Jacques e a Revolução, uma obra premonitória

170525_Jacques e a revolução - Ana Luiza Accioly e Katia Iunes - Foto Flávia Fafiães

Em cena, as atrizes Ana Luiza Accioly e Katia Iunes

Criadores e equipe convidam público a colaborar com o financiamento coletivo para a peça de Ronaldo Lima Lins retornar, em nova temporada, no Teatro Ziembinski, no Rio

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Jacques e a Revolução, ou Como o criado aprendeu as lições de Diderot
Peça de Ronaldo Lima Lins, dirigida por Theotonio de Paiva
Reestreia dia 9 de julho | Teatro Municipal Ziembinski
End: Rua Heitor Beltrão, s/no – Metrô São Francisco Xavier
Tel. (21) 3234.2003
Dias: 9, 16, 23 e 30 de julho de 2017
Horários: 19h30
Duração: 80 min
Valor do ingresso: 40 (inteira) 20 (meia) 15 (lista amiga)
Para apoiar, acesse aqui 

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Uma nova temporada de um espetáculo teatral, montado com financiamento coletivo, é a proposta da equipe de Jacques e a Revolução, ou Como o criado aprendeu as lições de Diderot. O êxito da peça é o que levou seus realizadores a pedir a colaboração do público para que ela volte aos palcos cariocas, em julho, desta vez no Teatro Municipal Ziembinski, na Tijuca.

Durante dois meses, Jacques e a Revolução foi apresentada com grande sucesso em Lonas e Arenas Culturais – equipamentos disponibilizados pela prefeitura para apresentação de espetáculos culturais nas periferias cariocas. O mesmo sucesso de crítica e público foi alcançado na temporada do Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas, no tradicional bairro de Santa Teresa, em maio.

“O financiamento coletivo para a nova temporada do Jacques e a Revolução destina-se a cobrir custos da montagem, reciclagem de material e pagamento de atores e criadores do espetáculo”, explica o dramaturgo Theotonio de Paiva, diretor do espetáculo. “O teatro é público e tem a infraestrutura necessária.” O financiamento é de 8 mil reais, e na página do Catarse é possível conhecer melhor o projeto.

A peça

“É por natureza que a maioria dos seres comanda ou obedece”, propugnava Aristóteles em sua Política. E esta dicotomia – dominados e submissos – capaz de colocar uns acima e outros abaixo, feitores e escravos, patrões e criados, maridos autoritários e mulheres ‘domesticadas’, sexualidades passivas ou ativas, torturadores ou vítimas, continua como uma marca cínica do processo evolutivo civilizatório.”

Assim tem início a crítica da peça Jacques e a Revolução escrita por Wagner Correa de Araújo. E termina: “Quem é mais digno de pena? O que bate ou o que apanha?”…

A peça não se passa em nenhum lugar específico – o mundo está em foco. Desenrola-se através do diálogo entre dois personagens: o patrão, um empresário, e seu empregado Jacques, numa conversa que os coloca em confrontos bem humorados.

Apesar de escrito no início do processo de democratização do país, em 1989, à época da queda do muro de Berlim, o texto dialoga intensamente com os tempos que correm. É como se estivéssemos diante de uma espécie de expressão premonitória das sucessivas crises hegemônicas e representativa dos poderes.

Foi escrita na esteira das comemorações de 200 anos da revolução de 1789, espelhando-se na obra de Diderot Jacques o Fatalista e o Seu Amo, dos anos de aproximação da Revolução Francesa, como em 1971 havia feito o escritor Milan Kundera com Jacques e Seu Amo. O texto guarda proximidade, ainda, na relação entre patrão e empregado, com a comédia política O Senhor Puntila e Seu Criado Matti de Bertolt Brecht.

Para examinar um conjunto de ideias delineadas pelo iluminista francês, a peça reinaugura questões antigas na dinâmica dos últimos séculos da modernidade.
O “tema da viagem”, conforme aparece em Diderot, aqui se concentra num único eixo, no coração de um império econômico, metáfora do próprio sistema. Nessa condição, Jacques e o Empresário passam em revista as suas próprias histórias, ambições e derrotas.

Somos colocados diante de uma dialética envolvendo dominador e dominado, na qual há trânsito e alternância de posições. Quem estava por baixo vê-se por cima e vice-versa.

A direção de Theotonio de Paiva acentua esse jogo de espelhos, numa encenação que exercita o poder da síntese, ao trabalhar com dois naipes de personagens: dois homens e duas mulheres. Essa composição permite revelar mais claramente o jogo presente no próprio texto, favorecendo a construção dramático-narrativa entre atores e público.

A peça recebeu o Prêmio Maurício Távora – 1989 / Secretaria de Cultura do Estado do Paraná, e foi contemplado com o Viva a Arte!, da Prefeitura do Rio /Secretaria Municipal de Cultura. No decorrer de 2016 foi encenada em diversas Lonas e Arenas Culturais, para público dos bairros cariocas. Em outubro realizou temporada no Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas, com sucesso de crítica e público.

Ficha Técnica
Direção – Theotonio de Paiva
Elenco – Abílio Ramos, Ana Luiza Accioly, Katia Iunes e Luiz Washington.
Trilha sonora original – Caio Cezar e Christiano Sauer criaram a da peça.
Direção de arte – Marianna Ladeira e Thaís Simões assinam a e Carmen Luz a Direção de movimento – Carmen Luz
Iluminação – Renato Machado
Designer gráfico – Nicholas Martins
Fotos – MarQo Rocha e Flávia Fafiães
Assessoria de Imprensa: Monica Riani
Direção de produção – Katia Iunes
Realização – Todo o Mundo Cia de Teatro
Produção – Nonada – Arte e cultura contemporânea.

Facebook://www.facebook.com/jacquesearevolucao/

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