E veja que voa, o navio negreiro de alvenaria

Peça de grafite exposta no Centro Cultural São Paulo rompe paradigmas, ao pintar favela de forma não pejorativa – como muitos nunca viram

Por JR Penteado

Quem vai ao Centro Cultural São Paulo (CCSP), no metrô Vergueiro, pode ver na área conhecida como ‘foyer’ uma peça de grafite recém-terminada. Ainda exalando cheiro de tinta fresca, três cercados de madeira, de aproximadamente 2metros de altura cada, trazem em suas superfícies o desenho de uma favela. A peça faz parte da mostra Estéticas das Periferias e é assinada pelo grupo OPNI, um acrônimo para Objetos Pixadores Não Identificados.

O que se vê nessa obra, entretanto, não é miséria, pelo contrário; é a favela e o seu lado belo, perceptível no brilho dos olhos de crianças sorridentes, na harmonia do colorido que reveste as casas, e até no mágico que se vislumbra em um navio rasgando o alto do céu.

Val, 29, é um dos três integrantes do OPNI. Ele e seus parceiros trabalharam na peça cerca de cinco horas diárias durante três dias, até sua finalização na última quinta-feira. Pelo telefone, conversei um pouco com ele sobre o trabalho exposto no CCSP. Continuar lendo

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