Seriam os evangélicos novos ativistas digitais?

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Forte presença na política brasileira, pentecostais são agora protagonistas nas redes sociais. Despertam controvérsias. Pesquisadora sustenta: nem todos são conservadores, ao contrário do que se pensa

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“Do púlpito às mídias sociais. Evangélicos na política e ativismo digital”
De Magali do Nascimento Cunha, Editora Prismas
Pré-lançamento, via internet, em 19/06, às 20h, ao vivo, aqui
Lançamentos em agosto e setembro

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A presença dos evangélicos na sociedade e na política aumentou significativamente no país, nas últimas décadas. Nas mídias sociais, sua visibilidade como ativistas políticos surge especialmente a partir de 2010. Contudo, ao contrário do que se imagina, eles não são um grupo uniforme, e sim um segmento formado por uma variedade de grupos, de distintas origens, práticas e doutrinas, com diferentes posturas e projetos no campo político.

Mais abertas à participação pública, as mídias digitais deixam clara esta diversidade, negada pelas grandes mídias – afirma Magali do Nascimento Cunha, professora da Universidade Metodista de São Paulo, que está lançando o livro Do púlpito às mídias sociais. Evangélicos na política e ativismo digital. “O conservadorismo, marca com que esse segmento religioso foi estabelecido no Brasil a partir do século 19, é intenso nas redes. Mas grupos progressistas também fazem parte do mosaico que compõe a diversidade evangélica no Brasil e encontram nas mídias sociais um espaço de expressão que os tira da periferia do segmento e da invisibilidade que lhes é destinada pelas grandes mídias religiosas e não-religiosas. Estes são os grupos que mais merecem atenção nesta atual dinâmica da presença dos evangélicos na política”, afirma a autora.

Por meio de pesquisa no Facebook e no Twitter, Magali levantou os perfis mais atuantes entre ativistas digitais evangélicos e traçou um quadro com suas características em termos de influência nas mídias. “Não é mais possível ignorar o lugar das subjetividades e de práticas coletivas delas decorrentes, como as religiões, na construção de novas formas de reação às demandas tão diversas e plurais na contemporaneidade. E aí está incluída a esfera política”, afirma.

“A presença de evangélicos e de outros grupos religiosos na arena política é parte da dinâmica democrática, e por isso não deve ser criticada com a alegação de que o Brasil é um Estado laico”. Estado laico não é sinônimo de Estado ateu, lembra ela. “Um Estado laico deve ser espaço de liberdade de crença, o que significa espaço para a manifestação pública dos que têm algum tipo de crença e dos que não têm.”

Do púlpito às mídias sociais. Evangélicos na política e ativismo digital trabalha na interface entre as áreas de mídia-religião-política e pode ser um ponto de partida para novas pesquisas que aprofundem a dinâmica da presença religiosa na esfera pública do Brasil de hoje. Magali do Nascimento Cunha é jornalista, doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) (Grupo de Pesquisa Mídia, Religião e Cultura/MIRE), com estágio pós-doutoral em Comunicação e Política pela Universidade Federal da Bahia.

TEXTO-FIM

Sobre golpes e atos falhos

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Eles queriam mesmo era afastar a presidenta. Mas o impiche tão descarado foi, foi se revelando tão deslavado golpe, que de vergonha, tadinhos, se precipitaram a demolir a Constituição

Por Airton Paschoa

Era só esperar 18 que não precisava nem de campanha. A oposição levava por aclamação, e sabia disso. O governo Dilma (reeleito raspando, bom lembrar) caminhava do desastroso pro catastrófico. Então por que o golpe? Demolir a Constituição de 88, sim, mas isso foi pensado a posteriori… até porque o que estão fazendo se podia fazer após a eleição, e com a legitimidade do voto. Medo do Lula? Mas o Lula, na hipótese remota de ganhar depois da catástrofe Dilma e da campanha sistemática de destruição do PT, podia até legitimar a reforma da previdência, da CLT etc., com nova epístola ao povo brasileiro.

O golpe, na verdade, sucesso à parte, foi um grande ato falho. Talvez o maior da nossa história, o mais revelador. Eles só queriam afastar uma presidenta empedernida, politicamente inábil. E, não podendo esperar, pedalaram um impiche. Mas o impiche tão descarado foi, foi se revelando tão deslavado golpe, que de vergonha, tadinhos, se precipitaram a demolir a “Cidadã”.

Então iam admitir a incapacidade congênita de conviver com a democracia? Eis o ato falho histórico. Não queriam nada disso, civilizados que são, e sempre foram, aliás, com a ideia sempre no lugar. Por isso os compreendo, e tenho até pena deles. O que não faz a vergonha! Não era nada disso, nada disso…

CRISE EM BRASÍLIA — Protestos também no Rio

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Policiais militares revistam as pessoas que passam perto da Alerj

Manifestantes rejeitam pacote imposto pelo governo federal, que elimina direitos e eleva contribuição previdenciária

Servidores públicos cariocas protestaram esta tarde diante da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) contra a aprovação do aumento da contribuição previdenciária do servidor público do estado.

Os manifestantes foram reprimidos pela PM e Força Nacional, com bombas de gás lacrimogênio e tiros de balas de borracha, defendendo-se com pedras e barricadas.

Com 39 votos a favor e 26 contra, o projeto aumenta a alíquota da contribuição previdenciária dos servidores de 11% para 14%. A sessão foi presidida pelo deputado Jorge Picciani (PMDB), que recusou todos os pedidos de questão de ordem e apressou a votação.

O projeto aprovado também prevê aumento de 21% para 28% da contribuição dos poderes legislativo, judiciário, Ministério Público e Tribunal de Contas.

A estranha invasão da Unesp em Marília

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Assembleia no campus da Unesp-Marília, há um ano. Policiais parecem interessados em evitar mobilizações como esta

PMs entram no campus, intimidam, insultam e destroem cartazes durante assembleia estudantil. Diante da resistência, retrocedem

Um texto da Diretoria Central da Adunesp

Em meio a uma grave conjuntura política nacional de ataques contra os direitos democráticos assegurados pela Constituição, nas últimas horas do dia 8 de maio, sob o pretexto de estar realizando um patrulhamento ostensivo nas imediações, uma viatura da Polícia Militar invadiu o campus universitário da Unesp de Marília, causando um enorme tumulto envolvendo estudantes, servidores técnico-administrativos e docentes, que estavam ali presentes. De modo absolutamente intimidador, os policiais dirigiram insultos de caráter político-ideológico contra os docentes que tentavam mediar a situação. Por diversas vezes ameaçaram prender estudantes reunidos em razão de uma assembleia, sob o pretexto de estarem fazendo uso de entorpecentes. Cartazes chegaram a ser destruídos pelos policiais, segundo relatos de estudantes.

O reforço de uma segunda viatura chegou a ser acionado. Indagados sobre a ausência de qualquer solicitação formal realizada pela direção da unidade, afirmaram repetidas vezes, e diante da figura do próprio diretor da unidade, que poderiam adentrar o espaço da universidade quando bem entendessem. Sob a alegação de estarem cumprindo ordens de uma instância superior, os policiais recusavam-se intransigentemente a se retirar do local, ainda que inexistisse, naquele momento, motivo algum para a sua presença no Campus. Sob forte manifestação dos estudantes, os policiais impunham como condição para a retirada da viatura o silenciamento dos gritos de protesto e a dispersão dos manifestantes, o que evidentemente não aconteceu. Continuar lendo

A perigosa tentação do meio ambiente sem gente

O caboclo Darci Sant’Ana, condenado por fazer duas roças em seu território ancestral, é símbolo do desrespeito aos direitos do povos tradicionais em nome de uma falsa proteção ambiental

“Somos caboclos, nosso território é a floresta Atlântica, no Alto Vale do Ribeira. Nossa cultura é criminalizada pelas instituições públicas do estado de São Paulo por produzirmos nossa vida.”

Assim afirma a petição pela absolvição de Darci Sant’Ana, vice-presidente da Associação das Comunidades Caboclas do Bairro Ribeirão dos Camargo, em Iporanga (SP), no Alto Vale do Ribeira. Darci é símbolo da criminalização dessas comunidades. Nascido e criado no sítio Sete Quedas, sem estrada e sem luz, que o pai herdou do avô e ele do pai, e onde vive com a mãe ainda viva, Darci foi condenado por ter realizado duas roças coivaras em seu território ancestral.

“A lei é muito clara, ela deixa o direito desses povos fazerem a roça da forma tradicional, que é a roça de coivara, a roça de corte e queima. O SNUC permite isso, a Lei da Mata Atlântica  permite isso”, afirma Raquel Pasinato, coordenadora do Programa Vale do Ribeira do ISA (Instituto Socioambiental).

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Cineclube das Outras: para conhecer e debater o cinema feminista

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Cena de “Quem matou Eloá?”

Inaugura-se nesta quinta, 23, um espaço de diálogo e reflexão sobre o universo feminino através da exuberante produção audiovisual de mulheres

Por Inês Castilho e Livia Almendary
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Cineclube das Outras – sessão inaugural dia 23 de março
Rua Conselheiro Ramalho, 945, Bixiga, São Paulo
19h – Abertura da casa
19h30 – Exibição dos curtas-metragens
“Quem matou Eloá?”, de Lívia Perez (SP) – Documentário 24.24 min
“Estado Itinerante”, de Ana Carolina Soares (MG) – Ficção 25 min
“Do portão para fora”, de Letícia Bina (SP) – Documentário 16.4 min
20h30 – bate-papo com Lívia Perez, Letícia Bina e Jaqueline
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Em meio à multiplicação de grupos feministas e do peso político alcançado pelas manifestações de mulheres no Brasil, o cinema começa a ganhar centralidade. Entre pés na porta, câmeras na mão, lutas e resistência contra o machismo, racismo e sexismo, mulheres estão ocupando todos os campos do audiovisual e questionando seus lugares históricos no setor: da representação no cinema aos papeis e cargos que desempenham nas relações de trabalho (direção, fotografia, roteiro e mais), passando pela crítica e curadoria de festivais.

É nesse contexto que surge em São Paulo o “Cineclube das Outras”, um espaço coletivo para conhecer e debater a produção audiovisual de mulheres, com foco em Outras narrativas: de mulheres, negras, indígenas, LGBTs, migrantes, grupos subalternizados cuja voz soa cada vez mais alta nesta sociedade dominada por uma elite homens brancos heterossexuais. A iniciativa voluntária é de um grupo de diferentes gerações e atuações – integrantes da Taturana Mobilização Social, da Associação Cultural Kinoforum, da produtora Doctela, do 8M Brasil e do Outras Palavras.

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Cena de “Do portão para fora”

A sessão inaugural traz três produções recentes de curta-metragem sobre violência.
“Quem matou Eloá?”, documentário de Lívia Perez (SP), parte do caso de Eloá Pimentel, de 15 anos, durante cinco dias mantida refém pelo ex-namorado Lindemberg Alves, de 22 anos, para fazer uma análise crítica sobre a espetacularização e a abordagem da violência contra a mulher pela televisão – um dos motivos pelos quais o Brasil é o quinto no ranking mundial de feminicídio. O filme foi indicado a melhor curta-metragem documentário no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2017. Lívia Perez estará presente no bate-papo sobre os filmes, após a exibição.

“Do portão para fora”, de Letícia Bina (SP), também um documentário, narra a vida de Jaqueline ao sair da prisão: ela recomeça sua vida no lugar onde cresceu, torna-se mãe pela segunda vez e divide seu tempo entre o trabalho e a casa. Letícia e Jaqueline também estarão presentes no debate.

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Cena de “Estado Itinerante”

Já “Estado Itinerante”, de Ana Carolina Soares (MG), é uma ficção que traz a personagem Vivi, uma cobradora de ônibus que procura escapar de uma relação opressora e se fortalece com o trabalho e o apoio de outras cobradoras. A diretora não estará no debate por morar fora de São Paulo.

O cineclube não conta com financiamento, a não ser a eventual contribuição voluntária das pessoas que comparecerem à sessão e alguns trocados da venda de bebidas no bar, para custear o uso do espaço. Os filmes foram cedidos gratuitamente por suas diretoras, mas a ideia é, futuramente, quando o cineclube crescer, ajudar a remunerar tanto os curtas, quanto as debatedoras que se engajam em discutir as obras conosco – fortalecendo e valorizando assim o espaço, o debate e a cadeia envolvida na distribuição de filmes.

O “Cineclube das Outras” vem se somar a iniciativas semelhantes espalhadas pelo país: Quase Catálogo  e Cineclube Delas (RJ), Feministas de Quinta (ES), Cineclube da aranha (BH), Cineclube Feminista do Coletivo Matilde Magrassi (periferia de São Paulo e Guarulhos), a Mostra das MINAS (Santos), as sessões de cinedebate organizadas pela SOF (SP), e outras tantas que devem rolar por aí. Isso, ao lado de núcleos de mulheres cineastas como o Coletivo Vermelha (SP), o Grupo das Mulheres no Audiovisual, o Grupo das Mulheres Negras no Audiovisual, a Afroflix, as Elviras etc etc…

O cineclube está aberto a pessoas e grupos ou entidades que queiram somar esforços. Estão todxs convidadxs!

No palco, a resistência cultural brasileira

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O lendário João Donato inaugura, nesta quinta, a Tupi or not Tupi

Na inauguração do espaço Tupi or not Tupi, os extraordinários João Donato e Arismar do Espírito Santo reafirmam refinamento e criatividade da tradição músical do país

“Estou na expectativa, bastante animado com o convite do Arismar para tocar nesse novo endereço em São Paulo” – a voz de João Donato soa entusiasmada ao telefone, do Rio de Janeiro.

O novo endereço é a casa de música Tupi or not Tupi, que será inaugurada nesta quinta, 16, com os geniais João Donato e Arismar do Espírito Santo. Uma rara oportunidade de ouvir ao vivo essas duas gerações de músicos de reconhecimento internacional, mágicos da resistente cultura brasileira. Continuar lendo

Candomblé também se estuda online

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Coletivo DiJejê, que debate em especial papel das mulheres negras, oferece curso sobre as quatro nações da religião africana e suas contribuições à cultura brasileira

Por Pedro Borges
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Curso online: “A importância histórica do candomblé: um estudo sobre as quatro nações”
Inicio: 20 de Janeiro
Término: 19 de Fevereiro
Valor: 60,00
Vagas: 20 lugares
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Por meio de vídeos, leitura de textos, debates e outras atividades, o coletivo DiJejê oferece curso online sobre as quatro nações do Candomblé – Efons, Jejês, Yourubas, Bantus – e as suas respectivas contribuições para a cultura brasileira. Entre os temas abordados estão vestuário, alimentação, oralidade, expressões, hábitos, costumes e musicalidade. O curso vai de 20 de janeiro a 19 de fevereiro, na plataforma gratuita Moodle, e as inscrições podem ser feitas aqui até amanhã, 20 de janeiro.

Jaqueline Conceição, fundadora do Coletivo Dijejê e idealizadora do curso, destaca a importância de se debater o candomblé no país. “Essa é a religião criada em território nacional mais antiga que se tem notícia. Há a presença de referências europeias, indígenas, mas há uma supremacia da tradição africana. É importante discutir o Candomblé não só pelo viés religioso, preceitos e fundamentos, mas pela importância e pelo legado que ele traz para a sociedade brasileira”.

O Coletivo Di Jejê, especializado em debater o papel da mulher negra na sociedade, aponta durante o curso que ela tem papel central no Candomblé. “Não dá para falar de Candomblé sem falar de mulheres. No Brasil há grandes nomes, de duas líderes religiosas, a Mãe Stella de Oxóssi e Mãe Menininha de Gantois, dois nomes importantes para manter a memória negra, a resistência negra a partir da prática religiosa. São mulheres reconhecidas internacionalmente, e são dois legados vivos sobre a importância da mulher ocupar os seus espaços de origem, que é qualquer lugar onde ela quiser estar”, explica Jaqueline Conceição.
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Bibliografia básica:
Verger, Pierre. Orixás.
Prandi, Reginaldo. A mitologia dos orixás
Candomblé: uma religião de corpo e alma
Santos, Maria Stella Azevedo. Meu tempo é agora.
Verger, Pierre. Lendas africanas dos orixás.
Santos, Edmar Ferreira. O poder dos candomblés.
Documentários:
Devoção
Mensageiro entre dois mundos
Na rota dos orixás
Exu: o guardião do saber
A cidade das mulheres
Filmes:
O jardim das folhas sagradas
Meninos de Areia
Tenda dos Milagres
Conteúdo:
Módulo I – Os efons
Módulo II – Os jejês
Módulo III – Os yorubas
Módulo IV- Os bantus
Módulo V – As mulheres no candomblé
Módulo VI – Para fora dos terreiros: das comidas ao sistema de organização social

Salvador abre série de diálogos sobre Literatura e Cinema


Casa 149 quer reunir um grupo aberto e diverso para leituras, projeções e debates. Estreia é hoje, com o filme Gueros“, que evoca rock, Cidade do México, apatia e tédio contemporâneos


Projeção e debate do filme Gueros, de Alonso Ruiz Palacios
Local: Casa 149, galeria de arte e espaço cultural
Endereço: Rua da Paciência, 149, orla do Rio Vermelho. Salvador-BA
Data: Dia 20/12 às 20 horas
Entrada gratuita, confirme presença no evento do Facebook
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Uma aventura pelas veredas das imagens e dos sentidos, esses mundos partilhados pela literatura e pelo cinema. Essa é a ideia da série de encontros gratuitos que serão realizados na galeria de arte e espaço cultural Casa 149, em Salvador, e para o qual estão convidados todos e todas amantes de livros e filmes. Reunir um grupo aberto, diverso, para discutir propostas de leituras e filmes a serem exibidos numa série de encontros é o objetivo desse evento.
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A reunião desta terça, dia 20, às 20 horas, será em torno do filme Güeros (2014), primeiro longa do mexicano Alonso Ruiz Palacios.
Na trama, três personagens marcados pela apatia e pelo tédio percorrem a Cidade do México em busca de um roqueiro obscuro, desconhecido e moribundo, que teria feito “Bob Dylan chorar”. O filme desdobra a relação entre cinema e experiência poética, revelando um domínio estilístico da especificidade cinematográfica.

O longa-metragem ganhou o prêmio de Melhor Filme Estreante em Berlim e o Melhor Filme Latino-Americano em San Sebastian. Por aqui, foi exibido no Festival Internacional de Cinema da Bienal de Curitiba, em 2015.

Todos são bem-vindos. Levem almofadas ou esteiras para sentar durante a projeção.

Um duelo de imagens entre o Mestre e o Divino

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Filme apresentado na próxima segunda, no espaço de Outras Palavras, traz um instigante desafio entre as visões de mundo de um velho missionário alemão e de um jovem cineasta Xavante
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“O Mestre e O Divino”, seguido de bate-papo com
Tiago Campos Torres (diretor do filme)
Vincent Carelli (Vídeo nas Aldeias)
Sylvia Caiuby Novaes (LISA USP)
Alceu Castilho (De Olho Nos Ruralistas)
Dia 14/11, segunda, às 19h, no Outras Palavras
Rua Conselheiro Ramalho, 945, Bixiga – São Paulo
Confirme sua presença.
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O desafio entre um velho missionário alemão e um jovem cineasta xavante, feito por meio de imagens e documentado por um terceiro cineasta, branco, resultou num filme divertido e instigante: uma metalinguagem antropofágica, em que um digere o outro por meio da câmera.

Às vezes ácida, às bem humorada, a disputa se dá em torno das imagens da vida na aldeia e na missão salesiana de Sangradouro, no Mato Grosso. Cumplicidade, competição e ironia marcam o diálogo em torno dos registros históricos do missionário Adalbert Heide, que revelam os bastidores da catequização indígena no Brasil.

Os personagens são ao mesmo tempo próximos e antagônicos. O jovem cineasta Xavante Divino Tserewahú, que conviveu com Adalbert desde criança, começou a realizar seus filmes nas oficinas do projeto Vídeo nas Aldeias e a montá-los com a ajuda de Tiago Campos, diretor e também personagem do filme.
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Já Adalbert Heide é um excêntrico missionário alemão que chegou ao Brasil em 1954 sonhando conhecer “os índios” e, a partir de 1957, passou a trabalhar com os Xavante na missão de Sangradouro (MT), registrando sua cultura em Super 8. De vez em quando adornava-se com peruca e pinturas, como um Xavante, e registrava a própria presença na caça tradicional da etnia. Dizia-se cacique.

Embora unidos por laços de amizade e admiração mútua, os dois encontram-se ao mesmo tempo separados por insuperáveis abismos culturais. Colonização e raízes indígenas, conflitos e contradições pessoais são a matéria-prima desse filme, uma produção pernambucana dirigida pelo mineiro Tiago Campos – que revela o grande acervo de imagens produzidas por Heide.

O Mestre e o Divino, falado em português, xavante e alemão, foi premiado como melhor filme, melhor montagem e melhor trilha sonora no Festival de Brasília de 2013. Participou também de vários outros festivais, no Brasil e no exterior.
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