Bernardet: “Brasil, decadência programada”

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“Os Brics, a Petrobras, a indústria autônoma são inaceitáveis. Por isso, alguns agem sistematicamente para que país seja exportador de grãos e importador de valor agregado”.

Por Jean-Claude Bernardet

Os Brics são inaceitáveis. O banco dos Brics, que opere com várias moedas, inclusive o dólar, é inaceitável. Um fundo de apoio (tipo FMI para emergentes) é inaceitável.

Estamos assistindo ao desmonte sistemático de uma potência emergente.

A indústria naval já não é mais competitiva. A Petrobras, desmantelada. As empreiteiras multinacionais desmontadas. Agora a carne.

A Siemens e a Alstom estão cheias de corruptores. Nunca passaria pela cabeça dos judiciários alemão, suíço ou francês destruir as empresas.

Meirelles, Pedro Parente, Moro, a PF são agentes internos dessa operação bem sucedida.

Temer e os bandos do ministério e do parlamento que o apoiam são circunstâncias necessárias ao bom andamento da operação, mas apenas circunstâncias locais nada insubstituíveis.

O Brasil deve ser exportador de grãos e importador de valor agregado (daí a necessidade de desmantelar a educação e qualquer forma de pesquisa).

O dinheiro da sociedade (poupando os ricos) deve ser drenado para pagar os juros da dívida e enriquecer os bancos.

Tenho dito.

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Os BRICS de olho na África

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Quinto encontro dos grandes emergentes debaterá criação de um banco de desenvolvimento comum, voltado para continente. Cooperação ou novo imperialismo?

Quase não é pauta da velha mídia, mas o Brasil prepara-se para fazer, junto com o restante do grupo BRICS (Rússia, Índia, China e África do Sul) um movimento importante no tabuleiro da geopolítica mundial. Entre 26 e 27 de março próximos, os chefes de Estado dos cinco países participarão do quinto encontro de cúpula do grupo. Será o primeiro desde a entrada da África do Sul no grupo. O país ingressante sediará a reunião (em Durban). E ela terá como foco principal a própria África: os BRICS querem criar, em conjunto, um banco de desenvolvimento para consolidar e ampliar sua presença no continente. Continuar lendo

Para entender o encontro dos BRICS

Países emergentes têm mais poder que nunca, mas enfrentam uma contra-ofensiva dos mais ricos. Saberão reagir?

Os chefes de governo do Brasil, Rússia Índia, China e África do Sul encontram-se a partir de hoje em Nova Déli, para a 4ª Cúpula dos BRICS — uma série de reuniões importante para testar a capacidade de articulação do grupo. A pauta é ambiciosa: inclui a possível criação de um banco comum de desenvolvimento, a substituição gradual do dólar, no comércio entre os cinco países, segurança energética, articulação das bolsas de valores e mesmo temas geopolíticos, como a situação do Oriente Médio. O encontro (na foto, a cúpula passada, na China) estende-se pelos próximos três dias e ocorre num momento delicado.

Os BRICS mantiveram-se relativamente imunes, desde 2008, à grande crise financeira e econômica que atingiu o centro do sistema. Juntos, já reúnem 45% da população mundial e 25% do PIB do planeta. Mas precisam encontrar soluções para dois problemas graves. A redução do consumo e os sinais de protecionismo, na Europa e América do Norte, podem afetar mais intensamente suas economias: há semanas, o primeiro-ministro chinês anunciou que o crescimento econômico do país cairá dos atuais 10% ao ano para cerca de 7,5%. Além disso, norte-americanos e europeus — especialmente estes — adotaram nos últimos meses uma política de emissão monetária que a presidente Dilma chamou de “tsunami” e que poderá ter efeitos globais.

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Rússia: amarga vitória de Putin

Eleições parlamentares mantêm partido do primeiro-ministro como maior força política, mas tiram-lhe milhões de votos e 77 cadeiras. Comunistas chegam a 19% dos votos

A imensa força que o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, exerce sobre o sistema político de seu país pode estar se desgastando rapidamente. Em eleições parlamentares realizadas ontem, o Rússia Unida, partido de Putin (e do presidente Dmitri Medvedev) manteve a maior parte dos votos (49,67%, com 95% das urnas apuradas) e das cadeiras legislativas (238, de 450). Mas os resultados são muito mais fracos que os registrados no pleito anterior, há quatro anos. Na ocasião,  o Rússia Unida teve 64% das preferências dos eleitores, e 315 cadeiras.

O eleitorado caminhou à esquerda. Os que mais se beneficiaram do recuo da agremiação de Putin foram o Partido Comunista, que chegou a 20% dos votos (contra 11,5% em 2007), o Rússia Justa, de tendência social-democrata (que atingiu 13%) e o Partido Liberal Democrático, nacionalista (12%). Já a oposição neoliberal a Putin — praticamente a única a aparecer na mídia ocidental — voltou a obter resultado medíocre. O Partido Yabloko, que a representa, obteve menos de 7% dos votos e não estará presente no Legislativo.

As primeiras análises (veja o Guardian e New York Times) apontam, como principal causa para o resultado medíocre do Rússia Unida, a fadiga política. Parte do eleitorado estaria descontente com uma década de domínio quase completo das instituições russas pelo partido. Esta sensação teria crescido nos últimos meses, desde que o próprio primeiro-ministro Putin anunciou intenção de voltar a concorrer à presidência, em eleições marcadas para março próximo. Em 2008, embora tenha deixado o posto de chefe de Estado, por não poder concorrer pela terceira vez consecutiva, Putin passou à condição de primeiro-ministro — e manteve a de homem-forte do sistema político russo.

E quando a ciência não tiver respostas prontas?

Durante simpósio Brasíl-Índia sobre divulgação científica, professor da USP sugere debate do curioso manifesto “Slow Science”

Por Daniela Frabasile

Passou despercebido nos jornais diários, mas merece atenção um evento realizada na USP, na semana passada: o Simpósio Brasil-Índia sobre Divulgação Científica (veja programa). Expressão dos novos laços que começam a unir os países do Sul diretamente, sem intermediação da Europa e Estados Unidos, ele pretendeu “discutir, construir e consolidar uma rede acadêmica nos campos da ciência, tecnologia e cultura, para a compreensão geral da sociedade).

Na extensa grade de atividades, destacaram-se falas como a de Marcos Barbosa de Oliveira, professor da Faculdade de Educação, que discorreu sobre a responsabilidade social da ciência – e destacou, entre outros pontos, a aparição do movimento Slow Science. Seu manifesto fundador pode ser encontrado aqui.

Nos últimos anos, alertou Barbosa, avançou, por um lado a mercantilização da ciência. As pesquisas com aplicações rentáveis encontram farto financiamento, enquanto outras – indispensáveis para fins sociais ou para a própria expansão do conhecimento – são desaceleradas por falta de recursos. Pouco importam, nessa lógica, os impactos dos trabalhos na sociedade, saúde pública ou ambiente.

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