Manifesto pede libertação dos presos políticos do MTST

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Os três presos políticos, cujo “crime” é participar de manifestação pelos direitos sociais / Foto de Ray Rodrigues (Mídia NINJA)

Juristas, intelectuais, artistas afirmam: ao manter Juraci, Ricardo e Luciano encarcerados, Justiça de SP amplia “escalada do Estado de Exceção no país”

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) lançou Manifesto com apoio de Artistas, intelectuais e juristas — incluindo dois ex-Ministros da Justiça — em apoio a libertação dos três presos da greve geral de 28/04, que são membros do MTST.

Os advogados do MTST entraram com pedido de soltura dos três presos em 3 de Maio. Juraci, Ricardo e Luciano, foram transferidos para a penitenciária do Tremembé.

Abaixo o manifesto e o primeiro rol de assinaturas dos apoiadores:

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TEXTO-FIM

Como foi a tarde de terror na USP

Duas professoras vítimas da brutalidade policial descrevem as provocações e violência gratuitas da PM. Elas frisam: não basta culpar soldados; repressão é responsabilidade da reitoria

Por Priscila Figueiredo e Paula Marcelino

Que fique claro: o primeiro ataque foi da polícia. O que os estudantes, funcionários técnico-administrativos e professores enfrentaram ontem (7/3) na frente de uma reitoria completamente cercada por grades e polícia — foi brutal.

Cremos que não era claro para ninguém o que exatamente ia acontecer ali. Mas o fato de a reitoria ter sido toda cercada por grades e ter apenas duas entradas transformou o ingresso  nela em algo simplesmente impossível.

Palavras de ordem foram ditas, de maneira mais ou menos espontânea, desordenada, para o reitor e para a polícia: Fora Zago! Fora PM! Essa foi a “provocação”…

A polícia fez diversas demonstrações de terrorismo. Somos testemunhas de que a tropa de choque começou a atirar bombas sem que houvesse nenhuma das condições extremas que havia pouco alguns policiais —  um dos quais viemos a saber depois que era um dos comandantes  — tinham apresentado como situações nas quais eles poderiam agir com alguma violência. Eles conversavam com conselheiros do CO, André Singer, Eugenio Bucci, Paulo Martins e Alexandre Magrão, e com Tercio Redondo, os quais tinham ido até eles para pedir que não agissem de forma violenta. Estando perto, perguntei o que era uma situação extrema. Jogar pedras. Depois de uns segundos, a segunda condição aparecia: ora, desacato. O que o senhor considera desacato? Se um grupo de manifestantes furar o bloqueio e tentar impedir a reunião — essa seria uma condição extrema? Invasão, você quer dizer? Invasão é crime.

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Jornadas de Junho: três anos da grande repressão

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Colaborador de “Outras Palavras” lança, hoje, livro sobre movimento que sacudiu país. Seu texto, um “manifesto narrativo”, parte da história do fotógrafo Sérgio Silva — que perdeu olho ao ser atingido por bala de borracha da PM


13 de Junho: 3 anos depois: Resistimos

O quê: Ato político-cultural e lançamento de Memória Ocular.
Três anos da repressão mais violenta às jornadas de junho de 2013. Três anos desde que o fotógrafo Sérgio Silva perdeu o olho esquerdo após ser atingido por bala de borracha.

Em 13 de junho de 2016, às 19h
Esquina da Rua da Consolação com Rua Maria Antonia, centro de São Paulo
Que mais: Microfone aberto, sarau, projeções, cerveja e livro a preço de custo
Facebook: https://www.facebook.com/events/647095235440527/

“A violência do Estado marca pra sempre: recordá-la não é olhar para o passado, mas para o futuro: falar sobre ela não é remoer o que já ocorreu, mas alertar sobre o que ainda pode acontecer — sobretudo na vida das vítimas”, considera Tadeu Breda, autor dos textos que compõem o livro Memória Ocular. A publicação traz ainda ilustrações de cinco desenhistas paulistanos.

O livro — um “manifesto narrativo”, segundo o autor — acompanha três fases da vida do fotógrafo Sérgio Silva depois de ter sido atingido por uma das 506 balas de borracha disparadas pela Polícia Militar em 13 de junho de 2013. São três textos, cada um escrito em um dos três anos que transcorreram desde o dia em que o rapaz teve o olho esquerdo destruído. Continuar lendo

SP: Ecos de Junho na luta dos secundaristas?

4f18e0a6-9672-4f32-8c98-b70a54ed3a0b Protestos recuperam luta por serviços públicos, disposição de resistir e táticas desconcertantes que marcaram jornadas de 2013. Governo e PM mantêm mesma truculência

Por Tadeu Breda

Os estudantes secundaristas de São Paulo reeditaram o espírito mais profundo de junho de 2013, com aperfeiçoamentos táticos e estratégicos. A essência de junho foi a defesa intransigente do interesse público acima de qualquer conveniência partidária. É uma proposta puramente política, que disputa à unha o orçamento do Estado com o objetivo de dirigi-lo à satisfação dos direitos mais básicos da população. Em junho, era transporte. Dois anos e meio depois, educação.

Esse apego ao interesse público despreza as desculpas esfarrapadas do burocratismo governamental, que alega falta de verbas enquanto destina generosos recursos ao mercado financeiro e aos aparatos repressivos, por exemplo. Em junho, os manifestantes contrários ao aumento das tarifas de ônibus e metrô argumentaram que sim era possível manter o preço das passagens a R$ 3,00. As administrações estadual e municipal diziam que não. No fim, os jovens provaram estar certos: a destinação orçamentária é uma questão de prioridade. Continuar lendo

Hoje em São Paulo: ato público pelas liberdades democráticas

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Dezenas de entidades reivindicam libertação dos presos políticos, leis contra manifestação e direito a manifestação

Diante da crescente onda de restrição das liberdades democráticas, com prisões políticas em São Paulo e no Rio de Janeiro, demissões de trabalhadores em greve e violações do direito de manifestação, movimentos sociais, partidos, sindicatos, entidades estudantis, coletivos políticos estão organizando um grande ato político unitário.

O evento acontecerá no dia 18 de julho às 18 horas no Auditório 1º de Maio da Câmara de Vereadores de São Paulo. Contará com a participação e o depoimento de alvos diretos da repressão, além de parlamentares e representantes dos movimentos presentes. Continuar lendo

Polícias Militares: estamos alimentando um monstro

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Sucessão de atos violentos e arbitrários, praticados em todo o país, sugere que PMs estão se convertendo em ameaça grave à democracia

Por Renato Xavier dos Santos

Ao assistir ao vídeo da prisão do estudante da USP, Fábio Hideki, e refletir sobre os acontecimentos que envolvem polícia e manifestantes nos últimos meses, chego à seguinte conclusão: o estado, nesse caso de São Paulo, perdeu totalmente o controle. Vivemos sob a égide de uma força policial totalmente despreparada e antidemocrática — deslocada da realidade, da comunidade, aquartelados — tanto a militar quanto a civil.

Uma polícia que está, sim, preparada para destruir, aniquilar e não para proteger os direitos do cidadão que, embora muitas vezes não coadunem com a nossa vontade, é pressuposto básico da democracia. Se valendo da ideia de Nietzsche: a democracia é raríssimas vezes a soma da nossa vontade mais a vontade da maioria. No mais, impera quase sempre as “vontades antagônicas”. E o que fazer quando o nosso desejo não é o desejo da maioria? Continuar lendo

Violência (3): A mais radical das derrotas

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Excitados pela legítima revolta contra iniquidades e brutalidade estatal, certos manifestantes introjetaram a lógica do inimigo. Foram tomados pelo espírito que condenavam. São inimigos de si mesmos e cópias de quem combatiam

Por Luiz Eduardo Soares

A morte do cinegrafista da Band é uma tragédia e um ponto de inflexão no processo político em curso. Pela tragédia, me solidarizo com a dor de familiares e amigos. Quanto à política, esse episódio dramático é a gota d’água, ou a gota de sangue que muda a qualidade dos debates e das identidades em conflito.

Quebrar vitrines é prática equivocada, contraproducente e ingênua, mas compreensível como explosão indignada, ante tanta iniquidade e a rotineira violência estatal, naturalizadas pela mídia e por parte da sociedade. Mas tudo se complica quando atos agressivos deixam de corresponder à explosão circunstancial de emoções, cuja motivação é legítima. Tudo se transforma quando atos agressivos já não são momentâneos e se convertem em tática, autonomizando-se, tornando-se uma espécie de ritual repetitivo, performance previsível, dramaturgia redundante.  Continuar lendo

URGENTE: governo Alckmin reage a bala contra nova terapia para dependentes de crack

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Polícia disparou há pouco contra participantes do programa Braços Abertos, em provocação aberta. Conservadores tentam calar projeto humanitário pela força

Por Bruno Torturra, em sua página no Facebook

Acabo de receber a informação de que o governo de São Paulo de Geraldo Alckmin mandou a Polícia Militar para dispersar através da força a Cracolândia.
A retomada da violência de estado para lidar com a questão está em curso nesse momento. Balas de borracha, bombas de gás e feridos.

Toda essa brutalidade no meio de um processo delicado, pacífico e baseado em reconquistar a confiança dos usuários no poder público e abrir uma janela para o diálogo com o programa “De Braços Abertos” que a prefeitura de Haddad mal começou a implementar.
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Rolezinhos: qual deles combina com você?

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Além dos adolescentes da periferia, também jovens politizados de forma mais tradicional programam ações. Mas há diferenças nítidas entre elas

Por Gabriela Leite

Como aconteceu com os protestos de junho de 2013, a repressão aos encontros de adolescentes em shoppings de São Paulo pode sair pela culatra. Dias depois da decisão judicial que proibiu um rolezinho no aristocrático Itaim, e da violência contra os garotos em Itaquera, novas convocatórias multiplicam-se nas redes sociais. A principal novidade é o surgimento de um rolê político, que assume explicitamente o protesto contra a discriminação social. Até o momento, há dois convocados, ambos para o próximo sábado (19/1): em São Paulo e Rio. Mas as ações inspiradas pelo funk de ostentação continuam crescendo. São mais de quinze, espalhadas por diversos shoppings de São Paulo, além do Parque Ibirapuera e SESC Itaquera. Uma rápida análise, a partir das atividades agendadas no Facebook, pode revelar muito sobre a diferença entre estas as modalidades — e entre a juventude que as organiza.

Uma primeira distinção, muito clara, está em como cada grupo de jovens vê a violência. Nos rolês politizados, a crítica dirige-se, evidentemente, contra a polícia e o apartheid social. O jargão é sociológico. “Criminalizado como um dia foram a capoeira, o futebol, o samba, a MPB e o RAP, o funk moderno é tão contraditório em seu conteúdo quanto o é resistência em sua forma e estética”, diz a convocatória do Rolé contra o Racismo JK Iguatemi — marcado para o mesmo shopping que proibiu a entrada de pobres. Já os garotos discriminados parecem mais preocupados em não serem vistos como violentos ou praticantes de furtos. Num evento que convocava para ir no próximo sábado ao Shopping Tatuapé [e que foi deletado nesta terça-feira], um dos organizadores escreve, com as gírias comum a todos, que se alguém for para arrumar confusão, é melhor que não vá (ou “se for pra arasta nessa porra nem cola”). Muitos comentam apoiando, e reclamam dos chamados “ratos de tênis” — jovens que assaltam para tomar tênis de marca para si. A maioria afirma que só vai para “curtir” e “beijar na boca”. Continuar lendo

A fala de Haddad e o silêncio de Dilma

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Omissão do governo federal diante da brutalidade de PMs estaduais expõe erro trágico em relação a mobilizações sociais. O tempo para corrigi-lo é curto

Por Antonio Martins

Desta vez o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad foi preciso e veloz. Diante da atitude da PM paulista, que reprimiu com truculência um rolezinho de jovens periféricos num shopping da cidade, ele relacionou o movimento à segregação social brasileira. Lembrou que faltam, à maior parte da juventude, até mesmo “espaços para usufruir a cidade”. E, ao invés de mobilizar a Guarda Civil Metropolitana contra os que buscam tais espaços, preferiu orientar as secretarias de Cultura e Igualdade Racial a dialogar com eles.

Além de não tratar a questão social como caso de polícia, o gesto de Haddad tem uma segunda vantagem. Ele contrasta com o silêncio do governo federal – em especial do ministério da Justiça – diante de ilegalidades e atos de selvageria e provocação praticados em série pelas polícias estaduais. Como também a omissão federal arrasta-se há meses, tudo indica que é consciente.  Continuar lendo