Nova política: a estratégia do “Comunalismo”

170306-Comunalismo

Comunidades governadas por assembleias de base, e articuladas em federações, poderiam ser alternativa para a crise da democracia contemporânea?

O esforço para reinventar a democracia e tão necessário e urgente — e temos ainda tão poucas respostas — que vale a pena examinar com atenção todas as trilhas disponíveis. Num artigo recém-publicado pela excelente revista Roar Magazine, baseada em Amsterdã, a antropóloga norte-americana Eleanor Finley fala sobre o “comunalismo” — definido por ela mesma como “a superação do capitalismo, do Estado e da hierarquia social por assembleias e federações municipais, locais e de vizinhança”

O comunalismo, diz Eleanor, é essencialmente um um processo, que esteve associado, ao longo da história da humanidade, a diferentes projetos políticos. Iluminou a Comuna de Paris e os “caracóis” zapatistas. Está presente na prefeitura de Barcelona — onde Ada Colau foi eleita com base na constituição anterior de inúmeras Assembleias Cidadãs — e na resistência curda em Rojava. Mas alimentou também a democracia ateniense e as confederações de índios iroquis, que governaram a região dos Grandes Lagos (EUA) durante 800 anos.

Continuar lendo

TEXTO-FIM

Piseagrama debate novas formas de democracia

161111-piseagrama
Edição 09 da revista será lançada amanhã, em BH. Ladislau Dowbor, Rodrigo Nunes, Antonio Cuesta Marin assinam textos sobre ocupações, horizontalismo, territórios indígenas autônomos e temas afins

Piseagrama 09
Lançamento na Escola de Arquitetura da UFMG
Rua Paraíba, 697 – Funcionários – Belo Horizonte (mapa)
Sábado, 12/11, das 16 às 20h
Preço promocional, recursos da venda doados à Ocupa EAD

O lançamento é uma parceria de PISEAGRAMA com a BANCA e com a OCUPA EAD, e conta com a participação de Silke Kapp, Flávio Agostini e Ricardo Portilho que, juntamente com os editores, apresentarão e debaterão as suas colaborações para esta edição em torno das possibilidades de um mundo pós-revolucionário, da prisão autogestionada, do intercâmbio de cidadania, da democracia sem partidos, das vanguardas contraculturais e dos territórios indígenas autônomos.

Em sua nona edição, PISEAGRAMA conta com a participação, além dos três convidados acima, do filósofo Rodrigo Nunes, dos artistas Cao Guimarães, Gerardo Petsaín e Maider López, do ativista Emanuele Braga, do escritor Antonio Cuesta Marín, dos fotógrafos Cor Jaring, Andrea Sellanes, Inga Kerber e Priscila Musa, da liderança quilombola e escritor Antônio Bispo dos Santos, do economista Ladislau Dowbor, dos ilustradores Veridiana Scarpelli e Enrique Flores, da socióloga Christa Muller, do antropólogo Rafael Barros, do jornalista Bernardo Gutiérrez, do projeto Los Madriles e dos coletivos de arquitetura Zuloark e Micrópolis.

Com este lançamento, a PISEAGRAMA se propõe não somente a ampliar o debate urgente acerca da autogestão e outras formas de organização coletiva, mas a colaborar com os experimentos de democracia direta e horizontalidade das ocupações estudantis.

Agora na França, a “democracia” sem povo

Durante cinco meses, sindicatos e juventude fizeram dezenas de manifestações. Opinião pública opôs-se firmemente à lei. Tudo em vão

Durante cinco meses, sindicatos e juventude protestaram, muitas vezes sob repressão brutal . Opinião pública opôs-se firmemente à lei. Tudo em vão

Lei que achata direitos trabalhistas acaba de ser aprovada, mesmo enfrentando 70% de rejeição popular e sem maioria no Parlamento. Como isso foi possível?

Por Antonio Martins

Em 1930, John Maynard Keynes, o economista que mais intensamente lutou por um capitalismo reformado previu que seus netos trabalhariam 15 horas por semana. O sistema, imaginou ele, promoveria incessantes avanços tecnolócios e aumento da produtividade do trabalho; também seria suficientemente sábio e generoso para distribuir estes ganhos com o conjunto da sociedade. Há poucas horas, a França, somou-se ao conjuntos dos países do capitalismo “desenvolvido” e aprovou a chamada Lei El Khomri. Na contramão do que previa Keynes, ela permite estender a jornada a 46 horas semanais, além de eliminar inúmeros direitos trabalhistas relacionados à irredutibilidade dos salários, descanso entre as jornadas, indenizações em caso de demissão, gozo das férias e proteção dos que sofrem acidentes laborais.

O retrocesso atinge, além dos direitos sociais, a própria democracia. Desde que apresentada, há cinco meses, a lei foi alvo constante de protestos. Os sindicatos promoveram seguidas jornadas de luta contra ela — algumas vezes reprimidas pela polícia com ferocidade. A juventude ergueu-se no movimento Noites Despertas (“Nuits Debout”). Além disso, todas as sondagens de opinião feitas no período revelaram: ao menos sete, em cada dez franceses, eram contrários às mudanças propostas.

Continuar lendo

Por que o “Fora, Temer!” já não basta (2)

160609-ForaTemer

Afastamento do presidente não reconduziria Dilma ao posto, nem restauraria vontade das urnas. Terremoto provocado pela Lava Jato vai muito além do golpe. É nesse cenário que precisamos atuar

Por Antonio Martins


TEXTO EM CONSTRUÇÃO
O rascunho a seguir é a segunda reflexão para uma análise de mais fôlego sobre o cenário político atual. Contribuições e críticas são muito bem-vindas. Faça-as no espaço para comentários do post. A primeira parte pode ser lida aqui

A passagem do #NãoVaiTerGolpe ao #ForaTemer foi, a partir de 12 de maio, inevitável e quase automática. Acreditávamos que o vice havia sido o pivô da conspiração contra Dilma. Imaginávamos que seu provável desgaste produziria, quase simetricamente, um reerguimento da presidente legítima. Víamos as ações da Operação Lava Jato e da Procuradoria Geral da República (PGR) como parte de um movimento cujo objetivo essencial era derrubar a chefe de governo e reinstalar as elites no poder. À luz dos fatos mais recentes, este cálculo, segundo o qual Sérgio Moro e Rodrigo Janot eram meros coadjuvantes, não se sustenta mais. Além constatar a realidade, é preciso encarar suas consequências políticas.

Há várias semanas, a articulação Janot-Lava Jato vem demonstrando que não está alinhada ao presidente ilegítimo. A derrubada do então ministro do Planejamento, o senador Romero Jucá, serviu como primeiro sinal. Muito mais forte, porém, foi o vazamento, nesta terça-feira (7/6), do pedido, feito pelo Procurador Geral da República, de prisão dos presidentes do Senado e da Câmara, que compõem a mais alta cúpula do PMDB. A ação sinaliza que Temer e seu partido, longe de aliados, são os novos alvos centrais da PGR. Janot tem bases sólidas para tanto? Luís Nassif e Jânio de Freitas têm buscado uma resposta – sem, até agora, chegar a ela.

Continuar lendo

Das denúncias vazias à Democracia Real

Manifestação em Junho de 2013: partidos são necessários -- mas não podem reivindicar exclusividade da representação política

Manifestação em Junho de 2013: partidos são necessários — mas não podem reivindicar exclusividade da representação política

Debate sobre crise brasileira permanece reduzido a acusações recíprocas e “soluções” que não afetam sistema. É hora de encarar a Reforma Política
Apesar de todo o aparato eleitoral e da proliferação de partidos, a redemocratização recente no Brasil não resolveu a crise de representação política, que hoje vivemos em proporções e intensidades inéditas. No entanto, quase todo debate público concentra-se atualmente em torno de três alternativas:
a) Contra Dilma: A partir da oposição, temos a proposta de depôr a Presidenta Dilma em um processo com base legal questionável (para dizer o mínimo), conduzido por uma Câmara descreditada para constituir enfim um futuro governo comandado pelo PMDB, o maior exemplar do fisiologismo político tão combatido pelo discurso contra a corrupção.
b) Contra o “golpe”: Do lado do governo, a proposta é manter Dilma no cargo até 2018. Para isso, seria necessário um rearranjo em prol da governabilidade, ou seja, um realinhamento com o PMDB e outros partidos conservadores da base aliada, tão criticada pelos movimentos populares que vão às ruas defender o governo.
c) Contra a chapa eleita: a “terceira via” surge com a Rede, PSOL e setores minoritários da sociedade civil que reconhecem o descrédito da Presidenta, do Vice e da Câmara, defendendo um referendo, “recall” ou a convocação de novas eleições, seguindo as mesmas regras tão criticadas por esses setores.

Continuar lendo

Como se tenta detonar a Reforma Política

130626-Grillo

Primeiro, mídia e conservadores atacaram a Constituinte. Agora, pretendem inviabilizar o plebiscito. Por que é importante derrotar esta manobra?

Por Antonio Martins

É curiosa (e reveladora) a relação da velha mídia com o sistema político. Os jornais e TVs sugerem, incessantemente, que ele está afastado da sociedade e corrompido. Nos últimos anos, o noticiário sobre os poderes “policializou-se”. Abandonou quase completamente o debate sobre a tramitação de projetos interesse público e se concentrou nos casos de corrupção. Mas bastou a presidente Dilma falar em Constituinte e plebiscito sobre Reforma Política para se sugerir que ela “imita Hugo Chávez”, “isolou-se” e foi “rechaçada”. Para entender por quê, vale acompanhar o que ocorreu, nos últimos três dias, com a proposta da mudança.

Continuar lendo

Sobre Tahir, Sol e Wall Street

Os protestos no Cairo obtiveram melhores resultados porque é mais fácil articular verbalmente as demandas coletivas por uma democracia que já existe em Madri ou Nova York

É um textinho curto, até porque muito já se escreveu — e melhor — sobre as manifestações do Cairo, Madri e Nova York. Queria apenas pontuar algumas diferenças que me parecem essenciais na hora de comparar — ou menosprezar — umas e outras. Não precisamos gastar mais de uma frase para dizer que, até agora, o movimento mais vitorioso é o egípcio. Também por isso, e em grande medida, Tahir inspirou os demais. Isso não quer dizer, porém, que as ocupações da Puerta del Sol ou do Zucotti Park tenham sido derrotadas ou estejam perdendo a peleja.

O que acontece é que as demandas que emanaram da juventude cairota em fevereiro de 2011 tinham um objetivo bastante claro: derrubar o ditador Hosni Mubarak, que estava há 40 anos no poder. As pessoas, pois, pediam democracia, essa mesma que já conhecemos, que nos leva às urnas de tempos em tempos para escolher nossos líderes políticos.

Continuar lendo

Ponto de Cultura debate Gramsci e reinvenção da democracia

Programação inclui exibição de filmes e atividades culturais. Uma das mesas examina papel das redes sociais

(Mais informações em seminariogramsci.blogspot.com)

VII Semana Gramsciana

A DEMOCRACIA NO SÉCULO XX

Ribeirão Preto, 18 a 23 de setembro de 2011

 PROGRAMAÇÃO

 Domingo, 18 de setembro, 17h

 CINE GRAMSCI

 Antonio Gramsci: os dias do cárcere

(Diretor: Lino Del Fra, Italiano, 1977, 127 min.)

Coordenação: Luciana Rodrigues (Seminário Gramsci)

(veja a seguir atividades entre 19 e 22/9)

  Continuar lendo