Assim se resiste à ofensiva conservadora

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Surge em Guarulhos (SP), após ocupação da Câmara Municipal, exemplo inspirador de articulação política entre movimentos de mulheres, negros, secundaristas, artistas, skatistas e comunidade LGBT

Por Camila Sposito | Imagem: João Vitor Reis

Após 11 dias de ocupação da Câmara Municipal em protesto contra a PEC 241, os manifestantes de Guarulhos decidiram desocupá-la nesta segunda-feira (31.10), de modo pacífico, consciente e vitorioso. Pela primeira vez na história da segunda cidade mais populosa de São Paulo, representantes de várias frentes de esquerda unificaram-se em torno de uma pauta comum e enfrentaram o poder institucionalizado pela mídia local e nacional e pelos coronéis da política de sua cidade para fazerem valer a sua voz.

Conforme a avaliação dos ocupantes, o movimento atingiu uma maturidade tal nesta ocupação que precisa seguir para outras formas de atuação. Planejam uma assembleia para os próximos dias, com a possibilidade de criação de um coletivo suprapartidário capaz de atuar em âmbito municipal e federal. Além da luta contra o governo Temer e a PEC 241, está no horizonte acompanhar de perto a atuação do novo prefeito eleito, Gustavo Henric Costa, o Guti (PSB). Continuar lendo

TEXTO-FIM

Vídeo: Convite à desconstrução da PEC-241 (parte 2)

Novo mergulho nas contas públicas demonstra: além de injusta, proposta é ineficaz. Veja como os banqueiros colonizam o Orçamento. Por que as contas do Estado não são iguais às de uma família. E mais: rebatemos as análises simplórias de “O Antagonista” e “Spotnik”

Por Antonio Martins | Edição de Vídeo: Gabriela Leite

[A seguir, o texto do vídeo]

Hoje, vamos continuar desconstruindo a PEC-241, agora de maneira mais aprofundada. Vamos aproveitar também para vasculhar melhor o Orçamento da República – esta peça tão fundamental para os destinos da sociedade, porém mantida tão oculta pelos governos e pelas mídias tradicionais. No programa passado, nós demonstramos a injustiça da emenda constitucional proposta pelo governo. Revelamos que o gasto social cresceu de fato nos governos Lula e Dilma – porém, muito abaixo do que seria necessário para sermos uma sociedade mais justa. Apesar disso, a PEC-241 quer congelá-lo. Comprovamos, também, que a proposta deixa intocado um gasto que pesa muito mais no Orçamento, embora favoreça apenas os banqueiros e a oligarquia financeira. É o pagamento de juros.

Hoje, vamos discutir outro aspecto. Será que a PEC-241, apesar de injusta, é necessária? Este é o argumento sustentado por alguns sites de propaganda da turminha da MBL – O Antagonista e Spotnik, por exemplo. Um pouco envergonhados de terem se tornado governistas, eles afirmam, essencialmente, o seguinte: a) Se devemos, é porque gastamos mais do que arrecadamos; b) Se diminuirmos os gastos sociais, poderemos reduzir a dívida pública. Após um período necessário de sacrifícios, deveremos menos, portanto pagaremos menos juros. Então, com as contas saneadas, voltaremos a investir em Saúde, Educação e outros direitos.

Veremos a seguir que há dois erros grosseiros neste raciocínio. Primeiro, a ingenuidade em relação aos banqueiros. No mundo de fantasia do Spotnik, do Antagonista e da turminha do MBL, é como se os bancos cumprissem um papel benévolo na sociedade. Quando precisamos de dinheiro, eles nos emprestam. Quando economizamos, pagamos as dívidas. Os banqueiros não têm interesses próprios, não elegem deputados e senadores, não cortejam presidentes, não se apropriam de uma parte cada vez maior da riqueza social – sem nada produzir. Nesse mundo mágico, os lucros bilionários e crescentes dos bancos devem ser um presente da Providência Divina à bondade que os bancos fazem a todos nós.

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Convite à desconstrução da PEC-241

Governo venceu primeira batalha para aprovar congelamento dos gastos públicos. Mas um mergulho no Orçamento da República desmente, uma a uma, suas teses. País não está quebrado. Gasto social cresceu, mas ainda é reduzido. PEC tira da Educação e Saúde, e engorda os milionários

Por Antonio Martins | Edição de Vídeo: Gabriela Leite

[A seguir, o texto do vídeo]

Segunda-feira, 10 de outubro de 2016. Muito bom dia. Este é mais um vídeo experimental de Outras Palavras, hoje com um tema especial. Vamos debater a PEC-241, que entra em votação na Câmara dos Deputados. Mas, para fazê-lo, convidamos você a examinar conosco um documento de extrema importância, nunca debatido claramente pela velha mídia. Trata-se do Orçamento da República. Ele é uma espécie de radiografia das políticas públicas e das ações do Estado brasileiro. Numa democracia verdadeira, sua análise deveria ser matéria básica nas escolas de Ensino Médio. No entanto, ele é tratado ou como um segredo, ou como um saber hermético, acessível apenas para notórios especialistas. É o que está acontecendo neste exato momento

Aprovar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241 é o grande objetivo do governo Temer em 2016. Em alguns aspectos, este governo é mais frágil que às vezes pensamos. Ele já adiou para 2017 a tramitação do aumento da idade mínima para aposentadoria, a Contra-Reforma da Previdência. Ele não sabe ainda por que meios atacar os direitos trabalhistas e a CLT. Ele preferiu concentrar-se na PEC-241, por dois motivos. Primeiro, tratar de um tema menos conhecido pela sociedade.

Segundo, porque por trás desta Proposta está embutida uma narrativa tenebrosa – e manipuladora – sobre a situação do país. Fala-se que estamos quebrados. Argumenta-se que a causa do desastre foram as políticas praticadas a partir de 2003, quando houve uma pequena melhora nas condições de vida da maioria. Conclui-se que, para nos livrarmos do pior, será necessário um período de sacrifícios, no qual as políticas anteriores serão revertidas. Ao final, garante-se, o país estará saneado e novamente pronto para crescer e gerar empregos. Todos estes argumentos são falsos, como você verá, com base nos próprios números oficiais e num conjunto de gráficos e tabelas.

O argumento central do governo Temer e dos economistas conservadores que o apoiam é o aumento da dívida pública. “Um país é como uma família”, disse o ministro Henrique Meireles, em cadeia nacional de TV: “não pode gastar mais do que ganha”. De tanto viver acima de suas possibilidades, o Brasil estaria hoje muito endividado, a ponto de quebrar. Vamos examinar concretamente esta afirmação.

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Vem aí nova ditadura?

Alguns comentaristas estão vendo como inevitável uma onda de repressão brutal contra a esquerda, após as eleições. Pensar assim é entregar os pontos, antes da partida começar

Por Antonio Martins | Edição de vídeo: Gabriela Leite

[Leia a seguir a versão textual do comentário] Continuar lendo