Vem aí nova ditadura?

Alguns comentaristas estão vendo como inevitável uma onda de repressão brutal contra a esquerda, após as eleições. Pensar assim é entregar os pontos, antes da partida começar

Por Antonio Martins | Edição de vídeo: Gabriela Leite

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TEXTO-FIM

Eleições em cenário de impasse do lulismo

141026-Disputa

Afastada hipótese populista de Marina Silva, país debate-se entre um projeto que foi bem-sucedido — mas que estancou e precisa requalificar-se — e tentativa de rearticulação das elites

Por Felipe Amin Filomeno | Imagem: Michelangelo CaravaggioO Trapaceiro

Ainda é difícil prever quem será o próximo presidente do Brasil. Entretanto, o que já se pode afirmar é que, ao final do primeiro turno das eleições presidenciais, a democracia brasileira sai fortalecida. O principal indicador disto é a derrota de Marina Silva.

Durante o governo Lula, uma combinação de condições mundiais favoráveis e de políticas nacionais de cunho neodesenvolvimentista e social-democrata gerou um novo ciclo de desenvolvimento econômico e social. Diante da crise mundial iniciada em 2008, o governo petista agiu de maneira criativa, utilizando políticas heterodoxas para proteger o país da recessão. A economia no país reagiu e teve um desempenho extraordinário em 2010. Na transição para o governo Dilma, o ciclo de desenvolvimento lulista começou a mostrar sinais de esgotamento, tanto em suas condições mundiais (agravadas com a persistência da crise), quanto em suas condições domésticas (com os ajustamentos apenas contingenciais e incrementais nas políticas públicas). As novas demandas do cidadão brasileiro, que surgiram daquele ciclo de desenvolvimento e foram manifestadas nos protestos em massa de 2013, passaram a ser atendidas apenas marginalmente. Não se trata do cenário de caos que a grande mídia tenta construir, mas sim de uma malaise com as instituições políticas numa situação em que para cada indicador positivo divulgado, outro negativo aparece no dia seguinte. Continuar lendo