São Paulo, metrô privatizado?

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Como as políticas do governo paulista estão degradando um sistema de transporte público que foi símbolo de excelência. Uma privatização em surdina, e com enorme favorecimento ao comprador. Os metroviários resistem, e tornam-se decisivos nas greves gerais contra a agenda de retrocessos

Wagner Fajardo, entrevistado por Antonio Martins, com vídeo de Gabriela Leite

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Entrevista com Dilma: questões que Mônica Bergamo não fez

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Presidente parece continuar sem rumo claro na crise — mas segue muitos passos adiante da oposição conservadora

O cenário da política institucional brasileira segue tão indefinido, após os protestos de junho, que mesmo a excelente repórter Mônica Bergamo não foi capaz de obter grandes definições da presidente Dilma Roussef, a quem entrevistou por três horas, na semana passada. A entrevista completa pode ser lida livremente aqui. Eis algumas impressões: Continuar lendo

Sonegar, esporte global das elites

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Novos dados revelam: em todo o mundo, nunca as grandes corporações e milionários pagaram tão poucos impostos

Por Inês Castilho

O escândalo da sonegação de impostos pela Rede Globo está chamando atenção da opinião pública – talvez por incluir cenas de novela mexicana. Pastas repletas de documentos comprometedores contra a emissora foram surrupiadas, numa bolsa, por uma funcionária da Receita Federal. Rumores sugerem que auditores fiscais foram eliminados fisicamente, por saberem demais (veja mais a respeito em Outras Mídias). Mas, embora menos parecido a lances de novelas, a redução constante da contribuição financeira dos milionários e das grandes corporações para a manutenção dos serviços públicos, é uma epidemia mundial.  Continuar lendo

Mais dinheiro para os bairros mais ricos em 2012

Orçamento municipal de São Paulo continua violando os direitos humanos na periferia: Prefeitura aumenta a dosagem de falta de investimento nas regiões mais carentes

Na última sexta feira (15), a Câmara Municipal de São Paulo aprovou um aumento no Orçamento da cidade para 2012. A receita estimada é de R$ 38,8 bilhões. O dinheiro destinado para a região de M’ Boi Mirim, na Zona Sul da capital, sofreu uma redução de 45%, enquanto Pinheiros, bairro nobre da Zona Oeste, teve alta de 12%. Em 2011, M’ Boi contou, na teoria, com R$ 66 milhões. Em 2012, o valor será reduzido para R$ 36 milhões — quase à metade. Pinheiros, que no ano que se acaba contou com recursos públicos da ordem de R$ 30 milhões, para o próximo já tem aprovado R$ 35 milhões.

E isso apesar das disparidades sociais evidentes: M’ Boi Mirim, que compreende os distritos do Jardim Ângela e Jardim São Luiz, abriga uma população estimada de 563 mil habitantes contra 289 mil de Pinheiros, uma região com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) comparado a países ricos — soma 0,91 pontos no ranking do bem-estar mundial elaborado pela ONU. Em M’ Boi, o IDH é de 0,64, abaixo da média nacional, próximo de alguns países africanos. Este índice se reflete na falta de investimento público na região. Faltam creches, escolas, transporte de qualidade e equipamentos de cultura, como teatros, museus, cinemas, bibliotecas etc. Bairros mais afastados não contam sequer com pavimentação ou saneamento básico.

Em Pinheiros acontece o contrário. A região conta com transporte público de qualidade. A linha Amarela do metrô, que por enquanto liga o Butantã, na Zona Oeste, à Luz, no Centro, acaba de ser inaugurada. Seu trajeto beneficia sobretudo os moradores de Pinheiros, que já usufruem de duas estações localizadas no bairro: Pinheiros e Faria Lima. Até 2013, o governo do Estado e o Consórcio Via Quatro, responsável pela construção da primeira linha privatizada de metrô da cidade, entrarão em funcionamento mais duas estações na região: Fradique Coutinho e Oscar Freire.

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Europa: sinais de um outono quente

Espanha e Grécia vivem greves maciças. Livro debate ocupações de praças pela juventude — que lançou chama da resistência

A defesa dos direitos sociais e dos serviços públicos — um dos motes das ocupações de praça pela juventude espanhola, entre maio e junho — começou a contagiar os trabalhadores. Mais de 90 mil pessoas participaram ontem (4/10), em Madri, de uma marcha em defesa da Educação (foto), contra os cortes de verbas ordenados pelos governos nacional e local. Convocado originalmente pelos sindicatos (que iniciaram uma greve geral de três dias), o protesto foi engrossado por estudantes e se converteu na maior manifestação pelo ensino público, em vinte anos. Já na Grécia, a convocação para hoje de uma greve geral foi ampliada nas últimas horas. Soube-se que União Europeia e FMI estão cobrando do governo, para liberar uma parcela do pacote de “ajuda” financeira ao país, a supressão do salário mínimo

Também começam, informa Pep Valenzuela, nosso colaborador em Barcelona, as assembleias do M-15 (referência a 15 de maio), e Democracia Real Ya –, que articularam as mega-mobilizações da juventude na Espanha. As reuniões ainda são pequenas, diz Pep (as férias de verão terminaram há pouco); e a presença, nos movimentos, de distintas visões sobre as eleições gerais deste mês provoca certa confusão. Mas nada indica que o ímpeto do primeiro semestre tenha passado.

A este respeito, a revista virtual de Outras Palavras traz hoje uma entrevista importante. O cientista político Carlos Taibo fala de seu livro recém-lançado sobre os novos movimentos da juventude (El M-15 en sesenta preguntas). Professor titular de Ciência Política na Universidade Autônoma de Madri, Taibo (veja seu site) tem ligações com o marxismo, mas dedicou-se, nos últimos anos anos, ao exame da nova cultura política de autonomia, à busca de formas de democracia direta e à crítica do antigo desenvolvimentismo.

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