A dura — e indispensável — construção dos Comuns

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Claramente anticapitalista, ideia de proteger das lógicas de mercado cada vez mais aspectos da vida precisa tornar-se popular. Como fazê-lo?

Por Georgia Nicolau

Entre os dias 10 e 14 de julho deste ano participei da 16ª Conferência Bienal da Associação Internacional para os Estudos do Comum (International Association for the Study of the Commons- IASC) cujo tema, este ano, era “Praticando os Comuns – auto-governança, cooperação e mudança institucional”. Com sedes rotativas, o evento deste ano aconteceu na cidade universitária de Utrecht, na Holanda, e teve como organizadores, além da própria IASC, a Universidade de Utrecht e seus programas de pesquisa Instituições para Ação Coletiva e Instituições para Sociedades Abertas.

Sendo parte da construção do Instituto Procomum, desde ano passado, ando debruçada em textos e reflexões sobre os comuns (os commons, em inglês, e procomún ou común em espanhol). Nesse sentido, a ida à Conferência da IASC foi uma experiência bastante rica para reafirmar algumas ideias surgidas a partir das nossas imersões e conversas, como por exemplo de que o comum ainda é uma agenda, um conceito, bastante ligado à pesquisa acadêmica. Mas temos, cada vez mais, praticantes e comunitários envolvidos nesse debate (os comuneiros). O comum ainda é muito identificado à gestão e governança de recursos naturais (rios, florestas, agricultura). Além disso, percebi que não se trata de um conceito que finda em si mesmo, mas uma lente, um enquadramento possível para compreender o mundo. Abrange, portanto, uma série de pessoas, grupos e pesquisadores atuando nos mais variados campos, os quais, de alguma forma, propõem formas de governança coletiva de um bem seja para preservá-lo, geri-lo ou construí-lo.

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Oficina: o ativismo dos acionistas rebeldes

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Em diversos países, os atos das grandes corporações estão sendo denunciados nas próprias assembleias de acionistas. Vamos fazê-lo também no Brasil


Roda de Conversa com Christian Russau
Sexta-feira, 15/9, às 19h30, em Outras Palavras

Rua Conselheiro Ramalho, 945 – Bixiga – S.Paulo (mapa) – Metrô S. Joaquim ou Brigadeiro)
Confirme presença aqui

Muito mais que os governos, as grandes corporações são hoje o verdadeiro poder global. É preciso enfrentá-las de várias formas – em especial as surpreendentes. Outras Palavras convida para uma oficina sobre nova forma de ativismo: o dos acionistas críticos e rebeldes.

Nesta sexta-feira, em nossa redação em São Paulo, o jornalista e ativista alemão Christian Russau coordenará oficina de introdução sobre o tema. Christian é, em seu país, referência nesta forma de ativismo. Comparece, todos os anos, a assembleias de grandes empresas como a Siemens, Volkswagen, Thyssenkrupp, Bayer (que está adquirindo a Monsanto). Faz denúncias. Exige explicações e documentos. Suas descobertas e falas alimentam novas ações. Continuar lendo

Arte e conhecimento nas bordas da metrópole

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7º Encontro Estéticas da Periferia oferece, a partir de amanhã, uma semana de atividades artísticas e debates que têm como protagonistas 33 coletivos, de 17 territórios de São Paulo

Trinta anos de Racionais MC’s. Vinte anos do Samba na Laje. Vinte anos da literatura de Ferrés. As manifestações artísticas das periferias têm muito a comemorar em 2017, e vão fazer barulho a partir desta sexta-feira, 25 de agosto, com a abertura do Encontro Estéticas da Periferia no Auditório do Ibirapuera. Além desses artistas, o Encontro homenageia a Agenda Cultural da Periferia – um guia da arte urbana e periférica que completou 10 anos em maio passado, luta pela sobrevivência e marca a efervescência cultural das bordas da metrópole.

“O Encontro chega à sua sétima edição como um arco-íris em meio à tempestade. A arte que resiste e insiste em se manifestar apesar de tanta brutalidade”, afirmam os organizadores.

Idealizado pela ONG Ação Educativa, o Estéticas das Periferias mobiliza diversos espaços culturais em todas as áreas dos fundões da capital paulistana – de sul a norte – por uma semana. O experimentalismo artístico marca a programação, que é construída colaborativamente por 33 coletivos (entre eles Ação Educativa, Amigas do Samba, Batekoo, Bodega do Brasil, Capão Cidadão, Clariô, Coletivo Ocupa, Cia. Decálogo Jalc, Espaço Comunidade, Espaço Cita, Hip Hop Mulher, Imargem, Instituto Cultural Dandara, Instituto Pombas Urbanas – Cooperativa de Artistas, Levante Mulher, Museu do Futebol, Ocupação Hip Hop, Perifatividade, Periferia em Movimento, Poetas do Tietê/Cena Norte, São Mateus em Movimento, Slam da Guilhermina, Terreiro de Bamba, Umojá, UNAS) e conta este ano com mais de 100 atrações em toda a periferia e região central.

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Uma vigília em favor de Rafael Braga

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Hoje, no Rio de Janeiro e em São Paulo, atos exigem liberdade para catador que é símbolo do racismo do sistema penal brasileiro

Por Douglas Belchior e Campanha pela Liberdade de Rafael Braga

Nesta terça-feira, dia 01/08, será julgado o Habeas Corpus de Rafael Braga na 1º Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Rafael foi condenado em 20 de abril de 2017 pelo juiz Ricardo Coronha Pinheiro a 11 anos e três meses de reclusão e ao pagamento de R$ 1.687,00. No dia 1º de junho a defesa entrou com pedido de Habeas Corpus para que Rafael aguarde a apelação da sentença em liberdade.

A Frente Alternativa Preta e a Campanha 30DiasPorRafaelBraga organiza um ATO-VIGÍLIA na noite desta segunda, dia 31 de Julho, a partir das 18h, nas escadarias do Teatro Municipal de SP, exigindo a liberdade de Rafael. No Rio de Janeiro e Distrito Federal também haverá Vigílias. Continuar lendo

Crise: há alternativas, além dos partidos?

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Rede de organizações da sociedade civil prepara, em agosto, grande seminário sobre a construção de um novo projeto de país

Por Inês Castilho

Um momento de reflexão coletiva sobre as crises, as resistências e as alternativas para o Brasil, na visão de organizações populares do campo e da cidade. Esse é o objetivo do seminário nacional “A agenda das resistências e as alternativas para o Brasil: Um olhar desde a sociedade civil”, que acontece em São Paulo de 16 a 18 de agosto. A organização é da Abong – Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais, Iser Assessoria,  Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), Centro de Assessoria Multiprofissional (Camp),  Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil e Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese).

“Será uma oportunidade para reunir movimentos e diversidade. Esta atividade está articulada com todos os processos que as frentes [Frente Brasil Popular, Frente Povo Sem Medo e Frente pelas Diretas Já] vêm fazendo. Pretendemos reconstruir uma estratégia de enfrentamento”, afirma Mauri Cruz, diretor executivo da Abong.

Entre os temas sobre as resistências estão, entre outros, a agricultura urbana e o Bem Viver (pela FASE Amazônia, Instituto Polis e RUA/BH), práticas agroecológicas e bens comuns (pela Articulação Nacional de Agroecologia — ANA), os corpos políticos das mulheres nas cidades (pela Frente Nacional contra a criminalização das Mulheres e pela legalização do aborto), a luta contra o extermínio das juventudes (pela Coalizão Nacional das Juventudes) e a diáspora dos povos de matriz africana (pela Frente de Defesa dos Povos de Matriz Africana). Continuar lendo

Contra as florestas no mercado de carbono

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Floresta amazônica

Organizações e movimentos sociais denunciam falsa solução à crise do clima e defendem posição histórica do Brasil, agora ameaçada

A inclusão das florestas em mecanismos de compensação de carbono (offsets), que possibilitam a indivíduos e empresas investir em projetos ambientais para descontar de suas próprias pegadas de carbono, coloca em risco a integridade ambiental do país e do planeta, ameaça o cumprimento das responsabilidades históricas de países desenvolvidos e o Acordo de Paris. São um jogo de soma zero, pois o que se reduz por meio da não-emissão florestal é emitido em outro setor – sem benefício à redução de emissões.

Essa a visão de mais de cinquenta organizações e movimentos sociais, povos indígenas e comunidades tradicionais brasileiras que assinam carta contra essa falsa solução à crise climática, que hipoteca o futuro de populações que já nascerão destituídos de soberania sobre seus bens comuns.

A carta abaixo, dirigida ao ministro Sarney Filho, foi protocolada dia 15.07 no Ministério de Meio Ambiente e na Subsecretaria-Geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do Itamaraty.

Carta em defesa da posição histórica do Brasil sobre offsets florestais

Ao longo dos 23 anos de existência da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, muitas propostas surgiram como solução à crise climática. A inclusão das florestas em mecanismos de compensação de carbono (offsets) é uma dessas. Desde que as primeiras propostas sobre o tema foram apresentadas, inúmeras organizações e movimentos sociais, ONGs, representantes de povos indígenas, povos e comunidades tradicionais no Brasil e no mundo vêm apontando preocupações e denunciando o que se convencionou em chamar de falsa solução à crise do clima.

No atual contexto das negociações internacionais e da conjuntura nacional, alguns atores têm usado o momento de negociação de implementação do Acordo de Paris, a crise política e a turbulência econômica pela qual o país e o mundo passam como pretexto para demandar medidas a favor de offsets. As organizações signatárias desta carta vêm tais proposições com preocupação, e defendem a manutenção do posicionamento histórico do Brasil contra offsets florestais, concordando que qualquer mudança nesse sentido colocaria em risco a integridade ambiental do país e do planeta, além do cumprimento das responsabilidades históricas por parte de países desenvolvidos, e a arquitetura do Acordo de Paris.

Por que os offsets florestais são uma falsa solução?

1. Apresentam uma falsa equivalência entre o carbono proveniente dos combustíveis fósseis, que está acumulado debaixo da terra, e aquele que é acumulado pelas florestas. A capacidade que árvores e ecossistemas têm de remover e fixar carbono da atmosfera é muito mais lenta que o ritmo de emissões quando se queimam combustíveis fósseis, e o carbono acumulado em florestas é vulnerável a desmatamentos e queimadas.
2. Servem como incentivo para países segurarem a ambição de seus compromissos. O Acordo de Paris é baseado em compromissos nacionais determinados voluntariamente por cada governo, e só cortes de emissões que vão além desses compromissos poderiam ser comercializados em mercados de offsets. Com offsets, quanto mais baixos fossem os compromissos nacionais, mais sobraria para vender, criando um estímulo para a baixa ambição.
3. Não trazem benefício adicional para a redução de emissões, porque é um jogo de soma zero. Nunca são reduções efetivas, pois o que há é a compensação. O que se reduz por meio da não emissão florestal continua sendo emitido em outro setor.
4. Transferem a responsabilidade que deveria ser de setores que vêm contribuindo para a crise climática para quem sempre protegeu as florestas: povos indígenas, populações tradicionais, agricultores familiares e camponeses.
5. Aprofundam e geram novas formas de desigualdades, já que quem tem dinheiro e poder pode pagar e continuar emitindo sem fazer a sua parte. O conceito de poluidor-pagador, criado inicialmente para pressionar os países e setores a reduzir sua poluição, é capturado por quem pode continuar poluindo desde que pague por isso.
6. Hipotecam as florestas para cumprir as dívidas de venda de créditos de redução de emissões. Para isso, são firmados compromissos de décadas, que implicam também na hipoteca do futuro de milhares de pessoas que já nascerão sem que o Estado e os povos em seus territórios possam ter a soberania sobre qual política e ações poderão ser criadas para a proteção e uso de seus bens comuns.
7. Abrem espaço para governos e outros atores tirarem o foco das discussões da redução da queima de combustíveis fósseis, que representam cerca de 70% do total mundial das emissões de gases de efeito estufa – e ainda em trajetória de crescimento – para as florestas.
8. Tiram o foco do enfrentamento aos reais problemas florestais nacionais promovidos por grupos de interesse que querem enfraquecer as políticas de proteção florestal no país, e ainda alimentam o discurso de quem quer solapar a legislação ambiental brasileira.

No âmbito internacional, há pelo menos duas décadas a posição negociadora brasileira na convenção tem sido caracterizada pela rejeição da inclusão das florestas em mecanismos para compensar as emissões de gases de efeito estufa lançadas na atmosfera por setores como energia e transporte.

No âmbito nacional, vemos uma conjuntura de retrocessos nas leis e políticas que garantem a proteção dos direitos territoriais e do meio ambiente. No meio dessa crise e ofensiva, retorna o discurso de que a compra e venda de carbono florestal seria uma solução para o enfrentamento do desmatamento que vem crescendo e para a captação e recebimento de recursos necessários para vigilância e monitoramento. Isso vem aliado a esforços para reconfigurar a Comissão Nacional para REDD+ (CONAREDD+) e o Fundo Amazônia de forma que também abririam espaço a offsets. Por mais que o discurso pareça atraente, os argumentos acima mostram que se trata da defesa de uma falsa solução, voltada a beneficiar um pequeno grupo de atores (aqueles que continuariam emitindo gases de efeito estufa ou receberiam recursos mobilizados), mas traria graves consequências para o Brasil e o mundo.

Não podemos desviar a atenção das verdadeiras soluções e das políticas necessárias de enfrentamento à crise climática.

Por isso, demandamos a manutenção do posicionamento histórico brasileiro contra offsets florestais.

Assinam:
Amigos da Terra Brasil
Alternativas para Pequena Agricultura no Tocantins – APA-TO
Articulação de Mulheres Brasileiras – AMB
Articulação Nacional de Agroecologia – ANA
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB
Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo – APOINME
Associação Agroecológica Tijupá
Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia – AOPA
Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural – AGAPAN
Cáritas Brasileira
Central de Movimentos Populares – CMP
Central Única dos Trabalhadores – CUT
Centro de Apoio a Projetos de Ação Comunitária – CEAPAC/Santarém/PA
Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará – CEDENPA
Conselho Indigenista Missionário – CIMI
Comissão Pastoral da Terra – CPT
Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares – CONTAG
Conselho Nacional dos Seringueiros – CNS
Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas – CONAQ
Engajamundo
Fórum da Amazônia Oriental – FAOR
Fase – Solidariedade e Educação
Fórum Brasileiro de Segurança e Soberania Alimentar e Nutricional – FBSSAN
Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense – FMAP
Fórum Mudanças Climáticas Justiça Social – FMCJS
Greenpeace Brasil
Grupo Carta de Belém
Iniciativa Internacional da Carta da Terra (Leonardo Boff)
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas – IBASE
Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC
Instituto de Políticas Alternativas para o Conesul – PACS
Jubileu Sul Brasil
Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
Movimento de Mulheres Camponesas – MMC
Marcha Mundial das Mulheres – MMM
Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
Núcleo de Estudos e Pesquisas em Desastres – NEPED/UFSCar
Pastoral da Juventude Rural – PJR
Rede Ecovida de Agroecologia
Sempreviva Organização Feminista – SOF
Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Belterra – STTR/Belterra
Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Santarém – STTR/STM
Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Mojuí dos Campos – STTR-MC/PA
Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Alenquer – STTR/ALQ
Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos – SDDH
Sociedade Civil da Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais – CNPCT
Terra de Direitos
350.org
Via Campesina Brasil
Vigência!

Em defesa da Universidade do Mercosul

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Retrocesso político coloca em risco a Unila, voltada ao intercâmbio cultural, científico e educacional da América Latina. É possível resistir

Uma petição pública em defesa da Universidade de Integração Latino-americana (Unila), mais conhecida como Universidade do Mercosul, foi dirigida ao Congresso contra a emenda do deputado Sergio Souza (PMDB-PR), que a transforma na Universidade Federal do Oeste do Paraná. A medida acabaria com o projeto acadêmico e político da Unila, de integração com nossos vizinhos, já que prevê paridade de professores e alunos com Paraguai, Bolívia, Argentina e outros países da AL.

“Nosso movimento tem o objetivo de defender a manutenção da Lei de Criação da Unila, sua identidade original e sua missão, que é formar sujeitos aptos a contribuir com a integração latino-americana, com o desenvolvimento regional e com o intercâmbio cultural, científico e educacional da América Latina”, afirma a petição, lembrando que a Constituição brasileira estabelece que o país “buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações”.

“A missão da Unila é a de contribuir para o avanço da integração da região, com uma oferta ampla de cursos de graduação e pós-graduação em todos os campos do conhecimento abertos a professores, pesquisadores e estudantes de todos os países da América Latina”, afirma a instituição em seu site. “Como instituição federal pública brasileira pretende, dentro de sua voca­ção transnacional, contribuir para o aprofundamento do processo de integração regional, por meio do conhecimento compartilhado, promovendo pesquisas avançadas em rede e a formação de recursos humanos de alto nível, a partir de seu Instituto Mercosul de Estudos Avançados (IMEA), com cátedras regionais nas diversas áreas do saber artístico, humanístico, científico e tecnológico.”

A América Latina engloba 21 países: Argentina, Belize, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.

A disputa que não aparece em sua tela

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Vigilância, controle da informação, novos monopólios Minissérie de vídeos expõe os riscos a que está submetida a Internet. Assista, neste sábado, a dois episódios e um debate


“EXPLOIT”, EPISÓDIOS 2 E 3, SEGUIDOS DE DEBATE
Com Rafael Zanata e Marina Pita
Sábado, 1º/7, às 18h
Rua Conselheiro Ramalho, 945 — Bixiga — S.Paulo — Metrô S.Joaquim ou Brigadeiro (mapa)
Grátis

Uma guerra silenciosa acontece longe dos PCs, laptops e dispositivos móveis que usamos diuturnamente, e seu resultado interfere diretamente em nossas vidas, online e offline. Este é o tema da minissérie XPLOIT: Internet Sob Ataque, realizada pelos coletivos Actantes/TVDrone em associação com a Fundação Heinrich Böll e apoio da Rede TVT. A série prevê temporada com seis episódios, três deles já disponíveis no youtube.

Com entrevistados como Richard Stallman, cocriador do sistema GNU, James Bamford, jornalista do The New York Times, a advogada Flávia Lefèvre, a jornalista Bia Barbosa, a cientista social Esther Solano e o sociólogo e ciberativista Sérgio Amadeu da Silveira, a série introduz o espectador nas disputas políticas e econômicas com resultados que terão impacto direto em nossos direitos essenciais, dentro e fora do mundo digital. O evento apresentará os dois episódios mais recentes, seguidos de debate com a jornalista Marina Pita e o advogado Rafael Zanata, ambos personagens da web-série.

O episódio 3, “Colonialismo 2.0”, observa que a internet é tratada como um espaço de conhecimento e inovação democrático e distribuído desde o seu surgimento, mas que sua existência conta com uma estrutura física concentrada no chamado Norte global – principalmente nos EUA. Está, portando, sujeita às suas leis políticas e econômicas, em detrimento de uma suposta soberania ou independência que estados, empresas e usuários, fora desse Norte, imaginam desfrutar.

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Lembrança dos ventos no fundo do mar

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A atmosfera é uma camada tão fina que um sopro pode fazê-la desaparecer. A vida é grandiosa, mas mais precária do que lembramos todos os dias. Porque somos tão [email protected]….

Nota de Patrícia Cornils

Coisas do mundo… A primeira vez que me dei conta de que venta no fundo do mar foi quando estava mergulhando ao lado de um atol e, numa rachadura na parede de coral por onde a água entrava, ficamos nos segurando nas pedras do chão e sentindo, como bandeiras estendidas, que ela vinha em rajadas. “A água é como o vento!!”, eu sentia, conforme as rajadas nos empinavam e depois… paravam. Lindo, como um silêncio no movimento. Se eu nunca tivesse lido A Luz é Como a Água, um conto maravilhoso do Garcia Márquez, talvez não tivesse conseguido formular isso tão claramente.

Daí outro dia li este poema da Emily Dickinson (desculpem a má tradução):

I think that the Root of the Wind is Water —
It would not sound so deep
Were it a Firmamental Product —
Airs no Oceans keep —
Mediterranean intonations —
To Current’s Ear —
There is a maritime conviction
In the Atmosphere.

Acho que a Raiz do Vento é Água —
Ele não soaria tão profundo
Fosse um Produto do Firmamento —
Ares não soam Oceanos —
Toadas Mediterrâneas —
A Ouvidos de todo dia —
Há uma convicção marítima
na Atmosfera.

A primeira vez que me dei conta com clareza de como a Terra é frágil foi ao entrevistar Mark Shuttlewoth, criador do Ubuntu, milionário da internet que usou parte de sua fortuna para se tornar o primeiro civil a viajar até a Estação Espacial. A conversa era sobre tecnologia mas no final não resisti. Queria falar sobre o que importa… “Como é a Terra vista de lá?. É mesmo azul?”, foi o que consegui perguntar. “A atmosfera é uma camada tão, mas tão fininha, que parece que um sopro pode fazê-la desaparecer.” A vida é grandiosa mas mais precária do que lembramos todos os dias. Porque somos tão [email protected]….

“Mulher do pai” e o lugar da mulher no cinema

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Outras Palavras e Coletivo Elviras debatem, nesta segunda-feira, um filme instiga a refletir sobre o papel feminino no audiovisual brasileiro, e a necessidade de ampliá-lo


Cinedebate
MULHERES NO CINEMA
Com exibição do makig of de “Mulher do Pai”
Presença de Cristiane Oliveira (diretora), Heloisa Passos (diretora de fotografia), Samanta do Amaral (colorista) e Isabel Whittmann (do coletivo Elviras)

Segunda-feira, 12/6, às 19h
Rua Conselheiro Ramalho, 945 — Bixiga — S.Paulo (veja mapa) — Metrô S.Joaquim (700m) ou Brigadeiro (1km)
Grátis — Veja página do evento para detalhes e compartilhar

Primeiro longa de Cristiane Oliveira, Mulher do Pai estreia dia 22 de junho. É um filme encabeçado por mulheres e com uma temática feminina muito presente no roteiro. Protagonizado por Maria Galant e Marat Descartes, o filme conta a trajetória da adolescente Nalu, que, após a morte da avó, precisa cuidar de seu pai cego, mas, ao mesmo tempo, vive o dilema entre ser tecelã como a avó ou buscar uma nova vida longe da comunidade.

Outras Palavras, em parceria com a equipe do longa Mulher do Pai e do Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema apresentam o Cinedebate Mulheres no Cinema, com exibição do Making Of de 23 minutos do filme. No debate, estarão presentes Heloisa Passos, diretora de fotografia e integrante da Associação Brasileira de Cinematografia e do Coletivo das diretoras de Fotografia do Brasil, Samanta Do Amaral, colorista e integrante do Coletivo das diretoras de Fotografia do Brasil, Cristiane Oliveira, roteirista e diretora, Isabel Wittmann, do Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema e do podcast Feito Por Elas. Continuar lendo