A canção cubano-gaúcha de Pássaro Poeta

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Poemas de Tony Guerreiro, um dos Cinco Cubanos que EUA aprisionaram até 2015 são musicados por compositores brasileiros e lançados em CD

Por Kátia Marko


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Para ouvir algumas das canções, tocadas no lançamento do CD: aqui
Para comprar o CD: aqui, via internet;
ou, presencialmente, em Outras Palavras:

Rua Conselheiro Ramalho, 945 – sala 2 – Bixiga – São Paulo

No dia 13 de junho foi lançado em Porto Alegre o CD Pássaro Poeta, com poemas de Antônio (Tony) Guerrero, musicados pelos músicos gaúchos Dão Real e Zé Martins (Grupo Unamérica), Pedro Munhoz e Raul Ellwanger.

A ideia de produção deste CD acompanhado de um livreto como encarte, surgiu no Fórum Social Temático 2010, no evento Casa Cuba, realizado na cidade de São Leopoldo/RS. Na ocasião, o músico cubano Vicente Feliú entregou aos quatro músicos gaúchos poesias inéditas de Antônio Guerrero, compostas dentro de uma prisão nos Estados Unidos em novembro e dezembro de 2009.

Antônio (Tony) Guerrero é um dos “Cinco Cubanos” que se encontravam presos nos EUA até o início de 2015, condenados por espionagem, desde 1998. Juntamente com Gerardo Hernández, Ramón Labañino, René González e Fernando González, atuavam combatendo e denunciando ações terroristas de grupos extremistas de origem cubana em Nova Jersey e na Flórida.

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TEXTO-FIM

Twitter anti-Cuba: uma gota d’água no oceano?

Mulher usa celular no "Malecón" de Havana. Apresentado como serviço comercial, "twitter cubano" era controlado por agência norte-americana

Mulher usa celular no “Malecón” de Havana. Apresentado como serviço comercial, “twitter cubano” era controlado por agência norte-americana

Documentos de Edward Snowden revelam: EUA e Reino Unido promovem manipulação incessante da internet, para desestabilizar governos “inimigos”

Por Cauê Seignemartin Ameni

No início de abril, a agência de notícias Associated Press fez a mais recente revelação envolvendo ações encobertas dos EUA para promover o dissenso em Cuba. A ferramenta, chamada de ZunZuneo, é uma espécie de Twitter que disparava mensagens de celular (SMSs). Chegou a ser utilizada por cerca de 40 mil cubanos. Na aparência, visava promover a troca de notícias sobre esportes, música e clima. Mas tinha como objetivo original corroer a credibilidade do regime, instigando uma “primavera cubana” . Foi criado pela Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), organização supostamente voltada para ajuda humanitária. Era, contudo, apresentado como plataforma privada, isenta de vínculos com Estados — especialmente o norte-americano…

Há uma semana (em 7/4), a trama complicou-se. De acordo com os documentos revelados pelo jornalista Glenn Greenwald, esta prática não se restringe apenas à ilha caribenha. As agências de inteligência norte-americana (NSA) e britânica (GCHQ) trabalham há anos num esforço conjunto para manipular opinião pública nas principais redes sociais de alcance mundial como Twitter, Facebook e Youtube. “Esse tipo de operação é frequente nas agências de inteligência ocidentais, que se infiltram secretamente nas mídias sociais para disseminar ‘propaganda’, ‘mensagens em massa’, e ‘promoção de notícias’ (…) difundindo disfarçadamente pontos de vista amigáveis aos interesses ocidentais e espalhando informações falsas ou prejudiciais contra alvos”. Isso aparece repetidamente em todos os documentos da NSA vazados pelo ex-agente Edward Snowden, relata Greenwald na nova publicação digital onde é editor, The Intercept. Continuar lendo

Mandela e Fidel, relação especial

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Mitos do século XX, governantes da África do Sul e Cuba inspiraram-se mutuamente. Para Mandela, presença cubana na África foi vital contra apartheid

Por Cauê Seignermatin Ameni

Um Nelson Mandela adocicado, quase insosso, emergiu dos noticiários horas depois de morrer. Especialmente no Brasil, aponta-se o líder sul-africano como uma espécie de unanimidade, alguém que dirigiu o desmonte do apartheid quase sem enfrentar oposição. Neste sentido, ele seria o antípoda de gente como… Fidel Castro — este, rancoroso, ranzinza e ressentido. Publicado hoje, um texto de Hirania Luzardo, editora senior do Huffington Post, mostra que tal visão é absolutamente fictícia. Além de manterem longa amizade pessoal, Mandela e Castro inspiraram-se mutuamente e cooperaram de forma intensa.

O triunfo da Revolução Cubana, de 1959, inspirou o jovem Mandela a articular o braço militar do Congresso Nacional Africano (ANC/CNA). Denominada Lança da Nação (Umkhonto we Sizwe, na língua zulu), foi fundada 16 de dezembro, junto ao Partido Comunista da África do Sul, como resposta à sistemática opressão política, social e econômica movida contra a população negra, mestiça e indiana da África do Sul pelo regime político do Apartheid. Ou seja: Mandela compreendeu que a conquista de igualdade racial exigiria ruptura radical com o status quo. 

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Saúde: buscando respostas às perguntas erradas

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Não se pode negar atendimento médico à população desassistida alegando que “falta infraestrutura”. Mas doutores estrangeiros são saída de emergência — não solução

Andressa Pellanda

Um dos principais debates que tomou o governo, a mídia, as redes sociais, as esquinas e os botecos nas últimas semanas tem girado em torno do mais recente programa do governo federal, o Mais Médicos. A pergunta que se faz e que se tenta responder é como levar médicos para os mais distantes rincões deste país. O governo respondeu com um salário de R$ 10 mil e o convite a médicos estrangeiros. O Conselho Federal de Medicina, com uma enxurrada de críticas ao programa, defende a passagem por uma avaliação de conhecimento anterior e obrigatória à atuação profissional, o Revalida.

A resposta é simples: erraram por terem feito uma só pergunta. É óbvio que a preocupação do governo está focada na necessidade de atendimento de uma parcela da população, que não pode esperar a melhoria da infraestrutura como um todo e/ou dos reflexos de maiores investimentos em saúde pública para ter seu direito básico garantido. Os méritos desta ação não podem ser deixados de lado. Porém, também não pode ser adiada uma discussão mais efetiva, e de médio e longo prazos, acerca do tema. É preciso questionar o por quê de a taxa de médicos por 1000 habitantes variar tanto de um estado para o outro; se essa discrepância no sistema de saúde pública e as taxas de mortes evitáveis no Brasil serão reduzidas com a uma melhoria na distribuição de médicos; e, para além disso, se os médicos são o foco do problema. Continuar lendo

Cuba abraçará a Economia Solidária?

Para reativar e desburocratizar a economia, país aposta nas cooperativas e busca conhecer experiências internacionais. Mas os empreendimentos serão autônomos? E reforçarão os valores socialistas?

Por Hugo Albuquerque

Pode ter sido um choque, para quem julga impossível uma mudança efetiva na economia cubana. Em 25 de julho, numa das sessões mais concorridas do encontro semestral da Assembleia Nacional do Poder Popular (uma espécie de Legislativo) de Cuba, a estrela foi Marino Murilo. Falou por mais de duas horas. Chefe da comissão criada pelo Comitê Central do Partido Comunista para a reforma econômica, detalhou os planos para os próximos anos.

Boa parte das empresas estatais deixará de ser simples apêndice dos ministérios e terá relativa autonomia operacional e financeira — como a Petrobrás ou o Banco do Brasil, por exemplo. Ainda mais importante: 222 empreendimentos de médio porte, hoje pertencentes ao Estado, serão transformados em cooperativas, em tese 100% autônomas. Uma ampla gama de serviços — entre os quais transportes públicos, mercados de frutas, restaurantes e criações de camarões — serão executados e geridos nos moldes da chamada “economia solidária”.

Esta experiência-piloto deverá ser, mais adiante expandida. Para tanto, Cuba começou a receber, desde 2011, delegações de cooperativistas de diversos países. Dois participantes deste intercâmbio — um italiano e greco-canadense, ambos claramente simpáticos à experiência cubana — publicaram recentemente relatos de suas visitas à ilha e dos diálogos que mantiveram. Seus textos ajudam a compreender a grande capacidade de mobilização interna e internacional de Cuba; mas ao mesmo tempo, as dificuldades reais vividas pela economia e as tentativas de superá-las por caminhos distintos dos que prevaleceram durante a maior parte do período revolucionário.
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