Os Guarani ocupam a Presidência — e pedem apoio

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Sairemos da sua casa quando vocês sairem da nossa”, afirmam indígenas no escritório presidencial na Avenida Paulista, em São Paulo. Eles convidam para ato público esta tarde

Por Inês Castilho
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Ato público em defesa da Terra Indígena Jaraguá
Quarta-feira, 30 de agosto, 17 horas
Vão Livre do Masp, Avenida Paulista, São Paulo
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Seguimos fortes com a nossa reza! Queremos garantido o direito a nossas terras!!”

Com essas palavras, cantos, danças e rezas, o Povo Guarani ocupou hoje o escritório da presidência da República na Avenida Paulista, em São Paulo. Em Brasília, um grupo de indígenas acampou diante do ministério da Justiça, entoando seus cânticos tradicionais, com as mesmas exigências.

Fizemos isso porque dia 21 o governo Temer invadiu a nossa casa, a Terra Indígena Jaraguá, anulando nossa demarcação”, afirmam em vídeo que convoca as pessoas a comparecer no Ato Público marcado para esta tarde, às 17 horas, no Masp.

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Em Brasília, acampamento diante do Ministério da Justiça

O Ato exige a revogação da Portaria 683 do ministério da Justiça, publicada segunda-feira, 21/08, e a continuidade do processo de demarcação da Terra Indígena Jaraguá. A Portaria 683 anula medida judicial de 2015 – a Portaria Declaratória 581, do governo Dilma – que reconhece 532 hectares na região noroeste de São Paulo como área de ocupação tradicional Guarani da Terra Indígena Jaraguá.

Essa decisão serve apenas para agradar o governo Alckmin que quer vender nossas terras e privatizar o parque do Jaraguá, que nós sempre protegemos”, afirmam.

São mais de 700 indígenas, a maioria crianças, vivendo em cinco aldeias na Terra Indígena Jaraguá. A Portaria 683 coloca na rua 600 guaranis.

Para onde Temer acha que nós vamos? O governo quer nos matar?”

O Povo Guarani exige também a revogação do parecer 001/2017 da AGU, com o qual “Temer quer cancelar as demarcações de todos os parentes em todo Brasil, para dar nossas terras para os ruralistas”.

Fora Temer da nossa casa! Sairemos da sua casa quando vocẽs sairem da nossa”, afirmam, convocando todos ao ato O Jaraguá é Guarani! hoje às 17h no Vão do Masp.

 

TEXTO-FIM

Documentário esclarece relação entre Alckmin, Sabesp e falta d’água em SP

Num filme financiado por leitores, sinais da interminável crise hídrica. Má gestão, favorecimento de grandes empresas e bairros periféricos que continuam 17 horas por dia com torneiras secas

Por 

Está no ar meu novo documentário: “O Escândalo da Sabesp: a verdadeira história da falta de água em São Paulo”.

Em maio de 2014, o governador Geraldo Alckmin inaugurou as cotas de volume morto do sistema Cantareira, o maior reservatório de água do estado de São Paulo. A crise hídrica dura há mais de um ano e não dá sinais de que está sendo devidamente debelada.

Produzimos reportagens financiadas por nossos leitores através da plataforma de crowdfunding Catarse. Conversamos com promotores do Ministério Público do Estado de São Paulo, funcionários, diretores, políticos e especialistas no setor de gestão de recursos hídricos, além de pessoas que estão vivendo o drama de abrir a torneira e sair ar. Continuar lendo

São Paulo ensina a pequenez

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Na “reorganização” das escolas do Estado, dois cacoetes das elites: decidir sem debate e oferecer às maiorias o mínimo. Mas Florestan Fernandes inspira a resistir

Por Fernanda Feijó1

O Brasil caracteriza-se por estabelecer políticas sociais de forma autoritária: sempre “de cima para baixo”. Tal fenômeno tem marcado o desenvolvimento do país desde os primórdios da República (se considerarmos que o Império era um regime autoritário em si) até os dias atuais. Podemos perceber a força desse autoritarismo quando falamos mais especificamente de políticas educacionais e dos percursos que as mesmas percorreram ao longo do último século.

Desde a década de 1930, quando a intelectualidade brasileira iniciava o processo de institucionalização das ciências sociais, já se anunciava a importância da educação formal dentro do país, ainda que naquele momento a preocupação maior fosse formar quadros para a elite dirigente do país que pudessem impulsionar o processo de modernização que se colocava em curso. No contexto de centralização política propiciada pela Revolução de 1930, a educação nacional passa, então, efetivamente a ser responsabilidade do Estado. Foi justamente nesse momento, que o Brasil ensaiou o desenvolvimento de um “pseudoestado de bem-estar”, a saber extremamente conservador e autoritário, na qual o Estado realizava reformas sem a participação da sociedade nos processos decisórios. Continuar lendo

Para compreender a blindagem de Alckmin

Sem polêmica, governador fica tranquilo

Sem polêmica, governador fica tranquilo

Na surdina, SP aprovou seu Código (Anti-)Florestal. Nem esquerda, nem sociedade civil mobilizaram-se. Episódio revela vazio político em que surfam conservadores paulistas

Por Antonio Martins

Curiosos (e reveladores) são os meandros da política. Em 2012, a aprovação de um novo Código Florestal brasileiro provocou intenso debate entre setores da sociedade brasileira. A tramitação, no Congresso Nacional, arrastou-se por quatro anos. A crítica dos ambientalistas à nova lei, por sua complacência com o desmatamento, foi um dos marcos do desgaste do governo Dilma, entre a parcela da população mais à esquerda. Mas ontem, em São Paulo, consumou-se uma mágica.

No Estado onde o agronegócio é mais forte e predatório, a Assembleia Legislativa aprovou uma espécie de Código (Anti-)Florestal paulista. Ele vai muito além das concessões oferecidas aos proprietários de terra, em esfera nacional, há dois anos. A área de mata a ser preservada às margens dos rios cai para apenas cinco metros, em alguns casos (são 30 metros, no Código Florestal brasileiro). As propriedades que desrespeitarem a quota mínima de vegetação nativa exigida por lei poderão “compensar” a ilegalidade plantando árvores (inclusive eucaliptos) em outros Estados. Criou-se um evidente incentivo a desmatar em São Paulo e reflorestar, digamos, em Roraima (onde o hectare custa muito menos e a fiscalização paulista não chega). Apresentado em março pelo deputado Barros Munhoz (PSDB), líder do governo Alckmin na Assembleia, o projeto tramitou em regime de rolo compressor. Vai agora à sanção do governador. Sua sanção será um escândalo, em momento de crise hídrica — da qual o desmatamento é um dos fatores centrais. No entanto, o governador Alckmin e sua maioria legislativa não sofreram um arranhão. Por que a diferença? Continuar lendo

SP sem água, 12 a 16/11 – Para blindar Alckmin, o eterno apelo a São Pedro…

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Enquanto governador deixa de planejar recuperação de mananciais, mídia insiste que causa da crise é da falta de chuva. E o santo, ainda que não responsável, será nossa única esperança…

Por Camila Pavanelli de Lorenzi | Imagem: Pompeo Batoni, “São Pedro”, século XVIII

15 e 16/11/14

– O diretor da Sabesp Paulo Massato disse que faltará água em São Paulo em 2015 e 2016, caso continue chovendo pouco (http://bit.ly/1q3ffsq). De lambuja, vai faltar energia também.

– Esse diretor é o mesmo que, naquele áudio que vazou de uma reunião da Sabesp, afirmou que a empresa teria de dar férias para 8,8 milhões pessoas em 2015 (número de consumidores atendidos pela Sabesp) (http://bit.ly/1wl1O8O).

– Não custa lembrar: estamos em novembro, está chovendo menos do que a média histórica (http://bit.ly/113EZZm) e o nível dos principais sistemas que abastecem a RMSP está caindo (http://bit.ly/11gyraa).

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– Para não esquecer:

– (1) Enquanto alguns cavam buraco para obter água para cozinhar (http://bit.ly/1qIlmg8), outros compram água mineral para seus lulus da pomerânia (http://bit.ly/1sVEI2m).

– (2) Se em um bairro os bombeiros não encontram água no hidrante para apagar um incêndio (http://glo.bo/1xM5kbs), em outro uma pessoa provavelmente jogará fora 35 mil litros de água de sua piscina, por não ter como doá-los (http://bit.ly/1sZtVmR).

***

– Enquanto isso, o jornal O Estado de S. Paulo afirma em editorial (http://bit.ly/1xvnYpq) que a ministra do Planejamento fez uma afirmação que “não corresponde à verdade”, pois criticou a ausência de obras de longo prazo na proposta apresentada por Alckmin ao governo federal. Lembremos que ONGs especialistas no tema criticaram a proposta do pacote de obras (http://on.fb.me/1wZ5aNL) por não incluírem qualquer iniciativa de recuperação e proteção de mananciais (isso sim seria pensar no futuro); mas, para , pensar no futuro (i.e. no longo prazo) significa propor obras que ficarão prontas em 3 anos.

–  O editorial também desaprova uma fala da Ministra do Meio Ambiente, para quem a situação em São Paulo é “crítica”. Sim, pois como sabemos, a situação não é crítica e sim magnífica: afinal, não falta água em São Paulo (http://bit.ly/1ACEhCY).

– Além disso, o editorial critica a criação de um “grupo de trabalho para estudar o problema”, pois segundo o jornal “grupos de trabalho” não levam a nada.

– Quer dizer: para O Estado, não pode estudar o problema; aliás, não pode nem mesmo dizer que um problema, já que afirmar que a situação em São Paulo é “crítica” (termo, aliás, altamente eufemístico para descrever o que se passa no estado) é “deixar de lado o tom conciliador”.

– Para o jornal, o governador de São Paulo é mesmo um injustiçado: o presidente da ANA “atacou novamente, com a agressividade habitual”. Dizer que é necessário um dilúvio para que o nível do Cantareira volte ao normal configura, para O Estado de S. Paulo, uma agressividade inaceitável – ainda que rigorosamente a mesma coisa venha sendo dita há tempos pela própria presidente da Sabesp (http://glo.bo/1vwOEoN) (http://bit.ly/1otZ6Lw).

– O jornal acusa ainda o presidente da ANA de “disseminar o pânico na população, como afirmou com razão o governo paulista. Tratar coisas sérias, pelo menos no que se refere à crise hídrica de São Paulo, em tom de galhofa, com chocante irresponsabilidade, totalmente incompatível com o cargo que ocupa, virou hábito para Andreu.”

– Aqui eu só tenho uma coisa a dizer: “tratar coisas sérias em tom de galhofa, com chocante irresponsabilidade, totalmente incompatível com o cargo que ocupa” é afirmar que não falta água em São Paulo e que o abastecimento está garantido em 2015 (http://bit.ly/1BEP6VL) quando um dos diretores da empresa responsável precisamente por garantir esse abastecimento afirma que, tudo continuando como está, a água faltará não apenas em 2015 como também em 2016.

– Para concluir com “fecho de ouro”, para usar uma expressão do próprio editorial, o último parágrafo retoma um dos grandes Clássicos da Crise Hídrica™. Vamos lá, repitam comigo, todo mundo junto (mas sem pânico, por favor):

A

CULPA

É

DE

SÃO

PEDRO

***

– P.S. Um poço artesiano em São Paulo atualmente está na casa de R$50 mil (http://bit.ly/1sW34cm). Podemos esperar para breve um editorial d’O Estado de S. Paulo afirmando que a culpa pela falta d’água é dos consumidores que não perfuraram seu próprio poço.

– P.P.S. Nada muito diferente, aliás, do que já disse o Secretário de Recursos Hídricos de São Paulo, para quem a falta d’água é responsabilidade do povo que não tem caixa d’água em casa (http://bit.ly/1A4HEl0).

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URGENTE: governo Alckmin reage a bala contra nova terapia para dependentes de crack

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Polícia disparou há pouco contra participantes do programa Braços Abertos, em provocação aberta. Conservadores tentam calar projeto humanitário pela força

Por Bruno Torturra, em sua página no Facebook

Acabo de receber a informação de que o governo de São Paulo de Geraldo Alckmin mandou a Polícia Militar para dispersar através da força a Cracolândia.
A retomada da violência de estado para lidar com a questão está em curso nesse momento. Balas de borracha, bombas de gás e feridos.

Toda essa brutalidade no meio de um processo delicado, pacífico e baseado em reconquistar a confiança dos usuários no poder público e abrir uma janela para o diálogo com o programa “De Braços Abertos” que a prefeitura de Haddad mal começou a implementar.
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