Um outro lado da guerra na Síria

15kristof-master1050

Embora omita envolvimento dos EUA, documentário destaca algo de humanidade em meio ao conflito: os cidadãos comuns que, arriscando a pele, decidem salvar o máximo de vidas do inferno

Por João Fernando Finazzi

A guerra civil na Síria vêm atingindo seu ápice com os acontecimentos recentes. A crise internacional aprofundou-se com o bombardeio dos EUA sobre as tropas sírias no último sábado e a convocação pela Rússia de uma reunião emergencial no Conselho de Segurança. Nesse contexto, as narrativas muitas vezes se situam na divisão entre a acusação ou a relativização de um dos dois lados do conflito, algo que em muito lembra as chamadas proxy wars, ou guerras por procuração, do período da Guerra Fria. O lançamento pelo Netflix do documentário sobre os White Helmets, grupo que busca executar trabalho humanitário em meio ao conflito, pode ajudar a desconstruir, em parte essa divisão.

Apesar de o filme, assim como outros da marca, silenciar completamente sobre o papel dos EUA, tendo como as únicas referências do bombardeio indiscriminado de civis a Rússia e o governo sírio, ele possui o mérito de mostrar ao longo de seus 40 minutos o trabalho in loco dessas pessoas de carne e osso, sob a mira dos incessantes bombardeios e das câmeras de foto e vídeo. Continuar lendo

TEXTO-FIM

Michael Moore: por que apoio Bernie Sanders

160203-MichaelMoore

Para cineasta, elites agem de forma baixa, ao “acusar” candidato de socialista. E pode ser inútil: número crescente de norte-americanos opta por“partilha”, diante da “cobiça”

Tradução: Henri Figueiredo, editor do site Tempus Fugit

Meus caros amigos,

Quando eu era criança, eles disseram que não havia nenhuma maneira deste nosso país de maioria protestante eleger um católico como presidente. Em seguida, John Fitzgerald Kennedy foi eleito presidente.

Na década seguinte, disseram que a América não elegeria um presidente do “Sul profundo”(¹). O último a conseguir isso por si mesmo (e não como vice-presidente) foi Zachary Taylor em 1849. E então nós elegemos Jimmy Carter presidente.

Em 1980, eles disseram que os eleitores nunca escolheriam um presidente divorciado que casou novamente. O país tinha modos muito religiosos para isso, disseram. Bem-vindo, presidente Ronald Reagan, 1981-1989.

Eles diziam que você não poderia ser eleito presidente se não tivesse servido nas Forças Armadas. Ninguém conseguia se lembrar de alguém que não servira eleito Comandante-em-chefe. Ou quem tinha confessado fumar (mas não tragar!) drogas ilegais. Presidente Bill Clinton, 1993-2001. Continuar lendo

Ocidente restringe liberdade na internet: contra o terror?

olho3

França e EUA querem proibir criptografia. Paris planeja acabar com wi-fi público. O verdadeiro alvo podem ser os movimentos sociais e dissidentes

Por Antonio Martins

A onda de ataque às liberdades civis, desencadeada em diversos países ocidentais após os atentados de Paris, ameaça agora atingir a internet. Na França, documentos do ministério do Interior, vazados pelo jornal Le Monde, propõe fechar as redes de wi-fi públicas e proibir o uso do software Tor, que permite navegar na rede sob anonimato. Nos EUA, o presidente Obama encontrou-se ontem (7/12) com Hillary Clinton, pré-candidata à presidência pelo Partido Democrata para debater medidas semelhantes. Ao final da reunião, lançaram um apelo às empresas de tecnologia do país, para que deixem de incluir, em suas plataformas e produtos, mecanismos de proteção à privacidade.

Apresentadas como proteção necessária contra a ação de grupos terroristas, as medidas podem ter um objetivo totalmente diverso. Primeiro, porque grupos como o Estado Islâmico (ISIS) parecem capazes de zombar das restrições ao uso da internet criadas contra eles, segundo revela hoje um texto do New York Times. Horas após os atentados de San Bernardino, em 2 de dezembro, diversos perfis do Twitter lançavam desafios jocosos aos norte-americanos. À medida que eram deletados, outros idênticos surgiam. Segundos depois que a 99ª conta foi suspensa, uma centésima, denominada @IslamicState100, exibia um bolo com cem velas, troféus e fogos de artifício… Em outros casos, como nos atentados de Paris, mostra o mesmo texto, os terroristas sequer usaram ferramentas de criptografia. Continuar lendo

EUA: a misteriosa supressão de informações sobre tortura

lead

Um senador pede a Obama que deixe de censurar relatório sobre práticas da CIA. E acusa agência de chantagear próprio Legislativo

Por Conor Friedersdorf, no The Atlantic | Tradução: Cibelih Hespanhol

O presidente dos EUA, Barack Obama tem se empenhado a manter sigilo sobre tortura cometida pela CIA contra prisioneiros. Isto está evidente no fato de um relatório de 6 mil páginas do Comitê de Inteligência do Senado sobre o tema, segue suprimido, mesmo passados quinze meses desde produzido, a custo de 40 milhões de dólares. E fica ainda mais evidente se analisarmos uma carta escrita por um membro do comitê, Senador Mark Udall, tendo como destinatária a Casa Branca. Suas afirmações são chocantes.
Udall reivindica a liberação do relatório para o público, da forma mais completa e rápida possível. E também mostra-se interessado em um específico relatório da CIA, que trate do caso de tortura de prisioneiros. Sua carta sustenta os seguintes pontos: Continuar lendo

A vitória de Snowden e o fracasso de Obama

Ilustração de Jason Stou

Ilustração de Jason Stou

Ex-agente que denunciou NSA indicado para Nobel da Paz. Em Washington, presidente debate-se para preservar espionagem e salvar aparências

Por Cauê Seignemartin Ameni

Aos poucos vão surgindo evidências de que a história trabalha mais a favor do ex-agente Edward Snowden, do que do presidente americano Barack Obama. Na quarta-feira (29/01), o ex-agente que revelou a maior plataforma de vigilância da história, foi indicado para concorrer o Prêmio Nobel da Paz. Oscar Wilde, escritor inglês do século XIX, sintetizou uma vez a importância histórica de fatos como este: “a desobediência é aos olhos de qualquer estudioso da História, a virtude original do homem. É através da desobediência que se faz o progresso, através da desobediência e da rebelião”. Continuar lendo

Vigilância global: Casa Branca isola-se mais um pouco

Legenda imagem: Edward Snowden com prêmio Sam Adams de integridade em inteligência, com ex-funcionários do governo dos EUA Coleen Rowley, Thomas Drake, Jesselyn Raddack, Ray McGovern, e Sarah Harrison do Wikileaks. Fotografia: Sol Imprensa / Getty Images

Edward Snowden ao lado ex-funcionários do governo dos EUA Coleen Rowley (ex-FBI), Thomas Drake (ex-NSA), Jesselyn Raddack, Sarah Harrison do Wikileaks e Ray McGovern (ex-CIA).

Antigos funcionários na inteligência norte-americana premiam Snowden em Moscou. Comitê para Proteção de Jornalistas compara Obama a Nixon

Por Cauê Seignemartin Ameni

Sumido desde agosto, após despistar o governo norte-americano e conseguir asilo político na Rússia, o ex-analista de sistema da Agência Nacional de Segurança (NSA), Edward Snowden reapareceu quarta-feira passada (09/10) em cerimônia organizada por ex-agentes da inteligência norte-americana, críticos assíduos da vigilância estatal.

Responsável por revelar o maior esquema de espionagem em massa da história, Snowden recebeu o prêmio Sam Adams Awards, oferecido pela associação Sam Adams Associates for Integrity in Intelligence. A associação reúne agentes aposentados da segurança nacional norte-americana e premia, anualmente, profissionais do serviço de inteligência que tenham se distinguido pela integridade ética. Uma comissão composta por Ray McGovern, ex-analista da Agência Central de Inteligência (CIA); Coleen Rowley, ex-agente do FBI; Jesselyn Radack, ex-autoridade no Departamento de Justiça; e Thomas Drake, ex-alto funcionário da NSA, se deslocou dos Estados Unidos à Rússia para homenagear o mais novo inconfidente. Uma ironia: o país é presidido pelo ex-espião do KGB, polícia secreta da antiga União Soviética, Vladimir Putin. Continuar lendo