SP sem água, 28/10 — Passado e futuro da crise

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Como governo paulista agravou problema, ao evitar racionamento. Por que mais produtos químicos estão sendo misturados à água. Os riscos de “El Niño” produzir mega-seca, em 2015

Por Camila Pavanelli de Lorenzi

O boletim de hoje está organizado em três seções: passado, presente e futuro. A gravidade da crise exige que olhemos para tudo ao mesmo tempo: o passado, para tentarmos aprender com os erros e evitar sua repetição; o presente, para tentarmos entender o que está acontecendo agora; e o futuro, para tentarmos voltar a ter água um dia. Toscamente falando, é isso. Vamos lá:

Passado:

– ONGs como a ISA e o Idec afirmam que o governo estadual e a Sabesp erraram na administração do Sistema Cantareira, mantendo inalterada a captação de água durante a seca que se abateu sobre a região na estação chuvosa, de outubro a fevereiro (http://bit.ly/1teNyfG). Além disso, as ONGs acusam o poder público de se omitir e esconder informações.

– O que seria essa omissão de informações? É preciso contar a história desde o princípio: com base na Lei de Acesso à Informação, o Idec solicitou à Sabesp em setembro a divulgação do mapa de diminuição de pressão noturna na distribuição de água. A empresa simplesmente não enviou o material requisitado. O Idec, então, acionou o MP e o Procon em 20/10 para que a Lei de Acesso à Informação fosse cumprida: o acesso ao mapa poderia mostrar aos consumidores os locais onde a diminuição de pressão poderia ocasionar problemas no abastecimento (http://bit.ly/1wkzdgs). Continuar lendo

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Metrô-SP, em crise, admite: trens abriram portas em movimento

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Após três meses de silêncio, empresa do governo paulista admite ocorrência, que considera “normal”. Matérias revelam sucessão de falhas, cada vez mais graves

Por Tadeu Breda, da RBA e Vinicius Gomes

A Companhia do Metropolitano de São Paulo admitiu, em nota enviada à reportagem na tarde de ontem (12), que duas composições do Metrô realmente abriram portas em movimento nos últimos dias 1º e 2 de novembro. E argumentou que é “normal” as portas se abrirem antes da imobilização completa do trem.

Ocultado pela empresa, o defeito foi denunciado por RBA e Outras Palavras na última quinta-feira (7), com base no relato de funcionários e no registro de falhas da própria companhia. Por isso, o Metrô não teve como negá-las. As panes aconteceram nas estações Pedro II e Belém, na Linha 3 Vermelha, e acometeram dois trens recém-reformados pelo consórcio MTTrens. As composições pertencem à chamada frota K, recordista em problemas. Continuar lendo

SP: duas vitórias contra violência policial

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Crédito: Fora do Eixo. Clique para mais fotos.

Prefeitura comparece a audiência em que movimentos denunciam massacres. Governo do Estado admite envolvimento da PM em chacina e prende seis soldados

Por Bruna Bernacchio

Dois fatos importantes, ambos nesta quinta-feira (24/1), marcaram a primeira vitória efetiva dos movimentos sociais de São Paulo contra a onda de violência policial que há meses amedronta a cidade. No Capão Redondo, periferia sul da metrópole, autoridades — dois secretários do novo governo municipal — compareceram pela primeira vez a uma audiência pública em que a população denunciou práticas sistemáticas de intimidação, brutalidade e mortes. Horas depois, a secretaria de Segurança do Estado reconheceu que policiais participaram diretamente da execução de sete pessoas, em 5 de janeiro e comunicou a prisão de seis dos envolvidos.

Os secretários Rogério Sottili, dos Direitos Humanos e Netinho de Paula, da Igualdade Racial, além de outros integrantes de prefeitura, ouviram mais de trinta entidades no Capão. Realizada no Parque Santo Dias — cujo nome homenageia um metalúrgico negro morto em piquete de greve pela PM, em 1979 — a audiência chegou a reunir duzentas pessoas. O estopim para convocá-la foi precisamente a chacina do início do ano, ocorrida na mesma região. Vozes até então ignoradas ecoaram. Muitos dos participantes esperavam, por parte dos representantes da prefeitura, uma posição mais ativa contra a violência. Todo o evento foi transmitido ao vivo e gravado pela PósTV, canal livre na internet. O slogan convidativo #NãoMatarásNenhumBrasileiro virou tema destacado no twitter brasileiro. A mídia comercial repercutiu o acontecimento e aparentemente começa a dar a importância à pauta.

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