“Mulher do pai” e o lugar da mulher no cinema

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Outras Palavras e Coletivo Elviras debatem, nesta segunda-feira, um filme instiga a refletir sobre o papel feminino no audiovisual brasileiro, e a necessidade de ampliá-lo


Cinedebate
MULHERES NO CINEMA
Com exibição do makig of de “Mulher do Pai”
Presença de Cristiane Oliveira (diretora), Heloisa Passos (diretora de fotografia), Samanta do Amaral (colorista) e Isabel Whittmann (do coletivo Elviras)

Segunda-feira, 12/6, às 19h
Rua Conselheiro Ramalho, 945 — Bixiga — S.Paulo (veja mapa) — Metrô S.Joaquim (700m) ou Brigadeiro (1km)
Grátis — Veja página do evento para detalhes e compartilhar

Primeiro longa de Cristiane Oliveira, Mulher do Pai estreia dia 22 de junho. É um filme encabeçado por mulheres e com uma temática feminina muito presente no roteiro. Protagonizado por Maria Galant e Marat Descartes, o filme conta a trajetória da adolescente Nalu, que, após a morte da avó, precisa cuidar de seu pai cego, mas, ao mesmo tempo, vive o dilema entre ser tecelã como a avó ou buscar uma nova vida longe da comunidade.

Outras Palavras, em parceria com a equipe do longa Mulher do Pai e do Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema apresentam o Cinedebate Mulheres no Cinema, com exibição do Making Of de 23 minutos do filme. No debate, estarão presentes Heloisa Passos, diretora de fotografia e integrante da Associação Brasileira de Cinematografia e do Coletivo das diretoras de Fotografia do Brasil, Samanta Do Amaral, colorista e integrante do Coletivo das diretoras de Fotografia do Brasil, Cristiane Oliveira, roteirista e diretora, Isabel Wittmann, do Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema e do podcast Feito Por Elas. Continuar lendo

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Paulo Motoryn: Junho é a única saída

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“Feminismo, periferia e movimento negro devem reinventar a luta social no Brasil. É inadmissível que as direções de movimentos sociais e partidos ainda sejam compostas quase sempre apenas por homens, brancos, heterossexuais e ricos”

Por Paulo Motoryn


Outras Palavras está indagando, a pessoas que pensam e lutam por Outro Brasil, que estratégias permitirão resgatar o país da crise (Leia a questão completa aqui e veja todas as respostas dos entrevistados aqui).

É preciso entender os retrocessos e a perda de direitos que estamos submetidos, mas é ainda mais importante reconhecer um novo ciclo de lutas que eclodiu em junho de 2013 e constituiu a única saída possível para o atual momento político. Dar a devida importância às Jornadas de Junho é fundamental para compreender as ocupações de escolas em todo o Brasil 2015 e 2016, o movimento feminista e seus levantes cada vez mais potentes e o surgimento de inúmeros coletivos auto-organizados de arte e mídia do centro às periferias.

Não se tratam de “novos sujeitos”, como certos acadêmicos tentam rotular. São lutas históricas, mas que agora ganham novas estratégias: se apropriam das novas tecnologias de comunicação, apostam em uma interessante disputa de valores estéticos e se organizam de forma menos vertical e autoritária que os partidos e movimentos sociais da esquerda tradicional. É necessário que essas experiências reinventem a luta social no Brasil. Continuar lendo

Cineclube das Outras: para conhecer e debater o cinema feminista

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Cena de “Quem matou Eloá?”

Inaugura-se nesta quinta, 23, um espaço de diálogo e reflexão sobre o universo feminino através da exuberante produção audiovisual de mulheres

Por Inês Castilho e Livia Almendary
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Cineclube das Outras – sessão inaugural dia 23 de março
Rua Conselheiro Ramalho, 945, Bixiga, São Paulo
19h – Abertura da casa
19h30 – Exibição dos curtas-metragens
“Quem matou Eloá?”, de Lívia Perez (SP) – Documentário 24.24 min
“Estado Itinerante”, de Ana Carolina Soares (MG) – Ficção 25 min
“Do portão para fora”, de Letícia Bina (SP) – Documentário 16.4 min
20h30 – bate-papo com Lívia Perez, Letícia Bina e Jaqueline
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Em meio à multiplicação de grupos feministas e do peso político alcançado pelas manifestações de mulheres no Brasil, o cinema começa a ganhar centralidade. Entre pés na porta, câmeras na mão, lutas e resistência contra o machismo, racismo e sexismo, mulheres estão ocupando todos os campos do audiovisual e questionando seus lugares históricos no setor: da representação no cinema aos papeis e cargos que desempenham nas relações de trabalho (direção, fotografia, roteiro e mais), passando pela crítica e curadoria de festivais.

É nesse contexto que surge em São Paulo o “Cineclube das Outras”, um espaço coletivo para conhecer e debater a produção audiovisual de mulheres, com foco em Outras narrativas: de mulheres, negras, indígenas, LGBTs, migrantes, grupos subalternizados cuja voz soa cada vez mais alta nesta sociedade dominada por uma elite homens brancos heterossexuais. A iniciativa voluntária é de um grupo de diferentes gerações e atuações – integrantes da Taturana Mobilização Social, da Associação Cultural Kinoforum, da produtora Doctela, do 8M Brasil e do Outras Palavras.

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Cena de “Do portão para fora”

A sessão inaugural traz três produções recentes de curta-metragem sobre violência.
“Quem matou Eloá?”, documentário de Lívia Perez (SP), parte do caso de Eloá Pimentel, de 15 anos, durante cinco dias mantida refém pelo ex-namorado Lindemberg Alves, de 22 anos, para fazer uma análise crítica sobre a espetacularização e a abordagem da violência contra a mulher pela televisão – um dos motivos pelos quais o Brasil é o quinto no ranking mundial de feminicídio. O filme foi indicado a melhor curta-metragem documentário no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2017. Lívia Perez estará presente no bate-papo sobre os filmes, após a exibição.

“Do portão para fora”, de Letícia Bina (SP), também um documentário, narra a vida de Jaqueline ao sair da prisão: ela recomeça sua vida no lugar onde cresceu, torna-se mãe pela segunda vez e divide seu tempo entre o trabalho e a casa. Letícia e Jaqueline também estarão presentes no debate.

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Cena de “Estado Itinerante”

Já “Estado Itinerante”, de Ana Carolina Soares (MG), é uma ficção que traz a personagem Vivi, uma cobradora de ônibus que procura escapar de uma relação opressora e se fortalece com o trabalho e o apoio de outras cobradoras. A diretora não estará no debate por morar fora de São Paulo.

O cineclube não conta com financiamento, a não ser a eventual contribuição voluntária das pessoas que comparecerem à sessão e alguns trocados da venda de bebidas no bar, para custear o uso do espaço. Os filmes foram cedidos gratuitamente por suas diretoras, mas a ideia é, futuramente, quando o cineclube crescer, ajudar a remunerar tanto os curtas, quanto as debatedoras que se engajam em discutir as obras conosco – fortalecendo e valorizando assim o espaço, o debate e a cadeia envolvida na distribuição de filmes.

O “Cineclube das Outras” vem se somar a iniciativas semelhantes espalhadas pelo país: Quase Catálogo  e Cineclube Delas (RJ), Feministas de Quinta (ES), Cineclube da aranha (BH), Cineclube Feminista do Coletivo Matilde Magrassi (periferia de São Paulo e Guarulhos), a Mostra das MINAS (Santos), as sessões de cinedebate organizadas pela SOF (SP), e outras tantas que devem rolar por aí. Isso, ao lado de núcleos de mulheres cineastas como o Coletivo Vermelha (SP), o Grupo das Mulheres no Audiovisual, o Grupo das Mulheres Negras no Audiovisual, a Afroflix, as Elviras etc etc…

O cineclube está aberto a pessoas e grupos ou entidades que queiram somar esforços. Estão todxs convidadxs!

Mulher e imprensa no Brasil, desde o século 19

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Nísia Floresta, por AZ Colorir

Obra que será lançada nesta sexta-feira resgata existência, há quase duzentos anos, de jornais feministas diversos e combativos — talvez as primeiras vozes públicas em luta pela emancipação

Por Inês Castilho
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Imprensa Feminina e Feminista no Brasil – Século XIX – Dicionário Ilustrado Lançamento: 9 de Setembro, das 15h30 às 17h30
Sesc Centro de Pesquisa e Formação
Rua Dr. Plínio Barreto, 285, 4 º andar, Bela Vista, São Paulo

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A literatura, a imprensa e a consciência feminista surgiram praticamente ao mesmo tempo no Brasil, nas primeiras décadas do século 19. Quem afirma é a pesquisadora de história e literatura feminina Constância Lima Duarte, da Universidade Federal de Minas Gerais, autora de uma fascinante cartografia de 143 publicações dirigidas ao público feminino nos anos 1800, de norte a sul do país. O dicionário ilustrado Imprensa feminina e feminista no Brasil no século XIX vem renovar a narrativa sobre o clamor das mulheres por direitos humanos – primeiramente à educação.
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“Quando as primeiras mulheres tiveram acesso ao letramento, imediatamente se apoderaram da leitura, que por sua vez as levou à escrita e à crítica”, afirma Constância. “E independente de serem poetisas, ficcionistas, jornalistas ou professoras, a leitura lhes deu consciência do estatuto de exceção que ocupavam no universo de mulheres analfabetas, da condição subalterna a que o sexo estava submetido, e propiciou o surgimento de escritos reflexivos e engajados, tal a denúncia e o tom reivindicatório que muitos deles ainda hoje contêm.” Continuar lendo

Agora na Justiça, o levante das mulheres

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Para DeFEMde, Rede Feminista de Juristas, não basta lutar por maior presença no Judiciário. É hora de um Direito que rompa dogmas tradicionais, reveja relações machistas e deixe de ser ferramenta para subjugar mulheres

Por Inês Castilho

A onda de mobilizações de mulheres que se espalha pelo Brasil acaba de dar à luz uma iniciativa criadora. Formou-se esta semana (31.05), a Rede Feminista de Juristas,  formada por mulheres que atuam nas mais diversas áreas do direito: juízas, defensoras públicas, promotoras, sócias de escritórios de advocacia, professoras universitárias e pesquisadoras. A rede integra também psicólogas e assistentes sociais feministas que trabalham cotidianamente no sistema jurídico.

A DeFEMde, sigla que adotaram, amplia o vigoroso levante de mulheres que vem acontecendo, com coletivos de trabalhadoras rurais, de mulheres negras, de mulheres da periferia, de poetas, de cineastas, de mulheres do funk, do hip hop, de estudantes secundaristas, estudantes universitárias e outros tantos que estão sendo criados em praticamente todos os rincões deste país.

“A ‘primavera feminista brasileira’, que desabrochou ao longo de 2015, deu visibilidade à luta das mulheres no Brasil. O desafio agora é transportar e representatividade virtual para a realidade jurídica do país”, afirmam elas ao abrir seu manifesto.

Bem a propósito dos constrangimentos provocados pelos delegados inicialmente encarregados do caso da menor vítima de estupro coletivo no Rio de Janeiro, logo superados quando o caso foi assumido pela delegada Cristiana Bento, titular da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), as juristas feministas afirmam:

“A DeFEMde não compactua com a ilusão de neutralidade dos operadores do direito, pois deixar de abordar a discriminação contra as mulheres não a elimina; pelo contrário, a reforça. Entendemos que o direito deve ser utilizado para atingirmos uma sociedade mais justa e igualitária, o que só é possível por meio da maior participação das mulheres em posições de poder e liderança, na produção, na aplicação e na avaliação do direito.”

A criação da Rede foi motivada pela análise do tratamento das mulheres na mídia e no judiciário que, afirmam, perpetua o machismo em vez de combatê-lo. Partindo do nível pessoal, elas inicialmente trocaram experiências sobre a discriminação sexista vivida no exercício da profissão – “situações como homexplicando (postura de homens que subestimam nossos conhecimentos) e casos de assédio sexual por orientador de pós-graduação, ou até episódios de violência e violações aos quais são submetidas mulheres que nos procuram em busca de orientação jurídica.”

Entre seus objetivos estão “criar juntas estratégias e teses jurídico-feministas para a defesa e garantia dos direitos das mulheres em todos os campos do direito. Argumentamos, por exemplo, pela maior relevância do depoimento da vítima em casos de violência no ambiente de trabalho e doméstico.”

A Rede Feminista de Juristas convida todxs a visitar sua página e a contribuir para o debate. “O machismo é responsabilidade de toda a sociedade”, lembra. Leia abaixo a íntegra do manifesto.

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Quem tem medo das mulheres no audiovisual?

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Coletivo Vermelha — formado por cineastas — provoca: por que mulheres estão tão pouco presentes, em ambos os lados das câmeras? Série de debates começa em 17/3

Por Redação

Como lidamos com a imagem da mulher? Que tipo de personagens são criadas, quais são seus conflitos? Como retratamos o corpo feminino? E o corpo negro? Que histórias estamos contando, e como? Como seria se 50% das diretoras, roteiristas, fotógrafas, produtoras, diretoras de arte, desenhadoras de som fossem mulheres?

Com essas perguntas em mente, cinco cineastas – roteiristas, diretoras, montadoras e produtoras – organizaram o ciclo de debates “Quem tem medo das mulheres no audiovisual?”. Serão seis encontros abertos ao público, em Campinas (dia 17) e São Paulo (19 e 20), para refletir sobre a divisão sexual do trabalho, as representações da mulher, estereótipos e racismo no audiovisual, além de políticas públicas e atuação da sociedade civil. Continuar lendo

Agenda: Mulheres, Comunicação e Violência

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Nesta quinta, em São Paulo, um debate sobre o papel feminino num universo ainda dominado pelos homens e pelo preconceito

Por Artigo19


Mulheres de Expressão: Violência e Comunicação
Quinta-feira, 10/3, às 19h
Rua Maria Antonia, 294, São Paulo

Para discutir a condição da mulher nos meios de comunicação de hoje, a Artigo 19 e o InternetLab organizam nesta quarta-feira (10/3) o debate “Mulheres de Expressão: Violência e comunicação”. O evento ocorre a partir das 19h no Centro Universitário Maria Antonia, em São Paulo.

As convidadas Ana de Freitas (jornalista do Nexo Jornal), Gizele Martins (comunicadora comunitária da Maré), e Stephanie Ribeiro (escritora e ativista feminista negra) contarão suas experiências, dificuldades e desafios que enfrentam como mulheres que atuam no campo da comunicação. Mariana Valente e Natália Neris comentarão resultados de uma pesquisa que estão conduzindo no InternetLab sobre violência contra a mulher no ambiente online, e as respostas que o direito oferece. A mediação será de Paula Martins, diretora da Artigo 19.

Entre os principais pontos de discussão, estarão temas como a participação da mulher na velha mídia e na comunicação popular, a violência on-line e a forma como a mulher é retratada na mídia.

O debate “Mulheres de Expressão” ocorre na semana do Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de março.

 

Mulheres encarceradas, outra face do machismo

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# Agoraéquesãoelas. Número de presas está disparando no Brasil. Condenações devem-se a obsessão punitiva e desconsideram tanto irrelevância dos “crimes” quanto situação vulnerável das mulheres

Por Juliana Carlos | Imagem: Luiz Silveira / Agência CNJ

O aprisionamento das mulheres vem crescendo em todo o mundo: entre 2000 e 2014, enquanto a população mundial cresceu 18%, o número de mulheres presas aumentou 50%. Durante o mesmo período, o número de mulheres presas no Brasil aumentou quase 4 vezes, segundo dados do Institute for Criminal Policy Research.

Na semana passada a Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo (o estado com o maior número de presos no Brasil: 221.636 pessoas) finalmente divulgou informações sobre o perfil de sua população carcerária, revelando que o tráfico de drogas é a causa da prisão de 72% das mulheres presas no estado. Continuar lendo

Enem, Educação, Hipocrisia

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Grita contra “feminismo” no exame revela: Brasil consagra Direitos Humanos em dezenas de pactos, mas rejeita-os na prática quando se trata de defender grupos vulneráveis

Por Mariana Vilella, Renata Ferraz e Vanessa Pinheiro

Em 25 de outubro, o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM teve como tema de redação: “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. Em uma tarde, milhões de jovens brasileiros viram-se instados a refletir e dissertar sobre esse tema, caro à sociedade, dados os alarmantes números da violência doméstica, sexual, psicológica, obstetrícia, dentre outras, que atingem a mulher brasileira. A escolha gerou polêmica.

Muitos mostraram-se contrários ao tema e, ainda, criticaram o MEC por conta de um viés feminista. A hashtag #enemfeminista foi criada e imensamente utilizada por defensores e críticos da prova.

O Enem foi ideológico? Foi de esquerda? Foi correto? As avaliações devem medir critérios como respeito aos direitos humanos ou capacidade de refletir sobre os problema políticos e sociais nacionais?

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