Quem tem medo das mulheres no audiovisual?

Captura de tela de 2016-03-10 17-19-48

Coletivo Vermelha — formado por cineastas — provoca: por que mulheres estão tão pouco presentes, em ambos os lados das câmeras? Série de debates começa em 17/3

Por Redação

Como lidamos com a imagem da mulher? Que tipo de personagens são criadas, quais são seus conflitos? Como retratamos o corpo feminino? E o corpo negro? Que histórias estamos contando, e como? Como seria se 50% das diretoras, roteiristas, fotógrafas, produtoras, diretoras de arte, desenhadoras de som fossem mulheres?

Com essas perguntas em mente, cinco cineastas – roteiristas, diretoras, montadoras e produtoras – organizaram o ciclo de debates “Quem tem medo das mulheres no audiovisual?”. Serão seis encontros abertos ao público, em Campinas (dia 17) e São Paulo (19 e 20), para refletir sobre a divisão sexual do trabalho, as representações da mulher, estereótipos e racismo no audiovisual, além de políticas públicas e atuação da sociedade civil.

Inspiradas no grupo Film Fatales, rede internacional de realizadoras criada para fortalecer a participação de mulheres no audiovisual, Caru Alves de Souza, Iana Cossoy Paro, Lillah Halla, Manoela Ziggiatti e Moara Passoni formaram o Coletivo Vermelha e vão compartilhar com o público – formado por profissionais do mercado, pesquisadoras e outrxs interessadxs – experiências e reflexões sobre o fazer artístico e técnico feminino no audiovisual brasileiro.

A ideia do debate surgiu a partir de uma análise de que, apesar dessa discussão ter tomado corpo no último ano no Brasil, ainda há muito a conversar sobre isso. “Detectamos três frentes de discussão que se faziam urgentes: a disparidade de gênero e raça nos postos de trabalho, os estereótipos de representação feminina na produção de conteúdo e a necessidade de políticas públicas, assim como iniciativas civis que criem espaço de debate, formação e fomentem a produção da perspectiva feminina.”

160310_film-fatales-cinema

Film Fatales

As mulheres representam metade da população mundial, mas são quase mudas quando retratadas no cinema. Em filmes de ficção, menos de um terço dos personagens com linhas de diálogo são mulheres. Do outro lado da tela, na força de trabalho necessária para se produzir um filme, ocupam apenas 22,5% das tarefas, e para cada quatro homens por trás das câmeras (diretores, roteiristas e produtores) há apenas uma mulher. Os dados são da pesquisa Gênero nos Meios, do Instituto Geena Davis, realizada em 11 países, entre eles o Brasil.

Já as mulheres negras, apesar de representarem 51,7% da população feminina brasileira, apareceram em menos de dois de cada dez longas-metragens entre 2002 e 2012. Nesse período, nenhum dos mais de 218 filmes nacionais de maior bilheteria teve uma mulher negra como diretora ou roteirista. A pesquisa é do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp-UERJ), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

“O Brasil é um dos países com maior índice de feminicídio do mundo, com mecanismos que definem um lugar para a mulher segundo a lógica de dominação masculina”, recordam as cineastas. “Se analisarmos o lugar da mulher negra, nos deparamos com configurações ainda mais perversas de subordinação. São muitos os feminismos possíveis. Mas identificar os mecanismos que geram opressão às mulheres e desmistificar este destino é imprescindível.”

Programação

17/03 – Campinas (MIS)

15h: Nem príncipes, nem princesas: o impacto da produção audiovisual para crianças na manutenção ou transformação dos estereótipos de gênero.
Provocadora: Vanessa Fort, coordenadora do ComKids http://comkids.com.br/
Debatedoras:
> Gabriela Romeu, jornalista, documentarista e idealizadora do projeto Infâncias
> Jane Felipe, professora do Grupo de Estudos de Educação Infantil e Infância, GEIN, da UFRGS
> Renata Martins, roteirista da série vencedora do Emmy Kids Awards 2013 “Pedro e Bianca”

19h: Olhar feminino: isso existe?
Provocadora: Karla Bessa, Núcleo de Estudos de Gênero Pagu – Unicamp
Debatedoras:
> Tata Amaral, diretora e produtora
> Marina Fuser, socióloga e doutoranda em Estudos de Gênero na Universidade de Sussex, na Inglaterra
> Renata Gomes, doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e professora no Bacharelado Interdisciplinar em Cultura, Linguagens e Teconologias Aplicadas – BICULT, na UFRB – BA

19/03 – São Paulo – MIS Auditório (172 lugares)

15h30: Perspectivas de Transformação: políticas públicas, mídia e sociedade civil
Provocadora: Laura Capriglione, membro do coletivo Jornalistas Livres, focada na cobertura de Direitos Humanos e Sociais
Debatedoras:
> Débora Ivanov, advogada e produtora de cinema e televisão
> Daniela Capelato, produtora, roteirista e curadora
> Larissa Fulana de Tal – realizadora no TELA PRETA, coletivo de cinema negro. Dirigiu os filmes “Lápis de Cor” (2014) e “Cinzas (2015)”
> Nilcea Freire – Atual representante da fundação Ford no Brasil, com foco em minorias étnicas, foi ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres entre 2004 e 2011

19h30: A mulher negra no audiovisual brasileiro
Provocadora:
Wania Sant’Anna, consultora para o Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça e Subcomissão de Diversidade da Petrobras. Ativista feminista e antirracista
Debatedoras:
> Yasmin Thainá, diretora do curta “Kbela”, escritora e roteirista
> Viviane Ferreira, cineasta, advogada e sócia da Odun Formação e Produção – SP
> Janaína Oliveira, Professora de História na IFRJ, pesquisadora do cinema negro e coordenadora do Fórum Itinerante de Cinema Negro (FICINE) – RJ)

20/03 – São Paulo – MIS Auditório LabMIS (64 lugares)

15h30: Roteiro e gênero: a criação de personagens femininos e a autoria feminina
Provocadora: Lucia Monteiro, doutora em estudos cinematográficos pela Universidade Sorbonne Nouvelle Paris 3 e pela Universidade de São Paulo
Debatedoras:
> Gabriela Amaral Almeida (roteirista e diretora)
> Renata Martins (diretora e roteirista, dirigiu a websérie “Empoderadas” e foi uma das roteiristas da série “Pedro & Bianca”)
> Renata Correa (roteirista e escritora, autora do livro Vaca e Outras Moças de Família – Ed. Patuá), atuou como roteirista em diversas emissoras de tv como MTV, Globo e Discovery)

19h30: Trabalhos de meninas e meninos: um set de filmagem é o reflexo de uma sociedade machista?
Provocadora:
Flavia Biroli (professora da UnB, pesquisadora do Demodê – Grupo de pesquisa sobre democracia e desigualdades, autora de inúmeros livros, entre eles “Feminismo e política”, Boitempo editorial)
Debatedoras:
> Heloisa Passos (diretora de fotografia)
> Maria Tereza Urias (integrante do coletivo audiovisual Tela Suja Filmes)
> Marcia Rangel Candido, pesquisadora associada do Grupo de Estudo Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e do Laboratório de Estudos de Midía e Esfera Pública (LEMEP)
> Cristina Amaral, montadora, premiada em vários Festivais de Cinema Brasileiro – Gramado, Brasília, entre outros

A entrada é gratuita. Não há necessidade de inscrição prévia. Ingressos podem ser retirados na bilheteria do MIS com uma hora de antecedência ao início da atividade. Sujeito a lotação.

 

TEXTO-FIM

2 ideias sobre “Quem tem medo das mulheres no audiovisual?

  1. Muito interessante (e raramente observado, nunca vi uma matéria que tenha tido essa ênfase).Eu trabalho com audiovisual, e sempre era a única mulher no meio da produção. No começo quando estava aprendendo achava normal ser deixada meio de lado, tanto que continuo até hoje por resistência minha, de querer fazer isso mesmo, mas se dependesse do meio já teria saído fora.
    Ótimo debate meninas, MESMO! Se precisarem de uma força a mais estarei disposta!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *