Sobre Vinicius Gomes

Um jovem perseguindo o estilo de vida do maior de todos os "Vinicius": jornalista, diplomata, escritor, compositor, poeta, boêmio e mulherengo (censurado pela namorada...)

Metrô funciona com operadores sem treinamento adequado

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De acordo com sindicalistas, o Metrô age com irresponsabilidade e expõe usuários aos riscos

Por Vinícius Gomes Melo

No início dessa tarde de greve geral no Brasil, o governo do Estado de São Paulo informou que o Metrô e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) voltaram a funcionar parcialmente.

Na linha Azul do Metrô, que liga a zona norte à zona sul, os trens circulam entre as estações Ana Rosa e Luz, com exceção da Sé. Na linha 2 (Verde), funciona o trecho entre Ana Rosa e Clínicas. A linha 4 (Amarela), e a linha 5 (Lilás), operam normalmente. A linha 3 (Vermelha), uma das mais movimentadas que liga as zonas Leste-Oeste da cidade, segue paralisada.

No entanto, segundo fontes junto ao Sindicato dos Metroviários, isso é uma tentativa perigosa do Metrô. “Mesmo com adesão à greve de parte dos supervisores, o Metrô insiste em colocar estes [outra parte dos supervisores], com treinamento precário, expondo usuários aos riscos de operarem sistema sem o devido treinamento. Além disso, se houver falhas não haverá quem normalize, podendo causar transtornos”. Continuar lendo

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O sentido do Dia Global de Boas Ações

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Num sinal de como se difunde a busca de alternativas, grupos articulam, em 70 países, atividades que rejeitam lógicas da acumulação egoísta e remetem à colaboração e solidariedade

Por Redação

Criado em 2007, o Dia das Boas Ações tornou-se um grande projeto de mobilização de pessoas que, mesmo sem vasta formação política, sentem-se desconfortáveis numa ordem social baseada na competição e egoísmo. Para se ter uma ideia, o evento multiplicou-se, no ano passado,em 61 países e contou com a presença de quase 1 milhão de participantes – incluindo o Papa Francisco, em Roma. Agora em 2016, cidadãs e cidadãos de 70 países já confirmaram participação.

No Brasil, diversas ações estão programadas para acontecer nos dias 8, 9 e 10 de abril em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

No dia 10, data mundial para o Dia das Boas Ações, haverá grandes celebrações em cada cidade: no Parque do Ibirapuera em São Paulo, no Arpoador e Parque Garota de Ipanema no Rio, e no Parque da Cidade, em Brasília. Para participar do movimento de prática do bem, basta se inscrever no site oficial.

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Independente da cidade, qualquer ONG, instituição ou pessoa podem inscrever uma ação no até o dia 25 de março e captar voluntários(as), ou então se inscrever como voluntários(as) nas ações já existentes. A ideia é unir pessoas em prol de causas variadas que podem ir desde de atos simples destinados a indivíduos – como distribuir flores e contar histórias a crianças – até projetos comunitários, como doar roupas e alimentos ou ajudar na reforma de uma escola na periferia. Também é possível abraçar causas ambientais como a adoção de uma praça ou mesmo fazer um mutirão de coleta de lixo.

Esta é a primeira vez que o Dia das Boas Ações tem uma capital na América do Sul. “O Brasil foi escolhido como foco, pois acreditamos em seu potencial. Apenas 11% da população doa seu tempo em causas voluntárias”, afirma Kaynan Rabino, CEO mundial do Dia das Boas Ações. É uma taxa baixa quando comparamos com outros países, como por exemplo os Estados Unidos, onde esse número chega a 44%, segundo um estudo de 2011 feito pela ONU. O Atados, plataforma online que conecta ONGs e pessoas através das oportunidades de voluntariado, é o responsável pelo evento no Brasil. A expectativa é engajar dezenas de milhares de pessoas no país.

EUA: um retrato da aristocracia financeira

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Novo livro revela como se forjou aliança entre banqueiros e Casa Branca, em trama que envolve casamentos “sangue azul” e relações especiais nas universidades

Por Vinícius Gomes

Existe uma máxima no jornalismo investigativo, criada no livro Todos os Homens do Presidente. Diz: “siga o dinheiro”. Significa, basicamente, que as “pegadas” deixadas pelo interesse material mostram o caminho que levará a todos os envolvidos numa trama.

A jornalista Nomi Prins fez exatamente isso em seu novo livro — chamado, não por acaso, Todos os Banqueiros do Presidente: As Alianças Secretas que Comandam o Poder Americano [disponível, em inglês, na Amazon] Prins, que já trabalhou em grandes bancos como Bear Stearns, Goldman Sachs, Lehman Brothers e Chase Manhattan – investiga como um pequeno número de banqueiros desempenhou um papel decisivo na modelação das políticas financeiras, domésticas e externas dos EUA, nos últimos cem anos. Eles criaram, segundo a autora, um “cordão umbilical” entre os centros financeiro e político norte-americano (Nova York e Washington). É tão resistente que será muito difícil cortá-lo, em um futuro próximo. Continuar lendo

A França volta a sonhar com a África

Fonte: Reuters / Emmanuel Braun.

Depois do Mali, Paris intervém na República Centro-Africana, convida parceiros europeus à aventura e finge esquecer resultados trágicos da Conferência de Berlim, em 1885

Por Vinícius Gomes

Se havia dúvidas de que o governo “socialista” francês sente-se nostálgico das velhas relações entre Europa e África, elas terminaram nesta terça-feira (17/12). Ao falar ao Parlamento de seu país, o ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius, anunciou que “diversos países europeus” seguirão a iniciativa francesa e enviarão soldados à República Centro-Africana (RCA), a pretexto de “restarurar a paz”. A iniciativa põe em evidência, mais uma vez, os impasses da África, dividida entre países que vivem surtos (às vezes desordenados) de desenvolvimento e outros, em que o Estado nacional desmorona. Porém, a novidade principal é o regresso de um sentimento europeu atávico: a crença de que o Velho Continente tem a “missão” de civilizar o mundo.

A situação da República Centro-Africana é, de fato, dramática. Em março, um golpe de Estado derrubou o presidente François Bozizé – que assumira o poder dez anos antes, também por força das armas. Os últimos meses foram de caos crescente. Os golpistas, que se articulam no movimento Séléka, praticaram saques, estupros e execuções. Contra eles, formaram-se milícias igualmente violentas. Choques entre ambas as partes provocaram centenas de mortes e desabrigaram 400 mil pessoas – um em cada dez habitantes –, nas últimas semanas. A religião é a linha divisória entre os dois grupos, o que torna mais difícil uma solução. O Séléka é majoritariamente muçulmano; as milícias, cristãs. Continuar lendo

Venezuela: vitória apertada e futuro a definir

Ao conferir às eleições municipais caráter plebiscitário, oposição deu tiro no pé. Mas chavismo tem enormes desafios à frente

Por Vinicius Gomes

Quinze anos após a ascensão de Hugo Chávez, a oposição conservadora venezuelana viu, nas eleições municipais do último fim de semana, a chance de ouro para iniciar uma volta ao poder. A economia enfrenta problemas graves: inflação superior a 50% ao ano, produção estagnada e falta de gêneros básicos nos supermercados. Por isso, Henrique Capriles, governador do estado de Miranda e principal referência no combate ao “chavismo”, previu um “nocaute” contra os apoiadores do atual presidente, Nicolas Maduro.

Foi traído pelas palavras. Abertas as urnas, três grandes evidências tornaram-se nítidas. A mais incômoda, para a oposição é: a maioria conquistada por Maduro e seus seguidores ampliou-se ligeiramente, em relação ao pleito presidencial realizado há oito meses. Em abril, poucas semanas após a morte de Chávez, o atual presidente chegou ao governo com magros 235 mil votos (1,59%) de vantagem sobre Capriles, então seu oponente. Ao contrário do que esperava a oposição, a distância, agora alargou-se para mais 6,5 pontos percentuais. O Partido Sociallista Unificado da Venezuela (PSUV), no governo, conqusitou 49,24% dos votos contra 42,72% da Mesa de Unidade Democrática (MUD) da oposição. O resultado fortalece a figura de Maduro, desmentindo os que o viam como mera sombra de Chávez. Continuar lendo

Outros Quinhentos convida para peça iraniana em SP

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Obra ressalta importância de laços culturais com outros países do Sul. Participantes do programa não pagam ingresso. Leitores de Outras Palavras têm desconto de 50% 

Quando lançou Outros Quinhentos, seu programa de sustentação financeira junto aos leitores, Outras Palavras frisou que pretendia ir além da simples captação pulverizada de recursos. Além de assegurar autonomia material do site, nossso projeto prevê articular uma rede por onde circulem produtos culturais e da Economia Solidária. Um mês depois, uma primeira parceria – ainda singela – mostra que tal projeto é possível.

Outras Palavras está participando da promoção da peça iraniana Coelho Branco, Coelho Vermelho (leia nossa resenha). Traduzida ao português por um colaborador do site – o jornalista e músico Maurício Ayer –, a obra tem repercutido em todo o mundo. Por recusar-se a servir as forças armadas, eu jovem autor, Nassim Soleimanpour, foi proibido, durante alguns anos, de deixar seu país. Escreveu o texto para se comunicar com o mundo. Este desejo de intercâmbio cultural tornou-se ainda mais importante nos últimos meses. Após eleições presidenciais realizadas este ano, o Irã passou a viver novo período de abertura político-cultural e desarmou as ameaças de guerra que potências ocidentais conjuravam contra si. Continuar lendo

De que servem os golpes de Estado

A supporter of Xiomara Castro, presidential candidate of the Liberty and Refoundation party (LIBRE), holds up a poster with the word 'Fraud' written on it, as she demonstrates next to riot police officers standing guard during a protest against the results of the presidential election in Tegucigalpa December 1, 2013. REUTERS-Jorge Cabrera

Honduras: em meio a acusações de fraude eleitoral, relatório revela: elite que derrubou “populista” Zelaya apropriou-se de toda a nova riqueza, desde 2009 

Por Vinícius Gomes

Nada indica que serão bem-sucedidos os esforços das elites de Honduras para “limpar” a imagem do país, após o golpe de Estado de 2009. Sim, as novas eleições presidenciais, realizadas no último dia 24, deram vitória ao candidato governista, Juan Orlando Hernández. Mas multiplicam-se os sinais de fraude. Não partem apenas da candidata Xiomara Castro, esposa do presidente deposto, Manuel Zelaya, e postulante pelo Partido Libre (Liberdade e Refundação). São reforçadas por observadores internacionais como o jornalista austríaco Leo Gabriel, que apontou inúmeras irregularidades, algumas delas bizarras. “Houve pessoas que não puderam votar porque apareciam como mortas e houve mortos que votaram”…

Ainda mais revelador contudo, é um relatório divulgado, dias antes do pleito, pelo Centro para Pesquisa Ecomômica e Política (CEPR), um thinktank norte-americano progressista. Por meio de uma série de estatísticas, o texto ajuda a explicar por que as classes oligárquicas da América Latina odeiam os governos de esquerda, mesmo quando moderados. Elas não toleram as políticas redistributivas (ainda que tímidas) adotadas por tais governos – que rotulam como “populistas”. Quando voltam ao poder, as elites apressam-se em reverter as poucas conquistas sociais alcançadas pelas maiorias. Continuar lendo

Gays palestinos, cansados de perguntas incômodas

Em resposta a campanha internacional lançada por Israel para se autopromover, eles afirmam: “não pode haver libertação sexual em meio ao apartheid”

Por Vinicius Gomes 

Israel é um refúgio seguro para homossexuais palestinos”? “Como vocês lidam com seu principal inimigo, o Islã”? Ativista gay na Cisjordânia, membro organização Al-Qaws (que significa “arco-íris” em árabe), o palestino Ghait Hilal dá-se ao trabalho responder estas peguntas, num texto recente, publicado por Eletronic Intifada e traduzido por Rebelión. Ele o faz de forma irônica e habilidosa. Embora viva numa sociedade conservadora, quer enfrentar uma campanha de desinformação lançada pelo governo de Telaviv há anos, para justificar a ocupação da Palestina sugerindo que que em Israel há liberdade sexual e de gênero.

Ao longo de oito respostaS, Hilal desfaz este mito. Às vezes, zomba das próprias questões: “o Muro do Apartheid está cheio de portas brilhantes cor-de-rosa, prontas para admitir aqueles que façam poses estupendas”, brinca ele. Em ouros, dispõe-se a enfrentar questões políticas complexas. Considera, por exemplo, que “os principais grupos LGTB do Norte [do planeta] querem fazer crer que os homossexuais vivem num muno à parte, conectados a suas sociedades unicamente como vítimas dda homofobia. Mas não se pode conqusitar a liberação homessexual enquanto existam o apartheid, o capitalismo e outras formas de opressão”.  Continuar lendo

Europa, recuperação bizarra

Desperate, but not that desperate.

Gregos estariam se auto-infectando com HIV para… sobreviver. Anos de “ajustes” devastam sociedades e não recuperam economias

Por Vinícius Gomes

Assim que descoberto, o dado chocou tanto que precisou ser desmentido. No começo da semana, jornalistas perceberam que um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), publicado há dois meses, revelava, sobre a Grécia (pág 112): “As taxas de HIV e uso de heroína cresceram significativamente; cerca de metade das novas infecções de HIV foram auto-infligidas, para permitir aos pacientes receber benefícios de 700 euros mensais e admissão mais rápida nos programas de subsitituição de drogas”. Horas depois, porta-vozes da OMS desmentiram a informação, atribuindo-a a um estranho “erro de revisão”.

Mas é duro tapar o sol com a peneira. Três anos depois de iniciados os programas de “austeridade” no Velho Continente, uma série de dados está demonstrando que a queda da qualidade de vida é mais dramática que se pensava. Além disso, não há sinais de recuperação das economias – um sinal de que o sacrifício irá se prolongar, a menos que haja revolta social. Eis alguns dados, elencados pelo jornalista Bernard Cassen, no site internacional Mémoire des Luttes: Continuar lendo

Metrô-SP, em crise, admite: trens abriram portas em movimento

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Após três meses de silêncio, empresa do governo paulista admite ocorrência, que considera “normal”. Matérias revelam sucessão de falhas, cada vez mais graves

Por Tadeu Breda, da RBA e Vinicius Gomes

A Companhia do Metropolitano de São Paulo admitiu, em nota enviada à reportagem na tarde de ontem (12), que duas composições do Metrô realmente abriram portas em movimento nos últimos dias 1º e 2 de novembro. E argumentou que é “normal” as portas se abrirem antes da imobilização completa do trem.

Ocultado pela empresa, o defeito foi denunciado por RBA e Outras Palavras na última quinta-feira (7), com base no relato de funcionários e no registro de falhas da própria companhia. Por isso, o Metrô não teve como negá-las. As panes aconteceram nas estações Pedro II e Belém, na Linha 3 Vermelha, e acometeram dois trens recém-reformados pelo consórcio MTTrens. As composições pertencem à chamada frota K, recordista em problemas. Continuar lendo