Oficina: o ativismo dos acionistas rebeldes

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Em diversos países, os atos das grandes corporações estão sendo denunciados nas próprias assembleias de acionistas. Vamos fazê-lo também no Brasil


Roda de Conversa com Christian Russau
Sexta-feira, 15/9, às 19h30, em Outras Palavras

Rua Conselheiro Ramalho, 945 – Bixiga – S.Paulo (mapa) – Metrô S. Joaquim ou Brigadeiro)
Confirme presença aqui

Muito mais que os governos, as grandes corporações são hoje o verdadeiro poder global. É preciso enfrentá-las de várias formas – em especial as surpreendentes. Outras Palavras convida para uma oficina sobre nova forma de ativismo: o dos acionistas críticos e rebeldes.

Nesta sexta-feira, em nossa redação em São Paulo, o jornalista e ativista alemão Christian Russau coordenará oficina de introdução sobre o tema. Christian é, em seu país, referência nesta forma de ativismo. Comparece, todos os anos, a assembleias de grandes empresas como a Siemens, Volkswagen, Thyssenkrupp, Bayer (que está adquirindo a Monsanto). Faz denúncias. Exige explicações e documentos. Suas descobertas e falas alimentam novas ações. Continuar lendo

TEXTO-FIM

Seriam os evangélicos novos ativistas digitais?

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Forte presença na política brasileira, pentecostais são agora protagonistas nas redes sociais. Despertam controvérsias. Pesquisadora sustenta: nem todos são conservadores, ao contrário do que se pensa

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“Do púlpito às mídias sociais. Evangélicos na política e ativismo digital”
De Magali do Nascimento Cunha, Editora Prismas
Pré-lançamento, via internet, em 19/06, às 20h, ao vivo, aqui
Lançamentos em agosto e setembro

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A presença dos evangélicos na sociedade e na política aumentou significativamente no país, nas últimas décadas. Nas mídias sociais, sua visibilidade como ativistas políticos surge especialmente a partir de 2010. Contudo, ao contrário do que se imagina, eles não são um grupo uniforme, e sim um segmento formado por uma variedade de grupos, de distintas origens, práticas e doutrinas, com diferentes posturas e projetos no campo político.

Mais abertas à participação pública, as mídias digitais deixam clara esta diversidade, negada pelas grandes mídias – afirma Magali do Nascimento Cunha, professora da Universidade Metodista de São Paulo, que está lançando o livro Do púlpito às mídias sociais. Evangélicos na política e ativismo digital. “O conservadorismo, marca com que esse segmento religioso foi estabelecido no Brasil a partir do século 19, é intenso nas redes. Mas grupos progressistas também fazem parte do mosaico que compõe a diversidade evangélica no Brasil e encontram nas mídias sociais um espaço de expressão que os tira da periferia do segmento e da invisibilidade que lhes é destinada pelas grandes mídias religiosas e não-religiosas. Estes são os grupos que mais merecem atenção nesta atual dinâmica da presença dos evangélicos na política”, afirma a autora.

Por meio de pesquisa no Facebook e no Twitter, Magali levantou os perfis mais atuantes entre ativistas digitais evangélicos e traçou um quadro com suas características em termos de influência nas mídias. “Não é mais possível ignorar o lugar das subjetividades e de práticas coletivas delas decorrentes, como as religiões, na construção de novas formas de reação às demandas tão diversas e plurais na contemporaneidade. E aí está incluída a esfera política”, afirma.

“A presença de evangélicos e de outros grupos religiosos na arena política é parte da dinâmica democrática, e por isso não deve ser criticada com a alegação de que o Brasil é um Estado laico”. Estado laico não é sinônimo de Estado ateu, lembra ela. “Um Estado laico deve ser espaço de liberdade de crença, o que significa espaço para a manifestação pública dos que têm algum tipo de crença e dos que não têm.”

Do púlpito às mídias sociais. Evangélicos na política e ativismo digital trabalha na interface entre as áreas de mídia-religião-política e pode ser um ponto de partida para novas pesquisas que aprofundem a dinâmica da presença religiosa na esfera pública do Brasil de hoje. Magali do Nascimento Cunha é jornalista, doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) (Grupo de Pesquisa Mídia, Religião e Cultura/MIRE), com estágio pós-doutoral em Comunicação e Política pela Universidade Federal da Bahia.

Teatro Oficina convida: vamos resgatar a democracia?

Nesta segunda, em São Paulo, “um grande coro libertário para a criação de novas formas de política”. Ou, em outras palavras, “a felicidade guerreira contra a manifestação apática dos patos”

Por Redação | Foto: Lenise Pinheiro

O teatro Oficina, ou Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, dirigido pelo celebrado José Celso Martinez Corrêa, reúne na noite desta segunda, 04.04, artistas de teatro, música, cinema, samba, artes visuais, poetas, escritores, cyberativistas, povos de terreiros, arquitetxs e urbanistas, povos indígenas, movimentos de cultura popular, jornalistas, estudantes e professores para celebrar a “felicidade guerreira contra a manifestação apática dos patos”.

A ideia é juntar na sede do grupo no Bixiga, criada pela consagrada arquiteta Lina Bo Bardi – a mesma que idealizou o Masp com seu imenso vão livre, teto de tantas manifestações populares – “um grande coro libertário para a criação de novas proposições políticas em direção à democracia”.

“Vamos nos unir no Teat(r)o Oficina, território de efervescência cultural, pra celebrar a reexistência da liberdade, do afeto e da diversidade, só possíveis em uma sociedade democrática de fato”, afirmam. “Em tempos de ódio, a onda golpista, de aspecto fascista, surfa na mídia hegemônica pra disseminar narrativas de combate à diferença, ao pensamento múltiplo, aos corpos livres, às minorias.”

A iniciativa, além do Oficina, é do Circuito Universitário de Cultura e Arte da União Nacional dos Estudantes (Cuca, da UNE), União Estadual dos Estudantes de São Paulo, Cooperativa de Teatro Paulista, Cooperativa dos músicos de São Paulo e Universidade Antropófaga.

Serviço
Data: Segunda, 4 de abril
Horário: 20H
Local: Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona
Rua Jaceguai, 520 – Bixiga

No Cyberquilombo cultura negra e ativismo ao alcance da mão

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Em videoaulas inovadoras, coletivo alimenta professores dispostos a difundir, entre seus alunos, história e filosofia dos afrodescendentes — além de sua literatura, música e dança contemporâneas

Por Inês Castilho

O que a música, a dança, a literatura, a filosofia negras têm a ver com nossa vida cotidiana, hoje? Como se articulam cultura afro, gênero e direitos humanos? O Cyberquilombo, realização do coletivo lab.Experimental, tem algumas contribuições a oferecer.

Projeto online de formação livre que remixa africanidades e cultura digital, o Cyberquilombo produz e publica videoaulas – de livre acesso pelo Youtube (acesse o canal) – com figuras de destaque da filosofia, da música, da dança e da literatura negra, promovendo a reflexão sobre a importância da sua participação em nossa sociedade.

São conteúdos preciosos para estimular a aplicação da lei 10.639/03, de 2003, que torna obrigatória a história da cultura afro-brasileira no ensino fundamental e médio – e não está sendo cumprida. Uma das razões seria a falta de material didático que permita aos professores falar do assunto sem reproduzir os preconceitos existentes nos livros que narram a história do negro pelo olhar branco eurocentrista. Continuar lendo

Emergências: para combinar ativismo e cultura

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Levante Popular da Juventude cobra punição aos torturadores

Encontro internacional vai reunir em dezembro, no Rio, coletivos do Brasil e de fora dispostos a construir novas formas de política. É possível intervir na programação desde já

Por Inês Castilho

Mais um vento fresco vem oxigenar a atmosfera política do país nesses tempos de conservadorismo e ameaças de retrocesso político. De 7 a 13 de dezembro, cerca de 1500 ativistas, pensadores, artistas, produtores e agentes culturais de todo o Brasil e alguns países mundo vão participar do Emergências, evento que acontece simultaneamente no Rio de Janeiro, em Niterói e na Baixada Fluminense. O projeto, realizado pelo Ministério da Cultura (MinC) em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), é fruto de forte demanda dos movimentos sociais e está relacionado à conjuntura turbulenta vivida pelo país.

A ideia de um grande encontro de redes ligadas a cultura e comunicação do Brasil, América Latina e outras partes do mundo vem sendo construída há três anos por grupos de ativistas. Agora, tornou-se viável. Caravanas chegarão no Rio vindas da Argentina, Uruguai, Venezuela, Peru. Espera-se conseguir trazer grupos de mídia como Democracy Now, dos EUA, e Al Jazeera, do Catar. A EBC (Empresa Brasileira de Comunicação) e rádios da AL vão montar um estúdio para transmissão ao vivo do evento. Continuar lendo

Aconteceu em Kampur

Dois pequenos primatas protagonizam, num tempo de indiferença, uma cena do que poderia ser chamado de “ativismo humano, permanente e intenso”

Por Antonio Martins

Bilhões de pessoas comemoram hoje, em todo o mundo, o Natal. Acreditam sinceramente em valores e sentimentos como solidariedade, compartilhamento e amor. Às vezes, associam-nos a religiões. Outras vezes, esquecem-se — ou não chegam a enxergar — que preservar tais sentimentos e valores exige uma espécie de ativismo humanista, permanente e intenso; que eles estão em xeque sempre que alguém é destroçado pelo disparo da metralhadora de um drone, nos confins do Yemen, e não fazemos nada.

O vídeo acima pode ser visto como um elogio deste ativismo pemanente e intenso. Foi feito numa estação ferroviária em Kampur, Índia. Não tem, como protagonistas, seres humanos Trata de dois pequenos macacos. Um deles foi eletrocutado, ao passar por fios desencapados junto aos trilhos. Parece moribundo. Mas é resgatado por seu companheiro, que o retira da fenda em que caíra, bate-lhe na cara para que desperte, banha-o em água e, depois de vinte minutos, completa o salvamento com um tapinha nas costas — um “estamos juntos”. Talvez haja, nas cenas, uma lição política exemplar.

 

“Primaveras” reúne mais de cem pessoas em São Paulo

Com participação de Ricardo Abramovay e Ladislau Dowbor, debate focou crises civilizatórias. Próximos encontros tratarão de ativismo e conhecimento livre

(Da assessoria de imprensa do IDS)

Como lidar com um mundo que vive crises múltiplas? Para além da discussão, há algo para ser feito, urgentemente? Mais de cem pessoas compareceram nesta última quarta-feira, 24/10, à Matilha Cultural, na região central de São Paulo, para um bate papo informal sobre esses questionamentos com os professores Ricardo Abramovay (professor titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP) e Ladislau Dowbor (professor titular da pós-graduação em Economia e Administração da PUC-SP). Apesar do nome poético do encontro – “Primaveras – diálogos sobre ativismo, democracia e sustentabilidade” – havia urgência na pauta do evento mediado pela secretária executiva do IDS, Alexandra Reschke.

O mote do primeiro encontro era “Crise e Oportunidade: a dimensão política das crises civilizatórias”. E, como bem ressaltou a editora da revista Página22, Amalia Safatle, uma mudança de consciência, necessária para dar conta dessas múltiplas crises, “leva tempo”. E de tempo não dispomos. Ladislau Dowbor acredita que a reunião de pessoas sintonizadas em torno das mesmas causas acontecem no mundo todo e devem capitanear a transformação da consciência geral. Ricardo Abramovay pensa parecido – e vai além. Cita o ano de 2020 como “cabeça contra rochedo” para todos nós, em especial as corporações. As empresas não podem, e não devem, diz o economista, pensar em planos para depois dessa data.

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Ativistas realizam Hackday sobre Código Florestal

Organizações e movimentos sociais se encontram este fim de semana, em São Paulo, para agir contra o pacote de ameaças à legislação socioambiental brasileira

De 15 a 16 de setembro, especialistas, ativistas, jornalistas, designers, programadores, artistas e outros cidadãos interessados se reúnem para expor o processo político no qual o Código Florestal está constituído e denunciar o seu conjunto de ameaças à sociedade e ao meio ambiente. Para isso, será promovido um Hackday, encontro em que será produzido um mutirão de informações abertas relacionadas ao tem

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Convite: Hack Day para agir contra os ataques ao Código Florestal

Em 15 e 16 de setembro, mutirão de informação e ativismo em defesa dos ecossistemas brasileiros, na redação do Outras Palavras. Reunião preparatória nesta quinta-feira, 30/8

Por Taís Capelini

Submetido às pressões e chantagens da “bancada ruralista” no Legislativo, o Código Florestal Brasileiro vai de mal a pior. Até mesmo os tímidos vetos da presidência da República à lei aprovada pelo Congresso Nacional em maio estão ameaçados. Parte importante da opinião pública, interessada em defender as florestas e demais ecossistemas do país, sente-se de mãos amarradas. Para ajudar a sair deste estado de ânimo, um conjunto de ativistas, movimentos e organizações sociais está preparando, para o fim-de-semana entre 15 e 16 de setembro, um Hack Day. Outras Palavras terá a satisfação de hospedá-lo em sua redação, em São Paulo (endereço e mapa ao final do post).

O Hack Day envolve compartilhamento de informações e ativismo. Seu objetivo é produzir produtos de comunicação (notícias, vídeos, campanhas) relacionados a um tema específico. Reúne profissionais de diferentes áreas — desenvolvedores, designers, ativistas, especialistas, jornalistas, artistas, etc. Mas o decisivo é ter pessoas realmente interessadas em colaborar e fazer alguma diferença. Por isso, qualquer cidadão que queira contribuir é bem vindo. Continuar lendo