Por que o Parque do Bixiga?

Captura de tela de 2017-12-11 17-42-01Como surgiu, no centro de São Paulo, um reduto de re-existência cultural, que dribla a especulação imobiliária. Como um projeto do Grupo Silvio Santos ameaça destruí-lo. Qual a alternativa

Por Cafira Zoé e Camila Mota, com colaboração de Marília Gallmeister e Clarissa Mor

No dia 05 de dezembro de 2017 foi publicado um artigo de Gabriel Rostay, especialista em política urbana, afirmando que: no terreno de Sílvio Santos, “presente” seria um empreendimento de uso misto.

PARALELO HISTÓRICO

No dia 23 de outubro, depois da aprovação no CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) do empreendimento imobiliário referente a torres residenciais de 100 metros de altura e 3 andares de estacionamento subterrâneo no terreno pertencente ao Grupo SS, no entorno tombado do Teatro Oficina, área envoltória de outros bens tombados: Casa de Dona Yayá, TBC, Escolinha Primeiras Letras e Castelinho da Brigadeiro, uma grande campanha pública se iniciou, clamando a Silvio Santos que desse um presente à cidade de São Paulo: um uso público, coletivo, à área em questão, que se caracteriza como último chão de terra livre no centro da cidade.

É desejo público que o terreno de quase 11 mil m² no vale entre as ruas Jaceguai, Abolição, Japurá e Santo Amaro, receba o Parque do Bixiga, que já tramita como projeto de Lei (805/2017), e prevê a criação de uma área pública verde, de característica cultural, no coração da Bela Vista, Bixiga, se estruturando através de um programa público abrangente confluindo cultura, educação, saúde e ecologia. Trata-se, assim, da criação de uma área pública de cultura para lazer, práticas artísticas, ações formativas, ecológicas, hortas comunitárias, contando ainda com bosques para caminhadas e espaço coletivo, de estruturas efêmeras, para eventos culturais no bairro.

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Arte e conhecimento nas bordas da metrópole

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7º Encontro Estéticas da Periferia oferece, a partir de amanhã, uma semana de atividades artísticas e debates que têm como protagonistas 33 coletivos, de 17 territórios de São Paulo

Trinta anos de Racionais MC’s. Vinte anos do Samba na Laje. Vinte anos da literatura de Ferrés. As manifestações artísticas das periferias têm muito a comemorar em 2017, e vão fazer barulho a partir desta sexta-feira, 25 de agosto, com a abertura do Encontro Estéticas da Periferia no Auditório do Ibirapuera. Além desses artistas, o Encontro homenageia a Agenda Cultural da Periferia – um guia da arte urbana e periférica que completou 10 anos em maio passado, luta pela sobrevivência e marca a efervescência cultural das bordas da metrópole.

“O Encontro chega à sua sétima edição como um arco-íris em meio à tempestade. A arte que resiste e insiste em se manifestar apesar de tanta brutalidade”, afirmam os organizadores.

Idealizado pela ONG Ação Educativa, o Estéticas das Periferias mobiliza diversos espaços culturais em todas as áreas dos fundões da capital paulistana – de sul a norte – por uma semana. O experimentalismo artístico marca a programação, que é construída colaborativamente por 33 coletivos (entre eles Ação Educativa, Amigas do Samba, Batekoo, Bodega do Brasil, Capão Cidadão, Clariô, Coletivo Ocupa, Cia. Decálogo Jalc, Espaço Comunidade, Espaço Cita, Hip Hop Mulher, Imargem, Instituto Cultural Dandara, Instituto Pombas Urbanas – Cooperativa de Artistas, Levante Mulher, Museu do Futebol, Ocupação Hip Hop, Perifatividade, Periferia em Movimento, Poetas do Tietê/Cena Norte, São Mateus em Movimento, Slam da Guilhermina, Terreiro de Bamba, Umojá, UNAS) e conta este ano com mais de 100 atrações em toda a periferia e região central.

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Leandro, da Favela do Moinho, morto pela PM aos 18

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Leandro refugiou-se dentro de uma casa da comunidade e foi perseguido pela Polícia. Lá dentro, assassinam-no

Em ação policial não autorizada pela Justiça, policiais paulistas matam, prendem testemunhas e reprimem quem protesta

Com informações de moradores do Moinho

Na manhã desta terça-feira, 27/7, a Polícia Militar de São Paulo invadiu – sem ordem judicial – a Favela do Moinho. A operação, que segundo o Comando da PM visava desbaratinar supostos laboratórios de droga, saiu apenas com o saldo de mais um assassinato de um jovem negro e pobre em sua conta.

Desastrados e violentos, os policiais invadiram sem mandato diversas moradias. Leandro, 18, conhecido como Chiclete, buscou refúgio dentro de uma casa da comunidade e foi perseguido pela Polícia. Lá dentro, foi assassinado. A proprietário do barraco, testemunha presencial da execução, foi levada pela Polícia Militar, sem o acompanhamento de advogados, e seu paradeiro é desconhecido até o momento, assim como o de dois jovens agredidos e levados pela PM.

Os/as moradores que protestaram contra a violência policial também foram agredidos com bombas, balas de borracha, spray de pimenta e gás lacrimogêneo, tanto dentro da favela, como ao fecharam a Av. Rio Branco em repúdio à morte de Leandro. A Favela do Moinho permanece em vigília e divulgará em breve novas informações sobre as mobilizações contra a truculência e a agressão sofrida pela comunidade.

Metrô funciona com operadores sem treinamento adequado

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De acordo com sindicalistas, o Metrô age com irresponsabilidade e expõe usuários aos riscos

Por Vinícius Gomes Melo

No início dessa tarde de greve geral no Brasil, o governo do Estado de São Paulo informou que o Metrô e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) voltaram a funcionar parcialmente.

Na linha Azul do Metrô, que liga a zona norte à zona sul, os trens circulam entre as estações Ana Rosa e Luz, com exceção da Sé. Na linha 2 (Verde), funciona o trecho entre Ana Rosa e Clínicas. A linha 4 (Amarela), e a linha 5 (Lilás), operam normalmente. A linha 3 (Vermelha), uma das mais movimentadas que liga as zonas Leste-Oeste da cidade, segue paralisada.

No entanto, segundo fontes junto ao Sindicato dos Metroviários, isso é uma tentativa perigosa do Metrô. “Mesmo com adesão à greve de parte dos supervisores, o Metrô insiste em colocar estes [outra parte dos supervisores], com treinamento precário, expondo usuários aos riscos de operarem sistema sem o devido treinamento. Além disso, se houver falhas não haverá quem normalize, podendo causar transtornos”. Continuar lendo

Cem dias sem políticas para mulheres em SP

ASSINATURA DO TERMO DE ADESÃO AO PROGRAMA “MULHER, VIVER SEM VIOLÊNCIA” DATA:26/08/2013 – segunda-feira HORA:	11h00 LOCAL:	Rua Vergueiro, 1000 - Paraíso Centro Cultural São Paulo – Sala Adoniran Barbosa ROTEIRO 	10h30	?	Chegada dos convidados. 11h00	?	Chegada do Exmo. Sr. FERNANDO HADDAD, Prefeito de São Paulo e Dra. ANA ESTELA HADDAD, recebidos pela Sra. DENISE MOTTA DAU, Secretária Municipal de Políticas Para as Mulheres. 	 	11h00	?	Chegada do Exmo. Sr. GERALDO ALCKMIN, Governador do Estado de São Paulo. 	 		?	Encaminhamento para a Sala Vip. 	 		?	Composição de palco. Início da cerimônia. 	 		?	Palavras da Sra. DENISE MOTTA DAU, Secretária Municipal de Políticas Para as Mulheres. 	 		?	Palavras da Sra. ELOISA DE SOUZA ARRUDA, Secretária de Estado da Justiça e Defesa da Cidadania. 	 		?	Palavras da Sra. DANIELA SOLLBERGER CEMBRANELLI, Defensora Pública Geral do Estado de São Paulo. 	 		?	Palavras do Sr. MÁRCIO FERNANDO ELIAS ROSA, Procurador-Geral de Justiça do Estado de São Paulo. 	 		?	Palavras do Exmo. Sr. FERNANDO HADDAD, Prefeito de São Paulo. 	 		?	Palavras do Sr. Desembargador IVAN RICARDO SARTORI, Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. 	 		?	Palavras do Sra. ELEONORA MENICUCCI, Ministra-chefe da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. 	 		?	Assinatura dos documentos: “Termo de Adesão do Programa Mulher, Viver Sem Violência” e “Pacto Nacional pelo Enfrentamento da Violência Contra a Mulher”. 	 		?	Palavras do Exmo. Sr. GERALDO ALCKMIN, Governador do Estado de São Paulo.

Em 2013, prefeitura e governo de São Paulo anunciam instalação da Casa da Mulher Brasileira. Até hoje não começou a funcionar

Vai e vem de notícias sobre Casa da Mulher Brasileira, na gestão Dória, sugere falta de preocupação com necessidades de políticas de atendimento que visem equidade de gêneros

Por Rachel Moreno

Estranhamente, em 22/03/2017, publica-se uma foto e matéria, em que se acertam “os detalhes finais” para o funcionamento da Casa da Mulher Brasileira de São Paulo que, segundo a prefeitura, “está na reta final para entrar em funcionamento”, com 90% da obra concluída.

A secretária de Políticas para as Mulheres (SPM/MDH), Fátima Pelaes, teria se reunido com o prefeito de São Paulo, João Dória, para acertar a contratação dos serviços e manutenção para finalizar a obra.

Denise Motta Dau, a Secretária de Políticas para Mulheres da gestão Fernando Haddad, já tinha informado que, a pedido do João Dória, teria assinado em janeiro de 2017, os documentos necessários para que a Prefeitura de S. Paulo recebesse os recursos destinados à Casa da Mulher Brasileira.

A Casa, segundo todas as pessoas que tiveram oportunidade de visitá-la, está pronta e linda. Continuar lendo

Teatro Oficina propõe encontros Seminais

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Começam, em São Paulo, seminários da Universidade Antropófaga. Abertos ao público, apresentam e debatem linguagem desenvolvida em cada área de atuação do grupo

Estão sendo realizados no Teatro Oficina os encontros rituais “Seminais”, oito seminários abertos ao público para transmissão e troca de conhecimentos dos saberes da arte teat(r)al inspirada pela Antropofagia: direção de cena; audiovisual; iluminação; arquitetura e urbanismo cênico; comunicação antropófaga y mídia tática, atuação; desenho e engenharia de som e sonoplastia; música. Os seminários, já realizados nos dias 7 e 8, e ainda nos dias 13, 14 e 15 de dezembro, são resultado do trabalhos e pesquisas da 3ª Dentição da universidade Antropófaga, vinculados ao pragmatismo poético da preparação, montagem e dramaturgia de Bacantes, espetáculo que segue em cartaz no Teat(r)o Oficina.

A 3ª Dentição da Universidade Antropófaga tem o objetivo de refinar técnicas de atuação, dança, canto, artes visuais, vídeo, figurino, direção, arquitetura e urbanismo cênico, política, comunicação e filosofia com a antropofagia, como uma das linhas condutoras de pensamento e sua atuação concreta nas catástrofes do antropoceno. O projeto da Companhia Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona em 2016, em parceria com a Petrobras, é a manutenção de sua sede e do núcleo transdisciplinar que atua neste espaço, num trabalho entre arquitetura e atuação.

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Gentrificação no litoral: surge uma alternativa

 

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Em Ubatuba-SP — um centro turístico do Sudeste — caiçaras, indígenas e quilombolas mobilizam população para preservar culturas locais, enfrentar “zoneamento” devastador e mostrar que outra ocupação das zonas costeiras é possível

Por Vanessa Cancian | Imagens: Felipe Scapino

Cortada pela rodovia Rio-Santos (BR 101), Ubatuba (SP) é também o local onde vivem povos e comunidades tradicionais desconhecidos da maioria dos turistas e visitantes. Quatro quilombos, duas aldeias indígenas e dezenas de comunidades caiçaras resistem à especulação imobiliária e ao turismo exploratório, lutando para continuar em seus territórios. As grandes áreas ainda preservadas no município dialogam com a existência dessas comunidades, ainda que legislações ambientais arbitrárias (e aplicações de sanções injustas) também prejudiquem a todo instante os modos de vida tradicionais que ainda existem na região.

Neste território de luta e resistência, o turismo de massa e a especulação imobiliária fazem com que grande parte das pessoas que frequentam o local não conheçam a diversidade cultural presente e muito menos os enfrentamentos de cada comunidade para manter-se em seus territórios. Atualmente, o município passa pela revisão do mapa do Zoneamento Econômico e Ecológico (ZEE/LN), que faz parte do Gerenciamento Costeiro (Gerco), ferramenta que define como se dá o uso, ocupação e utilização das áreas costeiras.

Em audiência pública realizada no dia 24 de outubro, em Ubatuba, lideranças comunitárias, o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público Estadual (MPE) e entidades ligadas à conservação costeira e aos direitos socioambientais questionam a legitimidade do processo que irá concretizar o novo Zoneamento Ecológico e Econômico do Gerenciamento Costeiro (Gerco) do Litoral Norte do Estado de São Paulo (ZEE LN). Falta de informação, interesse de iniciativas privadas e um grupo setorial sem representatividade dos povos e comunidades tradicionais foram alguns dos pontos elencados pelo público que lotou o auditório no município. Continuar lendo

A que se presta o Ministério Público

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Sadismo? Bajulação ilimitada do poder? Repressão da PM cega estudante. Promotor de SP, ao invés de apurar violência policial, quer investigar universidade que prestou apoio a sua aluna

Por Igor Fuser | Imagem: Juan Bautista Maino, A recaptura da Bahia de Todos os Santos (1635, detalhe)

Um abaixo-assinado em solidariedade à Universidade Federal do ABC (UFABC) está circulando desde ontem (18/10), Intitula-se “Em defesa da democracia, da tolerância”. Já recebeu centenas de adesões. A UFABC foi “denunciada” ao Ministério Público por ter prestado ajuda à estudante Deborah Fabri, aluna dessa universidade, de 19 anos de idade, que perdeu a visão de um olho ao ser atingida por uma bomba durante a brutal repressão policial a manifestantes que protestavam contra o golpe, em São Paulo, em 31 de agosto, a noite da deposição da presidenta Dilma Rousseff.

Ao tomarem conhecimento da dolorosa situação de Deborah, gestores da UFABC empenharam-se em prestar toda a ajuda possível à jovem e aos seus familiares, que viajaram imediatamente do interior de Minas Gerais para São Paulo. Como ela já estava hospitalizada e recebia atendimento médico adequado, na prática essa ajuda se limitou a duas iniciativas: 1) providenciar um carro que levou os pais de Deborah da rodoviária ao hospital; 2) enviar um profissional integrante do quadro de servidores da UFABC, que manteve contato com a estudante com a finalidade de lhe prestar apoio psicológico. No total, a despesa com esses procedimentos foi calculada em R$ 14,00 (catorze reais), referentes ao combustível consumido pelos carros da universidade nesses trajetos. Continuar lendo

A luta dos Guarani de São Paulo em quadrinhos

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HQ resgata protesto de jovem guarani durante a abertura da Copa do Mundo para contar a história recente da resistência indígena dentro da maior metrópole sul-americana

Por Tadeu Breda


Xandaro, de Vitor Flynn Paciornik
Lançamento terça-feira, 11/10, às 19h, em São Paulo

No Ateliê do Gervásio (onde fica também a redação de Outras Palavras)
Rua Conselheiro Ramalho, 945 – Bixiga – Metrô São Joaquim ou Brigadeiro (mapa)


Com roteiro e arte de Vitor Flynn Paciornik, a HQ Xondaro será lançada pela Editora Elefante e pela Fundação Rosa Luxemburgo em 11 de outubro, às 19h, no Ateliê do Gervásio, onde fica a sede do Outras Palavras (confira evento no Facebook: https://goo.gl/FHR122). Além do lançamento da HQ, a Fundação Rosa Luxemburgo apresentará a Cartografia dos Ataques contra Indígenas (Caci), realizada em parceria com a InfoAmazônia e o Armazém Memória. Haverá um debate com a participação do portal De Olho nos Ruralistas.

A HQ Xondaro foi produzida pela Fundação Rosa Luxemburgo e publicada pela Editora Elefante, com apoio da Comissão Guarani Yvyrupa (www.yvyrupa.org.br), organização indígena autônoma que congrega os povos guarani do Sul e Sudeste do Brasil. Em 60 páginas, as aquarelas de Vitor Flynn Paciornik retratam cenas da mais recente onda de manifestações dos Guarani Mbya pela demarcação de suas terras na cidade de São Paulo: o fechamento da Rodovia dos Bandeirantes, a ocupação do Monumento às Bandeiras e a intervenção na cerimônia de abertura da Copa do Mundo de 2014. Xondaro é uma ótima introdução à luta indígena para leitores de todas as idades. Continuar lendo