​Ideias para recuperar a autonomia

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 “Além do PT​”, que será lançado na quarta, 2 de novembro, argumenta que, ao ocupar poder, esquerda afastou-se dos dramas e lutas da população. Também sugere: forças populares precisam fortalecer lutas contrárias à ordem
​Por Tadeu Breda​
A manobra parlamentar que derrubou Dilma Rousseff em 31 de agosto não se tratou de um impeachment, como dizem seus articuladores dentro e fora do Congresso. Foi um golpe — que, no entanto, não representou uma mudança significativa no sentido do governo e da história brasileira. A ascensão de Michel Temer apenas acelerou e radicalizou políticas conservadoras que já vinham sendo adotadas pelo petismo.

Eis uma das principais ideias defendidas por Fabio Luis Barbosa dos Santos em seu ensaio Além do PT — A crise da esquerda brasileira em perspectiva latino-americana, que será lançado pela Editora Elefante no início de novembro. “Michel Temer é muito mais destrutivo do ponto de vista social, mas não podemos dizer que ele impôs uma mudança qualitativa aos rumos do Planalto”, argumenta o autor, que é professor de relações internacionais na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em Osasco.

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TEXTO-FIM

Jornadas de Junho: três anos da grande repressão

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Colaborador de “Outras Palavras” lança, hoje, livro sobre movimento que sacudiu país. Seu texto, um “manifesto narrativo”, parte da história do fotógrafo Sérgio Silva — que perdeu olho ao ser atingido por bala de borracha da PM


13 de Junho: 3 anos depois: Resistimos

O quê: Ato político-cultural e lançamento de Memória Ocular.
Três anos da repressão mais violenta às jornadas de junho de 2013. Três anos desde que o fotógrafo Sérgio Silva perdeu o olho esquerdo após ser atingido por bala de borracha.

Em 13 de junho de 2016, às 19h
Esquina da Rua da Consolação com Rua Maria Antonia, centro de São Paulo
Que mais: Microfone aberto, sarau, projeções, cerveja e livro a preço de custo
Facebook: https://www.facebook.com/events/647095235440527/

“A violência do Estado marca pra sempre: recordá-la não é olhar para o passado, mas para o futuro: falar sobre ela não é remoer o que já ocorreu, mas alertar sobre o que ainda pode acontecer — sobretudo na vida das vítimas”, considera Tadeu Breda, autor dos textos que compõem o livro Memória Ocular. A publicação traz ainda ilustrações de cinco desenhistas paulistanos.

O livro — um “manifesto narrativo”, segundo o autor — acompanha três fases da vida do fotógrafo Sérgio Silva depois de ter sido atingido por uma das 506 balas de borracha disparadas pela Polícia Militar em 13 de junho de 2013. São três textos, cada um escrito em um dos três anos que transcorreram desde o dia em que o rapaz teve o olho esquerdo destruído. Continuar lendo

Para entender a fundo os sentidos de Bem Viver

marchaindigena (1)Um dos pensadores mais empenhados em superar ideologia do “desenvolvimento” debate, em três cidades brasileiras, alternativas à lógica capitalista de estar no mundo para acumular

Por Tadeu Breda

Mais: veja tudo sobre o lançamento nesta página do Facebook

No final de janeiro, a Editora Autonomia Literária e a Editora Elefante lançam O Bem Viver – Uma oportunidade para imaginar outros mundos, escrito pelo político e economista equatoriano Alberto Acosta. Graças ao apoio da Fundação Rosa Luxemburgo, haverá três lançamentos: dia 26 de janeiro, em São Paulo; dia 27 de janeiro, no Rio de Janeiro; e dia 28 de janeiro, em Mariana-MG, palco do que talvez seja a maior catástrofe socioambiental da história do país. Todos os eventos contarão com a presença do autor.

Nascido em Quito em 1948, Alberto Acosta é um dos fundadores da Alianza País, partido que chegou à Presidência do Equador em 2007 após a vitória eleitoral de Rafael Correa. Foi ministro de Energia e Minas no primeiro ano de mandato, mas deixou o cargo para dirigir a Assembleia Constituinte que incluiu pela primeira vez em um texto constitucional os conceitos de plurinacionalidade, Direitos da Natureza e Buen Vivir. Continuar lendo

SP: Ecos de Junho na luta dos secundaristas?

4f18e0a6-9672-4f32-8c98-b70a54ed3a0b Protestos recuperam luta por serviços públicos, disposição de resistir e táticas desconcertantes que marcaram jornadas de 2013. Governo e PM mantêm mesma truculência

Por Tadeu Breda

Os estudantes secundaristas de São Paulo reeditaram o espírito mais profundo de junho de 2013, com aperfeiçoamentos táticos e estratégicos. A essência de junho foi a defesa intransigente do interesse público acima de qualquer conveniência partidária. É uma proposta puramente política, que disputa à unha o orçamento do Estado com o objetivo de dirigi-lo à satisfação dos direitos mais básicos da população. Em junho, era transporte. Dois anos e meio depois, educação.

Esse apego ao interesse público despreza as desculpas esfarrapadas do burocratismo governamental, que alega falta de verbas enquanto destina generosos recursos ao mercado financeiro e aos aparatos repressivos, por exemplo. Em junho, os manifestantes contrários ao aumento das tarifas de ônibus e metrô argumentaram que sim era possível manter o preço das passagens a R$ 3,00. As administrações estadual e municipal diziam que não. No fim, os jovens provaram estar certos: a destinação orçamentária é uma questão de prioridade. Continuar lendo

Metrô-SP: mais um passo para o caos

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Dias após grande transtorno, trem abre portas em movimento. Empresa prefere não investigar. Problema volta a envolver consórcio acusado de cartel 

Por Tadeu Breda, da Rede Brasil Atual

Em mais uma falha considerada “grave” por funcionários, um trem que opera na Linha 3-Vermelha do Metrô de São Paulo abriu portas em movimento por volta das 13h40 do último sábado (8). A informação foi repassada por metroviários que atuaram na ocorrência, e que preferem não se identificar para evitar represálias.

A composição conhecida como K24, pertencente à frota K, se aproximava da estação Palmeiras-Barra Funda, na zona oeste da capital, quando uma das portas do sexto carro abriu-se e fechou-se sozinha, inesperadamente e sem comando da cabine. O condutor percebeu a pane e aplicou freios de emergência, trafegando em velocidade reduzida até a plataforma.

Quando o trem parou e as portas se abriram para o desembarque de passageiros, uma usuária que havia presenciado o defeito procurou um funcionário do Metrô para questioná-lo sobre o que vira: “É normal que as portas se abram dentro do túnel?” Continuar lendo

Violência (2): “A origem do rojão”

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“É impossível defender uso de explosivos em manifestações. Mas a polícia agrediu tanto, e provocou tamanho ressentimento, que agora só um gesto dela poderá deter espiral de brutalidade”

Por Tadeu Breda

As imagens mostraram que foi um rojão – e não uma bomba de efeito moral – o que atingiu a cabeça e acabou matando o cinegrafista Santiago Andrade. Agora resta conhecer a origem do artefato. Culpado ou inocente, alguém será muito em breve preso e responsabilizado pelo crime, como tem que ser. Por isso, é melhor entender por quê alguns manifestantes levam explosivos para os protestos do que apenas crucificar quem acendeu o pavio. Vândalos, black blocs, baderneiros, arruaceiros, terroristas, infiltrados são expressões que dizem muito sobre quem as utiliza e pouco sobre as pessoas a quem pretendem se referir. E não ajudam a compreender as razões que estão levando cada vez mais cidadãos a reagir contra a violência policial, e com cada vez mais força, durante passeatas.

Qual é o papel da polícia nas manifestações? Segundo comandantes, secretários, governadores e ministros, a polícia está lá para garantir a lei, a ordem e a segurança dos manifestantes. Quem frequenta protestos sabe, porém, que a vocação prioritária dos policiais é tutelar a passeata. E reprimi-la na primeira oportunidade, conforme orientações superiores. Ninguém em sã consciência acredita que estará protegido por uma tropa que dali a alguns minutos possivelmente estará agredindo indiscriminadamente. A própria presença dos soldados inspira desconfiança. Todo brasileiro já sofreu – ou conhece alguém que sofreu – abuso policial. Desde uma agressão ou detenção descabida até má vontade no atendimento de uma ocorrência, passando por insinuações de suborno ou uma mera demonstração de pequeno poder. Continuar lendo

Metrô-SP à beira de tragédia

Metrô teve problemas nesta segunda-feira

Em ocorrência há uma semana, todas as portas de trem abriram-se sozinhas na estação. Fraudes na compra e manutenção de equipamentos já ameaçam vida dos usuários

Por Tadeu Breda, da RBA

A composição do Metrô de São Paulo que descarrilou no dia 5 de agosto, nas proximidades da estação Palmeiras-Barra Funda, na Linha 3 Vermelha, voltou a sofrer uma pane “grave” na última quarta-feira (2/10). A falha colocou novamente a vida dos usuários em risco. Por volta das 18h30, na estação Santa Cecília, também na Linha 3 Vermelha, o trem abriu sozinho todas as suas portas, em todos os vagões, de ambos os lados – inclusive do lado oposto da plataforma, onde se encontra o trilho energizado. A composição está recolhida desde então. A ocorrência não foi divulgada publicamente, mas está registrada nos sistemas de segurança da Companhia do Metrô. A informação foi obtida junto a fonte interna, que não pode se identificar por razões óbvias.

De acordo com funcionários, bastava que os vagões estivessem lotados, como costuma ocorrer, e as pessoas certamente cairiam à via, sujeitando-se a choques elétricos, lesões e atropelamentos. “O Metrô é uma companhia de muita sorte”, disseram metroviários ao tomarem conhecimento da ocorrência. Segundo eles, dessa vez o acaso voltou a ajudar porque a falha ocorreu enquanto o trem se deslocava no sentido Palmeiras-Barra Funda. Se estivesse na direção contrária, encaminhando-se ao terminal Corinthians-Itaquera, dizem, estaria abarrotado e o desfecho seria diferente. Continuar lendo

Metrô-SP: cartel forneceu trens com alto índice de falhas

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Levantamento demonstra: embora novas, composições vendidas em concorrência manipulada quebram quatro vezes mais que as de trinta anos e alimentam caos no transporte público

Por Tadeu Breda* e Vinícius Gomes**


Atualização em 21/3/2014:

Menos de dois meses após uma paralisação de cinco horas na Linha Leste-Oeste (em 4/2), o metrô de São Paulo voltou a viver hoje um situação de caos. Falha ainda não identificada praticamente paralisou o trecho Norte da linha Norte-Sul, entre 6h e 10h20. Viagens que normalmente demorariam dez minutos arrastaram-se por quarenta. Formaram-se aglomerações em todas as estações.

Há nexo claro entre a crise de manutenção do sistema e os sinais de corrupção na Companhia do Metrô e no governo paulista, investigados pela Polícia Federal e Cade. Conhecido, por décadas, pela excelência de seus serviços, o transporte metroviário de São Paulo entrou em decadência abrupta há alguns anos, desde que os trens e a manutenção passaram a ser fornecidos por empresas acusadas de formar cartel e pagar propina a governantes.

Um dos focos de problemas está na chamada Frota K, à qual pertence o trem (K07) que causou caos em fevereiro. Os 19 trens que a compõem a frota fabricados nas décadas de 1970 e 80. Sua reforma, a partir de 2011, está marcada por contratos obscuros com um cartel privado. A operação acaba de ser interrompida, por exigência do Ministério Público.

Mas os transtornos perduram. Como mostra a matéria a seguir, a Frota K apresenta quatro vezes mais falhas que todas as demais — e algumas delas são gravíssimas, envolvendo abertura de portas com trens em movimento. Além de oferecer serviço cada vez mais inconstante, o Metrô-SP parece estar sob risco de um acidente grave. Mas o governo de São Paulo prefere atacar os usuários. Tem a cobertura da velha mídia, que se recusa a investigar sinais evidentes de desmantelamento de sistema que há poucos anos era tido como exemplar — e é cada vez mais indispensável para São Paulo (A.M.)
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Surgiu o primeiro sinal de que a série de fraudes que contaminou as concorrências do metrô paulista são parte do caos vivido todos os dias por milhões de usuários. Levantamento realizado por funcionários da Linha 3 Vermelha do metrô de São Paulo, com base no registro oficial de falhas do sistema, mostra que trens recentemente adquiridos ou reformados pelo governo do estado junto a empresas acusadas de formação de cartel apresentam problemas técnicos em frequência até quatro vezes maior que as composições antigas, com cerca de 30 anos de uso. Algumas das novas aquisições do metrô chegam a registrar média de 35 defeitos por dia. Os dados são preliminares. Foram levantados por trabalhadores impressionados com as constantes quebras e acidentes envolvendo estes carros. Diante dos dados, é essencial que a Companhia do Metropolitano apresente as estatísticas oficiais sobre falhas – que possui mas, até o momento, não disponibiliza.

Os números são resultado da análise do histórico de oito dos cerca de 50 trens que operam no trecho leste-oeste da malha metroviária paulista, e foram obtidos após consulta a um sistema conhecido como S-GUT, que registra informações sobre todas as composições do metrô, tais como localização, quilômetros rodados, tempo de operação e número de problemas técnicos denunciados pelos condutores. O S-GUT pode ser acessado a partir de computadores conectados à rede da empresa, mas apenas permite visualização dos dados na tela. As informações não podem ser gravadas. Por isso, a contagem de falhas teve que ser realizada manualmente. Continuar lendo

Em crise de manutenção, Metrô-SP põe trens com falhas para circular

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Registros produzidos por condutores mostram que empresa ignora problemas de segurança em composições da mesma frota cujo trem descarrilou no início de agosto

Por Tadeu Breda

Voltaram se agravar, semana passada, os sinais de problemas crescentes na manutenção do metrô de São Paulo e de riscos concretos à segurança dos usuários. A Companhia do Metropolitano (Metrô)  ignorou falhas apontadas por funcionários e colocou em circulação, na noite da última sexta-feira (23), pelo menos um trem com defeito na Linha 3 Vermelha. A “solução” teria sido adotada para contornar um desfalque de sete composições no trecho, todas afastadas por problemas técnicos. Registros no diário de condutores e telas de monitoramento do sistema metroviário revelam ainda que, na semana passada, dois trens da chamada frota K foram retirados e recolocados em circulação pelo menos seis vezes em cinco dias – também devido a falhas.

A frota K possui 25 composições, que estão sendo reformadas desde 2010 pelo consórcio MTTrens, formado pelas empresas MPE, Temoinsa e TTrens – esta última envolvida nas denúncias de cartel em conluio com governos tucanos em São Paulo. Pertence a essa frota a composição que descarrilou na manhã do dia 5 de agosto, nas proximidades da estação Palmeiras-Barra Funda, na Linha 3 Vermelha. Havia passageiros, mas, felizmente, ninguém se feriu. Segundo o Sindicato dos Metroviários, o acidente foi provocado pela ruptura de uma peça chamada “truque” ou “truck”, termo técnico que designa o sistema composto por rodas, tração, frenagem e rolamentos do trem.
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Descarrilamento: Metrô-SP evita apuração transparente

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Apenas comissão da chefia apura um dos acidentes mais graves do sistema. Excluídos, funcionários afirmam que vida dos passageiros esteve em risco, e denunciam falhas crônicas na manutenção

Por Tadeu Breda* e Vinicius Gomes**

A Companhia do Metropolitano (Metrô) de São Paulo recusou-se a prestar esclarecimentos aos trabalhadores da empresa sobre o descarrilamento ocorrido no último dia 5 de agosto na Linha 3 Vermelha, perto das 11h, nos arredores da estação Palmeiras-Barra Funda, zona oeste da capital. No mesmo dia, e nos seguintes, representantes dos funcionários em pelo menos três Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (Cipa) solicitaram a realização de uma reunião extraordinária para tratar especificamente do caso. As requisições, porém, apesar de estarem amparadas pela legislação, foram repetidamente ignoradas pela chefia.

O descarrilamento do dia 5 fora provocado pela ruptura do “truque” ou “truck”, termo técnico que designa o sistema composto por rodas, tração, frenagem e rolamentos do trem, e que fica em contato direto com os trilhos. A composição danificada é identificada internamente como K07, por ser o trem número 7 da frota conhecida como K, recentemente reformada pelo consórcio MTTrens – composto pelas empresas TTrans, MPE e Temoinsa. O contrato da MTTrens com o Metrô foi assinado em 2009 e é um dos quatro de um pacote de modernização das composições em circulação nas linhas 1 Azul e 3 Vermelha, cujo valor totaliza R$ 1,8 bilhão. O acordo com a MTTrens abrange 25 trens do ramal leste-oeste do sistema metroviário paulistano. Continuar lendo