Como os soldados-robôs tornarão as guerras mais devastadoras

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Máquinas não comandadas por humanos estão sendo desenvolvidas em potências bélicas para atuar no lugar de combatentes; organizações humanitárias preocupam-se com possível cenário

Por Mariana Gonçalves*

Os sistemas de armas autônomas são tecnologias desenvolvidas para buscar, identificar e atacar alvos num conflito armado sem nenhuma intervenção de um operador humano. Sem alguém que a comande para agir, o sistema pode aprender a adaptar seu funcionamento de acordo com as circunstâncias em que é posto, a partir de algoritmos e programas que lhe são registrados.

Essa tecnologia ainda está em fase de desenvolvimento, e armas desse tipo ainda não foram levadas aos campos de batalha. Os principais países que têm estudado e buscado aprimorar esses robôs são Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e Israel, querendo reforçar seu potencial militar. Apesar de as armas mais avançadas ainda não existirem, sistemas autônomos mais básicos, como drones capazes de selecionar e mirar alvos, já foram levados a batalhas no Iêmen, por exemplo. O tema está no centro de debates e pesquisas da área, e é possível que se torne uma característica da guerra no futuro.

Defensores desses sistemas argumentam que, além de poupar vidas de combatentes, os sensores sofisticados e a inteligência artificial empregada pelas máquinas as torna melhores que os humanos na hora de identificar objetivos militares para atacar, evitando danos não intencionais (à população civil, por exemplo) num conflito. Outra vantagem é que as armas não seriam influenciadas por emoções negativas como medo, raiva ou desejo de vingança.

Ainda não há consenso, no entanto, sobre a capacidade dessas armas de fazer avaliações complexas e dependentes de contexto durante as ações. Algumas questões que levantam dúvidas dizem respeito à sua competência para diferenciar objetivos militares de bens de caráter civil e para alterar, cancelar ou suspender ataques quando é evidente que seus danos serão desastrosos. Uma máquina também não teria emoções positivas, como a compaixão.

. Por que essas armas podem ser um problema

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Estados Unidos: até onde irá a paranóia?

O Crepúsculo da última superpotência

O Crepúsculo da última superpotência (daqui)

Livro recém-lançado descreve como tentáculos do complexo de segurança espalham-se pela sociedade norte-americana

Por Hugo Albuquerque

Há décadas, a influência política e econômica que o chamado “complexo industrial-militar” exerce sobre as instituições norte-americanas é algo conhecido e debatido. Porém, um livro recém-lançado nos EUA explora uma nova dimensão desta presença. Em Drift: The Unmooring of American Military Power (algo como “À Deriva: A Desancoragem do Poder Militar Americano’”), a jornalista Rachel Maddow conta como um novo aparato de segurança está espalhando seus tentáculos por todo o país (e pelo mundo), e debate a insanidade que envolve o processo. É possível ler um excerto da obra aqui.

Se há algo realmente onipresente nos Estados Unidos de hoje, são as sombras das torres gêmeas derrubadas – ou a imagem das torres em chamas, como relata a autora, ao descrever a (singela) peça de decoração nova da sede do corpo de bombeiros da cidadezinha onde vive, no condado de Hampshire, no Massachusetts. São alguns dos gatilhos simbólicos, que disparam a paranóia e a histeria coletivas na America contemporânea.

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