Uma voz singrando as águas


Filme de Letícia Simões (na foto), no Festival Mulheres no Cinema, hipnotiza ao narrar as memórias de um escritor da Ilha de Marajó e seu amor particular

Por Inês Castilho

O Chalé é uma ilha batida de vento e chuva, da carioca Letícia Simões – um dos seis filmes da mostra competitiva nacional do Festival Internacional de Mulheres no Cinema (FIM), que acontece em São Paulo até dia 11 – me cativou com seu afeto, ritmo, delicadeza.

“O título vem de um capítulo do primeiro livro de Dalcídio, Chove nos Campos de Cachoeira, em que ele narra a enchente que acometeu sua casa, o chalé, levando com as águas suas memórias e as parcas roupas” – explica Letícia sobre o título perturbador que escolheu para seu filme.

O Chalé narra cartas de Dalcídio Jurandir (1909-1979), escritor nascido na Ilha de Marajó com 11 livros publicados, amados na Amazônia mas pouco conhecidos por aqui. Em 1939, recém-saído da prisão por protestar contra a ditadura Vargas, aceita o único emprego que lhe aparece: o de inspetor das escolas da maior ilha fluvio-marítima do mundo. São as cartas que escreve à mulher amada, Guiomarina, e ao filho de 9 meses, Alfredo, que Letícia Simões narra nesse filme.

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TEXTO-FIM

IV Salão do Livro Político debate país pós golpe


Mesa de abertura, 18 de junho, reúne pré-candidatos à presidência. Participam Fernando Haddad, Jessé Souza, Ladislau Dowbor e Sueli Rolnik. Na feira de livros, descontos chegam a 50%
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MAIS
Salão do Livro Político
De 18 a 21 de junho, das 10h às 22h.

Tuca: Rua Monte Alegre, 1024, São Paulo
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Crise, eleições, cenário econômico, censura e ciências, fake news e os 30 anos da Constituição de 1988 versus o atual protagonismo do Poder Judiciário, no Brasil pós golpe de 2016, são os temas debatidos nesta IV edição do Salão do Livro Político. Em paralelo uma feira de livros oferecerá centenas de títulos, de cerca de 30 editoras, com descontos de até 50%.

Além do Brasil pós-golpe serão abordados a situação política do Oriente Médio e fatos que marcaram a história global e continuam ecoando: maio de 1968, 50 anos depois, Marx e o marxismo no bicentenário do nascimento do filósofo alemão e os rumos da Revolução Cubana, após quase 60 anos. No ano da Copa do Mundo e no momento em que se desvela a corrupção na Fifa, o futebol também está na pauta do evento.

A mesa de abertura, dia 18 à noite, reunirá candidatos do campo de esquerda à presidência da república. Lula e o PT estarão representados pela senadora Gleisi Hoffmann. Guilherme Boulos (PSOL), Manuela D’Ávila (PCdoB) e Vera Lúcia (PSTU) já confirmaram presença. Para as demais mesas estão confirmados o ex-ministro da Educação Fernando Haddad e intelectuais como Jessé Souza, Ladislau Dowbor, Marcio Pochmann, Leda Paulani, Laura Carvalho, Ricardo Antunes, Esther Solano, Olival Freire, Gilberto Maringoni, Sueli Rolnik e Marcelo Semer, além do jornalista e acadêmico Leonardo Sakamoto mediando o debate sobre fake news.

Este ano o curso gratuito ministrado durante o Salão, “A teoria da revolução”, será dividido em quatro aulas que abordam Marx (com o professor Mauro Iasi), Lênin (Augusto Buonicore), Bakunin (Acácio Augusto) e Rosa Luxemburgo (Isabel Loureiro).

Em sua terceira edição, que homenageou Antonio Candido e contou com a presidenta Dilma Rousseff na abertura, o Salão recebeu cerca de 3,5 mil visitantes entre estudantes, professores universitários e militantes de movimentos sociais e partidos políticos de vários estados, que participaram de 13 mesas e conferências, inclusive com autores internacionais, além de cursos e apresentações culturais.

Iniciativa de um grupo de editoras independentes de grandes grupos editoriais, desde o ano passado em parceria com a Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), o Salão do Livro Político tem como objetivo fortalecer as editoras, aumentar a visibilidade de suas obras políticas no mercado e incentivar as vendas e a leitura desses livros. Os livros políticos representam atualmente algo em torno de 2,5% do total de obras publicadas no país a cada ano, considerando-se as três áreas correlatas (sociologia, filosofia e economia).

Para pensar políticas públicas cuidadoras


Encontros sobre o futuro, que a Fiocruz promoverá em 20/6, debatem com Leonardo Boff cuidados na saúde como elemento de espiritualidade e sustentabilidade nas relações humanas e com o planeta
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MAIS
“A ética do cuidado: atenção sustentável na saúde”
Promoção: Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz
Data: 20 de junho de 2018
Horário: de 14h às 17h
Transmissão on-line, em tempo real, pelo perfil do Facebook do CEE-Friocruz (https://www.facebook.com/ceefiocruz/) e pelo blog (http://cee.fiocruz.br/).
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Associar a dimensão do cuidado à sustentabilidade, visando a prevenção e a promoção de saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e a formulação de políticas públicas cuidadoras é o tema que inaugura a série de encontros “Futuros do Brasil e da América Latina”, iniciativa do Centro de Estudos Estratégicos da Fundação Oswaldo Cruz (CEE-Fiocruz).

O escritor e teólogo Leonardo Boff, que elaborou o conceito de cuidado para pensar a espiritualidade e as relações de homens e mulheres entre si e com a terra, estará no centro desse primeiro encontro falando sobre “A ética do cuidado: atenção sustentável na saúde”, em debate coordenado pelo ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão, pesquisador do Centro. Continuar lendo

Agenda: Golpes e Mídia em debate em Florianópolis

Nilson Lage e Bernardo Joffily dialogam sobre a relação entre o poder autoritário das elites e a tentativa de naturalizá-lo

Por João Victor, do Círculo de Tradutores de Outras Palavras

Cada vez mais o debate público tem se aproximado das teses que identificam o golpe de 64 a um tipo de golpe “branco” jurídico-parlamentar em 2016 que depôs a presidente eleita, Dilma Rousseff, de seu mandato. Nessa conjuntura, vozes e perspectivas analíticas destoam do coro dominante apontando caminhos interpretativos diversos que permitem ampliar a reflexão do longo período autoritário no Brasil, a sua abertura democrática, e o seu espirito do tempo atual. Dado o papel central dos meios de comunicação em suas novas fronteiras tecnológicas, é imprescindível retomar o debate a partir das experiências jornalísticas que participaram destes eventos históricos no século passado.

Nesse sentido, O Instituto Ignacio Rangel (IIR) em parceria com o Laboratório de Estudos Urbanos e Regionais (LABEUR) e o Núcleo de Estudos Asiáticos (NEAS) da Universidade Federal de Santa Catarina convida o público para o DEBATE no dia 07/06  na Universidade Federal de Santa Catarina, – AUDITÓRIO ANEXO “E” Centro de Filosofia e Ciências Humanas – CFH/UFSC:

“O GOLPE DE 64, A DITADURA MILITAR E O BRASIL HOJE”
com a presença dos ilustres jornalistas Nilson Lage e Bernardo Joffily, e do geógrafo Armen Mamigonian.

 

PALESTRANTES:

Nilson Lage,

jornalista, nascido em 1936, mestre em Comunicação, doutor em Linguística e Filologia. Foi professor da UFRJ e do Departamento de Jornalismo da UFSC. Como jornalista trabalhou no Jornal do Brasil, Última Hora, TV Educativa do Rio de Janeiro, entre outros veículos de comunicação. Colabora, atualmente, com o blog Tijolaço.

Bernardo Joffily,

jornalista, nascido em 1950, participou da resistência à ditadura, tendo sido vice-presidente da UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) entre 1968-1970. Filiou-se ao PCdoB em 1973, sendo eleito para o Comitê Central deste partido em 2005.

DEBATEDOR:

Armen Mamigonian,

geógrafo, nascido em 1935, com doutorado na França e livre docência na USP.

Teatro Oficina: Silvio Santos ataca de novo

A grande janela do teatro, essencial para o contato com o entorno, pode ser bloqueada por duas torres imobiliárias

Dois espigões de cem metros podem descaracterizar terreno histórico do teatro e emparedar construção projetada por Lina Bo Bardi. Zé Celso prepara arraial e maratona de resistência

Por Cafira Zoé*

Na última sexta-feira (25), o IPHAN-SP, deu parecer favorável ao projeto de Edifício da RBV, Residencial Bela Vista Emprendimentos Imobiliários Ltda., aprovando as últimas alterações feitas pela Sisan Empreendimentos Imobiliários — braço imobiliário do grupo Silvio Santos, para a construção de dois mastodontes de concreto de 100m de altura — além dos andares de estacionamento subterrâneo — no último chão de terra livre do centro de São Paulo, entre as ruas Jaceguai, Abolição e Japurá, no Bixiga, onde vive e respira o Teatro Oficina.

O processo para a construção do empreendimento imobiliário, que havia sido encaminhado pelo IPHAN em Brasília, para análise e posterior decisão para a Superintendência do IPHAN em São Paulo, teve o parecer favorável do relator Marcos Carillho.

O Teatro Oficina foi tombado em 1983 pelo Condephaat, quando o órgão era presidido pelo geógrafo Aziz Ab’Saber. Depois vieram os tombamentos nas instâncias municipal, Conpresp, e federal, Iphan. Continuar lendo

Eu avisei!, dizem Ciências Humanas sobre crise nos transportes

Caminhões fecham a Rodovia Régis Bittencourt, em São Paulo, 25 de maio

Ao contrário da maioria da população, pesquisadores já sabiam quanto poder o petróleo tem, nas condições atuais, sobre funcionamento da vida cotidiana

Por Antonio Gomes

A pesquisa acadêmica é, para nós das Ciências Humanas, um trabalho muitas vezes ingrato.

Não importa o quanto nos dediquemos, passando horas a fio queimando os miolos em uma biblioteca, discutindo interminavelmente nos grupos de estudo ou pensando em nossos temas de pesquisa no travesseiro antes de dormir: invariavelmente, somos questionados (inclusive por nós mesmos) sobre o sentido de passar anos vivendo de parcas bolsas para escrever um trabalho que possivelmente vá ficar “empoeirando em uma prateleira de biblioteca sem que quase ninguém o leia”.

Mais do que isso, somos acusados de “viver às custas do governo”, “torrando” dinheiro público em pesquisas “sem utilidade alguma” enquanto faltam remédios nos hospitais e livros nas escolas, e também nos acusam de viver em um mundo de fantasias, de teorias e conjecturas que “só existem em nossas cabeças”, enquanto a suposta “realidade” da vida prática seria mais simples e menos “metida a besta”.

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De Junho de 2013 a Maio de 2018

Quais as semelhanças entre estes momentos recentes e aparentados? Primeiro, a sensação difusa de insatisfação que se difunde rapidamente

Por Fran Alavina

Com a greve dos caminhoneiros formou e se alastrou uma babel político-midiática na qual entender o que está ocorrendo e escolher uma posição sensata tornaram-se tarefas das áridas. Em alguns setores à esquerda, as tentativas de compreensão são as mais diversas e diante das dificuldades de um entendimento mais profundo se tende a cair na polarização simplista: ou se é totalmente contra, ou completamente favorável; ou é grave de classe trabalhadora, ou paralisação de interesse patronal. Enquanto isso, grupos à direita agem de forma semelhante ao que fizeram em um passado recente. Assim, estamos ante um quadro político-social que cada vez mais ganha traços semelhantes ao que ocorreu em junho de 2013.

Nesse ponto do texto sei que grupo de leitores, defensores ferrenhos das jornadas de junho de 2013 já estão armados para defender atacando. Mas quando me refiro aqui a junho de 2013 aponto para aquilo em que se transformaram as jornadas: na criação da massa informe que direcionada para a negação das mediações políticas foi o terreno propício para o surgimento das massas protofascistas vestidas com o uniforme da CBF. Não por coincidência a frase de 2013 “vem pra rua” virou slogan e marca registrada de um dos movimentos verde-amarelo.

De fato, no corpo político e no tecido social, semelhanças não são simples coincidências e as similaridades não são meras repetições ocasionais. Ora, quais são então as semelhanças entre estes momentos recentes e aparentados? . Ontem, o aumento na tarifa de ônibus; hoje, o aumento no preço dos combustíveis. Evidentemente que os agentes catalisadores nas duas ocasiões são bem diferentes, porém o âmbito é o mesmo: mobilidade e circulação. Isto é, trata-se de algo que atinge diretamente o cotidiano da população.

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Caminhoneiros: Governo ensaia recuo. Esquerda permance ausente

Recurso às Forças Armadas parece fracassar. Balança uma das políticas essenciais de Temer. Porém, enorme potência rebelde da mobilização segue desperdiçada

Por Antonio Martins

I.
Tudo é móvel e pode se desfazer rapidamente nos momentos de crise aguda, mas a tendência principal, na manhã deste domingo (27/5) é um novo recuo do governo Temer, diante da paralisação nacional dos caminhoneiros. A forma em que ele poderá se dar foi ensaiada ontem à noite, em São Paulo. Sob mediação da OAB o governador Márcio França reuniu-se com lideranças da categoria em luta. Do encontro, saiu um pré-acordo, a ser levado aos bloqueios nas rodovias. Ele implica novas concessões por parte do Estado. O congelamento do preço dos combustíveis seria ampliado para 90 dias. O Procon fiscalizaria, nos postos, sua efetivação. Haveria importante redução nas tarifas dos pedágios, com o fim da cobrança pelos “eixos suspensos” (que significa ausência de carga) dos caminhões. Seriam anuladas todas as multas aplicadas. Os caminhoneiros autônomos passariam a ter representação na Agência de Transportes estadual.

Ficou claro, no encontro, que não se trata de acordo — mas, por enquanto, de sondagem. As primeiras reações, entre os caminhoneiros, foram contraditórias. Ainda assim, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, foi chamado às pressas, para participar de sua celebração. Declarou não apenas que concorda com os termos negociados mas também que proporá, a Michel Temer, sua adoção pelo governo federal. Afirmou que “os caminhoneiros já são vitoriosos”. Um novo encontro, no Palácio dos Bandeirantes, está marcado para as 15h de hoje.

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O que a educação precisa aprender ?


Seminário na URFJ debate desigualdades na Educação brasileira e lança pergunta incômoda: uma de suas causas não estará em termos desprezado, desde o início, os saberes dos não-brancos?
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MAIS:
“Desigualdades na educação no Brasil: desafios para o ensino de ciências e saúde”
13, 14 e 15 de junho no Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFRJ
Avenida Carlos Chagas Filho, 373, Cidade Universitária (Campus Ilha do Fundão), UFRJ
Inscrições gratuitas, a ser feitas aqui
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O seminário “Desigualdades na educação no Brasil: desafios para o ensino de ciências e saúde” apresentará um panorama crítico sobre as políticas e práticas educativas a partir da interculturalidade, descolonização e diversidades. Construindo essa análise estarão 30 pesquisadores na área  de educação, ciências e saúde da Bahia, Ceará, Brasília, Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo, além do Rio de Janeiro e uma participação da Argentina. A programação inclui conferências, mesas de debates, mostra de filmes, apresentações artísticas, exposições e oficinas que relacionam a educação com teatro, alimentação, patrimônio e artes.

Katemari Rosa, física e filósofa da ciência, professora da UFBA, coordena o projeto “Contando Nossa História: Negras e Negros nas Ciências, Tecnologias e Engenharias no Brasil”.

Haverá três conferências. No dia 13, o professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Reinaldo Fleuri, que atua na área de movimentos sociais e educação intercultural, falará sobre “Educação e descolonialidade: aprender com os povos originários”. No dia 14, a argentina Ana Dumrauf, professora da Faculdade de Humanidades e Ciências da Educação da Universidade Nacional de La Plata, em Buenos Aires, falará sobre “Caminos de construcción pedagógica descolonizadora en Educación en Ciencias Naturales, Ambiental y en Salud: experiencias de articulación con movimientos sociales”. No dia 15 a conferencista será Cristina Nascimento, coordenadora da Articulação Nacional do Semiárido Brasileiro (ASA) no Ceará.

Entre as questões propostas no seminário está a seguinte: “É possível descolonizar as políticas públicas?” Nesse sentido, a relação entre intersecção entre gênero e raça será debatida por Katemari Rosa, pesquisadora em física e filosofia das ciências e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Desde 2015, ela coordena o projeto de história oral “Contando Nossa História: Negras e Negros nas Ciências, Tecnologias e Engenharias no Brasil”.

Gersem Baniwa, da faculdade de Educação e diretor de Políticas Afirmativas da UFAM, falará sobre “Educação para o manejo do mundo: experiências com a educação indígena”

“O que a educação precisa aprender?”. A pergunta será debatida por três palestrantes, entre os quais Gersem Baniwa, professor  da faculdade de Educação e diretor de Políticas Afirmativas da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Gersen tratará o tema “Educação para o manejo do mundo: experiências com a educação indígena”. Como liderança indígena, ele foi dirigente da  Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e Diretor-Presidente do Centro Indígena de Estudos e Pesquisas (CINEP).

“Política da Diferença” será apresentada por Elizabeth Macedo, pesquisadora sobre cultura em matriz pós-colonial e pós-estrutural. É também coordenadora do grupo de pesquisa Currículo, Cultura e Diferença, do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

As desigualdades no Brasil atual também serão analisadas sob a ótica da educação popular, educação quilombola e do campo. Além das mesas de debate e troca de experiências, o seminário contará com dois filmes, seguidos de debates com seus idealizadores.

O documentário “Anamnese”, produzido pelo cineasta Clementino Junior em parceria com o coletivo Negrex, mostra os percalços da vida acadêmica de estudantes negras e negros do curso de Medicina. As histórias conduzem à reflexão sobre o que é o sistema de ensino superior, que tipo de pessoas aceita e que profissionais forma. A sessão será seguida de conversa com Clementino e Pedro Gomes, do Negrex, no dia 14 de junho.

Já o filme “Fora de série”, dirigido por Paulo Carrano, coordenador do Observatório Jovem do Rio de Janeiro e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), relata o percurso de vida e o processo de formação escolar de estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), matriculados em 13 escolas públicas da cidade. Ao final, Paulo conversa sobre juventude e escola. Será no dia 15.

Os participantes também poderão realizar oficinas, com o intuito de pensar processos educativos mais plurais. Entre as oficinas estão as sobre corporiedade e teatro, com a companhia Ciênica; Alimentação e cultura, com o projeto Culinafro; e Comida é Patrimônio, com o Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN).

Uma apresentação de jongo do Quilombo da fazenda Machadinha, no município de Quissamã (RJ), marcará o encerramento do seminário.

“Desigualdades na educação no Brasil: desafios para o ensino de ciências e saúde” é organizado pelo Programa de Pós-graduação em Educação em Ciências e Saúde, do Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde (Nutes), http://www.nutes.ufrj.br/ sob a coordenação do professor Alexandre Brasil, com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

PROGRAMAÇÃO

13 de junho – Quarta
09h00-09h30: Atividade Cultural
Grupo Africanias, Escola de Música da UFRJ
09h30-10h: Mesa de Abertura
Representante da Reitoria da UFRJ
Representante da Decania do CCS
Representante da Direção do NUTES
Coordenação do Evento
10h – 12h: Educação e Desigualdades: desafios para o
Brasil
Givânia Maria da Silva, UNB
Guilherme Brokington, UFABC
Florence Brasil, UFRJ
Coordenação: Isabel Martins, UFRJ
13h30 – 14h30: Conferência
Reinaldo Fleuri, UFSC
Coordenação: Mirian Struchiner, UFRJ
14h30-16h30: Experiências do Sul: estratégias para a
formação de professores no Ensino de Ciências
Linguagens, desenvolvimento e ciências: experiências
na formação de professores no Timor-Leste
Suzani Cassiani, UFSC
Contribuições no enfrentamento das desigualdades
para o ensino de ciências na educação básica
Helder Eterno, UFU
Formação de professores(as) na perspectiva crítico-
dialética
Bárbara Carine Soares Pinheiro, UFBA
Debatedor: Roberto Brandão, professor na Educação
Básica
Coordenação: Bruno Monteiro (UFRJ)

14 de junho- Quinta
09h – 11h: Desigualdades na Educação: é possível decolonizar as
políticas públicas?
Intersecções entre gênero e raça: perspectivas para políticas
públicas de educação científica
Katemari Rosa, UFBA
Planejamentos e projetos em Educação
Daniel Cara, Campanha Nacional pela Educação
Por uma política da diferença
Elizabeth Macedo, UERJ
Debatedora: Mônica Francisco, Asplande
Coordenação: Leonardo Moreira, UFRJ
11h – 12h: Conferência: Ana Dumrauf, Universidad Nacional de
La Plata – Coordenação: Luiz Augusto Rezende, UFRJ
13h30-14h30: Exibição do Documentário “Anamnese”
Bate-papo com o diretor Clementino Júnior (Cineclube Atlântico
Negro) e Pedro Gomes (UFF) – Coordenação: Paula Ramos, UFRJ
14h30-16h30: Educação em Saúde e territorialidades:
aprendendo com as práticas populares
Perguntas e contribuições da educação popular em saúde no
enfrentamento as desigualdades
Julio Alberto Wong Um, UFF
Justiça Ambiental, Conflito Socioambiental, desigualdades sociais e
educação
Angélica Cosenza, UFJF (Juiz de Fora)
Educação quilombola: propostas para uma educação em saúde na
diferença
Rute Costa, UFRJ (Macaé)
Debatedora: Socorro de Souza, Fiocruz-DF
Coordenação: Laísa Santos, UFRJ

15 de junho – Sexta
8h30-10h30: Oficinas
Experiências para repensar à Educação em tempos de
desigualdades
Sala 1: Corporeidades e teatro: Ciênica
Sala 2: Alimentação e cultura: Culinafro
Sala 3: Decolonizarte
8h30-11h: Exibição do Filme “Fora de Série”, seguido
de bate-papo com o diretor Paulo Carrano (UFF)
11h-12h: Conferência
Cristina do Nascimento, ASA
Coordenação: Alexandre Brasil Fonseca, UFRJ
13h30-15h30: Desigualdades e diferenças: o que a
Educação precisa aprender
Educação para o manejo do mundo: experiências com a
educação indígena
Gersem Baniwa, UFAM
Interculturalidade e Educação do Campo
Rodrigo Crepalde, UFTM
Identidades, Currículos e Cultura
Thiago Ranniery, UFRJ
Debatedores: Celso Sanchez Pereira, UniRio
Stephani Kiara, UiniRio
Coordenação: Cristina Vermelho, UFRJ
15h30-16h30: Atividade Cultural
Jongo da Machadinha

Outras informações: [email protected]

Enfim, um robô para mulheres – e não é apenas para sexo

Henry, o andróide da Realbotix: é possível escolher entre 12 padrões de personalidade e uma gama de pênis de silicone

Será preciso muito para um androide superar o que os homens fazem pelas suas parceiras?

A RealBotix, uma empresa norte-americana que produz robôs de companhia, anunciou que lançará em breve um androide destinado ao público feminino, de nome Henry. Além de parceiro sexual, ele terá capacidade de mostrar-se companheiro, fazendo perguntas sobre como sua proprietária passou o dia e reagindo diante de seus desejos e temores. Henry mede 1,80m, pesa 38kg e custará entre 11 e 15 mil dólares, dependendo dos itens opcionais. A Realbotix, que no momento produz apenas robôs com corpo feminino, tem sido criticada por objetificar o corpo das mulheres. Será preciso muito para um androide superar o que os homens fazem pelas mulheres?