A dura — e indispensável — construção dos Comuns

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Claramente anticapitalista, ideia de proteger das lógicas de mercado cada vez mais aspectos da vida precisa tornar-se popular. Como fazê-lo?

Por Georgia Nicolau

Entre os dias 10 e 14 de julho deste ano participei da 16ª Conferência Bienal da Associação Internacional para os Estudos do Comum (International Association for the Study of the Commons- IASC) cujo tema, este ano, era “Praticando os Comuns – auto-governança, cooperação e mudança institucional”. Com sedes rotativas, o evento deste ano aconteceu na cidade universitária de Utrecht, na Holanda, e teve como organizadores, além da própria IASC, a Universidade de Utrecht e seus programas de pesquisa Instituições para Ação Coletiva e Instituições para Sociedades Abertas.

Sendo parte da construção do Instituto Procomum, desde ano passado, ando debruçada em textos e reflexões sobre os comuns (os commons, em inglês, e procomún ou común em espanhol). Nesse sentido, a ida à Conferência da IASC foi uma experiência bastante rica para reafirmar algumas ideias surgidas a partir das nossas imersões e conversas, como por exemplo de que o comum ainda é uma agenda, um conceito, bastante ligado à pesquisa acadêmica. Mas temos, cada vez mais, praticantes e comunitários envolvidos nesse debate (os comuneiros). O comum ainda é muito identificado à gestão e governança de recursos naturais (rios, florestas, agricultura). Além disso, percebi que não se trata de um conceito que finda em si mesmo, mas uma lente, um enquadramento possível para compreender o mundo. Abrange, portanto, uma série de pessoas, grupos e pesquisadores atuando nos mais variados campos, os quais, de alguma forma, propõem formas de governança coletiva de um bem seja para preservá-lo, geri-lo ou construí-lo.

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