Mauro Lopes: tempo de plantar

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“É tempo de resistência, de tecer redes de solidariedade e partilha, de combinar mobilizações de rua com ações pontuais, vigorosas, de estabelecer novas relações.”

Por Mauro Lopes, do blog Caminho Para Casa


Outras Palavras está indagando, a pessoas que pensam e lutam por Outro Brasil, que estratégias permitirão resgatar o país da crise (Leia a questão completa aqui e veja todas as respostas dos entrevistados aqui).

Não me é possível responder à pergunta “a frio”, como um cientista de laboratório, absorto em planilhas e cálculos. O sangue nas cidades e campos, as mortes, a liquidação da justiça, o desmantelamento da Previdência Social, a selvageria as relações de trabalho, ao ponto de tentarem impingir a escravidão aberta no mundo rural, a humilhação dos pobres, a arrogância violenta dos ricos. É este o campo de batalha sobre o qual se deve pensar em virar a página.

Não devemos nos reduzir ao ódio, mas é impossível pensar sem indignação, sem raiva contra a impostura, os massacres a destruição do país –uma ira santa, como a dos profetas de todos os tempos. Continuar lendo

TEXTO-FIM

Alceu Castilho: o papel essencial dos povos do campo

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As estratégias de resistência precisam incorporar outros povos (do campo e das periferias) a narrativas já um tanto cansadas de uma esquerda — e não somente a identitária — que se acostumou demais a contemplar a si mesma

Por Alceu Castilho


Outras Palavras está indagando, a pessoas que pensam e lutam por Outro Brasil, que estratégias permitirão resgatar o país da crise (Leia a questão completa aqui e veja todas as respostas dos entrevistados aqui).

Não vejo a ofensiva ultraconservadora apenas nesse campo jurídico, da República de Curitiba e setores relacionados. Até vejo contradições internas na elite política e econômica a respeito. Mas a ofensiva reacionária, sim, está clara, com uma centralidade grande (ainda que não a única) em Brasília, no governo Temer, ilegítimo, e no Congresso. Existe aí uma questão quase geográfica, de centralidades (entre Brasília e Curitiba), que precisa ser respondida de modo mais capilarizado do que a esquerda urbana se acostumou a fazer. E o que aconteceu no dia da greve geral, e naquela semana, foi uma amostra disso. Somente iniciativas de manifestações urbanas, em locais concentrados, tornarão a esquerda — ou os resistentes — presa fácil das polícias a serviço dos golpistas. É preciso haver simultaneidade de ações (com greve ou sem greve) e capilaridade geográfica, com a participação de povos da cidade e povos do campo. Naquela semana tivemos manifestação indígena em Brasília, reprimida diante da concentração excessiva, e tivemos atos em centenas de municípios. Com a participação, por exemplo, de camponeses e camponesas. Esse colorido, esse mosaico, essa diversidade precisam ser mais valorizados pelas forças de resistência. E capitalizados no discurso que se seguirá (ou a eles serão simultâneos) aos atos, aos protestos, aos gritos. Esses gritos precisam ser ouvidos internacionalmente, mas é preciso haver uma densidade — uma densidade geográfica e de massas que faça frente à força do monopólio midiático. As estratégias de resistência precisam passar pela comunicação e pela incorporação de outros povos (do campo e das periferias) a narrativas já um tanto cansadas de uma esquerda — e não somente a identitária — que se acostumou demais a contemplar a si mesma”.


Alceu Castilho é jornalista e escritor. Publicou O Partido da Terra; coordena e edita o projeto e site De Olho nos Ruralistas

Vem aí nova ditadura?

Alguns comentaristas estão vendo como inevitável uma onda de repressão brutal contra a esquerda, após as eleições. Pensar assim é entregar os pontos, antes da partida começar

Por Antonio Martins | Edição de vídeo: Gabriela Leite

[Leia a seguir a versão textual do comentário] Continuar lendo

Uma rebelião na Inglaterra

Como Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, está desafiando a mídia, as estruturas do velho Labour e o bom-mocismo para demonstrar que, em tempos de crise da política, a radicalidade é bem-vinda

Por Antonio Martins

[Leia a seguir a versão textual do comentário]

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Agora na Justiça, o levante das mulheres

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Para DeFEMde, Rede Feminista de Juristas, não basta lutar por maior presença no Judiciário. É hora de um Direito que rompa dogmas tradicionais, reveja relações machistas e deixe de ser ferramenta para subjugar mulheres

Por Inês Castilho

A onda de mobilizações de mulheres que se espalha pelo Brasil acaba de dar à luz uma iniciativa criadora. Formou-se esta semana (31.05), a Rede Feminista de Juristas,  formada por mulheres que atuam nas mais diversas áreas do direito: juízas, defensoras públicas, promotoras, sócias de escritórios de advocacia, professoras universitárias e pesquisadoras. A rede integra também psicólogas e assistentes sociais feministas que trabalham cotidianamente no sistema jurídico.

A DeFEMde, sigla que adotaram, amplia o vigoroso levante de mulheres que vem acontecendo, com coletivos de trabalhadoras rurais, de mulheres negras, de mulheres da periferia, de poetas, de cineastas, de mulheres do funk, do hip hop, de estudantes secundaristas, estudantes universitárias e outros tantos que estão sendo criados em praticamente todos os rincões deste país.

“A ‘primavera feminista brasileira’, que desabrochou ao longo de 2015, deu visibilidade à luta das mulheres no Brasil. O desafio agora é transportar e representatividade virtual para a realidade jurídica do país”, afirmam elas ao abrir seu manifesto.

Bem a propósito dos constrangimentos provocados pelos delegados inicialmente encarregados do caso da menor vítima de estupro coletivo no Rio de Janeiro, logo superados quando o caso foi assumido pela delegada Cristiana Bento, titular da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), as juristas feministas afirmam:

“A DeFEMde não compactua com a ilusão de neutralidade dos operadores do direito, pois deixar de abordar a discriminação contra as mulheres não a elimina; pelo contrário, a reforça. Entendemos que o direito deve ser utilizado para atingirmos uma sociedade mais justa e igualitária, o que só é possível por meio da maior participação das mulheres em posições de poder e liderança, na produção, na aplicação e na avaliação do direito.”

A criação da Rede foi motivada pela análise do tratamento das mulheres na mídia e no judiciário que, afirmam, perpetua o machismo em vez de combatê-lo. Partindo do nível pessoal, elas inicialmente trocaram experiências sobre a discriminação sexista vivida no exercício da profissão – “situações como homexplicando (postura de homens que subestimam nossos conhecimentos) e casos de assédio sexual por orientador de pós-graduação, ou até episódios de violência e violações aos quais são submetidas mulheres que nos procuram em busca de orientação jurídica.”

Entre seus objetivos estão “criar juntas estratégias e teses jurídico-feministas para a defesa e garantia dos direitos das mulheres em todos os campos do direito. Argumentamos, por exemplo, pela maior relevância do depoimento da vítima em casos de violência no ambiente de trabalho e doméstico.”

A Rede Feminista de Juristas convida todxs a visitar sua página e a contribuir para o debate. “O machismo é responsabilidade de toda a sociedade”, lembra. Leia abaixo a íntegra do manifesto.

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Para examinar em profundidade a onda evangélica

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Outras Palavras exibe e discute Púlpito e Parlamento. Produzido por Felipe Neves, filme sugere que poder pentecostal é mais enraizado que pensamos – porque apoia-se em sólido trabalho político e social de base


Cine-Debate: Púlpito e Parlamento
Quarta-feira, 18 de maio, às 19h30
Rua Conselheiro Ramalho, 945 – São Paulo (mapa)– Metrô São Joaquim ou Brigadeiro
Ingresso: contribuições voluntárias
Confirme sua presença e divulgue

No remoinho de novidades chocantes em que o governo ilegítimo de Michel Temer tenta envolver o país, certas perguntas ainda estão sem resposta. Ao propor um leque tão vasto de medidas retrógradas e antipopulares – o corte de direitos dos usuários do SUS é a mais recente –, Temer e os que o apoiam sobreviverão? Por que eles não temem os movimentos de resistência, que também se espalham rapidamente? Cometem um erro de cálculo brutal ou imaginam que os protestos não atingirão sua base – composta inclusive pela poderosa bancada evangélica?

Púlpito e  Parlamento, filme que Outras Palavras exibirá nesta quarta-feira (17/5), às 19h, convida, precisamente, a examinar melhor a crescente influência pentecostal na vida política brasileira. O autor, Felipe Neves, um jovem jornalista, não esconde sua repulsa diante de figuras como o deputado Pastor Feliciano. Mas sugere ir além: a oposição a Feliciano e seus iguais não será eficaz enquanto não compreendermos em profundidade as raízes de sua força e, num certo sentido, enquanto não a questionarmos lá mesmo onde ela se fincou.

Felipe conhece esta força de perto. Crescido em família evangélica, ela acompanhou em casa a simbiose que os pastores pentecostais buscam promover entre fé, socialização e opções políticas, Há dois anos, foi a campo para investigar este fenômeno num plano menos restrito. Colheu dezenas de depoimentos, em trinta horas de gravação em São Paulo, Rio e Brasília. Desta pesquisa resultou o filme.

Uma das principais recomendações que despontam da obra é não enxergar os evangélicos nem como rebanho, nem como grupo uniforme. “São mais de 40 milhões, divididos em inúmeras denominações, cada uma com códigos sociais, culturais e políticos próprios”, frisa o diretor. A presença pentecostal está tão capilarizada pelo país – especialmente nas periferias em grotões – quanto seus templos. Em muitos sentidos, eles ocuparam o espaço que a esquerda abandonou, com a institucionalização de partidos como o PT e o declínio das Pastorais Sociais ligadas à Teologia da Libertação.

Como recuperar o terreno perdido? Não há, é claro, respostas simples. Mas vale aceitar o convite a investigar e refletir, feito por Púlpito e Parlamento. Após a exibição, nesta quarta-feira, haverá debate. Participarão, além do próprio Felipe Neves, os seguintes convidados:

Magali Cunha – Professora de Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo

Edin Sued – Professor de Teologia da PUC, integrante do Núcleo de Fé e Cultura

Gedeon Alencar – Doutor pela PUC em Ciências da Religião, com foco em questões dos pentecostais.

Zé Celso convida: “dar um Golpe no Golpe”!

Zé Celso, sobre a peça e sua repercussão: "Poucas vezes vi o Teatro Político tão Arte, tão vivo, tão revelador do Poder, até então reprimido, da Cultura"

Zé Celso, sobre a peça e sua repercussão: “Poucas vezes vi o Teatro Político tão Arte, tão vivo, tão revelador do Poder, até então reprimido, da Cultura”

Diretor reencena este fim de semana, em S.Paulo, peça de Antonin Artaud. Quer transformá-la em “Carnaval delicioso”, em “festa de justiça teatral somada a outras Milhares de Manifestações”

Por José Celso Martinez Correa


“PARA DAR UM FIM NO JUÍZO DE DEUS”
De Antonin Artaud e Teatro Oficina

Duas apresentações em São Paulo
Dias 30/4 (sábado) às 21h e 1º/5 (domingo)
Rua Jaceguai, 520 – Bixiga (mapa)

Retorna a SamPã neste fim de semana, depois de passar as duas últimas semanas em Brasília, com o ineditismo de uma peça que re-existe no quente da hora, sintonizada com os acontecimentos tragicômicos da Farsa Política do Golpe.

Nos meus 58 anos de Teatro, raramente viví o Poder Político Cultural do Teat®o tão intenso no prazer de Chanchar a Trágédia Golpista.

Um Público inspiradíssimo, ligado aos acontecimentos de cada dia, que lotava o Teatro da Caixa Econômica, nos fez virar a peça de Artaud, agora com as Máscaras dos Protagonistas armando o Golpe em nome de deus, num Carnaval delicioso.

Nem nos anos 60, com “Rei da Vela”, “Roda Viva”, sentí o Poder do Teat®o revelar uma peça como “pra dar um FIM NO JUIZO de deus” do Momo, do Palhaço de deus: Antonin Artaud, como um Jogo Tão desmistificador da Farsa que estamos vivendo no Brasíl.

Poucas vezes vi o Teatro Político tão Arte, tão vivo, tão revelador do Poder, até então reprimido, da Cultura.

Queremos fazer neste fim de Semana a peça no Teat®o Oficina, pois nosso desejo de justiça teatral é correr agora todo o Brasil enquanto o Golpe não se consolida, por termos a humilde pretensão de que “pra dar um Fim no Juizo de deus” pode, pelas Gragalhadas, ser um dos pontos somados a todas as outras Milhares de Manifestações.

dar um Golpe no Golpe!

Enem, Educação, Hipocrisia

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Grita contra “feminismo” no exame revela: Brasil consagra Direitos Humanos em dezenas de pactos, mas rejeita-os na prática quando se trata de defender grupos vulneráveis

Por Mariana Vilella, Renata Ferraz e Vanessa Pinheiro

Em 25 de outubro, o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM teve como tema de redação: “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. Em uma tarde, milhões de jovens brasileiros viram-se instados a refletir e dissertar sobre esse tema, caro à sociedade, dados os alarmantes números da violência doméstica, sexual, psicológica, obstetrícia, dentre outras, que atingem a mulher brasileira. A escolha gerou polêmica.

Muitos mostraram-se contrários ao tema e, ainda, criticaram o MEC por conta de um viés feminista. A hashtag #enemfeminista foi criada e imensamente utilizada por defensores e críticos da prova.

O Enem foi ideológico? Foi de esquerda? Foi correto? As avaliações devem medir critérios como respeito aos direitos humanos ou capacidade de refletir sobre os problema políticos e sociais nacionais?

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Operação Lava Jato: para defender a Petrobras ou sacrificá-la?

Executivos de grandes empresas chegam à Polícia Federal em Curitiba, para depor. Brasil finalmente punirá os corruptores?

Executivos de grandes empresas chegam à Polícia Federal em Curitiba, para depor. Brasil finalmente punirá os corruptores?

Prisão de executivos das grandes empreiteiras expõe corruptores e revela urgência da Reforma Política. Mas seu sentido estará em disputa — e o destino da Petrobras mora no centro do furacão

Por Antonio Martins


Leia também:
Petróleo: a virada nos mercados globais e o Pré-sal
Por que Arábia Saudita, aliada dos EUA, age para derrubar preços do combustível. Como isto afeta Petrobras, em meio à Operação Lava Jato
Por André Ghirardi

As prisões de presidentes e executivos de grandes empreiteiras que prestam serviço à Petrobras, efetuadas ontem (14/11) no âmbito da Operação Lava Jato, podem ter desdobramentos capazes de marcar, por meses ou anos, a vida brasileira. Pela primeira vez, foi exposta ao grande público a ação dos corruptores – sempre poupados pelo Judiciário e pela mídia, por razões tão fortes quanto sua potência financeira. Em breve, surgirão os elos entre grandes empresas e dezenas de políticos. O controle que o poder econômico exerce sobre o Parlamento ficará ainda mais escancarado.

Diante disso, emergirá por certo uma grande disputa de narrativas. Estará escancarada, para quem quiser enxergar, a necessidade imediata de uma Reforma Política – que, antes de tudo, proíba e puna severamente o financiamento, por corporações, dos partidos e campanhas eleitorais. Mas haverá, como no caso do “Mensalão”, a tentativa de sacrificar bodes expiatórios para, no fundo, preservar a promiscuidade entre o dinheiro e uma democracia cada vez mais esvaziada. A manobra consistirá em focar indivíduos (os deputados financiados pelas empreiteiras, que logo aparecerão) e fazer vistas grossas ao sistema político (que, no Brasil, praticamente obriga quem tiver pretensões de eleger-se a se associar a grandes grupos econômicos).

Na disputa de narrativas, um capítulo crucial envolverá a Petrobras. Maior empresa brasileira, responsável sozinha por cerca de 10% da arrecadação de impostos no Brasil (como se lê aqui), ela não poderia passar incólume, num sistema político em que a corrupção institucionalizada é a regra. Mas será grande a pressão para convertê-la em mais um bode expiatório. Estará em jogo a imensa riqueza petroleira do pré-sal. Ela tornou-se, nos últimos meses, especialmente cobiçada. Continuar lendo

Um domingo contra Alckmin

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Em Outras Palavras, dia 31/8, um iniciativa para afastar de São Paulo o conservadorismo e a repressão

A nova casa de Outras Palavras pode ser também um local para tramar futuros. Neste domingo (31/8), convidamos grupos e pessoas espantados com o alto risco de mais quatro anos de um governo autoritário em São Paulo a buscar saídas. Nâo se trata de apoiar candidatos, mas de afastar a pasmaceira. Que podemos fazer para mudar o rumo das eleições estaduais? São Paulo está fadado a ser apático, individualista e segregador? Ou podemos fortalecer gente disposta a fazer fluir a liberdade e projetos de justiça, compartilhamento e nova democracia?

A partir das 17h, traga seus desejos, ideias e abertura para ouvir e debater. Se der vontade, acrescente algo de beber ou comer. São Paulo não pode reduzir-se a volume morto. Que os vivos apareçam!

Rua Conselheiro Ramalho, 945 – Bixiga – a 50m. da Brigadeiro Luís Antonio e um quilômetro do Metrô São Joaquim (mapa)