Cineclube das Outras: para conhecer e debater o cinema feminista

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Cena de “Quem matou Eloá?”

Inaugura-se nesta quinta, 23, um espaço de diálogo e reflexão sobre o universo feminino através da exuberante produção audiovisual de mulheres

Por Inês Castilho e Livia Almendary
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Cineclube das Outras – sessão inaugural dia 23 de março
Rua Conselheiro Ramalho, 945, Bixiga, São Paulo
19h – Abertura da casa
19h30 – Exibição dos curtas-metragens
“Quem matou Eloá?”, de Lívia Perez (SP) – Documentário 24.24 min
“Estado Itinerante”, de Ana Carolina Soares (MG) – Ficção 25 min
“Do portão para fora”, de Letícia Bina (SP) – Documentário 16.4 min
20h30 – bate-papo com Lívia Perez, Letícia Bina e Jaqueline
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Em meio à multiplicação de grupos feministas e do peso político alcançado pelas manifestações de mulheres no Brasil, o cinema começa a ganhar centralidade. Entre pés na porta, câmeras na mão, lutas e resistência contra o machismo, racismo e sexismo, mulheres estão ocupando todos os campos do audiovisual e questionando seus lugares históricos no setor: da representação no cinema aos papeis e cargos que desempenham nas relações de trabalho (direção, fotografia, roteiro e mais), passando pela crítica e curadoria de festivais.

É nesse contexto que surge em São Paulo o “Cineclube das Outras”, um espaço coletivo para conhecer e debater a produção audiovisual de mulheres, com foco em Outras narrativas: de mulheres, negras, indígenas, LGBTs, migrantes, grupos subalternizados cuja voz soa cada vez mais alta nesta sociedade dominada por uma elite homens brancos heterossexuais. A iniciativa voluntária é de um grupo de diferentes gerações e atuações – integrantes da Taturana Mobilização Social, da Associação Cultural Kinoforum, da produtora Doctela, do 8M Brasil e do Outras Palavras.

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Cena de “Do portão para fora”

A sessão inaugural traz três produções recentes de curta-metragem sobre violência.
“Quem matou Eloá?”, documentário de Lívia Perez (SP), parte do caso de Eloá Pimentel, de 15 anos, durante cinco dias mantida refém pelo ex-namorado Lindemberg Alves, de 22 anos, para fazer uma análise crítica sobre a espetacularização e a abordagem da violência contra a mulher pela televisão – um dos motivos pelos quais o Brasil é o quinto no ranking mundial de feminicídio. O filme foi indicado a melhor curta-metragem documentário no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2017. Lívia Perez estará presente no bate-papo sobre os filmes, após a exibição.

“Do portão para fora”, de Letícia Bina (SP), também um documentário, narra a vida de Jaqueline ao sair da prisão: ela recomeça sua vida no lugar onde cresceu, torna-se mãe pela segunda vez e divide seu tempo entre o trabalho e a casa. Letícia e Jaqueline também estarão presentes no debate.

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Cena de “Estado Itinerante”

Já “Estado Itinerante”, de Ana Carolina Soares (MG), é uma ficção que traz a personagem Vivi, uma cobradora de ônibus que procura escapar de uma relação opressora e se fortalece com o trabalho e o apoio de outras cobradoras. A diretora não estará no debate por morar fora de São Paulo.

O cineclube não conta com financiamento, a não ser a eventual contribuição voluntária das pessoas que comparecerem à sessão e alguns trocados da venda de bebidas no bar, para custear o uso do espaço. Os filmes foram cedidos gratuitamente por suas diretoras, mas a ideia é, futuramente, quando o cineclube crescer, ajudar a remunerar tanto os curtas, quanto as debatedoras que se engajam em discutir as obras conosco – fortalecendo e valorizando assim o espaço, o debate e a cadeia envolvida na distribuição de filmes.

O “Cineclube das Outras” vem se somar a iniciativas semelhantes espalhadas pelo país: Feministas de Quinta (ES), Quase Catálogo  e Cineclube Delas (RJ)  , o Cineclube Feminista do Coletivo Matilde Magrassi (periferia de São Paulo e Guarulhos), e as sessões de cinedebate organizadas pel SOF (SP), entre outras. Isso, ao lado de núcleos de mulheres cineastas como o Coletivo Vermelha (SP), o Grupo das Mulheres no Audiovisual, o Grupo das Mulheres Negras no Audiovisual, a Afroflix, as Elviras e outras tantas existentes por aí.

O cineclube está aberto a pessoas e grupos ou entidades que queiram somar esforços. Estão todxs convidadxs!

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No palco, a resistência cultural brasileira

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O lendário João Donato inaugura, nesta quinta, a Tupi or not Tupi

Na inauguração do espaço Tupi or not Tupi, os extraordinários João Donato e Arismar do Espírito Santo reafirmam refinamento e criatividade da tradição músical do país

“Estou na expectativa, bastante animado com o convite do Arismar para tocar nesse novo endereço em São Paulo” – a voz de João Donato soa entusiasmada ao telefone, do Rio de Janeiro.

O novo endereço é a casa de música Tupi or not Tupi, que será inaugurada nesta quinta, 16, com os geniais João Donato e Arismar do Espírito Santo. Uma rara oportunidade de ouvir ao vivo essas duas gerações de músicos de reconhecimento internacional, mágicos da resistente cultura brasileira. Continuar lendo

Candomblé também se estuda online

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Coletivo DiJejê, que debate em especial papel das mulheres negras, oferece curso sobre as quatro nações da religião africana e suas contribuições à cultura brasileira

Por Pedro Borges
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Curso online: “A importância histórica do candomblé: um estudo sobre as quatro nações”
Inicio: 20 de Janeiro
Término: 19 de Fevereiro
Valor: 60,00
Vagas: 20 lugares
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Por meio de vídeos, leitura de textos, debates e outras atividades, o coletivo DiJejê oferece curso online sobre as quatro nações do Candomblé – Efons, Jejês, Yourubas, Bantus – e as suas respectivas contribuições para a cultura brasileira. Entre os temas abordados estão vestuário, alimentação, oralidade, expressões, hábitos, costumes e musicalidade. O curso vai de 20 de janeiro a 19 de fevereiro, na plataforma gratuita Moodle, e as inscrições podem ser feitas aqui até amanhã, 20 de janeiro.

Jaqueline Conceição, fundadora do Coletivo Dijejê e idealizadora do curso, destaca a importância de se debater o candomblé no país. “Essa é a religião criada em território nacional mais antiga que se tem notícia. Há a presença de referências europeias, indígenas, mas há uma supremacia da tradição africana. É importante discutir o Candomblé não só pelo viés religioso, preceitos e fundamentos, mas pela importância e pelo legado que ele traz para a sociedade brasileira”.

O Coletivo Di Jejê, especializado em debater o papel da mulher negra na sociedade, aponta durante o curso que ela tem papel central no Candomblé. “Não dá para falar de Candomblé sem falar de mulheres. No Brasil há grandes nomes, de duas líderes religiosas, a Mãe Stella de Oxóssi e Mãe Menininha de Gantois, dois nomes importantes para manter a memória negra, a resistência negra a partir da prática religiosa. São mulheres reconhecidas internacionalmente, e são dois legados vivos sobre a importância da mulher ocupar os seus espaços de origem, que é qualquer lugar onde ela quiser estar”, explica Jaqueline Conceição.
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Bibliografia básica:
Verger, Pierre. Orixás.
Prandi, Reginaldo. A mitologia dos orixás
Candomblé: uma religião de corpo e alma
Santos, Maria Stella Azevedo. Meu tempo é agora.
Verger, Pierre. Lendas africanas dos orixás.
Santos, Edmar Ferreira. O poder dos candomblés.
Documentários:
Devoção
Mensageiro entre dois mundos
Na rota dos orixás
Exu: o guardião do saber
A cidade das mulheres
Filmes:
O jardim das folhas sagradas
Meninos de Areia
Tenda dos Milagres
Conteúdo:
Módulo I – Os efons
Módulo II – Os jejês
Módulo III – Os yorubas
Módulo IV- Os bantus
Módulo V – As mulheres no candomblé
Módulo VI – Para fora dos terreiros: das comidas ao sistema de organização social

Salvador abre série de diálogos sobre Literatura e Cinema


Casa 149 quer reunir um grupo aberto e diverso para leituras, projeções e debates. Estreia é hoje, com o filme Gueros“, que evoca rock, Cidade do México, apatia e tédio contemporâneos


Projeção e debate do filme Gueros, de Alonso Ruiz Palacios
Local: Casa 149, galeria de arte e espaço cultural
Endereço: Rua da Paciência, 149, orla do Rio Vermelho. Salvador-BA
Data: Dia 20/12 às 20 horas
Entrada gratuita, confirme presença no evento do Facebook
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Uma aventura pelas veredas das imagens e dos sentidos, esses mundos partilhados pela literatura e pelo cinema. Essa é a ideia da série de encontros gratuitos que serão realizados na galeria de arte e espaço cultural Casa 149, em Salvador, e para o qual estão convidados todos e todas amantes de livros e filmes. Reunir um grupo aberto, diverso, para discutir propostas de leituras e filmes a serem exibidos numa série de encontros é o objetivo desse evento.
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A reunião desta terça, dia 20, às 20 horas, será em torno do filme Güeros (2014), primeiro longa do mexicano Alonso Ruiz Palacios.
Na trama, três personagens marcados pela apatia e pelo tédio percorrem a Cidade do México em busca de um roqueiro obscuro, desconhecido e moribundo, que teria feito “Bob Dylan chorar”. O filme desdobra a relação entre cinema e experiência poética, revelando um domínio estilístico da especificidade cinematográfica.

O longa-metragem ganhou o prêmio de Melhor Filme Estreante em Berlim e o Melhor Filme Latino-Americano em San Sebastian. Por aqui, foi exibido no Festival Internacional de Cinema da Bienal de Curitiba, em 2015.

Todos são bem-vindos. Levem almofadas ou esteiras para sentar durante a projeção.

Um duelo de imagens entre o Mestre e o Divino

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Filme apresentado na próxima segunda, no espaço de Outras Palavras, traz um instigante desafio entre as visões de mundo de um velho missionário alemão e de um jovem cineasta Xavante
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“O Mestre e O Divino”, seguido de bate-papo com
Tiago Campos Torres (diretor do filme)
Vincent Carelli (Vídeo nas Aldeias)
Sylvia Caiuby Novaes (LISA USP)
Alceu Castilho (De Olho Nos Ruralistas)
Dia 14/11, segunda, às 19h, no Outras Palavras
Rua Conselheiro Ramalho, 945, Bixiga – São Paulo
Confirme sua presença.
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O desafio entre um velho missionário alemão e um jovem cineasta xavante, feito por meio de imagens e documentado por um terceiro cineasta, branco, resultou num filme divertido e instigante: uma metalinguagem antropofágica, em que um digere o outro por meio da câmera.

Às vezes ácida, às bem humorada, a disputa se dá em torno das imagens da vida na aldeia e na missão salesiana de Sangradouro, no Mato Grosso. Cumplicidade, competição e ironia marcam o diálogo em torno dos registros históricos do missionário Adalbert Heide, que revelam os bastidores da catequização indígena no Brasil.

Os personagens são ao mesmo tempo próximos e antagônicos. O jovem cineasta Xavante Divino Tserewahú, que conviveu com Adalbert desde criança, começou a realizar seus filmes nas oficinas do projeto Vídeo nas Aldeias e a montá-los com a ajuda de Tiago Campos, diretor e também personagem do filme.
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Já Adalbert Heide é um excêntrico missionário alemão que chegou ao Brasil em 1954 sonhando conhecer “os índios” e, a partir de 1957, passou a trabalhar com os Xavante na missão de Sangradouro (MT), registrando sua cultura em Super 8. De vez em quando adornava-se com peruca e pinturas, como um Xavante, e registrava a própria presença na caça tradicional da etnia. Dizia-se cacique.

Embora unidos por laços de amizade e admiração mútua, os dois encontram-se ao mesmo tempo separados por insuperáveis abismos culturais. Colonização e raízes indígenas, conflitos e contradições pessoais são a matéria-prima desse filme, uma produção pernambucana dirigida pelo mineiro Tiago Campos – que revela o grande acervo de imagens produzidas por Heide.

O Mestre e o Divino, falado em português, xavante e alemão, foi premiado como melhor filme, melhor montagem e melhor trilha sonora no Festival de Brasília de 2013. Participou também de vários outros festivais, no Brasil e no exterior.
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Assim se resiste à ofensiva conservadora

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Surge em Guarulhos (SP), após ocupação da Câmara Municipal, exemplo inspirador de articulação política entre movimentos de mulheres, negros, secundaristas, artistas, skatistas e comunidade LGBT

Por Camila Sposito | Imagem: João Vitor Reis

Após 11 dias de ocupação da Câmara Municipal em protesto contra a PEC 241, os manifestantes de Guarulhos decidiram desocupá-la nesta segunda-feira (31.10), de modo pacífico, consciente e vitorioso. Pela primeira vez na história da segunda cidade mais populosa de São Paulo, representantes de várias frentes de esquerda unificaram-se em torno de uma pauta comum e enfrentaram o poder institucionalizado pela mídia local e nacional e pelos coronéis da política de sua cidade para fazerem valer a sua voz.

Conforme a avaliação dos ocupantes, o movimento atingiu uma maturidade tal nesta ocupação que precisa seguir para outras formas de atuação. Planejam uma assembleia para os próximos dias, com a possibilidade de criação de um coletivo suprapartidário capaz de atuar em âmbito municipal e federal. Além da luta contra o governo Temer e a PEC 241, está no horizonte acompanhar de perto a atuação do novo prefeito eleito, Gustavo Henric Costa, o Guti (PSB). Continuar lendo

Nos 50 anos da ECA-USP, o redator do AI-5

1968: Gama e Silva, à esquerda, acompanha leitura da decretação do AI-5, em cadeia de rádio

1968: Gama e Silva, à esquerda, acompanha o locutor Alberto Curi no anúncio, em cadeia de rádio, da decretação do AI-5.

Gama e Silva, que ajudou a criar a escola, aparece em vídeo festivo, que omite seu papel na edição do Ato. Sinais de que instituição precisa rever sua trajetória política e cultural

Por Jean-Claude Bernardet

Ontem (19/10) a Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP festejou seus 50 anos.
Foi apresentado um vídeo que destaca o papel do reitor Gama e Silva na sua fundação.

O vídeo informa que o reitor foi nomeado ministro da Justiça. Mas não informa que Gama e Silva foi o redator da primeira versão do AI-5, considerada excessiva até pelo general Costa e Silva, então presidente da República. Foi nesse ambiente sufocante de opressão cultural e política que a ECA iniciou sua trajetória.

O que areja o vídeo é a poderosa ironia da voz off do grande ator Luis Damasceno.
A diretora da escola e o reitor da universidade fizeram discursos protocolares que não abrem nenhuma perspectiva para professores e estudantes.

A ECA deveria aproveitar o cinquentenário para uma revisão crítica de sua trajetória política e cultural. Seria oportuno neste presente momento.

Liberdade para os presos políticos de Goiás

Valdir Minerovicz, geógrafo e preso político

Valdir Minerovicz, geógrafo e preso político

Começa campanha internacional para colocar libertar um agricultor e um geógrafo, presos há meses, sem julgamento, por lutarem pela Reforma Agrária. Processo sugere investida inédita dos conservadores para criminalizar lutas sociais

O MST está lançando uma campanha nacional e internacional pela libertação dos presos políticos da Reforma Agrária em Goiás e contra a criminalização do movimento. No dia 12 de abril, quatro militantes do MST tiveram sua prisão preventiva decretada, acusados de fazer parte de uma “organização criminosa”. O MST repudia a “criminalização” de suas lideranças e pede a revogação das ordens de prisão.
O agricultor Luiz Batista Borges, integrante do acampamento Padre. Josimo Tavares, foi preso ao se apresentar na delegacia de Rio Verde, Goiás, dia 14 de abril. Em 31 de maio, o militante José Valdir Misnerovicz, reconhecido nacional e internacionalmente por sua luta pela reforma agrária, foi preso em operação articulada entre as polícias de Goiás e do Rio Grande do Sul, onde se encontrava. Valdir, que é geógrafo e tem formação em pós-graduação, dava aula para jovens estudantes de cooperativismo agrícola quando foi surpreendido pela operação da polícia civil dos dois estados. Há mais de 30 anos no MST e um dos líderes do movimento em Goiás, está preso no Núcleo de Custódia de Segurança Máxima do município de Aparecida de Goiânia.
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Para conhecer os Psicanalistas que Falam

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Série de entrevistas em filme traz a palavra de profissionais que ousaram democratizar a psicanálise. No primeiro episódio, Antonio Lancetti destaca a importância dos “territórios marginais”

Inês Castilho
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Exibição especial do filme “Lancetti Brasileiro” (1h15min)
22/11 (terça), às 18h30, na Faculdade de Saúde Pública da USP

seguida de bate-papo com:
* Antonio Lancetti | psicanalista e assessor especial do De Braços Abertos
* Heidi Tabacof | psicanalista, diretora da série, professora do Instituto Sedes Sapientae
* Alexandre Padilha | ex-ministro e atual secretário de Saúde da Prefeitura de São Paulo
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Laura Camargo Macruz Feuerwerker (meadiação) | professora associada da FSP
Atividade aberta e gratuita, realizada em parceria com
Taturana Mobilização Social.
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A psicanálise pode criar novos modos de intervir e pensar a realidade social, para além do divã. Num tempo de grandes desafios a política, os espaços coletivos, os movimentos e as mídias sociais são territórios onde esse saber pode circular mais amplamente para alimentar o diálogo e gestar ferramentas de transformação social.

Foi para pensar essas ideias que Heidi Tabacof e Lúcia Lima, analistas com longa trajetória na clínica, nas ruas e em ambientes de formação – e também realizadoras dos filmes A Mulher do Atirador de Facas e Psicuba – conceberam a série “Psicanalistas que falam”. Os episódios apresentam nomes importantes da psicanálise no país, que intervêm em diferentes territórios para além do consultório. São documentos da história da psicanálise no Brasil, narrada por seus protagonistas – origens, áreas de atuação, formação, paixões. Antonio Lancetti, psicanalista argentino exilado no Brasil desde 1979, é o personagem do primeiro episódio. O segundo traz o psicanalista Chaim Katz, do Rio de Janeiro.
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Novo impulso na luta contra os agrotóxicos

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Fórum reunindo movimentos, universidades e Ministério Público aprofundará debate sobre venenos agrícolas e mobilização por um novo projeto para o campo

Por Inês Castilho

Os agrotóxicos foram responsáveis por mais de 25 mil pessoas intoxicadas entre 2007 e 2014, no Brasil. Calcula-se que a subnotificação seja de 50 para cada caso, o que soma 1.250.000 pessoas. São responsáveis por mortes, malformações, contaminação de bebês e de leite materno. Por inúmeros casos de câncer. O que mais precisamos saber a respeito desses venenos para a saúde humana, animal e do ambiente?

“É uma questão de misericórdia”, disse o médico Paulo Saldiva, presidente do IEA – Instituto de Estudos Avançados da USP, na audiência pública Exposição aos agrotóxicos e gravames à Saúde e ao Meio Ambiente. “As evidências são mais que suficientes. Trata-se agora de criar um espaço permanente, com reuniões regulares, onde se construa uma narrativa que sensibilize tanto a sociedade quanto os governantes.” Continuar lendo