Sobre golpes e atos falhos

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Eles queriam mesmo era afastar a presidenta. Mas o impiche tão descarado foi, foi se revelando tão deslavado golpe, que de vergonha, tadinhos, se precipitaram a demolir a Constituição

Por Airton Paschoa

Era só esperar 18 que não precisava nem de campanha. A oposição levava por aclamação, e sabia disso. O governo Dilma (reeleito raspando, bom lembrar) caminhava do desastroso pro catastrófico. Então por que o golpe? Demolir a Constituição de 88, sim, mas isso foi pensado a posteriori… até porque o que estão fazendo se podia fazer após a eleição, e com a legitimidade do voto. Medo do Lula? Mas o Lula, na hipótese remota de ganhar depois da catástrofe Dilma e da campanha sistemática de destruição do PT, podia até legitimar a reforma da previdência, da CLT etc., com nova epístola ao povo brasileiro.

O golpe, na verdade, sucesso à parte, foi um grande ato falho. Talvez o maior da nossa história, o mais revelador. Eles só queriam afastar uma presidenta empedernida, politicamente inábil. E, não podendo esperar, pedalaram um impiche. Mas o impiche tão descarado foi, foi se revelando tão deslavado golpe, que de vergonha, tadinhos, se precipitaram a demolir a “Cidadã”.

Então iam admitir a incapacidade congênita de conviver com a democracia? Eis o ato falho histórico. Não queriam nada disso, civilizados que são, e sempre foram, aliás, com a ideia sempre no lugar. Por isso os compreendo, e tenho até pena deles. O que não faz a vergonha! Não era nada disso, nada disso…

TEXTO-FIM

A perigosa tentação do meio ambiente sem gente

O caboclo Darci Sant’Ana, condenado por fazer duas roças em seu território ancestral, é símbolo do desrespeito aos direitos do povos tradicionais em nome de uma falsa proteção ambiental

“Somos caboclos, nosso território é a floresta Atlântica, no Alto Vale do Ribeira. Nossa cultura é criminalizada pelas instituições públicas do estado de São Paulo por produzirmos nossa vida.”

Assim afirma a petição pela absolvição de Darci Sant’Ana, vice-presidente da Associação das Comunidades Caboclas do Bairro Ribeirão dos Camargo, em Iporanga (SP), no Alto Vale do Ribeira. Darci é símbolo da criminalização dessas comunidades. Nascido e criado no sítio Sete Quedas, sem estrada e sem luz, que o pai herdou do avô e ele do pai, e onde vive com a mãe ainda viva, Darci foi condenado por ter realizado duas roças coivaras em seu território ancestral.

“A lei é muito clara, ela deixa o direito desses povos fazerem a roça da forma tradicional, que é a roça de coivara, a roça de corte e queima. O SNUC permite isso, a Lei da Mata Atlântica  permite isso”, afirma Raquel Pasinato, coordenadora do Programa Vale do Ribeira do ISA (Instituto Socioambiental).

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