Oficina: o ativismo dos acionistas rebeldes

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Em diversos países, os atos das grandes corporações estão sendo denunciados nas próprias assembleias de acionistas. Vamos fazê-lo também no Brasil


Roda de Conversa com Christian Russau
Sexta-feira, 15/9, às 19h30, em Outras Palavras

Rua Conselheiro Ramalho, 945 – Bixiga – S.Paulo (mapa) – Metrô S. Joaquim ou Brigadeiro)
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Muito mais que os governos, as grandes corporações são hoje o verdadeiro poder global. É preciso enfrentá-las de várias formas – em especial as surpreendentes. Outras Palavras convida para uma oficina sobre nova forma de ativismo: o dos acionistas críticos e rebeldes.

Nesta sexta-feira, em nossa redação em São Paulo, o jornalista e ativista alemão Christian Russau coordenará oficina de introdução sobre o tema. Christian é, em seu país, referência nesta forma de ativismo. Comparece, todos os anos, a assembleias de grandes empresas como a Siemens, Volkswagen, Thyssenkrupp, Bayer (que está adquirindo a Monsanto). Faz denúncias. Exige explicações e documentos. Suas descobertas e falas alimentam novas ações.

No Brasil, um movimento semelhante esboça-se em empresas como a Vale e Eletrobras. É apenas o começo. Queremos reunir gente interessada em expandir esta forma indispensável de contrapoder. Eis o texto em que Christian apresenta sua ação:

Como levar a crítica diretamente ao coração da besta?

Ativistas de direitos humanos e ambientalistas desenvolveram nos últimos anos em vários países a estratégia de levar a crítica que eles tem à atuação de empresas multinacionais para dentro da própria esfera pública das empresas: nas assembleias anuais de acionistas.

Como ativistas de direitos humanos e ambientais geralmente não são acionistas, usam uma solução simples: Para poder entrar na assembleia de acionistas para confrontar os executivos e diretores, compram uma única ação.

Dentre centenas de milhões de ações, uma única certamente não tem peso na votação. Porém, na Alemanha, a lei estabelece que cada acionista tem direito a se pronunciar durante dez minutos, não importa quantas ações possua. Os ativistas se aproveitam dessa legislação e conseguem falar diretamente com as dezenas de milhares de acionistas e, mais importante, com os diretores e presidentes da empresa. Eles podem ser diretamente questionados e são obrigados a responder a qualquer pergunta.

Os ativistas também levam para as assembleias pessoas de outros países como Índia, Brasil ou Colômbia, que estão sendo afetados por grande empreendimentos destas empresas. Assim, elas mesmas podem falar para os diretores e milhares de acionistas presentes na assembleia sobre as irresponsabilidades cometidas por eles.

Não é uma estratégia capaz de mudar o rumo do comportamento das empresas, mas pode manchar a imagem da empresa, dos diretores e dos gerentes, cujos comportamentos estão sendo expostos na frente de seus acionistas.

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