Reforma Política – a nova disputa

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Brasília ameaça tornar ainda piores o sistema eleitoral e seu financiamento. Ativistas e cientistas políticos buscam uma saída de sentido oposto – e convidam para um debate, nesta segunda-feira


DEBATE:
> O que fazer para reformar a política: 1. Financiamento eleitoral e partidário
Segunda, 7/8, às 19h
Com Vigência, Nova Democracia, Outras Palavras, MTST, Arrua, Bancada Ativista
E mais: Ladislau Dowbor (PUC-SP), Oswaldo Amaral (Unicamp), Wagner Mancuso (USP)
> Rua Conselheiro Ramalho, 945 – Bixiga – São Paulo (mapa) – Metrô São Joaquim ou Paulista
Entrada grátis – ajude a divulgar
aqui

Mal acabou a última sessão macabra – em que o presidente Temer ofertou R$ 17 bilhões aos deputados, para bloquear a investigação das propinas que teria recebido da JBS – e já começa, em Brasília, um novo show de horrores. Na próxima semana, o Congresso começará a fechar, de costas para a sociedade, o pacote do que chama de “Reforma” Política. Nada, no que está em debate, permitirá que a sociedade tenha algum controle sobre o que é decidido em seu nome.

Ao contrário: no momento em que se multiplicam os cortes de verbas para serviços públicos essenciais, deputados e senadores preparam-se para contemplar seus próprios partidos com um presente. Um fundo eleitoral poderá destinar R$ 3,5 bilhões para o financiamento das campanhas eleitorais – que alguns já consideram as mais caras do mundo. O valor saltaria para R$ 6 bi, já em 2018.

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TEXTO-FIM

Contra o retrocesso, a possível Pauta Plebeia

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Reduzir a dez salários mínimos os vencimentos das principais autoridades do país. Eliminar vantagens e privilégios. Vetar o marketing nas campanhas eleitorais. Abrir caminho para democracia direta

Por Antonio Martins | Imagem: Gontran Guanaes Netto

O ambiente político tornou-se um pouco menos sufocante, nos últimos dias. Ontem, operação da Polícia Federal contra o deputado Eduardo Cunha acuou o personagem mais comprometido com os retrocessos políticos, sociais e ambientais. No domingo manifestações minguantes e um discurso cada vez mais bizarro enfraqueceram a proposta de impeachment – que, embora constitucional é incabível para os atos praticados por Dilma, como demonstrou com serenidade o jurista Dalmo Dallari. Hoje, a legalidade será defendida por movimentos populares e intelectuais, em dezenas de atos. Mas o alívio será apenas passageiro, por uma razão estrutural. No Brasil, ao contrário de inúmeros outros países, o mal-estar contra o sistema político, a ira contra a “casta” que sequestra a democracia, foram capturados pelas forças mais antidemocráticas e conservadoras.

Seria possível escrever longamente sobre as razões. A esquerda, no governo há treze anos, cedeu a um ultra-realismo pragmático e acreditou que poderia manejar em seu proveito os mecanismos carcomidos do poder institucional. Ao tentar uma aliança com a oligarquia financeira (é este o sentido verdadeiro do “ajuste fiscal”), o segundo governo Dilma rompeu com suas bases populares e tornou-as vulneráveis ao discurso de desmoralização da esquerda, entoado pela mídia. As elites não querem desperdiçar a oportunidade estratégica de humilhar quem desafiou (ainda que de forma tímida e muito limitada…) seu domínio secular. Mas a análise detalhada destes fatores poderá ser feita mais tarde. O importante agora é escapar de uma cilada política que pode ter consequências devastadoras – não apenas, nem principalmente, para o governo; mas para todos os que se indignam com o que a “era Cunha” representa. Continuar lendo