Xploit 01 – Democracia Hackeada

Websérie da TV Drone e da Actantes explica, de forma didática, as disputas na Internet brasileira. Outras Palavras publicará um episódio por semana

Por André Takahashi

No primeiro episódio, mostra-se o cenário de avanço vigilantista no Congresso Nacional e nas interpretações do Judiciário brasileira. Os entrevistados apontam como iniciativas importantes como o Marco Civil da Internet vêm sendo descontextualizados para justificar medidas de controle da internet brasileira.

A mini-série Xploit, que é uma realização da TVDrone / Actantes, em associação com a Fundação Heinrich-Böll-Stiftung e com apoio da Rede TVT, pretende abordar uma guerra silenciosa que acontece longe dos PCs, laptops e dispositivos móveis mas cujo resultado interfere diretamente em nossas vidas online e offline.

Contando com a ajuda de um seleto grupo de entrevistados como o co-criador do sistema GNU Richard Stallman, o jornalista James Bamford, a advogada Flávia Lefèvre, a jornalista Bia Barbosa, a cientista social Esther Solano e o sociólogo e cyberativista Sérgio Amadeu da Silveira a série introduz o espectador nas disputas políticas políticas e econômicas que trarão consequencias diretas em nossos diretos essenciais dentro e fora do mundo digital.
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A internet não é como você pensava

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“Xploit”, produção brasileira de baixo orçamento, pode surpreender no Festival de Webséries do Rio ao expor, de modo didático porém incisivo, as ameaças de vigilância e controle que pairam sobre a grande rede

Por André Takahashi

A websérie documentário Xploit Internet sob Ataque trata das questões invisíveis que regem os caminhos da internet. Das leis em tramitação no Congresso Nacional, dos seus direitos enquanto usuário, de como a coleta indiscriminada dos seus dados pessoais afeta a sua vida.
Indicada para concorrer aos prêmios de “Melhor Roteiro de Não Ficção” e “Melhor Série de Documentário” do III Festival Internacional de Webséries do Rio (Rio WebFest 2017) com concorrentes do Brasil e do mundo, Xploit coloca a Internet em uma outra – e preocupante – perspectiva.
Xploit conta a história da origem da rede mundial de computadores e a sua transformação de um repositório de conhecimento e inovação a um espaço de consumo e perseguição política, alvo de ataques constantes por parte de governos e corporações de telecomunicações.

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E se o Facebook tornar-se um Bem Comum?

Novas mudanças na plataforma convidam a um debate necessário: não é hora de estabelecer alguma democracia e transparência nas redes sociais – cujo conteúdo é criado por milhões de usuários?

Mais um vídeo experimental de Outras Palavras [Segunda parte. A primeira está aqui: bit.ly/facebookparte1]

Por uma internet mais subversiva

Fevereiro de 2014: manifestantes saem às ruas na Turquia contra restrições à internet, aprovadas pelo Parlamento. Para autores do novo manifesto, é preciso enfrentar, além do autoritarismo, mercantilização da rede

Manifestantes saem às ruas na Turquia, em 2014, contra restrições à internet. Para autores do novo manifesto, é preciso enfrentar, além do autoritarismo, mercantilização da rede

Em resposta ao Facebook, Google e plataformas precarizantes como Uber, pesquisadores e ativistas mobilizam-se para criar redes pós-capitalistas, onde se compartilhe propriedade e trabalho

Por Antonio Martins

Se você acha que o potencial democratizador e descentralizador da internet está se perdendo em banalidades (como as timelines do Facebook), ferramentas de controle (como o Google, capaz de vigiar todos os seus passos) ou plataformas que, embora favoreçam o compartilhamento, beneficiam essencialmente seus proprietários (como Uber e AirBnB), não sinta-se sozinho. Está se espalhando rapidamente pela rede o Projeto Novo Sistema.

Lançado por dois jovens pesquisadores norte-americanos (Nathan Schneider e Trebor Sholz, apresentado num manifesto que tem, entre outros endossos, o de Noam Chomsky, ele sustenta que as sociedades articuladas em redes estão maduras para um novo sistema social, claramente pós-capitalista. Questiona pilares centrais da ordem atual – como a propriedade privada e o trabalho assalariado. Pede esforços para desenvolvimento de sistemas de internet realmente libertadoras (visando um Cooperativismo de Plataforma). Acredita que é possível começar a construí-lo desde já. Mas reconhece: a tecnologia não promove as grandes mudanças sociais – para elas, é necessário consciência e mobilização de massas.

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Lawrence Lessig: surpresa na disputa pela Casa Branca

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Lessig e o Creative Commons: mudanças tecnológicas das últimas décadas – em especial a informática – tornaram possível sociedade de compartilhamento. Mas capitalismo quer bloqueá-la a qualquer custo.

Intelectual e ativista famoso por defender livre circulação do conhecimento anuncia (anti-)candidatura. Sua primeira medida: um plebiscito para iniciar Reforma Política

Por Antonio Martins

Quanto mais se aprofunda a crise da velha democracia, mais parecem surgir novidades políticas – inclusive à esquerda do espectro tradicional dos partidos. Uma delas despontou ontem (11/8), nos Estados Unidos – e talvez dialogue com o Brasil. Lawrence Lessig, professor de Dirieto da Universidade de Universidade de Harvard e criador do movimento Creative Commons anunciou planos de lançar uma (anti-)candidatura à Casa Branca, pelo Partido Democrata. Não espera que a máquina partidária o escolha. Quer aproveitar o debate nacional provocado pelas eleições presidenciais de novembro de 2016 para propor uma vasta Reforma Política, que refunde o país e, em particular, proíba as corporações empresariais de condicionar a democracia.

A disposição de questionar o atual sistema político está presente no DNA da iniciativa de Lessig. Num artigo publicado ontem no site Huffington Post e numa destacada entrevista ao Washington Post, ele comunicou que está recorrendo ao próprio público, para financiar a (anti-)candidatura. Por meio de crowdfunding, pretende arrecadar 1 milhão de dólares até a primeira segunda-feira de setembro (7/9), quando se comemora o Dia do Trabalho nos EUA. O apelo inspira-se em ação muito semelhante adotada, em 2014, para criação do Podemos, na Espanha – e Lessig parece ter começado bem. Pouco mais de 24 horas depois de apelar aos eleitores, ele já obteve quase 13% do que almeja.

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Internet: o que você assina sem ler

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Um repórter britânico atreveu-se a examinar, por uma semana, os “termos de uso” de todos os serviços que utiliza na rede. O que descobriu vai do bizarro ao trágico

Por Gabriela Leite | Imagem: Tom Fish Burne

A maior mentira da internet: “li e concordo com os termos de uso”. Pudera: quem tem tempo ou paciência para o calhamaço de letras miúdas com texto muitas vezes incompreensível que vem antes de nos cadastrarmos a uma rede social ou instalarmos um programa? O problema é que estamos assinando um contrato sem nos dar conta do que podemos perder. Para entender melhor onde estamos nos metendo, o jornalista Alex Hern, do The Guardian, resolveu se desafiar e escrever sobre isso. Decidiu que leria todos os termos de uso de serviços que fosse usar, em uma semana.

O que primeiro chama a atenção, em seu relato, é a quantidade de tempo perdida com leituras maçantes. Segundo ele, toda sua leitura da semana junta — incluindo termos do Facebook, celular e até videogame — equivaleria a um livro com mais ou menos três quartos do tamanho de Moby Dick, livro do norte-americano Herman Melville que pode ser colocado de pé. Hern conta sobre como a Apple, tão conhecida pelo design e usabilidade de seus aparelhos e sistemas, é a que tem pior texto, com alguns blocos todos em letra maiúscula, impossível de ler — e, pior de tudo, desatualizado. Continuar lendo

Tablets e celulares, máquinas da desigualdade?

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Ativistas digitais alertam: pode estar surgindo acesso à internet de segunda categoria, que limita poder de criação dos mais pobres, para reduzi-los a meros consumidores

Por Gabriela Leite

Tablets e smartphones foram vistos com frequência nos últimos anos, como grandes ferramentas para democratização da internet. Relativamente baratos (88 modelos vendidos no Brasil custam menos de R$ 500), utilizam aplicativos que economizam banda de conexão e são incomparáveis em portabilidade. Agora, porém, estas vantagens estão sendo relativizadas por um número crescente de ativistas que lutam pelo livre acesso à rede. Ouvidos num texto recente, da revista Salon, eles sustentam: sob o manto de uma popularização ilusória, pode estar surgindo um novo apartheid digital. Nele, uma elite usufrui plenamente as possibilidades da rede, enquanto cria-se, para as maiorias, um uso de segunda categoria, que consiste basicamente em consumir o que os outros criam.

Larry Ortega, um dos ativistas ouvidos, explica que não se trata de condenar o aparelhos de acesso móvel à internet — mas de constatar as limitações impostas a quem se comunica exclusiva ou principalmente por parte de celulares e tablets. Neles, é muito difícil, ou mesmo impossível, desenvolver atividades refinadas: escrever um texto não-sumário, editar um vídeo, por exemplo — ou mesmo ações mais prosaicas e ligadas ao mercado, como preencher uma proposta de emprego online. Continuar lendo

Você enxerga o mundo na internet? Ou ela pesquisa você?

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Já estão ativos, em seu celular, mecanismos de busca premonitória. Escolhem por você, pois convidam à rotina letárgica de viver sem refletir. Mas problema não é tecnologia

Antes que você pense em perguntar, seu telefone, conectado à internet, avisa que precisa sair de casa mais cedo e se agasalhar. O trânsito, até o local de seu próximo compromisso, está congestionado: você levará uma hora e dez, de carro. Faz mais frio do que previa a meteorologia na noite anterior. Em compensação, sorria: há uma promoção para a viagem a Paris que você queria fazer com sua namorada. Clique aqui, para reservar duas passagens, ou aqui para incluir, na compra, cinco diárias de hotel, com desconto, em Montmartre.

Novas descobertas tecnológicas estão tornando as buscas na internet muito mais sofisticadas. Diversas empresas — Google, obviamente, mas também Cue, reQall, Donna, Tempo AI, MindMeld e Evernote — estão desenvolvendo aplicativos que cruzam seus dados, adivinham seus desejos e fazem ofertas. É parte da “inteligência artificial”, um passo tecnológico que estava associado aos computadores corporais (como o Google Glass), mas que entrou em teste desde já. Se você usa um celular, Android ou Iphone, experimente, por exemplo, testar o Google Now.

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Convoca!: surge uma plataforma para reunir multidões

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Desenvolvido por programadores ligados aos “Indignados” espanhóis, sistema permite propor mobilizações, registrar presença em uma delas e verificar, em instantes, quais são capazes de atrair grande público

Por Bernardo Gutierrez | Tradução: Bruna Bernacchio

A partir de agora, já é possível anunciar, por celular, presença em uma manifestação. Utilizando a plataforma Convoca! (convoca.cc) que o coletivo Outliers acaba de lançar, qualquer usuário pode criar um encontro público. Além disso, seja um show de música ou uma manifestação, qualquer pessoa que utiliza o Twitter pode registrar sua participação em uma multidão.  Convoca! também oferece a possibilidade de acrescentar diferentes narrativas multimídia (fotos, vídeos, textos) geolocalizadas. No blog do projeto, estas facilidades estão expostas em detalhes.

Convoca! é uma evolução natural da plataforma Voces25S, que o Outliers lançou, em setembro de 2011, para mapear a manifestação Rodea el Congresso, um protesto diante do Legislativo espanhol. A plataforma associava uma cor a diferentes hashtags de Twitter. como #tranquilo, #repressão, #fotos #aovivo. Assim, mapeava em tempo real, através da geolocalização de cada usuário, o cenário de Rodea el Congreso. Bastava tuitar com a geolocalização ativada e usar os hashtags propostos. O êxito foi tal — mais de um milhão de visitas — que o Outliers dedicou-se a melhorar a plataforma. Continuar lendo

As redes sociais começaram a declinar?

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Mais uma pesquisa sugere que, entre os públicos que mais as utilizam, há sinais de saturação

A Experian, uma empresa internacional de análise de tráfego na internet, lançou novos dados sobre o declínio do uso das redes sociais, nos países em que elas estão mais presentes. O estudo, cujo foco é o comportamento dos internautas na Inglaterra, mostrou que em 2012 eles dedicaram às redes 22% de seu tempo na internet — em 2011, o percentual era de 25%. O espaço foi ocupado por sites de multimídia e entretenimento (como o YouTube), que avançaram de 13% para 15% e de notícias (de 4% para 5%)

Leia abaixo texto do The Telegraph (em inglês): Continuar lendo