Yanomamis: imagens que salvam

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Mulheres e crianças durante apresentação do estudo ISA/Fiocruz sobre contaminação de mercúrio pelo garimpo ilegal na TI Yanomami, região do Papiú

Povo indígena pede ajuda para fortalecer centro de audiovisual, usado nas lutas e reivindicações de suas comunidades no Amazonas

Por Inês Castilho | Imagem: Marcos Wesley / ISA

Os Yanomami da região amazônica sofrem há décadas com as invasões de suas terras pelo garimpo ilegal. Hoje, enfrentam a grave contaminação por mercúrio e outros metais pesados usados pelos garimpeiros em suas aldeias: algumas chegam a ter mais de 90% das pessoas contaminadas, conforme estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Instituto Socioambiental (ISA) realizado em 2016.

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Davi Kopenawa: “O ouro vem parar na avenida Paulista”

“Estamos tomando água poluída, de mercúrio. O povo yanomami vai sumir”, denunciou pela segunda vez na ONU, em abril, seu líder político e xamã Davi Kopenawa, autor de A queda do céu. Investigações indicam que o volume de negócios gerado pela venda do ouro ilegal foi de R$ 1 bilhão, entre 2013 e 2014, e vem sendo negociado na Ouro Minas DTVM, uma das principais distribuidoras de ouro no país, na sede da empresa, em São Paulo, e na filial em Rondônia, com o envolvimento de políticos e empresários. “Alguém financia os equipamentos, o combustível, os aviões, a alimentação dos garimpeiros”, diz o procurador Fábio Brito, do MPF de Roraima.

Sua arma de luta são as imagens. A campanha de financiamento coletivo Núcleo Audiovisual Xapono 2017 foi criada para fortalecer o “centro de produção, formação, discussão, reivindicação, luta e imaginação de e para os povos indígenas e yanomami” do Amazonas, em particular do rio Marauiá.

O Núcleo Audiovisual Xapono foi criado em 2016 por uma parceria entre a Associação Yanomami Kurikama, Rios Profundos, Fábrica de Cinema e Escola Xapomi. Graças à contribuição de mais de duzentas pessoas via campanha de financiamento coletivo, foi possível comprar equipamentos e realizar uma oficina de três semanas de introdução à produção e linguagem audiovisual.

Agora, querem consolidar o trabalho de produção, exibição e discussão audiovisual. “Queremos fazer do Núcleo Audiovisual Xapono um centro de produção, formação e discussão sobre vídeo e cinema como ferramentas de produção de narrativas de reivindicação, luta e imaginação, de e para os povos indígenas”, sustentam.

A meta da campanha é de 40 mil reais, incluindo a compra de equipamentos para ampliar os meios de produção do Núcleo Audiovisual Xapono e a realização de duas oficinas: a primeira durante 4 semanas, entre agosto e setembro, e a segunda de 3 semanas, em dezembro, com os profissionais Renato Batata, professor convidado do curso de Comunicação e Multimeios da PUC-SP, e Rodrigo Siqueira Arajeju, roteirista e diretor dos filmes Índio Cidadão?, Índios no Poder e Tekoha – som da terra, este em parceria com Valdelice Veron Kaiowa.

TEXTO-FIM

Uma ideia sobre “Yanomamis: imagens que salvam

  1. Até quando fingiremos, nós “humanos civilizados”, que manter índios em “ghettos”, ou reservas copiadas dos estadunidenses representa um ato de bem? Folgadamente legamos a essa gente de alto valor, que bravamente ocupa território que invadimos, emporcalhamos e destruímos.
    Ao trabalho de assimilação desse povo, com respeito e humanidade, ninguém se entrega, nenhum órgão oficial desse nosso desgoverno.
    Eles mereceriam todo um país, grande parte dele, de que nada fazemos, apenas permitimos sua invasão por malfeitores.
    Até quando fingiremos de morto, enquanto o holocausto prossegue? Nem sabemos, e não queremos saber, apenas sabemos o que se tem passado e não registramos. De vez em quando fingimos “dedurarmos”…para quem ouvir ou fazer? Os que deduram apenas deduram, cientes que quem ouve nada pode fazer a respeito.
    Isto prossegue por que ao governo nem o povo interessa, mesmo o dito “branco”.

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