Educação, conjuntura e cursinhos populares

Mesa “Brasil em crise: os efeitos da crise política e econômica na educação” reuniu especialistas na primeira atividade da II Jornada de Educação Popular

Por Beá, da equipe de Comunicação da II Jornada de Educação Popular

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A II Jornada da Educação Popular começou logo cedo, às 9h30, com a mesa “Brasil em Crise: os efeitos da crise política e econômica na educação” com Lúcia Bruno, Mirian Helena Goldschmidt, Marcos Cassin e Denise Carreira, todos estudiosos da área.

O debate teve início com a fala da Denise Carreira a respeito dos esforços conservadores em minimizar o Estado e sua responsabilidade em garantir os direitos sociais conquistados pelas minorias políticas ao longo dos últimos anos. “Há atualmente um movimento para transformar direitos em mercadorias”, disse a coordenadora-adjunta da Ação Educativa.

Para Denise, é preciso entender o Plano Nacional de Educação (PNE) como um instrumento de luta. “A participação ativa da população na agenda política do Brasil traz colaborações importantes, como as metas 12 e 13, do PNE, que demandam não só um ensino superior de qualidade, mas também uma universidade diversa, com ações afirmativas de acesso e permanência das minorias. Tais pontos estão hoje ameaçados pelas políticas de austeridade econômica que estão sendo implementadas”, alertou.

Na sequência, foi a vez da socióloga e professora da USP Lúcia Bruno, que afirmou acreditar que a vulnerabilidade da educação no Brasil está diretamente relacionada ao tipo de atividade econômica reservada ao país. “Nossa demanda por mão de obra qualificada é muito pequena. Exportamos sementes e minérios, enquanto países com uma economia dinâmica exportam bens mais sofisticados que exigem uma mão de obra mais qualificada.”

A socióloga também relacionou o processo de sucateamento do ensino superior com a migração dos filhos da elite brasileira para universidades dos Estados Unidos, Inglaterra e Europa. “Enquanto, as maiorias populares avançam em direção às universidades, a elite transita entre os principais centros de conhecimento do mundo.” Para Lúcia, a formação nas melhores universidades do mundo confere aos jovens privilegiados um conhecimento cosmopolita que facilita o acesso aos principais cargos de lideranças públicas e privadas do mundo todo.

Terceira a falar, Mirian Helena Goldschmidt, que é supervisora de Ensino da Secretaria de Educação de São Paulo reconheceu nos cursinhos populares a resistência ao modelo educacional vigente. Para ela, o atendimento destinado aos jovens trabalhadores propõe “uma formação crítica para além dos conteúdos básicos e tem como objetivo final diversificar a produção de conhecimento acadêmico”.

Por fim, o professor da USP Marcos Cassin apontou em sua fala que os cursinhos populares não devem se limitar à aprovação nos vestibulares. “O sucesso do cursinho tem que ser medido a partir do nível de compreensão daqueles que lá estão sobre a realidade como um todo”, opinou

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