A Venezuela em beco sem saída?

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Fila de um supermercado de Caracas. Foto: JORGE SILVA Reuters

Para Edgardo Lander, critico à esquerda, crise do chavismo é próxima e mobilização social parece adormecida – mas tem raízes profundas e em algum momento pode reemergir

Num momento em que cresce a tensão em Caracas — e multiplicam-se no Brasil as interpretações sobre a crise Venezuelana, vale a pena ler entrevista que o sociólogo Edgardo Lander concedeu ao jornal uruguaio “La Diária”, sobre o estado do bolivarianismo. Destacam-se três pontos: a) Para Lander, o projeto não foi capaz de superar a dependência secular da Venezuela em relação ao rentismo petroleiro. Viveu da genialidade de Chávez e do petróleo a U$ 100. Ambos já não estão entre nós; b) Na trajetória do chavismo, houve uma inflexão negativa, a partir de 2005: o processo, que era bastante aberto e criativo, burocratizou-se e estatificou-se; teria havido forte influência cubana nesta deriva; c) É uma simplificação grosseira achar que “tudo piorou com Maduro”. Mas o novo presidente, de fato, não tem a capacidade de liderança e de unificação de Chávez. Como também não vem das Forças Armadas, sentiu-se obrigado a abrir enorme espaço para elas no governo. Aí estão as causas de mais ineficiência e corrupção

Embora pessimista, Lander reconhece a “experiência extraordinariamente rica de organização social, organização de base, movimentos relacionados à saúde, às telecomunicações, ao controle da terra urbana, à alfabetização — que envolveram milhões de pessoas e geraram uma cultura de confiança, de solidariedade e capacidade de incidir sobre o próprio futuro”. Ele acha que esta movimento está hoje adormecido, mas “de todo modo, acho que ficou uma reserva, que em algum momento poderá emergir”.

A entrevista completa será publicada hoje em Outras Palavras.

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