Nalu Faria: Não basta votar e voltar para casa

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“As pessoas que trabalham apenas com o calendário eleitoral não entenderam o tamanho do problema que a gente tem, não entenderam que sequer este calendário é uma certeza. Queremos Diretas Já para garantir que haja eleição”

Por Nalu Faria*


Outras Palavras” está indagando, a pessoas que pensam e lutam por Outro Brasil, que estratégias permitirão resgatar o país da crise (Leia a questão completa aqui e veja todas as respostas dos entrevistados aqui).

A maneira de virar a página no Brasil é para ampliar nossa mobilização, para que ela seja capaz de modificar a correlação de forças políticas no país. O maior exemplo disso foram as mobilizações [1] [2] do mês de março e como elas contribuíram para a greve geral de 28 de abril. O sucesso da greve foi consequência do envolvimento de muitas organizações, algo mais amplo que sindicatos, partidos e suas frentes. Precisamos reforçar e ampliar as frentes de esquerda, na mobilização e na luta. Foi assim que conseguimos parar 45 milhões de trabalhadores, é assim que vamos falar com a classe trabalhadora do país: aprofundando a mobilização e a luta. Nossa saída é a mobilização, não é a negociação por cima! Manifestações de rua, assembleias, debates, políticas de comunicação, ações diretas. Então parte de nossa estratégia de construção é tornar a mobilização permanente e não eventual.

Nossa reação será mais efetiva se tiver uma pauta política. Precisamos reivindicar Diretas Já e a recuperação da democracia no Brasil. As pessoas que trabalham com o calendário eleitoral não entenderam o tamanho do problema que a gente tem, não entenderam que sequer este calendário é uma certeza. Queremos Diretas Já para garantir que haja eleição. Precisamos também de uma Assembleia Nacional Constituinte para realizar mudanças que precisam de legitimidade para serem feitas. Hoje temos mais gente comprometida com o processo de mudanças do que com a normalidade do calendário eleitoral. E não é com esse parlamento que vamos conseguir fazer reforma agrária, reforma urbana, tributária, política e democratização dos meios de comunicação no Brasil.

Se houver eleições diretas significa que teremos mudado a correlação de forças. Hoje não há normalidade do calendário eleitoral. Por isso precisamos de Eleições Diretas Já. Por isso acreditamos que vamos construir compromissos mais avançados na medida que mais pessoas se convençam de que é este o caminho, o da mobilização. Um governo popular se move de acordo com o que lhe é exigido pelos setores que o apoiam. Por isso é importante a dinâmica de mobilização, para efetivar nossas propostas políticas. Não basta votar e voltar para casa. A mobilização tem que ser permanente.

Que forças temos? Todas as centrais estavam na greve geral, mesmo que a Força Sindical e a UGT tenham chamado de paralisação. A CNBB teve um impacto forte. Temos os intelectuais, pessoas de comunicação que não necessariamente estão no cotidiano das lutas. Precisamos realizar intervenções permanentes e construir a maior unidade possível entre setores da esquerda. Mas há setores que sequer acham que há um golpe. E isso mostra o tamanho de nossa dificuldade para fazer uma mobilização comum.

Temos muita gente se mobilizando na juventude, mulheres, negros, na periferia. São setores que estão em organização permanente. Como criar capacidade de incorporá-los? Com uma plataforma que incorpore os temas que defendem. E com processos organizativos amplos, que estimulem a participação e o diálogo. O desafio organizativo é totalmente vinculado à visão política.


*Nalu Faria é coordenadora da Sempreviva Organização Feminista e militante da Marcha Mundial das Mulheres.

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