Alternativas: e se energia for um Bem Comum?

Eletricidadade e combustíveis são vitais para atividade humana — mas produzi-los pode causar enormes impactos sociais e ambientais. Por isso, não podem continuar submetidos aos interesses do mercado

Como estender os benefícios e conforto oferecidos pela eletricidade a todos os seres humanos — inclusive a um bilhão de pessoas que não têm, hoje, acesso a uma lâmpada elétrica? Como evitar que, a pretexto de garantir este direito, mega-empresas, quase sempre financiadas por recursos públicos, desenvolvem imensos projetos que afetam a natureza e as populações locais?

A Assembleia Europeia dos Comuns (AEC), uma articulação da sociedade civil impulsionada pela Fundação Peer to Peer (saiba mais aqui) propõe uma resposta inovadora. Ela quer alterar o paradigma que orienta, hoje, tanto a produção de eletricidade e combustíveis quanto sua distribuição e suas receitas. Ao invés de subordinarem-se a interesses de mercado, estas atividades devem ser consideradas Bens Comuns da Humanidade. As decisões essenciais precisam ser transferidas das mega-empresas a comunidades organizadas.

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Energias limpas: Austrália ensina a baratear

 

Grandes parques eólicos em alto-mar, a novidade tecnológica mais recente no caminho para ultrapassar era do petróleo

Grandes parques eólicos em alto-mar, a novidade tecnológica mais recente no caminho para ultrapassar era do petróleo

Graças a política fiscal ativa, energia eólica já é mais barata que a gerada em termelétricas. Quais os caminhos para seguir este exemplo no Brasil?

Por Antonio Martins

Num país de vasto território e insolação, como o Brasil, o principal obstáculo a um grande desenvolvimento das fontes limpas de energia é, à primeira vista, o preço. Embora os números sejam variáveis, a eletricidade de fonte eólica é, ainda, pelo menos 15% mais cara que a gerada nas hidrelétricas. A energia solar custa três ou quatro vezes mais. Embora exista, desde 2004, um programa de incentivo às fontes alternativas — o Proinfa –, suas metas são limitadas. Mesmo nas hipóteses mais otimistas, os ventos deverão suprir, em 2021, menos de 10% do consumo. Por isso, talvez seja interessante observar a experiência recente da Austrália na construção de uma matriz energética mais adequada. Continuar lendo