O Brasil sob a lógica do condomínio?

 

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Christian Dunker, Maria Rita Kehl, Paulo Arantes e Vladimir Safatle debatem hoje, em S.Paulo, regressões que ameaçam reduzir país a um Fla-Flu mesquinho. “Outras Palavras” participa

E se a polarização sem diferença real, a que a sociedade brasileira parece ter recuado nos últimos meses, revelar algo mais profundo sobre a formação do país? E se, ao nos descobrirmos espectadores de um Fla-Flu político que esconde os problemas reais, ao invés de desnudá-los, pudermos reverter este destino? Outras Palavras participa esta noite, em São Paulo, de um debate em que estarão em foco estas perguntas cruciais. O psicanalista Christian Dunker lançará, na Quadra dos Bancários (próxima ao Metrô Sé — veja detalhes ao final), seu novo livro: O Brasil entre muros. Debaterão com ele os filósofos Paulo Arantes e Vladimir Safatle e a psicanalista Maria Rita Kehl. Antonio Martins, editor do site, fará a mediação.

Dunker falará sobre sua original interpretação da lógica de condomínio enquanto sintoma social do Brasil contemporâneo. Numa entrevista recente, à jornalista Eleonora de Lucena, ele afirmou: “Parece que o problema do Brasil é o PT e o PSDB. Isso é um sintoma da impossibilidade de escutar o país. A escuta é de particulares, condomínios. Mas o Brasil é muito maior do que isso”. Acrescentou: agora, “a existência é pensada entre muros. Se eu sair do meu muro, vou sair para brigar, para quebrar o muro do outro. Não é que o outro esteja fazendo algo com o qual não concordo. Ele é de uma dimensão que eu não consigo reconhecer como semelhante à minha. Por isso, aparecem palavras como petralha, metralha, idiota, louco, deficiente mental –categorias entre o moral e psiquiátrico”

O psicanalista enxerga as raízes da “cultura de condomínio” na década de 1970, durante a ditadura militar. Foi quando começou a florescer um ideal de vida guarnecida, com segurança e repleto de muros. Não só na forma de morar, mas também de criar filhos e de consumir. Todos ambientes controlados e cheios de regras.

A “condominização” do Brasil se expande desde o período FHC, nutrida pelo neoliberalismo e pelo declínio do espaço público, analisa Dunker. Também foi nessa toada que floresceram formas de crenças mais ligadas à nomeação do mal-estar de forma binária: “Ou você está comigo ou está contra mim”.

O debate seria originalmente realizado na Livraria Martins Fontes, mas devido à grande procura teve o local alterado para a Quadra dos Bancários, no Centro de São Paulo. A Quadra fica na Rua Tabatinguera, 192, em frente à estação Sé do Metrô, ao lado do Poupatempo. Existem estacionamentos próximos ao espaço.


Debate “O Brasil entre muros: segregação e ódio no Brasil partido”
Com Christian Dunker, Maria Rita Kehl, Vladimir Safafle e Paulo Arantes, mediação de Antonio Martins
16 de abril de 2015 | das 19h às 21h | Quadra dos Bancários
Rua Tabatinguera, 192 | São Paulo, SP | Metrô Sé | Veja mapa
Realização: Boitempo Editorial, Outras Palavras e Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região

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