Maldição em Sandovalina

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Bombardeada intesamente por agrotóxicos, cidade — que nasceu de um latifúndio — é recordista em câncer de pâncreas e malformações congênitas. No Congresso, avançam projetos ainda mais permissivos a venenos agrícolas

Por Inês Castilho

O município paulista com a maior taxa de morte por câncer do pâncreas é Sandovalina, pequena cidade de pouco mais de 4 mil habitantes na região do Pontal do Paranapanema. É também o segundo maior índice de nascidos vivos com malformações congênitas, conforme dados do Ministério da Saúde de 2000 a 2013, e o motivo é bem conhecido pela população. São “os aviões que passam despejando veneno”, contaminando as águas, pessoas e plantações – como relata Solange Cristina Ribeiro, da área de meio ambiente da CUT-SP.

Os agrotóxicos despejados nas lavouras por aviões de grandes fazendas de cana-de-açúcar e soja da região, carregados pelo vento, vão além dos limites das monoculturas. Daí a contaminação de plantações de mandioca e hortaliças, e a perda de safras dos produtores de seda pela contaminação das amoreiras, onde se alimentam as lagartas que se transformam em bicho-da-seda.

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TEXTO-FIM

Câncer: NK, as notáveis células de defesa

Em imagem de microscópio, células NK (em verde) conectam-se a uma célula cancerígena, para tentar romper sua membrana. Estudos demonstram que "viver na contramão" é um dos fatores para estimular defesa natural contra câncer

Em imagem de microscópio, células NK (verdes) conectam-se a uma célula cancerígena, para tentar romper sua membrana. Estudos demonstram que “viver na contramão” é um dos fatores capazes de  estimular defesa natural contra câncer

Organismo tem recursos conhecidos, para evitar que tumores desenvolvam-se. Quais são. Como atuam. Que atitudes e modos de vida podem estimulá-los ou inibi-los 

Por Sylvia Lopes, co-editora do blog Hoje Tem

Uma vez que um câncer se instala, nosso organismo entra em guerra.  As células cancerígenas se comportam como “foras da lei”, desobedecendo as regras de regulação dos tecidos — como morrer depois de certo número de divisões. Multiplicam-se incessantemente, invadindo o espaço das células vizinhas, intoxicando-as e criando uma inflamação local que estimula ainda mais esta expansão. Para garantir abastecimento de nutriente para as células cancerosas, os vasos sanguíneos são convocados a desviar-se das células saudáveis, vizinhas; esta “alimentação” faz com que aquele amontoado celular torne-se um tumor rapidamente. No entanto, é possível intervir e desorganizar estes bandidos, impedindo que as etapas aqui descritas muito sumariamente aconteçam. Se a estratégia for bem sucedida, haverá três efeitos que contrariam a lógica do câncer:

  1. o sistema se mobilizará para destruir estas células;
  2. os vasos sanguíneos não se desviarão mais para para abastecer o amontoado celular, evitando a formação do tumor.

Esses dois processos podem ser grandes aliados dos tratamentos convencionais e, como descreveremos a seguir,  podem ser desenvolvidos para evitar a progressão da doença.

Sistema Imunológico

Um dos principais objetivos na luta contra o câncer é reforçar a ação do sistema imunológico e em especial das células NK. As células NK (Natural Killers), ao contrário dos outros linfócitos, não precisam estar na presença de um antígeno para se mobilizarem (antígenos são encarregados de alertar o corpo da presença de inimigos). Logo que detectam a célula inimiga, as NKs aglutinam-se à sua volta, buscando contato com a membrana da célula cancerígena, liberando perforina e granzimas que, unidas, são capazes de matar diferentes tipos destas células. Portanto, quanto mais forte estiver o sistema imunológico, maior será sua reação contra as células doentes e maior a chance de cura do paciente.

Um estudo acompanhou 77 mulheres portadoras de câncer de mama por 12 anos — o acompanhamento começou logo na descoberta da doença. O material da biópsia que diagnosticou o câncer foi cultivado na presença das células brancas da própria paciente. Em algumas amostras, os glóbulos brancos não reagiram; em outros casos, ao contrário, houve uma grande reação. Ao término da pesquisa, 12 anos depois, 47% das pacientes cujos glóbulos brancos não haviam reagido em laboratório haviam falecido. Em compensação, 95% das mulheres cujo sistema imunológico havia reagido com força estavam vivas. (1)

Esta e outras diversas pesquisas (2)(3)(4)(5)(6) concluíram que quando o sistema imunológico está enfraquecido as células cancerígenas têm campo livre para proliferar. O câncer só se desenvolve se tiver terreno fértil. As pesquisas indicam que a falta de defesas abre espaço para que as células de câncer adormecidas se tornem tumores agressivos. Nós podemos estimular a vitalidade do sistema imunológico, de maneira que os glóbulos brancos se esforcem ao máximo diante do câncer. Para isso, é importante alimentar o sistema imunológico com bons nutrientes, protegendo-o de toxinas, e ter controle sobre as emoções, reduzindo o nível de estresse do organismo.

Veja no quadro a seguir o que inibe e o que estimula a fortaleza do sistema imunológico.

As diferentes pesquisas sobra a atividade dos glóbulos brancos mostram que eles reagem à alimentação, ao meio ambiente, à atividade física e à vida emocional. Todas as pessoas devem ser encorajadas a um estilo de vida que estimule o fortalecimento de seu sistema imunológico, estando adoentadas ou não.

As diferentes pesquisas sobra a atividade dos glóbulos brancos mostram que eles reagem à alimentação, ao meio ambiente, à atividade física e à vida emocional. Todas as pessoas devem ser encorajadas a um estilo de vida que estimule o fortalecimento de seu sistema imunológico, estando adoentadas ou não.

Inflamação

Todos os organismos são naturalmente capazes de reparar seus tecidos danificados através do mecanismo que conhecemos como inflamação. Toda vez que nosso organismo detecta uma agressão (corte, pancada, infecção, etc), libera uma série de reações químicas celulares conhecidas como inflamação. Ela produz sintomas conhecidos: rubor, edema, calor e dor. Esta reação restaura o que foi destruído e evita que mais danos aconteçam.

Tais mecanismos, tão essenciais para a manutenção do nosso corpo, também servem como um cavalo de Tróia para o câncer. As células cancerígenas servem-se do aumento da vascularização propiciada pela inflamação para se espalhar (a conhecida metástase) e se alimentar. O câncer é capaz de mudar a rota dos vasos sanguíneos que cuidam dos processos inflamatórios direcionando-os para o próprio tumor, garantindo seu desenvolvimento.

Como viver de maneira saudável e lutar contra o câncer, se ele usa exatamente o processo que nos mantêm saudáveis para nos destruir?

Rudolf Wirchow, fundador da patologia moderna, realizou estudos que mostram que muitos pacientes desenvolveram tumores cancerígenos justamente em órgãos traumatizados. A inflamação que regenerou aquele local foi usada para abastecer células cancerígenas ali residentes, mas que sem o trauma jamais tornar-se-iam cânceres. Ele também notou que mulheres com inflamações crônicas por infecção de HPV tiveram alta incidência de câncer de colo de útero; pessoas com inflamações repetidas de intestino igualmente desenvolveram câncer de cólon em larga escala; e pessoas que tiveram seu fígado inflamado por hepatite também desenvolveram câncer hepático em índices muito acima das demais.

O Instituto Nacional do Câncer dos EUA redigiu em 2005 um relatório detalhado apontando o vínculo entre inflamação e desenvolvimento de tumores malignos. Este relatório descreve com grande precisão o mecanismo de invasão, bem como o mecanismo que as células imunológicas utilizam para proteger o corpo. (7)

Desde 1990, o Hospital de Glasgow mede a inflamação nos paciente oncológicos. A conclusão da pesquisa: paciente com menor incidência de inflamações têm o dobro de chance de sobreviver à doença. Esta descoberta e a consciência deste mecanismo ajudam-nos a tomar atitudes práticas na nossa rotina para evitar inflamação e consequentemente não alimentar as células que tanto tememos.

O que provoca inflamação:

  1. dieta ocidental tradicional;
  2. picos glicêmicos (ingestão de açúcares e farinhas refinadas);
  3. carne vermelha, laticínios e ovos de animais criados em escala industrial;
  4. omega-6 (óleo de milho, girassol, cártamo e soja);
  5. sensação persistente de raiva ou desespero;
  6. sedentarismo (menos de 20 minutos de atividade física por dia);
  7. fumaça de cigarro, poluição e poluentes domésticos.

O que evita inflamação:

  1. dieta mediterrânea, indiana ou asiática;
  2. farinhas integrais;
  3. no máximo 50g de carne orgânica por semana;
  4. omega-3 (azeite de oliva, linhaça e óleo de canola);
  5. peixes;
  6. laticínios e ovos orgânicos;
  7. risada, leveza e serenidade;
  8. 30 min de atividade física por dia – lembre-se, as células cancerígenas não se desenvolvem em ambiente rico em oxigênio. Oxigene-se!!!

Todos os resultados das pesquisas mais recentes convergem. O padrão de vida do capitalismo ocidental é um disseminador do câncer. Viver na “contramão”, reforçando os glóbulos brancos é uma conduta que dificulta o desenvolvimento do câncer. Tudo que provoca inflamação estimula seu desenvolvimento. Em resumo, estimular as células imunológicas e combater a inflamações desnecessárias são canais poderosos, e temos poder sobre isso.


1. Head, J.F.,F.Wang, R.L. Elliot, et al.,"Assessment if Immunologic Competence and Host 
Reactivity Against Tumor Antigens in Breast Cancer Patients: Prognostic Value and Rationale of Immunotherapy Development", Annals of the New York Academy of Sciences 690 (1993): 340-42
2.Imai, Matsuyama, Miyake, et. al.,"Natural Cytotoxic Activity of Peripheral-Blood 
Lymphocytes and Cancer Incidence"

3.Herberman, "Immunoterapy"

4.Levy, S.M., R.B. Herberman, A.M. Maluish, et al.,"Prognostic Risk Assessment in Primary 
Breast Cancer by Behavioral and Immunological Parameters", Health Psychology 4, 
no 2 (1985): 99-113

5.Lutgendorf, S.K., A.K. Sood, B. Andeerson, et al., "Social Support, Psychological Distress, and Natural Killer Cell Activity in Ovarian Cancer", Jornal od Clinical Oncology 23,
no 28 (2005): 7105-13 

6. Schantz, Brown, Lira, et al., "Evidence for the Role of Natural Immunity in the Control of Metastatic Spread of Head and Neck Cancer"

7. Peek, R. M., Jr., S. Mohla, and R.N. DuBois, "Inflammation in the Genesis and Perpetuation of Cancer: Summary and Recommendations from a National Cancer Instittute-Sponsored Meeting", Cancer Research 65, no. 19 (2005):8583-86

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Câncer: quando o trem escapa a seu destino

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Dados demonstram: diante da doenças, alimentação e atitude têm enorme potência para alterar qualidade e expectativa de vida

Mauro LopesSylvia Lopes*, no blog HojeTem

“… não existe na natureza nenhuma regra fixa
que se aplique igualmente a todos.
A variação é a própria essência da natureza.
Na natureza, a mediana é uma abstração,
uma ‘lei’ que o espirito humano procura aplicar
sobre a abundância dos casos individuais”
David Servan-Schreiber
,
em Anticâncer, prevenir e vencer usando nossas defesas naturais

Há um poema que narra a viagem de um trem que uma manhã saiu da estação com destino à cidade de Omaha, no Estado do Nebraska, EUA. Em algum momento, o maquinista perde o controle e o trem lança-se a toda velocidade cortando as pradarias do oeste americano. O narrador, no poema, sabe que o fim será a morte para as pessoas e o ferro-velho para o trem. Ele pergunta ao vizinho para onde ele vai. O homem responde: para Omaha, como todo mundo. Mas o outro sabe que o destino final não seria Omaha.

A verdade é que estamos todos no mesmo trem, a caminho do mesmo fim — e não é Omaha. O fato de uns terem um diagnóstico que anuncia seu fim não quer dizer que os outros terão destino diferente. Mas aqueles que não têm o diagnóstico em geral pensam que a morte está tão longe que não é seu destino. As previsões e estatísticas sobre as pessoas acometidas pelos mais diversos tipos de câncer costumam funcionar como um timer para o fim da vida. Ao receber um diagnóstico tão angustiante, as pessoas desejam saber quanto tempo ainda lhes resta, e para ter uma resposta real é preciso olhar para si e para o cenário completo, sabendo qual é o destino final, mas sem se render ao timer.

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Uma abordagem singular sobre o câncer

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Para neurocientista que resistiu à doença, células cancerosas podem ser combatidas por defesas do próprio organismo. Coluna debaterá como manter tais mecanismos ativos

Por Mauro LopesSylvia Lopes*, no blog HojeTem

“Se todos nós temos células cancerosas dentro de nós,
temos também um corpo preparado para frustrar
o processo de formação de tumores.
Compete a cada um utilizá-lo”
David Servan-Schreiber

Depois de receber o diagnóstico de um tumor cerebral agressivo, o neurocientista David Servan-Schreiber dedicou-se ao estudo das defesas do nosso organismo contra o câncer. A teoria que desenvolveu ao longo de anos baseia-se na seguinte hipótese: nosso organismo tem defesas para combater as células cancerosas e impedir ou ao menos retardar muito o desenvolvimento de tumores. Se nosso ser (corpo físico mais mente mais alma ou padrões emocionais) for ajudado por uma dieta saudável, exercício físicos e controle do stress, é possível prevenir, minimizar e até reverter a doença.

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David pesquisou, fez análise da literatura científica existente e colocou em prática em si mesmo as descobertas de seu trabalho. O resultado? Viveu 20 anos a mais do que era previsto. David não sobreviveu, David viveu. Viveu bem e resolveu contar para o mundo o que aprendera publicando o famoso livro “Anticâncer”.

Um estudo feito pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) indica a grande quantidade de pessoas acometidas por diversos tipos de câncer no Brasil. Nosso país passa por mudanças em seu perfil demográfico por conta dos processos de urbanização e industrialização acelerados, que impactam diretamente no estilo de vida da população, expondo-a de maneira ainda mais intensa aos fatores de risco mundo contemporâneo. Estas mudanças e o envelhecimento da população alteram totalmente a epidemiologia conhecida, sendo necessário um novo olhar para a relação das pessoas com o ambiente, com os alimentos e com a vida, e é a partir deste ponto que a prevenção torna-se tão imprescindível. Continuar lendo

Agrotóxicos e câncer: irresponsabilidade torna-se explícita

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Instituto Nacional do Câncer estabelece relação entre doença e venenos agrícolas. Governo e Congresso insistem em manter política que incentiva, com isenção de impostos, uso maciço do produto

Por Inês Castilho

Finalmente o assunto recebeu a divulgação que merece. No Dia Mundial da Saúde, 8 de abril, o veneno que está em nossa mesa foi apontado pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer) como causador de vários tipos de câncer – e a informação, sempre abafada, chegou aos telejornais. Relatório sobre o uso de agrotóxicos nas lavouras alerta para a gravidade do problema para a natureza, os trabalhadores e toda a população. O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo: mais de um milhão de toneladas por ano, ou 5,2 kg por habitante.

Cerca de 280 estudos sobre a relação entre câncer e pesticidas vêm sendo publicados anualmente em revistas científicas internacionais – ressaltou o pesquisador do Inca Luiz Felipe Ribeiro Pinto, no lançamento do documento – quatro vezes mais que vinte anos atrás. O Inca recomenda criar políticas de controle e combate desses produtos, cujos fabricantes são isentos de impostos!, para proteger a saúde da população. Apoia o consumo de alimentos orgânicos, livres de agrotóxicos, e reivindica políticas públicas que apoiem a agroecologia com mais recursos – hoje, muito menores que os carreados para o agronegócio. Recorda que o país isenta de impostos a indústria produtora de agrotóxicos. Alerta que o Brasil permite o uso de agrotóxicos proibidos em outros países. Continuar lendo

A volta de Chávez à Venezuela

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Presidente regressou esta madrugada e foi internado em hospital militar. Está sem voz, mas voltou a usar Twitter e manteria direção do governo

Às 2h30 desta madrugada (4h de Brasília), o presidente Hugo Chávez retornou à Venezuela, depois de 67 dias em Cuba, onde realizou a quarta cirurgia contra um câncer e convalesceu. “Chegamos de novo à Pátria venezuelana. Obrigado, Deus meu. Obrigado, povo amado. Aqui continuaremos o tratamento”, tuitou ele, por volta das 5h, acrescentando em seguida: “Viveremos e venceremos”. Continuar lendo

Confirmado: Coca-cola Zero usa adoçante banido nos EUA

No Brasil, ao invés de aspartame, multinacional prefere o ciclamato — suspeito de causar câncer e atrofia nos testículos, mas quinze vezes mais barato…

Por Antonio Martins | Imagem: poema de Décio Pignatari

Um zunzunzum profundamente incômodo para a Coca-Cola e os jornais comerciais — e no entanto provavelmente verdadeiro — está percorrendo redes sociais como o Facebook e Google+ (veja íntegra ao final do post). Afirma-se que a Coca Zero,  lançada no país em 2005 e um dos produtos de maior sucesso da empresa, contém em sua fórmula o ciclamato de sódio, substância proibida no refrigerante vendido nos Estados Unidos. A razão da diferença seria uma velha conhecida: o desejo de maximizar os lucros (pouco importando Ambiente, Direitos Sociais ou mesmo Saúde)  nos países onde agências estatais são menos rigorosas. O ciclamato de sódio, foi banido a partir de 1969 no Japão, Estados Unidos e outras nações. Há fortes suspeitas de que provoque câncer. Porém, custaria quinze vezes menos que o aspartame — adoçante também sintético presente na Coca Zero vendida nos Estados Unidos e Europa Ocidental.

Será mais uma lenda urbana? Uma pesquisa inicial sugere que não. Acompanhe por quê:

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