Humor: antídodo à violência e ao conformismo?


Maior forma política da História, a cidade é, também, o lugar em que surge a caricatura. Um seminário em Belo Horizonte debate os sentidos e possíveis papeis rebeldes do humor


MAIS
Veja também o Programa, conheça os Conferencistas e faça sua Inscrição no colóquio

A cidade e o humor

Para Paul Virilio a cidade é a maior forma política da história. É no mercado, local por excelência de encontro e da interseção de caminhos variados, que a caricatura surge na Itália. A cidade é por definição o lugar dos trajetos, lugar da organização do contato. Nessa direção a cidadania é para esse autor a organização dos trajetos entre os grupos, os homens. Se o ar da cidade torna os homens livres, a proximidade provoca a reserva externalizada pelo habitante da metrópole. E de acordo com Simmel, ‘“não é apenas a indiferença” a face interna dessa reserva exterior, mas, mais frequentemente do que nós temos consciência, uma secreta aversão, uma distância e uma rejeição recíprocas que, em caso de contato por razões quaisquer, degenerariam rapidamente em ódio e em conflito. Todo esse agenciamento interior de uma vida de trocas fortemente variadas, repousa sobre uma gama de indiferenças e aversões, sejam momentâneas, sejam duráveis.” (Simmel, p 23-24). Se o homem experimenta esses movimentos de atração e de repulsa, de sentimentos díspares, qual papel o humor desempenharia no agenciamento interior, na ecologia subjetiva (Guattari) do habitante da metrópole?

Seria o humor, dissimulado ou manifesto, uma das dimensões da liberdade de pensamento? Seria um dos meios de contornar ou de desviar-se da alienação? O humor (a ironia, o sarcasmo, a paródia), sua expressão visual (desenho de humor, caricatura), ou sonora (canção satírica), poderia jogar com a riqueza da língua para impedir ou modificar a aparição de relações de violência?

“Se o humor ataca o consenso, o conformismo, a rigidez e o sectarismo, ele instaura a distância face a si, uma distância que o consenso abole” (Sibony, p 184).

Continuar lendo

TEXTO-FIM

Violência: quem lucra, quem morre

150618-Violência
Um adolescente é assassinado a cada hora: 24 por dia, 42 mil até 2019. Excelente negócio para a indústria armamentista, que elegeu 21 deputados no último pleito

Por Celso Vicenzi

A violência toma conta das cidades. É o que se ouve, é o que se vê, é o que se lê, cada vez mais, nos principais veículos de comunicação. A tese não é equivocada, apenas é incompleta e mal explicada. Não faltam evidências empíricas, no dia a dia dos brasileiros, para concluí-la verdadeira. Tampouco as pesquisas e os estudos desmentem o que a mídia esforça-se por ampliar: a sensação de insegurança, de viver num cenário de permanente violência.

Somos, sim, um país violento. E não é caso recente. A população indígena foi praticamente dizimada no contato com portugueses e outros povos europeus, no início da colonização. Fomos o penúltimo país a acabar com a escravidão. Chegamos ao século 21 entre as cinco nações mais desiguais do planeta. E, até hoje, a tortura tem sido largamente empregada por forças policiais no dia a dia das delegacias e penitenciárias. Continuar lendo

SP: Prefeitura encara as chacinas

317939_520288521324649_1258011024_n

Secretaria dos Direitos Humanos participa de audiência pública, no Capão Redondo, onde já morreram 7 pessoas desde o início do ano

Por Lino Bocchini

A primeira audiência pública do novo secretário de Direitos Humanos do município de São Paulo, Rogério Sotilli e também a primeira do secretário de promoção da Igualdade Racial, Netinho de Paula, acontecerá nessa quinta-feira, 23 de janeiro, 14h no Capão Redondo. O encontro com entidades e a população local será no Parque Santo Dias, ao lado do metrô Capão Redondo. O ato foi articulado pelos movimentos sociais e culturais da zona Sul, e a principal motivação foi a chacina que aconteceu no primeiro sábado de 2013, 5 de janeiro, deixando sete jovens mortos no Jardim Rosana, próximo do local onde será a audiência. Continuar lendo