Alternativas: e se energia for um Bem Comum?

Eletricidadade e combustíveis são vitais para atividade humana — mas produzi-los pode causar enormes impactos sociais e ambientais. Por isso, não podem continuar submetidos aos interesses do mercado

Como estender os benefícios e conforto oferecidos pela eletricidade a todos os seres humanos — inclusive a um bilhão de pessoas que não têm, hoje, acesso a uma lâmpada elétrica? Como evitar que, a pretexto de garantir este direito, mega-empresas, quase sempre financiadas por recursos públicos, desenvolvem imensos projetos que afetam a natureza e as populações locais?

A Assembleia Europeia dos Comuns (AEC), uma articulação da sociedade civil impulsionada pela Fundação Peer to Peer (saiba mais aqui) propõe uma resposta inovadora. Ela quer alterar o paradigma que orienta, hoje, tanto a produção de eletricidade e combustíveis quanto sua distribuição e suas receitas. Ao invés de subordinarem-se a interesses de mercado, estas atividades devem ser consideradas Bens Comuns da Humanidade. As decisões essenciais precisam ser transferidas das mega-empresas a comunidades organizadas.

No vídeo acima, Cecile Blanchet, da AEC, explica as bases da ideia. Sob a lógica mercantil em que estamos mergulhados, ela argumenta, as decisões essenciais que determinam a vida coletiva são tomadas com base apenas em sua capacidade de gerar lucro. Controem-se imensas usinas, redes de transmissão, gasodutos transcontinentais sem planejamento real. Muitas vezes, estes empreendimentos são duplicados ou triplicados — multiplicando os danos ambientais e sociais — porque o interesse de cada empresa é competir e desbancar as concorrentes.

Já há condições materiais, diz Cecile, de superar esta dinâmica predatória. As tecnologias da informação permitem às comunidades conhecer suas necessidades energéticas reais e planejar a produção, distribuição e — eventualmente — importação ou exportação de energia necessárias para satisfazê-las. Redes inteligentes permitem que cada domicílio não apenas consuma, mas tambem produza energia (a partir, por exemplo, de coletores solares ou pequenos cataventos).

É preciso derrubar as legislações que bloqueiam, na maioria dos países, esta geração decentralizada — para reforçar o poder do oligopólio. É preciso também que as agências estatais, hoje voltadas ao apoio a mega-empresas e projetos (vide, no Brasil, o papel do BNDES), financiem e viabilizem as iniciativas locais, muito mais modestas e racionais.

Será uma luta difícil e prolongada — tamanho o poder do oligopólio e a força de inércia do paradigma atual. Mas que transformação importante pode ser alcançada com facilidade, no cenário global áspero que vivemos? A potência da iniciativa da AEC está em ir além da crítica; formular uma alternativa; demonstrar que ela é concretamente possível — falta criar as condições políticas.

Para conhecer melhor o tabalho da AEC — e, quem sabe, pensar em iniciativas semelhantes também no Brasil — basta clicar aqui

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Uma ideia sobre “Alternativas: e se energia for um Bem Comum?

  1. O globo terrestre dispõe de energia armazenada e de energia solar incidente. Esta última aparece na forma direta e na forma de vento e chuva. A energia armazenada como fosseis: petróleo, carvão e na geotermia: gêiser e pela temperatura do subsolo, crescente à medida da profundidade.
    O combustível fóssil mostra-se o mais versátil, porém situa-se em áreas definidas indisponíveis para grande parte da população mundial. A defasagem de sua exploração permitiu que os pioneiros em seu uso dominem a exploração das demais áreas petrolíferas. Disso além de resultarem guerras no oriente médio, tornam seu refino monopólio de poucas companhias.
    Entretanto o valor econômico de todas demais modalidades de energias terrestres prejudica seu potencial relativo ao fóssil. Por enquanto o custo por unidade energética originada de fontes distintas do fóssil ainda não compete com esse último.
    Resulta dessa situação que a política energética dos povos fora da área de disponibilidade fóssil não dispõe da força econômica para fixar parâmetros.
    Não basta a decisão política, a realidade não se isenta das considerações técnico econômicas.
    Não há essa liberdade toda!

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