Por que precisamos da criptografia

1500x500Em tempos de vigilância e controle, cresce interesse pela CryptoRave — evento anual que difunde técnicas e ferramentas para garantia de privacidade. Festival ocorrerá em 5 e 6/5, em SP

Por Marina Pita


CryptoRave
5 e 6 de maio
Casa do Povo – Rua Três Rios, 252 – Bom Retiro, São Paulo – Metrô Tiradentes
Saiba mais: cryptorave.org

O avanço tecnológico permitiu o avanço da vigilância em massa a um baixo custo. Suas pesquisas na internet, praticamente seus pensamentos – e não apenas a comunicação entre duas pessoas – estão sendo registrados em enormes bancos de dados. As movimentações, as formas de teclar, as formas de navegar em telas touch. Tudo armazenado. Mesmo na América Latina, onde os governos têm menos recursos e nem tanta tradição em agências de espionagem, as compras de tecnologia para fins de vigilância aumentam, ao mesmo tempo em que avançam iniciativas de proibição e criminalização da criptografia. Este cenário é ainda mais complexo se considerarmos que grande parte da população não tem capacidade de lidar com questões tecnológicas básicas e mal consegue alterar as configurações de privacidade básicas de dispositivos eletrônicos e redes sociais.

O relatório Latin America in a Glipse 2016, da organização Derechos Digitales, salienta esta tendência. No Brasil, a realização de eventos esportivos foi o pretexto para a aquisição de equipamentos e softwares de vigilância maciça que se transformaram nas “salas de controle operacional”, exigência da Fifa. No México, o governo pagou US$ 15 milhões de dólares no software de vigilância Pegasus. No Peru, um plano estatal de interceptação de comunicações foi iniciado em 2015. O governo pagou US$ 22 milhões à Verint por um software capaz de interceptar chamadas telefônicas, mensagens de texto, e-mails, chats e histórico de navegação da Web.

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Cem dias sem políticas para mulheres em SP

ASSINATURA DO TERMO DE ADESÃO AO PROGRAMA “MULHER, VIVER SEM VIOLÊNCIA” DATA:26/08/2013 – segunda-feira HORA:	11h00 LOCAL:	Rua Vergueiro, 1000 - Paraíso Centro Cultural São Paulo – Sala Adoniran Barbosa ROTEIRO 	10h30	?	Chegada dos convidados. 11h00	?	Chegada do Exmo. Sr. FERNANDO HADDAD, Prefeito de São Paulo e Dra. ANA ESTELA HADDAD, recebidos pela Sra. DENISE MOTTA DAU, Secretária Municipal de Políticas Para as Mulheres. 	 	11h00	?	Chegada do Exmo. Sr. GERALDO ALCKMIN, Governador do Estado de São Paulo. 	 		?	Encaminhamento para a Sala Vip. 	 		?	Composição de palco. Início da cerimônia. 	 		?	Palavras da Sra. DENISE MOTTA DAU, Secretária Municipal de Políticas Para as Mulheres. 	 		?	Palavras da Sra. ELOISA DE SOUZA ARRUDA, Secretária de Estado da Justiça e Defesa da Cidadania. 	 		?	Palavras da Sra. DANIELA SOLLBERGER CEMBRANELLI, Defensora Pública Geral do Estado de São Paulo. 	 		?	Palavras do Sr. MÁRCIO FERNANDO ELIAS ROSA, Procurador-Geral de Justiça do Estado de São Paulo. 	 		?	Palavras do Exmo. Sr. FERNANDO HADDAD, Prefeito de São Paulo. 	 		?	Palavras do Sr. Desembargador IVAN RICARDO SARTORI, Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. 	 		?	Palavras do Sra. ELEONORA MENICUCCI, Ministra-chefe da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. 	 		?	Assinatura dos documentos: “Termo de Adesão do Programa Mulher, Viver Sem Violência” e “Pacto Nacional pelo Enfrentamento da Violência Contra a Mulher”. 	 		?	Palavras do Exmo. Sr. GERALDO ALCKMIN, Governador do Estado de São Paulo.

Em 2013, prefeitura e governo de São Paulo anunciam instalação da Casa da Mulher Brasileira. Até hoje não começou a funcionar

Vai e vem de notícias sobre Casa da Mulher Brasileira, na gestão Dória, sugere falta de preocupação com necessidades de políticas de atendimento que visem equidade de gêneros

Por Rachel Moreno

Estranhamente, em 22/03/2017, publica-se uma foto e matéria, em que se acertam “os detalhes finais” para o funcionamento da Casa da Mulher Brasileira de São Paulo que, segundo a prefeitura, “está na reta final para entrar em funcionamento”, com 90% da obra concluída.

A secretária de Políticas para as Mulheres (SPM/MDH), Fátima Pelaes, teria se reunido com o prefeito de São Paulo, João Dória, para acertar a contratação dos serviços e manutenção para finalizar a obra.

Denise Motta Dau, a Secretária de Políticas para Mulheres da gestão Fernando Haddad, já tinha informado que, a pedido do João Dória, teria assinado em janeiro de 2017, os documentos necessários para que a Prefeitura de S. Paulo recebesse os recursos destinados à Casa da Mulher Brasileira.

A Casa, segundo todas as pessoas que tiveram oportunidade de visitá-la, está pronta e linda. Continuar lendo

Parque Augusta: mais um ato na luta pelas cidades

Mobilização de longa data: festa popular no Parque Augusta, em dezembro de 2013

Mobilização de longa data: festa popular no Parque Augusta, em dezembro de 2013

Movimentos sociais convocam população de São Paulo para manifestar-se, em 18/4, em defesa das reminiscências de Mata Atlântica no centro da metrópole
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MANIFESTAÇÃO EM 18 DE ABRIL:
Concentração: 12h no Parque Augusta, esquina rua Augusta com rua Caio Prado.

Saída: 13h rumo ao Palácio da Justiça,Viaduto Dona Paulina, 80

No dia 18 de abril de 2017, no Palácio da Justiça, ocorrerá a 4° audiência pública de conciliação sobre o Parque Augusta, em São Paulo. É uma nova tentativa entre os diferentes atores dessa disputa (movimentos, população, prefeitura e empresas) de chegar a um consenso sobre o destino da última área verde do centro metropolitano de São Paulo.

Essa audiência é parte da Ação Civil Pública aberta pelo Ministério Público (MP) de São Paulo onde é exigida a devolução da área verde para a cidade de São Paulo e a cobrança de R$ 500 milhões em multas das empresas Setin e Cyrela, pelo fechamento ilegal do parque para a população.

O desejo popular é que a juíza que analisa hoje a ação, Maria Gabriella Pavlópoulos Spaolonzi, condene as empresas Setin e Cyrela a devolverem o Parque Augusta e a pagarem a indenização milionária para a cidade.

Essa indenização, caso aplicada, será destinada à desapropriação das outras áreas verdes de São Paulo ameaçadas pelo mercado imobiliário. Em um momento muito oportuno, em que a Secretária do Verde e do Meio Ambiente – hoje sob o comando de Gilberto Natalini do Partido Verde – afirma não ter dinheiro disponível para cuidar dos parques existentes e muito menos, adquirir novos.

Há 40 anos, o Parque Augusta  é protegido pela população contra o assédio das construtoras e prefeitos. Nos últimos anos, tornou-se um símbolo contra a especulação imobiliária em São Paulo e contra a aliança promíscua entre Prefeitura e construtoras na exploração da coisa pública e nas práticas ilícitas de mercantilização da cidade, através da aprovação e construção de empreendimentos ilegais.

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Bernardet: “Brasil, decadência programada”

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“Os Brics, a Petrobras, a indústria autônoma são inaceitáveis. Por isso, alguns agem sistematicamente para que país seja exportador de grãos e importador de valor agregado”.

Por Jean-Claude Bernardet

Os Brics são inaceitáveis. O banco dos Brics, que opere com várias moedas, inclusive o dólar, é inaceitável. Um fundo de apoio (tipo FMI para emergentes) é inaceitável.

Estamos assistindo ao desmonte sistemático de uma potência emergente.

A indústria naval já não é mais competitiva. A Petrobras, desmantelada. As empreiteiras multinacionais desmontadas. Agora a carne.

A Siemens e a Alstom estão cheias de corruptores. Nunca passaria pela cabeça dos judiciários alemão, suíço ou francês destruir as empresas.

Meirelles, Pedro Parente, Moro, a PF são agentes internos dessa operação bem sucedida.

Temer e os bandos do ministério e do parlamento que o apoiam são circunstâncias necessárias ao bom andamento da operação, mas apenas circunstâncias locais nada insubstituíveis.

O Brasil deve ser exportador de grãos e importador de valor agregado (daí a necessidade de desmantelar a educação e qualquer forma de pesquisa).

O dinheiro da sociedade (poupando os ricos) deve ser drenado para pagar os juros da dívida e enriquecer os bancos.

Tenho dito.

Sob Temer, um IBGE com horror ao brasileiro

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Paulo Rabello de Castro no Instituto Millenium, um think-thank conservador.

Presidente do órgão afirma: “o povo é um bando de saqueadores dos privilégios públicos”. Para a coordenadora de censos, “o desemprego nos ajuda a trabalhar com salários menores”

Uma nota do Sindicato Nacional do IBGE

Sindicato Nacional, entidade que representa os trabalhadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), expressa publicamente seu repúdio às declarações do presidente do Instituto, Sr. Paulo Rabello de Castro, em entrevista ao jornal Correio Braziliense, de 27/03/2017, bem como a política de “fazer mais com menos”, no caso do Censo Agropecuário.

De forma intempestiva Rabello de Castro afirma que a proposta da Reforma da Previdência do governo Temer é “mínima”, não é “dura” e “abrangente” o suficiente, que o servidor público é um “privilegiado”, que estamos vivendo um processo de “corrupção estatística”, que o IBGE deve deixar de ser “estatal” para ser “público” e, pior de tudo, que “o povo brasileiro é um bando de saqueadores dos privilégios públicos. Uns saqueiam mais, outros menos”. Além de outros absurdos típicos de quem não tem qualquer identidade com o órgão que preside. Continuar lendo

Para tentar entender o imbróglio paraguaio

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Em 30 de março, manifestação contra a reeleição

Incêndio no Congresso não foi nem insurreição popular, nem ataque de gângsters neoliberais. Mas Fernando Lugo pode estar entrando em arapuca

O cenário em Assunção permanece turvo e contraditório. O Senado debate, dividido, um projeto que permite a reeleição presidencial, Na sexta-feira, foi tomado e parcialmente incendiado por manifestantes em protesto. O fato foi visto por muitos, nas redes sociais, como início de insurreição.

Horas depois, militantes como Breno Altman sugeriram uma versão contrária. A lei de reeleição seria um caminho para permitir a candidatura do ex-presidente Fernando Lugo, deposto por golpe parlamentar em 2012 e hoje líder nas pesquisas. Para viabilizar a lei, a Frente Guasú, de Lugo, teria se aliado ao Partido Colorado, do presidente Horacio Cartes, eleito em 2013. O Senado teria sido incendiado por marginais a serviço de uma oposição neoliberal descontente, porém sem voto. Continuar lendo

A Venezuela em beco sem saída?

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Fila de um supermercado de Caracas. Foto: JORGE SILVA Reuters

Para Edgardo Lander, critico à esquerda, crise do chavismo é próxima e mobilização social parece adormecida – mas tem raízes profundas e em algum momento pode reemergir

Num momento em que cresce a tensão em Caracas — e multiplicam-se no Brasil as interpretações sobre a crise Venezuelana, vale a pena ler entrevista que o sociólogo Edgardo Lander concedeu ao jornal uruguaio “La Diária”, sobre o estado do bolivarianismo. Destacam-se três pontos: a) Para Lander, o projeto não foi capaz de superar a dependência secular da Venezuela em relação ao rentismo petroleiro. Viveu da genialidade de Chávez e do petróleo a U$ 100. Ambos já não estão entre nós; b) Na trajetória do chavismo, houve uma inflexão negativa, a partir de 2005: o processo, que era bastante aberto e criativo, burocratizou-se e estatificou-se; teria havido forte influência cubana nesta deriva; c) É uma simplificação grosseira achar que “tudo piorou com Maduro”. Mas o novo presidente, de fato, não tem a capacidade de liderança e de unificação de Chávez. Como também não vem das Forças Armadas, sentiu-se obrigado a abrir enorme espaço para elas no governo. Aí estão as causas de mais ineficiência e corrupção

Embora pessimista, Lander reconhece a “experiência extraordinariamente rica de organização social, organização de base, movimentos relacionados à saúde, às telecomunicações, ao controle da terra urbana, à alfabetização — que envolveram milhões de pessoas e geraram uma cultura de confiança, de solidariedade e capacidade de incidir sobre o próprio futuro”. Ele acha que esta movimento está hoje adormecido, mas “de todo modo, acho que ficou uma reserva, que em algum momento poderá emergir”.

A entrevista completa será publicada hoje em Outras Palavras.

Golpe: os negros não topam pagar o pato

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Movimento lança manifesto e vai às ruas hoje. População negra será a mais afetada pelo ataque às aposentadorias e aos direitos trabalhistas, o congelamento de investimentos sociais e aumento da repressão

Por Douglas Belchior


MARCHA
Negras e Negros contra as “reformas” racistas e genocidas de Temer
Sábado 1º de Abril, 13h — Largo São Francisco — São Paulo

O ataque covarde de Temer e sua rataria aos direitos fundamentais do povo brasileiro ameaça arrancar o pão de nossas mesas e colocar ainda mais armas em nossas cabeças. Não podemos fingir que não é com a gente. A população negra será, sem nenhuma dúvida, a parcela mais afetada com o fim das aposentadorias, com o desmonte dos direitos trabalhistas, com o congelamento de investimentos sociais e com o aumento da repressão, alvo naturalizado que somos, das leis punitivas e da ação violenta das polícias.

É preciso reagir! Daí a importância em se somar aos esforços da unidade no campo progressista, que tem promovido crescentes manifestações em defesa dos direitos. Esta semana teremos paralisação nacional nesta sexta, 31 de Março em todo o país. E em São Paulo, as mobilizações acontecem também no sábado, dia 1 de abril. O Movimento negro está convocando uma grande marcha “Contra as Reformas Racistas e Genocidas de Temer”, com concentração às 13h00 no Largo São Francisco, centro da capital. Esta marcha seguirá até a Avenida Paulista, onde se encontra com o já tradicional Cordão da Mentira, que se concentra em frente do MASP a partir das 16h.
Abaixo, o forte manifesto do movimento negro, subscrito por dezenas de organizações.

MARCHA NEGRA CONTRA AS REFORMAS GENOCIDAS DE TEMER

A população negra, alvo histórico da desigualdade e da violência, fruto direto das consequências e continuidades dos 4 séculos de escravidão, jamais usufruiu da efetiva cidadania, demarcada em nossos avanços constitucionais.

Mesmo os direitos até hoje conquistados, civis, sociais, trabalhistas, fruto das lutas dos trabalhadores brasileiros, sempre foram sistematicamente negados ao nosso povo. O genocídio, o direto e o simbólico, sempre foi a principal característica da relação entre nós e o Estado.

Em momentos de crise do sistema do capital, como o que vivemos agora, as forças do “deus mercado” e dos grandes empresários e especuladores mundiais apertam o cerco e, por via de governos covardes e entreguistas, como o de Temer, buscam retirar os poucos direitos conquistados pelos trabalhadores, custe o golpe que custar. A ganância de manter e aumentar suas margens de lucro não tem fim.

Por outro lado, para reprimir a população e manter a “ordem social”, investem pesadamente em seu aparato militar, em regulamentações punitivas e restritivas de liberdade. O povo, cada vez mais pobre, é o inimigo. E a população negra, segmento majoritário da classe trabalhadora é, mais uma vez, o descarte prioritário.

O fim do direito a aposentadoria, o desmonte dos direitos trabalhistas, a terceirização irrestrita do trabalho, o congelamento de investimentos sociais por 20 anos e o aumento da repressão e da violência policial tem um caráter explicitamente racista e genocida. Políticas de ações afirmativas comprovadamente eficazes para um equilíbrio futuro de oportunidades entre negras/os e não negras/os têm sido destruídas. É o que vemos com o fim da ampliação de vagas em universidades federais, com a gradual diminuição do Prouni e FIES, a descaracterização do ENEM, com o esvaziamento da importância da lei 10.639, ou seja, a reprodução em nível federal, do que faz o governo do estado de SP através de USP e Unicamp, que se opõem sistematicamente às políticas de cotas raciais em cursos de graduação e pós-graduação. Sim, com as reformas de Temer, os efeitos do racismo e o genocídio negro vão se aprofundar.

Nós, povo negro, temos um lado e vamos ocupar nosso lugar nesta luta, que não é só o de fazer volume em manifestações, mas de ajudar a dirigir – como maioria que somos – o processo revolucionário e a luta contra as elites racistas que querem nossa morte, que matam nossos filhos na bala, que estupram nossas mulheres pretas, que matam nossos velhos nas filas de hospital.

Por isso tudo, nos somamos às manifestações convocadas pelas Frentes de movimentos sociais, partidos e sindicatos, mas também construiremos agendas da luta negra, para a quais esperamos a mesma unidade.
Neste sábado, 1 de Abril, estaremos em Marcha, a partir das 13h00, no Largo São Francisco, centro de SP, ‘Negras e Negros, contra as reformas racistas e genocidas de Temer !’.

Povo negro unido é povo negro forte!

Assinam:
Frente Alternativa Preta
Negras e Negros Sem Medo
Uneafro-Brasil
MTST
Núcleo de Consciência Negra na USP
Kilombagem
MNU – Movimento Negro Unificado SP
Geledés – Instituto da Mulher Negra
Rede Quilombação
Instituto Luis Gama
Circulo Palmarino
Coletivo de Esquerda Força Ativa
Unegro – União de Negras e Negros pela Igualdade
CONEN – Coordenação Nacional de Entidades Negras SP
Mães de Maio
Associação Amparar
Núcleo Impulsor da Marcha das Mulheres Negras SP
Cooperifa
Frente Pro Cotas UNICAMP
Coletivo Rosa Zumbi
Núcleo de Consciência Negra da UNICAMP
Comitê Contra o Genocídio
Instituto do Negro Padre Batista
Fala Negão\Fala Mulher – ZL\SP
Nós, Madalenas (Coletivo Audiovisual de Mulheres)
Blog NegroBelchior
Portal Alma Preta
Coletivo Negro Vozes
Coletivo de Negras e Negros Raízes da Liberdade
Levante Negro
CEERT
AEUSP – Associação de Educadores dá USP
AMO – Associação Mulheres de Odin
Espaço Cultural Cachoeiras – Cohab Raposo Tavares
#Mais
Marcha Mundial de Mulheres
Don’t Touch My Hair – A Festa
Coletivo Martin Luther King Jr. Salvador-Bahia
Movimento de favelas do Rio de Janeiro
Fórum de Juventudes do Rio de Janeiro
Coletivo de comunicadores comunitários e populares de favelas do Rio de Janeiro

Mulher, Amor e Sexo: a revolução libertária

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Relançada no Brasil obra de Alexandra Kolontai, a feminista que defendeu, nos primórdios do poder soviético, o fim do casamento burguês e o “amor camaradagem”, livre de posse


DEBATE
“A Mulher e a Revolução Russa”, com Tatau Godinho
Relançamento o livro A Nova Mulher e a Moral Sexual de Alexandra Kolontai
Terça-feira, 28/3 às 19h
Editora Expressão Popular — Rua Abolição, 201 — Bela Vista — S. Paulo — Metrô Anhangabaú (mapa)

A Livraria da Editora Expressão Popular convida para o relançamento do livro A Nova Mulher e a Moral Sexual, de Alexandra Kolontai, e o debate “A Mulher e a Revolução Russa”, com Tatau Godinho, socióloga e militante da Marcha Mundial das Mulheres. A participação política das mulheres, tema de grande atualidade no Brasil e no mundo, é retomada na avaliação do centenário das revoluções de 1917. As operárias e camponesas tiveram papel primordial na derrubada da monarquia czarista, em fevereiro, e no início da revolução socialista, em outubro.

Alexandra Kolontai (1872-1953) foi a primeira mulher do mundo, em 1917, a ocupar o posto de ministro de Estado, como Comissária de Saúde do Governo Soviético, após a tomada do poder pelos bolcheviques. A partir de 1926, assumiu importantes missões diplomáticas na Noruega, Suécia, México e Finlândia. Entre seus escritos, destacam-se: A Sociedade e a Maternidade; A Mulher Moderna e a Classe Trabalhadora,  Amor Vermelho, Comunismo e Família, Romance e Revolução, entre outros.

A Nova Mulher e a Moral Sexual reúne dois trabalhos de Alexandra Kolontai: A Nova Mulher e a Moral Sexual e O Amor na Sociedade Comunista. O primeiro, escrito em 1918, constitui uma crítica ao amor e à posição da mulher na sociedade burguesa: a mulher como propriedade, instrumento de prazer e de reprodução, simples reflexo do marido. Observa que, embora só a transformação das bases econômicas da sociedade possa modificar a velha moral sexual, a nova mulher, independente e que ela denomina celibatária, começou a surgir como consequência do próprio desenvolvimento do capitalismo. O segundo, de 1921, trata da reorganização do comportamento do homem e da mulher dentro da nova estrutura social que a Revolução Russa de 1917 estabeleceu. Defende o amor-camaradagem em lugar do exclusivista amor conjugal da ética burguesa, fundado no respeito à liberdade individual, no apoio mútuo e aspirações coletivas.

“Sua posição radicalmente libertária no debate sobre o amor e a sexualidade se mantém com uma atualidade surpreendente. A lucidez na insistência do respeito à individualidade de cada um na construção das relações afetivas; sobre a importância da sexualidade na formação psicológica dos indivíduos; na crítica ao casamento tradicional fundado na visão de propriedade e subordinação da mulher ao homem; na visão aberta sobre a construção de novas formas de relação afetiva e sexual; na esfera da autonomia material e psicológica das mulheres” – afirma a socióloga e militante Tatau Godinho, na apresentação do livro.

“Não é por acaso que seus textos foram, durante muitos anos, inspiração e leitura obrigatória para as feministas socialistas e militantes, mulheres e homens que buscam uma ética libertária nas relações afetivas e pessoais. E que acreditam que transformar radicalmente o mundo só será possível se as mulheres forem, com igualdade, sujeitos legítimos deste processo. Reeditar Alexandra Kolontai é também renovar a esperança nesse projeto.”