Facebook: o fim está próximo?

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Com fuga de usuários jovens, plataforma envelhece. Estudo prevê declínio semelhante ao das epidemias. Não estará na hora de uma rede mais livre?

Por Gabriela Leite

O quanto o Facebook já faz parte de nossas vidas, e por quanto tempo isso ainda vai durar? Há grandes chances de você ter chegado até este texto ou ter conhecido este site através da rede social de Mark Zuckeberg — que já é utilizada por mais de um bilhão de pessoas. Mas antes dela, houve outras: o Orkut, famoso principalmente entre os brasileiros, o MySpace, mais comum nos EUA e diversas outras, mais segmentadas ou não. Com base na vida e morte destes sites populares na internet, algumas pesquisas começam a tentar prever quando será o fim do novo gigante das redes sociais, cuja ética parece cada vez mais questionável.

Alguns fatos concretos indicam que, sob algumas perspectivas, o Facebook já está caindo: desde 2011, 25,3% dos adolescentes de 13 a 17 anos desativaram suas contas apenas nos Estados Unidos. Isso fez a rede envelhecer sensivelmente: hoje, também nos EUA, a faixa etária com mais usuários é entre 35 e 54 anos — e a de mais de 55 é a que mais cresce. O motivo para os jovens  abandonarem a rede é exatamente este: a necessidade de privacidade em relação aos adultos, que, uma vez integrados à plataforma, podem “vigiar” seus filhos e parentes. Por isso, estes migram para redes sociais mais específicas, de compartilhamento de fotos e imagens, por exemplo.

Outra previsão sombria (e curiosa) sobre o futuro do “Face” partiu de dois cientistas da Universidade de Princeton — John Cannarella e Joshua Spechler. Eles compararam a ascensão e declínio da rede mais popular do planeta a uma similar, hoje esquecida (o MySpace) e a outro fenômeno humano relacionado a contágio: a expansão e posterior recuo das doenças infecciosas… Ao fazê-lo, chegaram ao gráfico abaixo (a curva de popularidade do Facebook foi construída em função de número de buscas pela rede no Google). Sua conclusão é: a rede de Zuckenberg já atingiu seu pico e começou a recuar; é provável que perca 80% de seus atuais usuários entre 2015 e 2017.

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Mas há quem seja mais cético, diante das teorias catastrofistas. Para o site de tecnologia TechVibes, o Facebook é grande demais para cair num futuro próximo. Segundo eles, por mais que haja uma queda em seus usuários, economicamente falando, a empresa continua a crescer. Estima-se que sua receita para 2013 tenha sido de 7 bilhões de dólares, o que significa um crescimento de 50% a cada ano. Com tanto poder, afirmam, Zuckeberg pode facilmente comprar qualquer nova iniciativa que ponha em risco seu reinado. Pensa que estagnação do número de buscas pelo Facebook não é relevante — ele teria se tornado tão popular que já não é preciso procurálo, assim como você nunca vai ouvir alguém falando “prove essa bebida, Coca Cola, é uma delícia!”. O “Face” não estaria ameaçado de morte por já fazer parte do dia-a-dia de um sétimo da população mundial — por isso, plenamente estabelecido em nossas vidas.

Apesar de fortemente presente e viciante, o Facebook é a rede que queremos para o mundo? Não são poucos os casos como o desta semana, em que os administradores do Facebook tiraram do ar uma página contra a Copa do Mundo, a “Operation World Cup”. Semanas atrás, haviam sumido com os eventos de “rolezinhos” em diversos shoppings do Brasil. Durante os protestos de junho, conteúdos de revolta também desapareciam do dia para a noite. Em casos mais absurdos, a rede já tirou do ar obras de artistas como Gustave Courbet e ensaios de mulheres com seus bebês recém nascidos. Além disso, a rede sofreu diversas críticas por vender os dados de seus usuários para empresas. Em tempos de risco da liberdade da internet, uma rede menos mercadológica e mais livre viria a calhar.

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10 ideias sobre “Facebook: o fim está próximo?

  1. É uma pena vocês fazerem várias reportagens sobre os problemas do Facebook e sobre o futuro curto que ele tem, mas NUNCA publicarem nada sobre as alternativas que já existem.

      • Posso ajudar. Não sou jornalista, mas tenho interesse e um certo estudo sobre o tema. Vi que fizeram há quase 4 anos uma reportagem sobre o Diáspora. Há outras alternativas hoje. O Diáspora continua “pop”, mas é, para muitos, uma promessa não cumprida. O Friendica me parece mais interessante.

          • Toparia fornecer informações sim. Além de alguns conceitos técnicos que julgo importantes e que não estavam presentes no artigo publicado em 2010 sobre o Dipaspora* (tem sempre asterisco no nome).
            Pode entrar em contato diretamente em meu e-mail se desejar. Vou começar a coletar artigos em websites que admiro: tanto de cultura quanto de informática.
            Você é versado na língua inglesa? Caso não seja posso traduzir algumas coisas.

          • Obrigado, Túlio. Estou compartilhando tua mensagem com a Gabriela Leite, que escreveu as matérias citadas por você. Fique também com o contato dela: [email protected]

            Abração
            antonio

  2. O comentário feito pela TechVibes não corresponde à realidade do mercado da web. Isso porque em marcas “virtuais” não se estabelecem na cabeça das pessoas da mesma forma que marcas “reais”.

    Acontece que software é um serviço e não um produto, e é um produto de custo relativamente baixo. Portanto, ao contrário da Coca-Cola, a iniciativa criativa é muito maior no ambiente web

    Usando a própria Coca de exemplo, uma pessoa que toma o xarope geralmente não é capaz de fazer um refrigerante de igual ou melhor qualidade em casa e colocá-lo a venda em alcance global, mas em relação ao mercado web isso não só é possível como é comum (aliás o próprio facebook emergiu desta forma)

    A única marca que se mantém poderosa para o público é o google, mas ele construiu uma marca forte devido a constante melhoria de seus serviços e o uso do capital para absorver empresas de iniciativa livre que possam concorrer com seu mercado

    Todavia o próprio google no mercado de redes sociais fracassou e não apenas uma vez, com o orkut, mas duas com o google +

    Acredito que a tendência é que uma vez que o conceito de rede social está, este sim, vinculado ao cotidiano, apareçam redes sociais específicas.

    A rede social dos gamers, dos skatistas, dos rockeiros, dos amantes de xadrez, dos futebolistas, dos gays, dos heteros, dos negros, dos brancos, dos índios, etc…

    Penso portanto que devido a essa nova tendência de configuração de redes sociais a tendência é que o facebook absorva o mercado e se divida em múltiplas redes distintas. Cabe saber se o novo padrão do facebook agradará ou não os internautas em relação aos padrões que surgirão

    Pensando sobre essa tendência a divisões na rede por afinidades o problema da liberdade na rede se restringirá a qual liberdade esses grupos terão de se reunir

    Nesse contexto ficará cada vez mais difícil para os “politicamente corretos” estenderem suas correntes ao domínio da web. A internet possui um caráter livre inerente a sua constituição como rede e as “armas” do Estado não alcançam a livre iniciativa da web

    Por outro lado ficará ainda mais complicado restringir conteúdos verdadeiramente nocivos, como violência e abuso sexual

    Na prática, o controle de conteúdo terá que ser feito cada vez mais de forma pessoal, de maneira que não haverá, por definitivo, uma forma de se obrigar que conteúdo A ou B não caia e não seja divulgado pela rede

    É o preço da liberdade que fatalmente é imposta no ambiente da internet. Perde-se o domínio das leis mas ganha-se em autonomia

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