Começa a construção do Fórum Alternativo das Águas

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Represa do Atibainha, em Nazaré Paulista, parte do sistema Cantareira, que abastece a Região Metropolitana de SP

Encontro reunirá movimentos de todo o mundo que lutam contra privatização. Em SP, Assembleia Popular preparativa ocorrerá em setembro — e enfrentará entrega da Sabesp, a empresa pública que abastece o Estado

Por Inês Castilho

Um mapa dos conflitos e um diagnóstico dos problemas que a população enfrenta com relação à água, no estado de São Paulo, será apresentado na Assembleia Popular da Água que marcará o início dos trabalhos do comitê estadual do FAMA – Fórum Alternativo Mundial da Água – em São Paulo, dia 30 de setembro. A decisão foi tomada durante encontro que reuniu, nesta terça (29/8), representantes de dezenas de entidades que compõem o Coletivo de Luta pela Água, criado em plena crise hídrica, em janeiro de 2015, por 89 entidades.

O FAMA, a ser realizado em março de 2018, em Brasília, se contrapõe ao “8º Fórum Mundial da Água”, promovido por grandes grupos econômicos que defendem a privatização das fontes naturais e dos serviços públicos de água e também acontecerá em março, na capital federal.

Formado por entidades da sociedade civil e de movimentos populares e ambientais, nacionais e internacionais, o FAMA tem como objetivo tratar da água como direito, não um produto mercantil, e garantir debates que permitam examinar a questão em seus diversos aspectos.

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TEXTO-FIM

Lembrança dos ventos no fundo do mar

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A atmosfera é uma camada tão fina que um sopro pode fazê-la desaparecer. A vida é grandiosa, mas mais precária do que lembramos todos os dias. Porque somos tão [email protected]….

Nota de Patrícia Cornils

Coisas do mundo… A primeira vez que me dei conta de que venta no fundo do mar foi quando estava mergulhando ao lado de um atol e, numa rachadura na parede de coral por onde a água entrava, ficamos nos segurando nas pedras do chão e sentindo, como bandeiras estendidas, que ela vinha em rajadas. “A água é como o vento!!”, eu sentia, conforme as rajadas nos empinavam e depois… paravam. Lindo, como um silêncio no movimento. Se eu nunca tivesse lido A Luz é Como a Água, um conto maravilhoso do Garcia Márquez, talvez não tivesse conseguido formular isso tão claramente.

Daí outro dia li este poema da Emily Dickinson (desculpem a má tradução):

I think that the Root of the Wind is Water —
It would not sound so deep
Were it a Firmamental Product —
Airs no Oceans keep —
Mediterranean intonations —
To Current’s Ear —
There is a maritime conviction
In the Atmosphere.

Acho que a Raiz do Vento é Água —
Ele não soaria tão profundo
Fosse um Produto do Firmamento —
Ares não soam Oceanos —
Toadas Mediterrâneas —
A Ouvidos de todo dia —
Há uma convicção marítima
na Atmosfera.

A primeira vez que me dei conta com clareza de como a Terra é frágil foi ao entrevistar Mark Shuttlewoth, criador do Ubuntu, milionário da internet que usou parte de sua fortuna para se tornar o primeiro civil a viajar até a Estação Espacial. A conversa era sobre tecnologia mas no final não resisti. Queria falar sobre o que importa… “Como é a Terra vista de lá?. É mesmo azul?”, foi o que consegui perguntar. “A atmosfera é uma camada tão, mas tão fininha, que parece que um sopro pode fazê-la desaparecer.” A vida é grandiosa mas mais precária do que lembramos todos os dias. Porque somos tão [email protected]….

Ao vivo: Marcha pela Água, em S.Paulo

Convocado pelo MTST, protesto nesta terça-feira seguirá até Palácio dos Bandeirantes. Acompanhe, a partir das 17h30, cobertura pelo coletivo “A Conta D’Água

Crise da Água: São Paulo busca uma estratégia

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Dezenas de organizações reúnem-se em assembleia inédita, associam represas vazias à mercantilização do abastecimento e lançam plano para mobilizar sociedade

Por André Takahashi

Neste sábado, 6 de dezembro, mais de 70 organizações do estado de São Paulo reuniram-se na Faculdade de Direito de Itu (FADITU) para discutir a crise hídrica do estado e formas de superá-la através da mobilização social.

Por ter sido a cidade mais afetada pela falta da água, Itu foi escolhida para sediar o primeiro encontro da Assembleia Estadual da Água. O relato de Monica Seixas, membro do movimento Itu Vai Parar, que luta por transparência na gestão da crise hídrica, descreveu um cenário de caos e revolta popular pouco divulgado pela mídia brasileira. A situação de calamidade em Itu chegou a tal ponto que, segundo Mônica, o critério para distribuir a água dos caminhões-pipa era atender o bairro que tivesse mais barricadas e gente protestando na rua.

Malu Ribeiro, da Fundação SOS Mata Atlântica e originária de Itu, lembrou a todos o histórico de luta ambiental dos ituanos, que durante o regime militar enfrentaram a tentativa do governo de transformar sua cidade em depósito de lixo radioativo. Em sua fala, Malu ressaltou os vetores que potencializaram a crise de água no estado: uso dos rios para diluição do esgoto, contaminação dos rios por uso de agrotóxicos e desmatamento desenfreado de matas ciliares e próximas de nascentes. Marussia Whately, do Instituto Socioambiental, ressaltou que a escassez de água no Brasil se dá muito mais por qualidade da água do que por quantidade. Segundo Marussia “44% da qualidade das águas de rios no Brasil é ruim ou péssima. Esgoto urbano, agrotóxicos e fertilizantes são vetores fortes de contaminação de água.” Continuar lendo

SP sem água, 17 e 18/11 – Os que devem poupar e os que podem esbanjar

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Setor industrial usa 40% da água disponível para Grande São Paulo e Baixada Santista, mas toda a campanha de economia é voltada ao consumidor residencial

Por Camila Pavanelli de Lorenzi

18/11/14

– Comecei a fazer um curso online gratuito da ANA sobre política nacional de recursos hídricos; prometo compartilhar por aqui o que eu aprender de interessante. Para começar, deixo o link para a Lei das Águas (http://bit.ly/1xTRvrE) e listo seus seis fundamentos:

1. a água é um bem de domínio público;

2. a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico;

3. em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo humano e a dessedentação de animais;

4. a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas; Continuar lendo

Os fundamentos do Direito à Água

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No período em que país vive crise hídrica, vale examinar conquistas da humanidade que, em teoria, proíbem Estados de interromper abastecimento 

Por Myriam Bahia LopesBruno de Oliveira Biazatti

Água potável é um recurso finito e vulnerável, fundamental à vida, ao desenvolvimento humano e ao meio ambiente. A sua essencialidade e a importância do acesso a este recurso garantem que a água seja um direito humano?

Hoje aproximadamente 884 milhões de pessoas não possuem acesso a água potável e cerca de 1,5 milhões de crianças com menos de cinco anos morrem anualmente devido a falta de água. Além disso, por ano, a falta de água mata mais crianças do que a AIDS, a malária e o sarampo combinados. Continuar lendo

SP sem água, 12 a 16/11 – Para blindar Alckmin, o eterno apelo a São Pedro…

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Enquanto governador deixa de planejar recuperação de mananciais, mídia insiste que causa da crise é da falta de chuva. E o santo, ainda que não responsável, será nossa única esperança…

Por Camila Pavanelli de Lorenzi | Imagem: Pompeo Batoni, “São Pedro”, século XVIII

15 e 16/11/14

– O diretor da Sabesp Paulo Massato disse que faltará água em São Paulo em 2015 e 2016, caso continue chovendo pouco (http://bit.ly/1q3ffsq). De lambuja, vai faltar energia também.

– Esse diretor é o mesmo que, naquele áudio que vazou de uma reunião da Sabesp, afirmou que a empresa teria de dar férias para 8,8 milhões pessoas em 2015 (número de consumidores atendidos pela Sabesp) (http://bit.ly/1wl1O8O).

– Não custa lembrar: estamos em novembro, está chovendo menos do que a média histórica (http://bit.ly/113EZZm) e o nível dos principais sistemas que abastecem a RMSP está caindo (http://bit.ly/11gyraa).

***

– Para não esquecer:

– (1) Enquanto alguns cavam buraco para obter água para cozinhar (http://bit.ly/1qIlmg8), outros compram água mineral para seus lulus da pomerânia (http://bit.ly/1sVEI2m).

– (2) Se em um bairro os bombeiros não encontram água no hidrante para apagar um incêndio (http://glo.bo/1xM5kbs), em outro uma pessoa provavelmente jogará fora 35 mil litros de água de sua piscina, por não ter como doá-los (http://bit.ly/1sZtVmR).

***

– Enquanto isso, o jornal O Estado de S. Paulo afirma em editorial (http://bit.ly/1xvnYpq) que a ministra do Planejamento fez uma afirmação que “não corresponde à verdade”, pois criticou a ausência de obras de longo prazo na proposta apresentada por Alckmin ao governo federal. Lembremos que ONGs especialistas no tema criticaram a proposta do pacote de obras (http://on.fb.me/1wZ5aNL) por não incluírem qualquer iniciativa de recuperação e proteção de mananciais (isso sim seria pensar no futuro); mas, para , pensar no futuro (i.e. no longo prazo) significa propor obras que ficarão prontas em 3 anos.

–  O editorial também desaprova uma fala da Ministra do Meio Ambiente, para quem a situação em São Paulo é “crítica”. Sim, pois como sabemos, a situação não é crítica e sim magnífica: afinal, não falta água em São Paulo (http://bit.ly/1ACEhCY).

– Além disso, o editorial critica a criação de um “grupo de trabalho para estudar o problema”, pois segundo o jornal “grupos de trabalho” não levam a nada.

– Quer dizer: para O Estado, não pode estudar o problema; aliás, não pode nem mesmo dizer que um problema, já que afirmar que a situação em São Paulo é “crítica” (termo, aliás, altamente eufemístico para descrever o que se passa no estado) é “deixar de lado o tom conciliador”.

– Para o jornal, o governador de São Paulo é mesmo um injustiçado: o presidente da ANA “atacou novamente, com a agressividade habitual”. Dizer que é necessário um dilúvio para que o nível do Cantareira volte ao normal configura, para O Estado de S. Paulo, uma agressividade inaceitável – ainda que rigorosamente a mesma coisa venha sendo dita há tempos pela própria presidente da Sabesp (http://glo.bo/1vwOEoN) (http://bit.ly/1otZ6Lw).

– O jornal acusa ainda o presidente da ANA de “disseminar o pânico na população, como afirmou com razão o governo paulista. Tratar coisas sérias, pelo menos no que se refere à crise hídrica de São Paulo, em tom de galhofa, com chocante irresponsabilidade, totalmente incompatível com o cargo que ocupa, virou hábito para Andreu.”

– Aqui eu só tenho uma coisa a dizer: “tratar coisas sérias em tom de galhofa, com chocante irresponsabilidade, totalmente incompatível com o cargo que ocupa” é afirmar que não falta água em São Paulo e que o abastecimento está garantido em 2015 (http://bit.ly/1BEP6VL) quando um dos diretores da empresa responsável precisamente por garantir esse abastecimento afirma que, tudo continuando como está, a água faltará não apenas em 2015 como também em 2016.

– Para concluir com “fecho de ouro”, para usar uma expressão do próprio editorial, o último parágrafo retoma um dos grandes Clássicos da Crise Hídrica™. Vamos lá, repitam comigo, todo mundo junto (mas sem pânico, por favor):

A

CULPA

É

DE

SÃO

PEDRO

***

– P.S. Um poço artesiano em São Paulo atualmente está na casa de R$50 mil (http://bit.ly/1sW34cm). Podemos esperar para breve um editorial d’O Estado de S. Paulo afirmando que a culpa pela falta d’água é dos consumidores que não perfuraram seu próprio poço.

– P.P.S. Nada muito diferente, aliás, do que já disse o Secretário de Recursos Hídricos de São Paulo, para quem a falta d’água é responsabilidade do povo que não tem caixa d’água em casa (http://bit.ly/1A4HEl0).

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SP sem água, 29 e 30/10 – Nas mãos do Cacique Cobra Coral

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Sistema Alto Tietê, em Mogi das Cruzes

De como a política do governo Alckmin está esvaziando, um a um, os reservatórios da metrópole — sem que surja a decisão óbvia de racionar. E os sinais de que os homens do palácio, em desespero, convocaram estranho personagem…

Por Camila Pavanelli de Lorenzi

30/10

– Ontem, enquanto todo mundo ria (de desespero) com a notícia “governo de SP consulta Cacique Cobra Coral” (http://glo.bo/1nRRgv1), esta outra, muito mais importante, passou despercebida: o Sistema Alto Tietê, segundo maior manancial de SP, está secando (http://bit.ly/1tQ0YA6). É o que venho repetindo aqui há um tempo: depois de drenar o Sistema Cantareira até a última gota, a Sabesp (com a anuência do DAEE) está fazendo o mesmo com o Sistema Produtor Alto Tietê (SPAT).

– Para entender isso melhor, li a ação que o MPE/SP propôs contra a Sabesp e o DAEE, pedindo a redução da captação do SPAT (http://bit.ly/1wKDGcz).

– Antes de passar à ação, porém, quero responder ao argumento do advogado do diabo. O advogado do diabo diz assim: “Com que então um bando de promotores se acha no direito de gerir os recursos hídricos de SP? A gestão desses recursos é uma questão técnica e a Sabesp e o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) sabem (ou pelo menos deveriam saber) o que estão fazendo”.

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SP sem água, 28/10 — Passado e futuro da crise

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Como governo paulista agravou problema, ao evitar racionamento. Por que mais produtos químicos estão sendo misturados à água. Os riscos de “El Niño” produzir mega-seca, em 2015

Por Camila Pavanelli de Lorenzi

O boletim de hoje está organizado em três seções: passado, presente e futuro. A gravidade da crise exige que olhemos para tudo ao mesmo tempo: o passado, para tentarmos aprender com os erros e evitar sua repetição; o presente, para tentarmos entender o que está acontecendo agora; e o futuro, para tentarmos voltar a ter água um dia. Toscamente falando, é isso. Vamos lá:

Passado:

– ONGs como a ISA e o Idec afirmam que o governo estadual e a Sabesp erraram na administração do Sistema Cantareira, mantendo inalterada a captação de água durante a seca que se abateu sobre a região na estação chuvosa, de outubro a fevereiro (http://bit.ly/1teNyfG). Além disso, as ONGs acusam o poder público de se omitir e esconder informações.

– O que seria essa omissão de informações? É preciso contar a história desde o princípio: com base na Lei de Acesso à Informação, o Idec solicitou à Sabesp em setembro a divulgação do mapa de diminuição de pressão noturna na distribuição de água. A empresa simplesmente não enviou o material requisitado. O Idec, então, acionou o MP e o Procon em 20/10 para que a Lei de Acesso à Informação fosse cumprida: o acesso ao mapa poderia mostrar aos consumidores os locais onde a diminuição de pressão poderia ocasionar problemas no abastecimento (http://bit.ly/1wkzdgs). Continuar lendo

Boletim da falta d’água em São Paulo – 27/10/14

Uma empresa que fabrica caixa d’água registrou um aumento de 50% na demanda e indústrias em outros estados agora trabalham para atender aos pedidos de São Paulo

Uma empresa que fabrica caixas d’água registrou aumento de 50% na demanda e indústrias em outros estados agora trabalham para atender aos pedidos de São Paulo

O dia em que se falou em evacuar a cidade, estimulou-se a cobiça dos fabricantes de caixas d’água e ficou nítido o espanto da mídia

Por Camila Pavanelli de Lorenzi

141028-Copo– Era uma vez um prefeito que recebeu a notícia de que a cidade que ele governava teria de ser evacuada por falta d’água. Estupefato, o prefeito indagou: cumequié? Então lhe disseram que não era nada daquilo, que estava tudo bem agora.

– O prefeito era Haddad e a cidade era São Paulo (http://bit.ly/1DTdpwL).

– Mas a notícia da evacuação de São Paulo nem nova é: há 3 dias, foi divulgado um áudio em que um diretor da Sabesp admite, meio de brincadeira, meio a sério (cabe ao leitor/ouvinte decidir qual é a parte do riso e qual a do choro), que se não chover nos últimos meses de 2014, a Sabesp dará férias coletivas para os habitantes de São Paulo (http://bit.ly/1wl1O8O).

– A única novidade na notícia de hoje, então, é que a “brincadeira séria” do diretor da Sabesp saiu da sala de reuniões da empresa e chegou ao gabinete de Haddad.

Seguem outras notícias de hoje, ainda na linha editorial “implodindo os limites entre comédia e tragédia”:

– Enquanto uns choram, outros vendem lenço: uma empresa que fabrica caixa d’água registrou um aumento de 50% na demanda (quando exatamente? a matéria não diz), e fábricas em outros estados agora trabalham para atender aos pedidos de São Paulo ‪#‎SPLocomotivaDoBrasilFaçaChuvaOuFaçaSeca‬ (http://bit.ly/1tdNZqC);

– A página do Facebook da Prefeitura de São José dos Campos aproveitou que estava chovendo para pedir aos amigos internautas que guardassem uma aguinha de recordação. A postagem foi apagada após ter sido considerada “tendenciosa” e ter “exaltado os ânimos” dos amigos internautas. O prefeito da cidade é do PT (http://bit.ly/1yFYK52);

– Enquanto isso, parte da nossa imprensa continua abismada que a chuva não vem colaborando: “Nem mesmo a chuva de média intensidade ocorrida ontem (26) foi suficiente para conter a queda gradual que se observa do nível de água dos reservatórios da Sabesp” (http://bit.ly/ZVKU2f – ver postagem de 27/10, 10:57);

– É compreensível: que ponha a mão no fogo quem nunca achou que iria aprender inglês em duas semanas, emagrecer em cinco dias e amarrar o grande amor em três. Perto desses ambiciosos projetos, salvar o Sistema Cantareira com a chuvinha do fim de semana até que soa modesto.

E esse foi o boletim de hoje. Pode entrar em pânico que amanhã tem mais.


* Camila Pavanelli de Lorenzi criou o blog “Recordar, repetir e elaborar” para fazer da lição freudiana seu modo de escrever sobre política, culinária, sobre sua avó e seus amores — tudo isso sem perder de vista que o mundo todo é feito de relações de poder e afetos. Espanta-se com a passividade de São Paulo, antiga “locomotiva do país” diante da reaparição de um problema que fora resolvido há duzentos anos. Para lançar o alerta, criou, no Tumblr este “Boletim da Falta d’Água em São Paulo”, que redige selecionando e reinterpretando notícias publicadas nos jornais. As edições anteriores do boletim podem ser lidas a seguir.

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