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A tática do “vai passar”

Também a esquerda parece atônita com a Lista de Fachin – e cala-se, esperando a tempestade passar. Não vai dar certo, e há uma alternativa

Por Antonio Martins | Vídeo: Gabriela Leite

Ontem, sob o choque que se seguiu à divulgação da Lista de Fachin, Brasília reduziu-se a um deserto – agora, não apenas de ideias, mas também de presença física. Câmara e Senado ficaram às moscas. Projetos cruciais da agenda de retrocessos – como o que obriga os Estados a promoverem privatizações e ajustes fiscais – não foram adiante.

Mas a paralisia atinge também a esquerda institucional. As principais lideranças do PT e PCdoB calaram-se. Os sites destes partidos, também. Nada falam do envolvimento, em denúncias graves de recebimento de propina, de todos os ministros importantes do governo Temer e de todos os caciques do PSDB. Estão silenciosos por um motivo óbvio: as delações também os atingem. Por isso, esperam a tempestade passar. Segundo especulações da mídia, aliás, Lula, Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer têm se articulado, pessoalmente ou per meio de intermediários, para tentar algo que “salve a classe política”.

Mas esta tática – a do avestruz, ou do “vai passar” – é extremamente arriscada. Na política, não há vazios, muito menos em situações de comoção nacional, como agora. Se a esquerda se cala, o espaço será ocupado por dois atores, ambos do campo conservador. Primeiro, a mídia. Nas TVs e nos jornais de hoje, já aparece uma nítida tentativa de distorcer os fatos e concentrar todo o foco das denúncias no PT, em Lula e em Dilma. O segundo ator é o Judiciário – a Lava Jato e o procurador Janot, cujo viés conservador é evidente.

Há uma alternativa concreta à tática do “vai passar”: é defender uma vasta Reforma Política, com base nas próprias revelações da Lista de Fachin. Ela demonstra que a corrupção está encravada na política institucional brasileira. Não basta, portanto, punir bodes expiatórios. É preciso mudar o sistema.

O tema é complexo, requer elaboração, mas pode começar com propostas simples. Uma primeira. Afirmar, claramente, que a tramitação contrarreforma da Previdência tem de ser interrompida. Sustentar que um governo e um Congresso suspeitos não têm legitimidade para eliminar direitos do povo.

Uma segunda proposta: defender que as principais medidas já adotadas por este governo e Congresso ilegítimos sejam submetidas a referendo popular. Entrega do Pré-Sal. Terceirizações. Bloqueio à demarcação das terras indígenas. Congelamento dos gastos sociais por vinte anos. Tudo isso foi adotado às pressas, sem debate, por deputados e senadores suspeitos. Tudo isso tem de ser revisto pela sociedade.

A tempestade aberta na terça-feira não vai serenar por si mesma. O Valor de hoje informa: além de pedir inquérito contra 108 políticos, o ministro Edson Fachin determinou a abertura de 135 pedidos de investigação, em 21 Estados. A vida brasileira estará fortemente marcada por esse tema, nos próximos anos. A tentativa de acordos por cima só abrirá espaço para o descrédito da política e para os que negam qualquer forma de democracia. A hora é da Reforma Política.

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7 ideias sobre “A tática do “vai passar”

  1. Muito boa tarde, quero se me permite comentar é sobre a retirada dos cobradores dos ônibus urbanos de nossas cidades, imagine este Lava jato Municipal que esta em curso, acredito que os empresários estão despejando verdadeiras fortunas pra acabar com o emprego dos cobradores(Ganância), se vc dirigir com o celular ao ouvido será multado e terá pontos na carteira, imagine o motorista de ônibus cobrando passagem e dando atenção ao passageiro ao mesmo tempo(Imoral, pra não dizer indecente), vale lembrar que o vale transporte foi criado pelo Governo Federal e foi totalmente desfigurado pelo sindicato dos empresários do setor, cadê o Ministério Público que deveria verificar esta situação? Em Minas Gerais foi implantado o cartão magnético de passagens, porem se não for usado em tres meses será confiscado o saldo do passageiro, fica aqui a pergunta, Cadê o Vale Transporte criado pelo governo Federal.

  2. O problema não é o descrédito da política. o problema é que para maioria a política se resume aos partidos de esquerda desta forma não é ela que perde mas, toda uma série de pautas Que visam maior igualdade e a soberania do estado brasileiro.

  3. É hora do povo na rua, fazendo a GREVE GERAL já marcada, exigir a convocação e eleição de delegados para uma Constituinte Específica para a Reforma Política Democrática. Difícil? Sonhos? Acredite neles!

  4. “Casa que falta pão, todo mundo briga mas ninguém tem razão”, esse ditado do tempo de minha bisavó mostra-se válido mais uma vez.
    O país precisa liberar-se do jugo da liberdade, esta liberdade que atualmente danifica a pátria. O justo prega a consistência da lei e disto resulta o “direito adquirido”. Este lema esquece de ajuizar a conquista do direito, que o qualifique como tal.
    O peso porcentual do serviço público brasileiro extrapola qualquer bom senso. Resulta disto que a produção do governo torna-se cara, mal feita e demorada.
    O Brasil apresenta-se capitalista politicamente e comunista economicamente, haja vista a concentração de recursos da nação em mãos governamentais: aço, combustível, mineração, energia,…bancos!
    O capital particular foge para pagamento de royalties à “indústria” automobilista, eletrodoméstico, aço, alumínio,…insumos agrícolas.
    Ao povo, lhe resta tornar-se membro das áreas sociais e serviços, nestes incluída a tripulação das “indústrias”.
    O papel restrito do povo na produção lhe restringe, ou anula, contribuir para o andamento econômico macro do país, simplesmente lhe sobra: comentar, como faço aqui, lido por ninguém, inclusive eu mesmo.

  5. O problema não é a suposta ineficiência dos serviços públicos. O problema é que os público neste país sempre foi refém, eternamente voltado para os interesses das elites, das grandes empresas e do mercado financeiro nacional e estrangeiro. Falar que o Brasil é politicamente capitalista e economicamente comunista é uma inverdade e uma contradição, pois se politicamente suas estruturas estão voltadas para atender aos interesses do grande capital, fatalmente a economia seguirá a mesma orientação.

  6. Esse cenário dificilmente mudará, pois o comportamento da sociedade brasileira é naturalmente governado por ambições pessoais, independentemente se os expedientes empregados são lícitos ou não. Embora seja clichê, mas é um problema cultural, cada vez mais difícil de ser superado.

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