MST denuncia desmonte da Reforma Agrária e Agroecologia

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Ministério do Planejamento ocupado. Políticas de Temer podem devastar famílias camponesas e dizimar produção orgânica, em país já castigado pelos agrotóxicos

Cerca de 1000 trabalhadores e trabalhadoras rurais Sem Terra (MST) de Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal ocupam o andar térreo do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, em Brasília. Em São Paulo e outras cidades o MST ocupa as sedes regionais do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

A mobilização é parte da Jornada Nacional das Lutas de Outubro e denuncia o desmonte da política de Reforma Agrária e o corte brutal de diversas políticas públicas para a agricultura familiar no projeto de lei orçamentário de 2018.

Aprovada, a proposta do governo Temer trará impactos irreparáveis para o campo e a cidade, alerta Silvia Reis Marques, da direção do MST no Rio Grande do Sul. “As famílias camponesas serão devastadas e será o fim do processo produtivo de alimentos saudáveis e de cuidado com a terra. Isto vai se refletir no conjunto da sociedade brasileira, porque quem produz 70% da comida são os pequenos agricultores e assentados.” Continuar lendo

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O orgulho de produzir sem veneno

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Feira Nacional da Reforma Agrária reúne mais de 170 mil em SP em meio a debates, música, centenas de produtores e a celebração de outro modo de estar no mundo

Por Julicristie M. Oliveira*

A II Feira Nacional da Reforma Agrária, que começou quinta-feira, dia 4, e terminou no domingo, dia 7 de maio, no Parque da Água Branca, em São Paulo, ofereceu ampla programação cultural, com shows, debates e presença de militantes, políticos e artistas, mas o verdadeiro espetáculo ficou por conta das trabalhadoras e trabalhadores rurais que expuseram e comercializaram os frutos de sua luta e empenho.

Visitei a feira no sábado, dia 6, quando pude acompanhar a conferência “Alimentação Saudável: um direito de todos e todas” e gastar um bom tempo apreciando os corredores que estavam apinhados de visitantes, de trabalhadoras, de trabalhadores rurais, daquele orgulho de produzir “sem veneno” e de biodiversidades que são a base das diferentes culturas alimentares ali representadas.

De plantas alimentícias não convencionais a pães veganos, a II Feira Nacional da Reforma Agrária parece ter avançado no incorporação do discurso da agroecologia, na crítica aos agrotóxicos e em outras pautas. Escutei atenta a explicação de um trabalhador que expunha suas sementes de milho crioulas ainda na espiga como uma obra de arte, repleta de cores, e de como ano a ano o cultivo mudava suas matizes. Como não admirá-lo? Continuar lendo

Liberdade para os presos políticos de Goiás

Valdir Minerovicz, geógrafo e preso político

Valdir Minerovicz, geógrafo e preso político

Começa campanha internacional para colocar libertar um agricultor e um geógrafo, presos há meses, sem julgamento, por lutarem pela Reforma Agrária. Processo sugere investida inédita dos conservadores para criminalizar lutas sociais

O MST está lançando uma campanha nacional e internacional pela libertação dos presos políticos da Reforma Agrária em Goiás e contra a criminalização do movimento. No dia 12 de abril, quatro militantes do MST tiveram sua prisão preventiva decretada, acusados de fazer parte de uma “organização criminosa”. O MST repudia a “criminalização” de suas lideranças e pede a revogação das ordens de prisão.
O agricultor Luiz Batista Borges, integrante do acampamento Padre. Josimo Tavares, foi preso ao se apresentar na delegacia de Rio Verde, Goiás, dia 14 de abril. Em 31 de maio, o militante José Valdir Misnerovicz, reconhecido nacional e internacionalmente por sua luta pela reforma agrária, foi preso em operação articulada entre as polícias de Goiás e do Rio Grande do Sul, onde se encontrava. Valdir, que é geógrafo e tem formação em pós-graduação, dava aula para jovens estudantes de cooperativismo agrícola quando foi surpreendido pela operação da polícia civil dos dois estados. Há mais de 30 anos no MST e um dos líderes do movimento em Goiás, está preso no Núcleo de Custódia de Segurança Máxima do município de Aparecida de Goiânia.
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Para praticar futebol e política

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MST planeja construir, em sua escola nacional, campo para muitos esportes. Arquitetos já ajudam, voluntariamente. Você também pode contribuir

O futebol não é o ópio do povo, mas trincheira de luta. É o que afirma e quer consolidar a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), do MST, com o projeto de construir o Campo Dr. Sócrates Brasileiro. Em uma parceria com o Laboratório de Habitação (LabHab), da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU), o grupo Amigos da ENFF acredita que “o campo será um espaço de saúde e lazer que atenderá os mais de 200 educandos e educandas que frequentam a escola para estudar por semanas ou meses”, além das crianças de comunidades próximas ao local.

O centro esportivo abrigará, além do campo de futebol (que passará por drenagem do terreno, plantação de grama, iluminação e arquibancadas), uma quadra de vôlei, equipamentos de ginástica e um memorial de futebol e política. Para a primeira parte do projeto — a construção do campo — pretendem arrecadar dinheiro com um crowdfunding. A própria escola foi construída por meio de um esforço voluntário de cerca de mil trabalhadores de assentamentos e acampamentos do MST de vários estados do Brasil. Por isso, acreditam que financiamento coletivo é a melhor maneira de viabilizar o campo. Continuar lendo

Agenda: hoje, em SP, lançamento de Párias da Terra

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Deni Rubbo, colaborador de “Outras Palavras” produziu um livro essencial sobre a mundialização das lutas do MST. Leia a seguir a opinião do sociólogo Ruy Braga


LANÇAMENTO:
Párias da Terra, de Deni Rubbo
Terça, 19/4, a partir das 18h30, em São Paulo

Livraria Martins Fontes
Avenida Paulista, 509 – Centro – Metrô Brigadeiro (mapa)

“O livro de Deni Rubbo consiste na primeira grande análise sociológica da internacionalização do mais importante e dinâmico movimento social da história recente do país: o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Apenas por essa razão, este livro já mereceria ser lido e debatido. No entanto, Deni Rubbo vai além e nos brinda com uma exemplar pesquisa de campo e com uma arguta reflexão teórica e crítica acerca do atual modelo de desenvolvimento capitalista latino-americano. Por tudo isso, este livro não apenas deverá seduzir os leitores que se interessam pela trajetória e destino histórico do MST, como também aqueles que se ocupam dos atuais dilemas enfrentados pelas sociedades e governos em nosso subcontinente”.

Ruy Braga, professor livre-docente da Universidade de São Paulo (USP).