O jovem infrator, por ele mesmo

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Há 30 anos, filme de Lucila Meirelles desafiava os preconceitos da narrativa oficial e dava voz aos internos da antiga Febem. Obra volta a ser exibida (e debatida) neste sábado
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Exibição de Pivete – 30 anos
Sábado, 21 de outubro, às 19 horas – Grátis
Coletivo Digital
Rua Cônego Eugênio Leite, 1117, Pinheiros, São Paulo
Confirme presença aqui
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O Coletivo Digital, que mantém uma programação cultural mensal com filmes, música, exposições e mostras de artes tratando de temas ligados aos Direitos Humanos, exibe neste sábado, 21, às 19h, o curta metragem Pivete, de Lucila Meirelles. A diretora participará de uma roda de conversa ao final do filme.

Há 30 anos, Lucila conseguiu autorização para entrar em uma unidade da Febem do Tatuapé para filmar os menores. Destas filmagens, em que os jovens falam livremente para a câmera e o microfone, surgiu o curta Pivete, de 7 minutos, filmado em VHS.

A ideia principal era romper com o olhar institucional sobre o menor infrator nos documentários, e partir para uma linguagem mais poética e informal, valorizando gestos, olhares, atitudes. A visão do menor por ele mesmo.

Passadas três décadas, o curta, que foi premiado no Festival VideoBrasil e na Jornada de Cine/Video Maranhão, e participou de mostras na França, EUA e Alemanha volta a ser assistido e debatido com a própria diretora. A grande pergunta é: o que mudou na condição do menor, no Brasil, de 1987 para cá?

O Coletivo

Fundado em 2005, o Coletivo Digital luta pela internet livre em campanhas com outros grupos (Campanha banda Larga é um Direito Seu! e Coalizão Direitos na Rede) e vem atuando em projetos voltados à Inclusão Digital, utilizando-se dos softwares livres como meio principal. Em 2009 transformou-se em OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público).

TEXTO-FIM

MST denuncia desmonte da Reforma Agrária e Agroecologia

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Ministério do Planejamento ocupado. Políticas de Temer podem devastar famílias camponesas e dizimar produção orgânica, em país já castigado pelos agrotóxicos

Cerca de 1000 trabalhadores e trabalhadoras rurais Sem Terra (MST) de Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal ocupam o andar térreo do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, em Brasília. Em São Paulo e outras cidades o MST ocupa as sedes regionais do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

A mobilização é parte da Jornada Nacional das Lutas de Outubro e denuncia o desmonte da política de Reforma Agrária e o corte brutal de diversas políticas públicas para a agricultura familiar no projeto de lei orçamentário de 2018.

Aprovada, a proposta do governo Temer trará impactos irreparáveis para o campo e a cidade, alerta Silvia Reis Marques, da direção do MST no Rio Grande do Sul. “As famílias camponesas serão devastadas e será o fim do processo produtivo de alimentos saudáveis e de cuidado com a terra. Isto vai se refletir no conjunto da sociedade brasileira, porque quem produz 70% da comida são os pequenos agricultores e assentados.” Continuar lendo

O nosso 11 de setembro

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11 de setembro de 1973: o Palácio La Moneda, onde estava o presidente socialista Salvador Allende, é bombardeado pelo Exército chileno sob o comando do general Augusto Pinochet

Um brasileiro que vivia no Chile registrou o dia fatal do golpe que despedaçou a democracia de Allende, em 1973, Aconteceu muito antes do 11 de setembro dos EUA – que ajudaram a instalar a ditadura em Santiago

Por Cid Benjamin

Ontem, 11 de setembro, foi aniversário do sangrento golpe militar que assassinou Salvador Allende e implantou a sangrenta ditadura do general Pinochet.

Na ocasião eu estava no Chile, onde tinha ingressado com documentos falsos para voltar clandestinamente ao Brasil, depois de ter sido trocado, juntamente com outros 39 presos políticos, por um embaixador sequestrado pela guerrilha.

Reproduzo aqui o trecho do meu livro de memórias Gracias a la vida (Editora Jośe Olympio, 2013), em que falo desse dia.

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“No dia 11 de setembro veio o golpe, que, em seu momento inicial, talvez tenha sido o mais violento dentre todos os acontecidos na América Latina.

“Na ocasião, já estávamos há poucas semanas, eu, Isolde e Ani, em outra casa, melhor do que o apartamento em que, até então, tínhamos morado. No dia do golpe, saí cedo para uma reunião política com brasileiros. Na rua, senti um clima estranho. E havia grande movimento de helicópteros e aviões. Perguntei a um transeunte se tinha acontecido algo.

“Los milicos se alzaran”, foi a resposta.

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Em defesa da Reforma Psiquiátrica

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Integrante do governo Temer propõe volta dos manicômios públicos. Pesquisadores e docentes lançam mobilização por uma política de Saúde Mental digna e contemporânea

Por Inês Castilho

O sistema de saúde brasileiro encontra-se ameaçado pelo subfinanciamento e a falta de planejamento, avaliação e gestão, mais o abandono da política de formação e qualificação permanente de seus profissionais.

Mereceu repúdio de docentes e pesquisadores em Saúde Mental a proposta levada ao Conass (Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde) e Conasems (Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde) pelo coordenador para Saúde Mental Álcool e outras drogas do ministério da saúde, Quirino Cordeiro, em reunião no dia 31 de agosto. Ele propõe abandonar a orientação atual, da Reforma Psiquiátrica, e expandir os hospitais psiquiátricos nos próximos vinte anos — quando as verbas para o SUS, o Sistema Único de Saúde poderão ficar congeladas.

Manifesto lançado pelo grupo de trabalho em Saúde Mental da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) considera retrógrada e obscurantista a proposta do atual coordenador de Saúde Mental.

“Ao longo de pelo menos 10 anos de implantação da Reforma Psiquiátrica, um grande número de trabalhos publicados em periódicos nacionais e internacionais, e mesmo uma importante publicação no renomado periódico Lancet, têm apresentado evidências dos inegáveis efeitos positivos da Reforma Psiquiátrica Brasileira sobre a vida de usuários e usuárias de saúde mental que têm acesso aos serviços territorializados”, afirma o manifesto.

A assistência à saúde mental no Brasil atravessou profundas mudanças a partir da Constituição de 1988. Graças à luta antimanicomial, transitou do modelo hospitalocêntrico adotado no regime militar para um sistema em que os recursos são gastos principalmente com os serviços comunitários e não com hospitais.

O psicanalista Antonio Lancetti, personagem fundamental do movimento antimanicomial no Brasil – “que se organizou em torno da utopia de uma sociedade sem manicômios” – recentemente falecido, conta um pouco dessa história no primeiro episódio da série audiovisual Psicanalistas que Falam.

Serviços comunitários como os CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), unidades especializadas em saúde mental para tratamento e reinserção social de pessoas com transtorno mental grave e persistente, tiveram entre 2001 e 2014 uma expansão importante, chegando em 2006 à inversão do padrão do gasto público.

Com isso, o Brasil alinhava-se à tendência mundial de qualificar, com respeito e liberdade, os cuidados comunitários para portadores de doenças mentais, mantendo-os perto de suas famílias – uma tendência que vinha desde o fim da segunda guerra mundial. Esta é a orientação proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização Pan-americana de Saúde (OPAS): “reestruturação da atenção em saúde mental articulada à rede de serviços territoriais, inseridos na comunidade onde vivem os usuários, suas famílias, amigos e referências pessoais e reabilitadoras, de forma a viabilizar a substituição de hospitais e manicômios como espaços preferenciais de cuidado.”

“A mudança traria um enorme prejuízo”, afirma Pedro Henrique Marinho Carneiro, que atuou na coordenação de saúde mental do ministério. A redução do uso de leitos de hospitais psiquiátricos não ocorreu à toa, observa. “Há um acúmulo de relatos de histórias de violação de direitos humanos nessas instituições. Isso trouxe para o Brasil até mesmo condenação em cortes internacionais”.

A despeito de seu crescimento, o modelo brasileiro de assistência à saúde mental ainda precisa expandir os serviços comunitários, dos que menos se expandiram no país, fragilizando as redes de atenção – o que tem sido usado como argumento para justificar o retrocesso.

“O nosso compromisso, portanto, é com a ampliação e fortalecimento desse modelo, e não com o seu retrocesso e desestruturação”, conclui o manifesto de docentes e pesquisadores.

A resistência quilombola insinua-se na culinária

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Chefes e organizadores do evento com Maurício Pupo, do Quilombo André Lopes (terceiro à esq.)

Encontro gastronômico entre comunidades e chefes “slow food” lança o livro “Quilombo na Cozinha”  e amplia luta em defesa dos territórios ameaçados por Temer

Por Inês Castilho

Frango caipira com mamão verde. Farofa de taioba com ora-pro-nobis. Carne de jaca verde. Farofa de ostras. Suco de pupunha. Café com garapa. Essas e outras iguarias gastronômicas quilombolas tradicionais da região do Vale do Ribeira integram o livro Quilombo na Cozinha, lançado domingo (27.08) num almoço com a presença de quilombolas e outras 120 pessoas, em São Paulo. Estavam representadas cinco comunidades quilombolas do Vale do Ribeira: quilombos André Lopes, Ivaporunduva, Sapatu, Mandira e São Pedro.
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“O evento foi um manifesto político de um coletivo formado por ativistas, artistas e chefes de cozinha, em desagravo aos violentos ataques sofridos por muitas comunidades tradicionais no país, não apenas as quilombolas, além de fazer o lançamento deste livro em São Paulo no Espaço Zym, restaurante da chefe Claudia Mattos, que assina o projeto como consultora”, explica o historiador Ederon Marques, da agência de turismo comunitário Araribá, que promove práticas socioculturais sustentáveis na Região do Vale do Ribeira desde 1996. A intenção, com o livro, é assegurar condições mínimas para a guarda e a transmissão destes conhecimentos a outras regiões, culturas e gerações futuras.

“O livro de receitas é bom pra restaurar a nossa cultura e ajudar a desenvolver várias receitas da nossa comunidade”, diz Mauricio Pupo, liderança do Quilombo André Lopes, no município de Eldorado. “Como a gente está pretendendo trabalhar com turismo esse livro vai nos ajudar, porque hoje temos várias moças e rapazes que talvez não consigam cozinhar como nossos antepassados.” Uma das poucas depositárias vivas de conhecimentos sobre as práticas gastronômicas tradicionais locais, a líder comunitária Luzelda Pereira de Morais foi uma figura fundamental para a realização do livro.

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Alguns dos pratos servidos no almoço

As práticas culinárias quilombolas respondem a uma das maiores necessidades humanas contemporâneas, frontalmente contrária aos apelos mercadológicos e midiáticos da alimentação moderna: a da alimentação diversa, saudável, de produção ecologicamente correta e que mantém a biodiversidade.

“É um jeito gostoso de fazer política”, diz a chef Claudia Mattos, líder da Aliança de cozinheiros Slow Food. “Me apaixonei pelas comunidades quilombolas do Ribeira desde o meu primeiro encontro, há mais de 7 anos. Foi em uma feira de troca de sementes e mudas. Ali vivi a importância do Paiol – como eles batizaram seu banco de sementes tradicionais – que reúne uma grande etnovariedade de arroz, milho, feijão e mandioca, entre outros, para a conservação da biodiversidade.” Ela considera os quilombolas “um patrimônio gastronômico, guardiães da biodiversidade local e representantes da diversidade sociocultural do Brasil”.

O evento foi mais uma iniciativa em defesa dos territórios tradicionais quilombolas, no caldeirão da campanha “Nenhum Quilombo a Menos” e outras contra as ameaças do governo Temer a indígenas e quilombolas. Um encontro entre pessoas interessadas em pensar projetos para o país e celebrar o alimento, com a participação de cozinheiros engajados. Dois documentários do cineasta Sergio Roizenblit foram apresentados no evento: Terra Paulista – Na beira do Ribeira, que integra uma série produzida pela ONG Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação e Ação Comunitária) e Quilombos, episódio da série Habitar-Habitat, da TV Sesc. Entre as instituições apoiadoras estão o ISA – Instituto Socioambiental e o Instituto Chão.

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Coleta e teste de receitas tradicionais quilombolas realizado em 2016 na comunidade André Lopes

Terras comuns
Quilombos são comunidades negras rurais que agrupam descendentes de escravos, vivendo de cultura de subsistência e onde as manifestações culturais têm forte vínculo com o passado – segundo definição da Associação Brasileira de Antropologia. Entre os séculos 16 e 19, os escravos fugidos das fazendas – e de outras opressões, como o recrutamento para a guerra – abrigavam-se em áreas rurais distantes da cidade para se defender da escravidão e resgatar sua cultura e laços de família. Nos quilombos, o uso da terra e dos recursos naturais é comum, como nos territórios indígenas. O direito à propriedade de seus territórios, hoje ameaçado, foi garantido pela Constituição de 1988. Levantamento da Fundação Cultural Palmares, do Ministério da Cultura, mapeou 3.524 dessas comunidades. De acordo com outras fontes, contudo, esse número pode chegar a cinco mil.

A região do Vale do Ribeira tem 86 comunidades remanescentes de quilombos.  Localizada ao sul do estado de São Paulo e norte do Paraná, a região abarca 31 municípios (22 paulistas e 9 paranaenses) e, embora de grande riqueza sociocultural e ecológica, é uma das mais pobres do estado de São Paulo. Nela vivem, além dos quilombolas, comunidades caiçaras e de índios Guarani, pescadores tradicionais e pequenos produtores rurais. É a maior área contínua de remanescentes de Mata Atlântica do país, onde corre o rio Ribeira do Iguape e encontram-se restingas e manguezais.

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A chef Claudia Mattos (terceira à esq.) durante trabalho de pesquisa e coleta de receitas no Quilombo André Lopes, em 2016

A ocupação de Quilombo André Lopes se deu a partir da expansão territorial de grupos negros estabelecidos nos arredores de Ivaporunduva, São Pedro (antiga Lavrinha) e Nhunguara e de deserções do Exército por ocasião da Guerra do Paraguai. Os primeiros registros do quilombo datam de 1830. A gruta de Tapagem, hoje conhecida como Caverna do Diabo, teria servido de esconderijo para negros durante a guerra.

Cozinha engajada
O livro Quilombo na Cozinha – Receitas tradicionais quilombolas pode ser comprado em Outros Livros, de Outras Palavras, por 25 reais – valor integralmente repassado aos quilombolas.

Integraram a cozinha do almoço quilombola: Ana Luiza Trajano, chef e pesquisadora da Cozinha Brasileira, Instituto Brasil a Gosto; Bel Coelho, chef de cozinha, restaurante Clandestino; Ellen Gallego, chef e produtora agroflorestal, Quintal da Leontina, membro da Aliança de cozinheiros Slow Food; Eugênio Basile, produtor e diretor da Mbee Mel de Terroir; Eudes Assis, chef do restaurante Taioba; Fábio Vieira, chef proprietário do restaurante Micaela; Guga Rocha, chef executivo, Tapioteca (SP) e The Gusta (RJ); Heloisa Bacelar, chef proprietária do armazém e restaurante Lá da Venda; chef Iza Tavares; Leila D, artista da culinária, idealizadora do Festival de Gastronomia Orgânica da Terra ao Prato; Marcelo Bastos, chefe do restaurante Jiquitaia; Maria Conceição Oliveira, chef e pesquisadora da Cozinha Afro Brasileira, membro da Aliança de cozinheiros Slow Food; Mari del Mar, cozinheira, Com Alma; Tatiana Peebles, produtora, Café Yaguara Ecológico; Wlisses Reis, chef, restaurante Clandestino.

O menu e equipe de cozinheiros estiveram a cargo de Bel Coelho. A coordenação e organização do evento foram de Ederon Marques e Marcelo Semiatzh. Apoiaram o evento Ieltxu Ortueta, designer gráfico, Artefactos Bascos; e Zernesto Pessoa, ator e produtor.

Maldição em Sandovalina

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Bombardeada intesamente por agrotóxicos, cidade — que nasceu de um latifúndio — é recordista em câncer de pâncreas e malformações congênitas. No Congresso, avançam projetos ainda mais permissivos a venenos agrícolas

Por Inês Castilho

O município paulista com a maior taxa de morte por câncer do pâncreas é Sandovalina, pequena cidade de pouco mais de 4 mil habitantes na região do Pontal do Paranapanema. É também o segundo maior índice de nascidos vivos com malformações congênitas, conforme dados do Ministério da Saúde de 2000 a 2013, e o motivo é bem conhecido pela população. São “os aviões que passam despejando veneno”, contaminando as águas, pessoas e plantações – como relata Solange Cristina Ribeiro, da área de meio ambiente da CUT-SP.

Os agrotóxicos despejados nas lavouras por aviões de grandes fazendas de cana-de-açúcar e soja da região, carregados pelo vento, vão além dos limites das monoculturas. Daí a contaminação de plantações de mandioca e hortaliças, e a perda de safras dos produtores de seda pela contaminação das amoreiras, onde se alimentam as lagartas que se transformam em bicho-da-seda.

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Começa a construção do Fórum Alternativo das Águas

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Represa do Atibainha, em Nazaré Paulista, parte do sistema Cantareira, que abastece a Região Metropolitana de SP

Encontro reunirá movimentos de todo o mundo que lutam contra privatização. Em SP, Assembleia Popular preparativa ocorrerá em setembro — e enfrentará entrega da Sabesp, a empresa pública que abastece o Estado

Por Inês Castilho

Um mapa dos conflitos e um diagnóstico dos problemas que a população enfrenta com relação à água, no estado de São Paulo, será apresentado na Assembleia Popular da Água que marcará o início dos trabalhos do comitê estadual do FAMA – Fórum Alternativo Mundial da Água – em São Paulo, dia 30 de setembro. A decisão foi tomada durante encontro que reuniu, nesta terça (29/8), representantes de dezenas de entidades que compõem o Coletivo de Luta pela Água, criado em plena crise hídrica, em janeiro de 2015, por 89 entidades.

O FAMA, a ser realizado em março de 2018, em Brasília, se contrapõe ao “8º Fórum Mundial da Água”, promovido por grandes grupos econômicos que defendem a privatização das fontes naturais e dos serviços públicos de água e também acontecerá em março, na capital federal.

Formado por entidades da sociedade civil e de movimentos populares e ambientais, nacionais e internacionais, o FAMA tem como objetivo tratar da água como direito, não um produto mercantil, e garantir debates que permitam examinar a questão em seus diversos aspectos.

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Os Guarani ocupam a Presidência — e pedem apoio

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Sairemos da sua casa quando vocês sairem da nossa”, afirmam indígenas no escritório presidencial na Avenida Paulista, em São Paulo. Eles convidam para ato público esta tarde

Por Inês Castilho
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Ato público em defesa da Terra Indígena Jaraguá
Quarta-feira, 30 de agosto, 17 horas
Vão Livre do Masp, Avenida Paulista, São Paulo
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Seguimos fortes com a nossa reza! Queremos garantido o direito a nossas terras!!”

Com essas palavras, cantos, danças e rezas, o Povo Guarani ocupou hoje o escritório da presidência da República na Avenida Paulista, em São Paulo. Em Brasília, um grupo de indígenas acampou diante do ministério da Justiça, entoando seus cânticos tradicionais, com as mesmas exigências.

Fizemos isso porque dia 21 o governo Temer invadiu a nossa casa, a Terra Indígena Jaraguá, anulando nossa demarcação”, afirmam em vídeo que convoca as pessoas a comparecer no Ato Público marcado para esta tarde, às 17 horas, no Masp.

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Em Brasília, acampamento diante do Ministério da Justiça

O Ato exige a revogação da Portaria 683 do ministério da Justiça, publicada segunda-feira, 21/08, e a continuidade do processo de demarcação da Terra Indígena Jaraguá. A Portaria 683 anula medida judicial de 2015 – a Portaria Declaratória 581, do governo Dilma – que reconhece 532 hectares na região noroeste de São Paulo como área de ocupação tradicional Guarani da Terra Indígena Jaraguá.

Essa decisão serve apenas para agradar o governo Alckmin que quer vender nossas terras e privatizar o parque do Jaraguá, que nós sempre protegemos”, afirmam.

São mais de 700 indígenas, a maioria crianças, vivendo em cinco aldeias na Terra Indígena Jaraguá. A Portaria 683 coloca na rua 600 guaranis.

Para onde Temer acha que nós vamos? O governo quer nos matar?”

O Povo Guarani exige também a revogação do parecer 001/2017 da AGU, com o qual “Temer quer cancelar as demarcações de todos os parentes em todo Brasil, para dar nossas terras para os ruralistas”.

Fora Temer da nossa casa! Sairemos da sua casa quando vocẽs sairem da nossa”, afirmam, convocando todos ao ato O Jaraguá é Guarani! hoje às 17h no Vão do Masp.

 

O Pico do Jaraguá é Guarani, reafirmam indígenas

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Portaria que anula direito do povo Guarani a 532 hectares no ponto mais alto de São Paulo é repudiada por indígenas, indigenistas e movimentos sociais. Haverá manifestação nesta quarta

Por Inês Castilho


Ato público em defesa da Terra Indígena Jaraguá

Quarta-feira, 30 de agosto, 17 horas
Vão Livre do Masp, Avenida Paulista, São Paulo

A Comissão Guarani Yvyrupa (CGY), a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e o fórum da Mobilização Nacional Indígena convocam Ato Público nesta quarta-feira, 30/08, em São Paulo, em defesa da Terra Indígena Jaraguá e da demarcação de todas as Terras Indígenas. O ato, para o qual [email protected] estão [email protected], pede a imediata revogação da Portaria n° 683/17 do Ministério da Justiça, publicada no Diário Oficial segunda-feira, 21/08, e a continuidade do processo de demarcação da Terra Indígena Jaraguá.

A Portaria anula medida judicial de 2015 – a Portaria Declaratória nº 581/2015, do governo Dilma – que declara 532 hectares na região noroeste de São Paulo como área de ocupação tradicional Guarani da Terra Indígena Jaraguá.

“O raciocínio do Ministro é de uma crueldade chocante: ele admite que no passado, por culpa do próprio governo federal nossos direitos foram ignorados, e fomos confinados em uma área de 1,7 hectare, onde vivem hoje espremidos 700 dos nossos parentes. Porém, para ele, se novamente o governo federal falhou ao ignorar o seu próprio erro por mais de 5 anos, quem deve ser punido somos nós, o povo guarani, novamente!”, indigna-se a Comissão Guarani Yvyrupa (CGY). Os índios Guarani que ocupam as terras do Pico do Jaraguá convivem com dificuldades no acesso à saúde, educação e saneamento básico.

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Resistência na ponta da agulha

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Documentáriconta, por meio de bordados e das mulheres que os tecem, uma história da violência associada ao setor elétrico brasileiro 

Por Inês Castilho
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Arpilleras: Atingidas por barragens bordando a resistência
Lançamento: 29 de agosto, às 19h
Cine Odeon – Praça Floriano, 7 – Centro — Rio de Janeiro (mapa) — Metrô Cinelândia
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Bordar a dor para denunciar a violência. Um trabalho tradicional de mulheres no ambiente doméstico é transformado em instrumento de luta e vira tema do longa-metragem Arpilleras: atingidas por barragens, bordando a resistência.

O filme conta a história de dez mulheres cujas comunidades foram atingidas por barragens de mineradoras e hidrelétricas, nas cinco regiões do Brasil. Seus relatos de dor e luta pelas violações sofridas em suas vidas cotidianas foram transformados em cenas bordadas. A costura, inofensiva tarefa feminina, usada transgressivamente, transforma-se em potente ferramenta de resistência e denúncia.
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Grandes obras do setor elétrico, além de destruirem comunidades inteiras, têm impacto ainda mais predatório para as mulheres. Com elas chegam em pequenos municípios milhares de operários desgarrados e sem família, criando um ambiente propício ao assédio sexual, ao estupro, ao tráfico de mulheres e à violência sexual contra menores.

A partir de cada personagem, o filme mostra os problemas criados pela hidrelétrica de Belo Monte, que impactou a vida de aproximadamente 40 mil pessoas em Altamira (PA); a barragem de rejeitos de Fundão, que se rompeu em novembro de 2015 e causou a morte de 19 pessoas em Mariana (MG); a barragem do Castanhão, que canaliza água para a região metropolitana de Fortaleza (CE); a hidrelétrica de Itá (RS), idealizada no período da ditadura militar; e as hidrelétricas de Cana Brava e Serra da Mesa, ambas em Goiás.
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A técnica
A Arpillera é uma técnica têxtil cujas raízes estão fincadas numa antiga tradição popular de bordadeiras de Isla Negra, no litoral chileno. Recriada para denunciar a ditadura de Pinochet, a técnica foi adotada a partir de 2013 no Brasil pelo MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens, que há 26 anos defende os direitos das populações atingidas por barragens.

“As arpilleras são como cancões que se pintam”, teria dito a compositora Violeta Parra, que expôs suas arpilleras no Museu do Louvre em 1964.

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Detalhe Arpillera “Homem com violão”, de Violeta Parra

O filme é uma produção do MAB e foi viabilizado por meio da plataforma de financiamento coletivo “Catarse”.