Reforma Política: para abrir um debate interditado

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Vigência e Outras Palavras promovem, nesta quinta, segunda Roda de Conversa sobre sequestro da democracia e alternativas. Em foco, agora, o Sistemas Eleitorais

Por Antonio Martins


RODA DE CONVERSA
A Reforma Política e os Sistemas Eleitorais
Quinta-feira, 31/8, às 19h, em São Paulo

Rua Conselheiro Ramalho, 945 – Bixiga (veja mapa) – Metrô São Joaquim ou Brigadeiro

No cenário brasileiro, tudo parece instável e imprevisível — mas uma armação antidemocrática parece ter-se corroído em demasia, nas últimas semanas. A mal-chamada “Reforma Política”, que deputados e senadores tentam costurar de costas para a sociedade, está empacada e corre o risco de naufragar. Na Câmara, mais uma reunião de líderes de partidos terminou ontem de forma melancólica. Agora, já não parece haver consenso para nada. O “distritão”, que fulaniza ao extremo o voto e com isso apaga os últimos vestígios de escolha programática, patina. A criação de um fundo eleitoral que doaria aos partidos R$ 3,6 bi ao ano — em época de grandes cortes no gasto social — gerou enorme desgaste e tende a ser hipocritamente postergada. Restam as cláusulas de barreira, com pouca chance de aprovação no plenário. O tempo corre contra rápido contra a trama.

O possível fracasso não significa que o tema seja menor. Ao contrário, abre-se espaço para um debate menos restrito viciado. O coletivo Vigência e Outras Palavras convidam, para uma segunda rodada de conversas sobre Reforma Política, nesta quinta-feira, 31/8. Estará em pauta o Sistema Eleitoral — pouquíssimo examinado, porém decisivo.

A pergunta implícita é de difícil resposta. Como garantir — num país continental e com a quinta maior população do planeta — que a multiplicidade de pontos de vista existentes na sociedade esteja representada num Parlamento? O sistema atual é um obstáculo. Os candidatos a deputados disputam cadeiras não apenas contra os partidos adversários, mas em concorrência com seus próprios correligionários. E precisam fazê-lo em todo o território de seus respectivos Estados. O resultado são campanhas caríssimas, em que o poder econômico torna-se o fator decisivo. Continuar lendo

TEXTO-FIM

Gunther Alexander: a inspiração do Podemos e das ações exemplares

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Em 2013, uma nova geração crítica despertou. Mas ela ainda não encontra formas políticas para articular seus desejos, nem se enxerga na hipocrisia dos velhos partidos

Por Gunther Alexander


Outras Palavras está indagando, a pessoas que pensam e lutam por Outro Brasil, que estratégias permitirão resgatar o país da crise (Leia a questão completa aqui e veja todas as respostas dos entrevistados aqui).

Como sair desta maré?

Para nos inspirar podemos olhar para a Espanha, a Índia e o Chile e compreender como se criam novas formas, partidos-movimento e frentes amplas onde o partido não é a vanguarda, mas sim uma ferramenta dos movimentos sociais. Tal é o caso do Podemos na Espanha e o Partido do Homem Comum na India, e tal é o caso da frente ampla organizada por Humanistas, Piratas e o RD no Chile.

No caso do Brasil, a resposta pode estar em Junho de 2013 e nas duas últimas eleições.

Em 2013 uma nova geração crítica despertou e começou a se expressar social e culturalmente, mas no campo político brasileiro esta juventude todavia não se definiu claramente.

Esta nova geração ainda não se organizou de forma mais permanente e, ao contrário do que os liberais querem vender, esta juventude não definiu seu campo ideológico. E de certa forma ela é mais transversal do que as gerações anteriores, pois tem um pensamento menos binário.

Nas duas últimas eleições, entre outros motivos, houve retrocesso porque esta geração não votou. A abstenção recorde indica que ela ainda está a espera de algo novo, talvez uma frente ampla e/ou um novo movimento que esteja mais de acordo a sua sensibilidade.

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Jean-Claude Bernardet escreve a Eduardo Cunha

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Rei Ricardo III, um dos mais fascinantes vilões de Shakespeare

“Muitos amigos meus exultam com a tua cassação. Eu não. O sistema político continua intacto. Mas se soltar a língua, você derruba a República e se torna shakespeariano”

Por Jean-Claude Bernardet

Cunha, cê fez o trabalho sujo e agora eles te cospem. Eles são assim mesmo.
Muitxs amigxs meus minhas exultam com a tua cassação. Eu não.
Porque o sistema que te levou ao poder continua intacto.

Pela sua sede enlouquecida de poder, seu espírito de vingança, suas mentiras, suas traições, sua desonestidade. sua arrogância e desfaçatez, você pode ter as dimensões de um personagem shakespeariano. Você tem de ir até o fim.

A vassoura da história vai varrer os Temer, os Renan.

Se soltar a língua, você derruba a República e se torna verdadeiramente shakespeariano, a História não te esquecerá.

É já. Não haverá outra oportunidade. Se perder essa chance, vassoura…

“Primaveras” reúne mais de cem pessoas em São Paulo

Com participação de Ricardo Abramovay e Ladislau Dowbor, debate focou crises civilizatórias. Próximos encontros tratarão de ativismo e conhecimento livre

(Da assessoria de imprensa do IDS)

Como lidar com um mundo que vive crises múltiplas? Para além da discussão, há algo para ser feito, urgentemente? Mais de cem pessoas compareceram nesta última quarta-feira, 24/10, à Matilha Cultural, na região central de São Paulo, para um bate papo informal sobre esses questionamentos com os professores Ricardo Abramovay (professor titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP) e Ladislau Dowbor (professor titular da pós-graduação em Economia e Administração da PUC-SP). Apesar do nome poético do encontro – “Primaveras – diálogos sobre ativismo, democracia e sustentabilidade” – havia urgência na pauta do evento mediado pela secretária executiva do IDS, Alexandra Reschke.

O mote do primeiro encontro era “Crise e Oportunidade: a dimensão política das crises civilizatórias”. E, como bem ressaltou a editora da revista Página22, Amalia Safatle, uma mudança de consciência, necessária para dar conta dessas múltiplas crises, “leva tempo”. E de tempo não dispomos. Ladislau Dowbor acredita que a reunião de pessoas sintonizadas em torno das mesmas causas acontecem no mundo todo e devem capitanear a transformação da consciência geral. Ricardo Abramovay pensa parecido – e vai além. Cita o ano de 2020 como “cabeça contra rochedo” para todos nós, em especial as corporações. As empresas não podem, e não devem, diz o economista, pensar em planos para depois dessa data.

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