e a mais estimulante de todas as 14 mobilizações do Acampamento Terra Livre (ATL), organizado pela Articulação dos Povos Indígenas (Apib), em Brasília, no Abril Indígena. Este ATL 2017 não foi apenas uma das maiores mobilizações políticas dos povos indígenas, com mais de quatro mil lideranças do País todo, mas a mais jovem e inovadora, liderado por uma terceira geração do movimento.

Na segunda marcha, na quinta-feira 27, todos e todas viram quando um pajé lançou um feitiço que desequilibrou o policial montado num cavalo. A juventude riu do policial, e prestou reverência ao velho pajé. Me parece esse um maravilhoso símbolo dessa construção coletiva do movimento indígena, no qual a nova geração assume o protagonismo com um respeito que é raro de ser observado em outros movimentos sociais.

Com bombas, bala e cassetetes, as agressões físicas do governo Temer não intimidaram quem pertence a essa terra. Apenas serviu para mobilizar e engajar ainda mais a jovem resistência reunida em Brasília. “A bala de borracha e o spray de pimenta que são lançados contra nós, ainda está muito longe de ser, de representar, a violência que a gente vive nas terras indígenas. Todos os dias os ataques, todos os dias os assassinatos”, disse Sonia Guajajara, secretaria-executiva da Apib, em entrevista a Daiara Tukano, da Rádio Yandé, num vídeo que bombou de visualizações nas redes sociais. “A luta é nossa e não vamos recuar”, completou, na entrevista disponível na página da Yandé no Facebook.

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Bombas contra os indígenas. Só mais um episódio de violência

A Rádio Yandé, aliás, bombou e fez bombar muitas mensagens insurgentes: por Whatsapp desde o campo de batalha, as informações de Daiara, Idjahuri Kadiweu, Anapuaka Tupinamba e Naine Terena eram postadas à distância por Renata Tupinambá, e rapidamente atingiam milhares de visualizações. Que lindo ver indígenas em resistência numa batalha campal, junto de indígenas numa batalha midiática e das narrativas.

Como os velhos ruralistas sentados no poder usurpado irão calá-la se os indígenas que a fazem não dependem de um centavo de anúncio do governo? A lógica da comunicação da Yandé é diferente da lógica da imprensa que divide em anúncios inescrupulosos o bolo do golpe, que se presta a propagandear contra direitos da classe trabalhadora, a favor da reforma trabalhista e do fim da Previdência: a Yandé é o novo jornalismo, descolonial, situado, comprometido. Informa o Brasil desde o ponto de vista do indígena – e não desde o ponto de vista da Casa Grande, do Capital, da linha de cima do racismo, da bolha do confinamento racial do jornalismo brasileiro.

Esse estúpido cenário de guerra produzido pelo autoritarismo do atual governo ao menos serviu para ilustrar, em imagens que giraram o mundo, que vivemos em um Estado de Exceção. Tal como explica Sonia, os povos indígenas vieram a Brasília “dizer o que é uma democracia”. E foram recebidos com covarde truculência.

As bombas que ecoaram na Esplanada assustaram muitos jovens e representaram um rito de iniciação. Foi a primeira vez que Piray, jovem Awa Guajá classificado de “recente contato” pela Funai, saiu do Maranhão. Ele veio para mostrar que aqueles “isolados” ou de pouco contato, também devem ser ouvidos e respeitados.

Geraldino Patté, do povo Laklãnõ/Xokleng, também saiu pela primeira vez do sul do Brasil. Ele sabe muito bem de toda a história da violência dos bugreiros contra seu povo, dos contos de atrocidade do Martinho Bugreiro. E agora, com sua irmã que cursa mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina, investigam e denunciam a tentativa de construção de usinas hidrelétricas no seu território. Ele postou uma linda foto sua no Facebook, segurando uma lança: “A batalha é grande, mas eu não desistirei dessa luta. Orgulho de ser indígena. Orgulho de ser Laklãnõ/Xokleng”.

De repente, nesse encontro, eu estava numa roda de conversa entre Geraldino e Auricélia Arapium, que é uma intelectual orgânica do movimento Em Defesa da Vida e da Cultura do Rio Arapiuns, liderança indígena, estudante de direito da Universidade Federal do Oeste do Pará, em Santarém. De norte a sul, era uma luta por direitos, para denunciar o racismo institucional, o apagamento da história. São indígenas que estão conseguindo furar o confinamento racial das universidades brasileiras, e repensando a nossa história para projetar um novo futuro.

Nessa nova geração, emerge ainda um movimento feminista que deve chacoalhar o pensamento no Brasil: são as xinguanas organizadas no movimento Yamarikumã, as mulheres de Roraima, os movimentos com apoio da ONU Mulheres, rodas de debate e plenárias das mulheres. Telma Taurepang, uma das mulheres que lideram essa onda feminista indígena, anunciou a convocação da primeira Marcha das Mulheres Indígenas, que vai acontecer em 8 de março do ano que vem. Anotem na agenda.

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Idjahuri Kadiweu e Anapuaka Tupinambá: os índios fazem notícia

Políticos indígenas como o vereador xinguano Mutuá Mehinaku, do povo Kuikuro, de Gaúcha do Norte, que é mestre em linguística pelo Museu Nacional da UFRJ, estão assumindo o poder institucional com o intuito de transformar a representação e radicalizar a democracia: “Temos que ocupar esse espaço da política. Chega de falarem por nós, nunca nos representaram. Somos nós que temos que estar no parlamento nos representando a nós mesmos”, me disse Mutuá.

Quem sabe um dia, em vez de grileiros e ruralistas, os eleitores e as eleitoras do estado do Mato Grosso contribuam para o Brasil elegendo como deputados brilhantes intelectuais indígenas, como Mutuá, para ajudar a construir um país mais igualitário, justo e democrático.

O encontro teve luta em múltiplos sentidos: a luta na Esplanada, a luta intelectual na organização de comissões, de debates, a luta política com deputados, senadores, e a recusa em receber ministros ruralistas do governo Temer. Encontros que cruzavam realidades de Norte a Sul, povos geograficamente distantes mas politicamente muito próximos, epistemologicamente vizinhos, lado a lado a enfrentar o genocídio. Do Xokleng no sul do Brasil, aos povos que vivem no Tapajós e na bacia do Juruena, todos e todas trocavam informações, ideias e estratégias para enfrentar o barramento e morte de seus rios de vida.

Várias lideranças que encontrei e conversei cursam mestrado, falam a língua, aprendem na universidade e valorizam cada vez mais o conhecimento da aldeia. Sabem também que a luta ensina, aprendem com o movimento indígena e com as vozes mais antigas das aldeias. Esse encontro talvez tenha marcado a emergência de uma terceira geração do movimento indígena.

E o que é muito interessante, comentou comigo Ailton Krenak, grande liderança do primeiro movimento nos anos 1980, e que não esteve dessa vez em Brasília, é que todas essas gerações se reconhecem, com empatia, que não é comum, como ocorre muitas vezes que uma nova vem desqualificar os velhos. “Há alguma herança no sentido cultural, que distingue esse movimento indígena de outros movimentos. E essas vozes não vão ser caladas. Não vamos nos calar, nem imobilizar nossa capacidade de luta ante a força bruta dos aparatos de proteção do Estado dominado pelo Capital sem fronteiras”.