Dependência de drogas: o problema é a gaiola

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Em quadrinhos, o experimento científico que derrubou o mito segundo a qual substâncias psicoativas são por natureza nocivas e viciantes

Por Cauê Seignermartin Ameni

Ao estampar em sua capa, na última quinta-feira (16/1), a imagem de uma paciente do novo programa para usuários de drogas de S.Paulo fumando crack após o trabalho, a Folha de S.Paulo praticou um atentado à privacidade da pessoa em tratamento médico, desencadeando crise de choro e revolta. E foi além. Na tentativa de “demonstrar” uma tese conservadora (a de que as terapias humanizadas são ineficazes para dependentes de drogas), ele ignorou um experimento científico realizado há mais de trinta anos. Já no final da década de 1970, o psicólogo canadense Bruce Alexander demonstrou que a socialização é, claramente, o melhor caminho (se não o único) para enfrentar a dependência química. Sua pesquisa, que passou a influenciar profissionais de saúde em todo o mundo, está descrita até em formato de quadrinhos — inclusive traduzidos para o português (veja-os ao fim deste post). O fato de prevalecer até hoje, entre os velhos jornais brasileiros, a velha crença em métodos de punição e encarceramento só demonstra o atraso destas publicações.

Alexander, que trabalhava na Universidade Simon Fraser, questionou o pensamento predominante em sua época, segundo o qual as substâncias psicoativas produziam dependência, por sua natureza — e por isso deveriam ser proibidas. Para tanto, precisou enfrentar um problema. Em favor da crença comumente aceita, havia dezenas de experimentos “científicos”, geralmente realizados com ratos, e sempre com resultados semelhantes. “Demonstravam” que, uma vez em contato com drogas, os animais tornavam-se incapazes de viver sem elas.

O psicólogo canadense observou, porém, que talvez a causa destes resultados recorrentes não estivesse na correção da hipótese que eles supostamente “comprovavam” — mas num erro metodológico comum a todos os experimentos. Em todo os casos, os ratos testados eram confinados em gaiolas. Tinham um canudo implantado cirurgicamente no sistema circulatório. Eram treinados a movimentar uma alavanca e receber, diretamente no sangue, doses de morfina, heroína ou cocaína. Ao final de algum tempo, preferiam a droga aos alimentos ou à própria água, sendo levados à morte. “Concluía-se cientificamente” que as substâncias eram nocivas e altamente perigosas, e deveriam ser proibidas para humanos. As pesquisas foram um poderoso reforço ao proibicionismo e, mais tarde, à chamada “Guerra contra drogas”, em curso até hoje.

Bruce Alexander resolveu testar outra hipótese. Ao invés confinar os ratos em gaiolas minúsculas e solitárias, construiu para eles um parque 200 vezes maior com túneis, perfumes, cores. Mais importante, colocou outros ratos para interação. A experiência ficara conhecida como Rat Park – algo como Ratolândia em português. Para completar a “festa”, os roedores tinham acesso a duas fontes jorrando, incessantemente, água e morfina. Nestas novas condições, que reproduzem muito melhor a vida real, os resultados foram impressionantes. Percebeu-se, entre outros fatos, que os ratos livres consumiam 19 vezes menos psicoativos que seus iguais enjaulados.

Hoje, com avanço da ciência, há um maior entendimento sobre o funcionamento químico cerebral. O jornalista Denis Russo Burgierman, autor do livro O Fim da Guerra, explica como se dá essa relação: “O centro da questão é um químico chamado dopamina, o principal neurotransmissor do nosso sistema de recompensa. Quando animais sociais ficam isolados e sem estímulos, seus cérebros secam de dopamina. Resultado: um apetite enorme e insaciável pela substância. Drogas – todas elas – têm o poder de aumentar os níveis de dopamina no cérebro, aliviando essa fissura. O nome disso é dependência. Ou seja, não é a droga que causa dependência – é a combinação da droga com uma predisposição. E o único jeito de curar dependência é curar essa predisposição: dando a esse sujeito uma vida melhor, como Bruce Alexander fez com os ratinhos do Rat Park.”

O paralelo com a situação brasileira é evidente. As políticas tradicionais tratam o usuário de drogas como pária a ser afastado do convívio social. Esta posição é radicalizada por autoridades e profissionais de saúde mais conservadores — para quem é preciso internar de forma compulsória os dependentes. Em contrapartida, a nova atitude adotada em São Paulo oferece a eles alojamento digno e ocupação e volta ao convívio social.

Por que são tão fortes e persistentes as teorias retrógradas, mesmo quando descoladas totalmente da realidade? O neurocientista Carl Hart, professor neurocientista da Columbia University, entrevistado recentemente pela New York Times respondeu a essa questão: “Oitenta a 90 por cento das pessoas não são afetadas negativamente pelo uso de drogas, mas, na literatura científica, quase 100 por cento dos relatórios são negativos. Há um foco distorcido em patologia. Nós, os cientistas, sabemos que teremos mais dinheiro, se continuarmos dizendo ao governo que vamos resolver este terrível problema. Temos um papel desonroso na guerra contra as drogas”. Bruce Alexnder e Carl Hart são duas incômodas exceções. Enquanto ao resto, a industria farmacêutica e bélica agradecem o proibicionismo.

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

Ratolândia (Rat Park)

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TEXTO-FIM

52 ideias sobre “Dependência de drogas: o problema é a gaiola

  1. Interessantíssima discussão. Acredito que esta pesquisa e a matéria são de extrema utilidade pública, precisamos de mais cientistas como Alexander!

    • gostei, soh que não adianta achar a solução mas não resolver o problema. eu, particularmente achei o mais correto de se implantar na sociedade mas como fazer isso se as pessoas que estão na dependência vivem como um rato no laboratório trancado e sem chances de vida pois sofre descriminação? vc que concorda q bandido bom eh bandido morto eh meio sem alma, não concordo com direitos humanos nem nada, mas acho q a culpa eh de cada um de nos de ser assim ;s

  2. Parabéns!!! Além da clareza e relevância do post, o HQ é um belíssimo exemplo de divulgação científica!!! Claro, simples, bonito e tocante!!! Abordou um tema difícil de forma primorosa!!!

  3. Muito bom os quadrinhos, muito didáticos, gostei muito. Mas acho que você erraram feio em coloca-los depois do texto. Imagino que a maioria das pessoas que estão na internet vão ver o texto e desistir antes de ver os quadrinhos no fim da pagina.

    Abraço

  4. Bom, embora o post seja interessante e talz, a ciência funciona somente se o experimento puder ser repetido. O estudo foi publicado por volta de 1980-até agora, ninguém tentou repetir o experimento? Bem improvável.

    Achei um artigo sobre o assunto: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9148292?dopt=Abstract. Reproduzo uma parte do resumo (traduzido) aqui:

    O papel do ambiente no consumo de morfina açucarada em ratos de laboratório foi investigado em dois estudos. Os resultados de um estuddo anterior, indicando que os ratos que estão numa colônica quasi-natural bebiam menos morfina açucarada que ratos isolados em grades de laboratório, não pôde ser replicado, pois o consumo pelos animais isolados nos dois presentes estudos foi reduzido(…)

    Quando pesquisei também sobre o assunto, vi que não era “morfina” apenas, e sim “morfina adoçada”, pois os ratos, assim como os humanos, costumam preferir coisas doces e a morfina NÃO é agradável ao paladar deles. Já foi provado também que o experimento original tinha erros. Ele serviu de base para outras tentativas, que hoje mostram que um ambiente melhor auxilia no tratamento de várias doenças degenerativas como Parkinson, Alzheimer, e no tratamento de pessoas com dependência…

      • Parece que o sr. quis apenas dar uma de esperto ao reproduzir esse trexo de matéria. Sem levar em consideração que esse trexo pode ser refutado facilmente apenas RELENDO a matéria desta página.

        Tudo consta sim no texto, como o camarada aqui em cima expos.

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  6. Interessante. Mas por quê os desenhos têm menções ao Led Zeppelin, exs:

    Mago, capa do disco Led Zeppelin IV.

    Zeppelin pegando fogo, imagem idêntica ao primeiro disco do grupo.

    Outro quadro mostra flores, cabeças de ratos, borboletas, estrelas, corações, mariposas – Bem parecida com a capa psicodélica do Led Zeppelin III, terceiro disco do grupo.

    Outro quadro, é o do prédio, bem parecido com a capa do disco Phisical Graffitti.

    Outro quadro, é o cara sentando na cadeira olhando o objeto frente à mesa. A capa do disco Presense é bem parecida.

    Outro quadro é o cara sentando no bar, bem parecido com a capa do disco In Through the Out Door.

    O cara do bar vestido com faixa e camiseta preta com simbolo esotérico felecido baterista do Led, Jonh Bonham.

    No outro quadro, alguns simbólos exotéricos, todos de cada um dos integrantes do Led Zeppelin.

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  9. O texto está pobre em um ponto. O argumento central está fundamentado na premissa de que toda e qualquer internação necessariamente significa confinamento solitário.
    Este tipo de internação é cada vez menos utilizada, aceita, e reconhecida. Qualquer pessoa envolvida com recuperação NÃO recomenda isto, e a maioria inclusive afirma que isto é retrocesso.
    Grande parte de quem trabalha com recuperação busca e fomenta meios de “reinserção” social, inclusive e principalmente durante o próprio tratamento (seja ele em internação fechada, semi-aberta ou aberta).
    Se há uma nova onda de internação com carater de confinação decorrente destas políticas ridículas que andam circulando nas câmaras de vereadores, eu não tenho conhecimento. Caso exista isto deve ser combatido de todas as formas possíveis. Internação com confinamento não é tratamento.

  10. Gostei muito do texto e dos quadrinhos. Já tinha ouvido falar sobre o experimento “Rat Park”, mas achei o quadrinho extremamente ilustrativo e coerente. Parabéns!

  11. Sou médico e filósofo.
    Sempre defendi a visão de que a “questão das drogas” como um problema social central da nossa sociedade e daí a guerra ás drogas, é basicamente uma cortina de fumaça, que encobre os reais problemas psicossociais. Isto é, a pobreza, o isolamento, o desrespeito e a falta de dignidade com que grande parte da nossa sociedade tem que conviver constantemente.
    O experimento traz evidências claras para essa tese.
    E também para a tese complementar que é com a socialização, com o respeito e a dignificação dos dependentes que, caso necessário, eles poderão ser recuperados.

    • Boa tarde, eu sou uma toxicodependente abstinente à uns 12 anos. Experimentei todo tipo de droga que havia disponível no mercado naquela altura. Durante grande parte da minha adolescência consumi drogas leves e químicas (como ecstasy) e já em idade adulta (20 anos) iniciei um caminho mais pesado no mundo da heroína, cocaína e fármacos!! Foram 2 anos assim, em que a minha vida parou a todos os níveis e a rotina era pesada, apagada, um mundo paralelo à realidade de todos os outros em q nos sentimos fechados, olhados, descriminados, enclausurados e vitimas da nossa falta de consciência e em q os momentos lúcidos são rapidamente substituídos por mais uma dose! É realmente um ciclo vicioso em q a queda é sempre a pique! Tive a sorte de pertencer a uma família, que depois de algumas tentativas frustradas, conseguiram puxar-me para o que eu chamo hoje ” os meus 5 m de lucidez no momento e hora certa” … depois da intervenção surgiram várias hipóteses ou opções e todas elas passavam por um internamento numa instituição própria! Fiz a desintoxicação em casa, com o apoio do meu irmão e Pai. -1 mês em reabilitação física, portanto! Foi simples… já não me sentia fisicamente dependente das drogas, mas sentia-me vazia por dentro, oca… perdida! Sofri ali a ausência de 2 anos na minha própria vida e na dos que dela faziam parte! Onde estava eu, onde estavam os outros, o que se tinha passado? Comecei a dar-me conta do que perdi, dos que perdi e como me perdi = frustração! …. antes de substituir esta frustração, mais uma vez, por drogas, fui semi-internato numa instituição para toxicodependentes! 1ª fase 9 meses, em q consiste à habituação de regras e conceito da instituição, 2 fase de 1 ano a 2, em q aprofundam gradualmente o nosso “eu” e nos vão preparando para a 3ª fase que é a reinserção social em q já consiste apenas em reuniões ou grupos terapêuticos e deixamos então a 2ª fase q é a de maior tempo de internamento! Durante este processo incutem-nos os valores, regras sociais, civismo, auto-estima, auto-conhecimento, consciência dos nossos limites e toda essa escola que se aproveitarmos, conseguimos tornar-nos outras pessoas. eu cresci, evolui, recuperei a relação com a minha 1 ª filha, recuperei outras relações familiares e amizades, fui mãe pela segunda vez, sou concretizada a nível profissional e tenho uma excelente pessoa ao meu lado, o meu marido, com quem partilhei todo o meu passado e em quem confio profundamente! Eu vivi isto, sei o q a gaiola representa! Estes seres como eu, nem precisavam de uma gaiola para se fecharem às drogas, pois elas são o próprio cadeado… o consumo seria a única medida!!! Uma vez no park a vida muda, vemos pessoas, conversamos, partilhamos, damos saída aos problemas… constatamos que há mais além e a droga deixa de ser tão importante, na verdade ampliamos a mente… Desculpem o longo texto! É a minha experiência e gostaria de partilhar convosco mesmo que tão mínima parte dela :)

  12. Tremenda besteira. Uma pessoa que vive nas ruas, pobre com uma vida fudi.. até daria pra compreender o porque de entrar no mundo das drogas. Mas e quanto a uma pessoa que tem tudo na vida? Pra mim e pura hipocrisia da sociedade achar que um viciado tem cura. É a mesma coisa que um cachorro que mata ovelhas. Quem sabe o porque fica a dica.

    • Caralho, vc é burro pra cacete. O cara ter bens materiais não quer dizer nada, as vezes a vida de alguém com dinheiro é mais vazia do que a de um morador de rua. Deixa de ser ignorante, queria ver se fosse a sua filha/o dependente de qualquer droga pesada se vc iria pensar desse jeito.

      Lê de novo a Porra do quadrinho e se vc deixar de ser preguiçoso, leia o comentário da Barbara que está um pouco acima do seu e tenta entender um pouco como funcionam as drogas e a cabeça do ser humano, que apesar do que você pensa, não é tão simples assim.

      Pior que um burro, é um burro preguiçoso e teimoso que nem você, babaca. E o seu exemplo do cachorro que mata ovelhas é um lixo, o que tem a ver o cu com as calças? Se criarem o cachorro pra matar ovelhas é óbvio que ele vai fazer isso, cachorro não tem o conceito de certo e errado como os nossos, eles reagem à reflexos, então vê se arruma um exemplo melhor e deixa de ser idiota, pra pelo menos ser um idiota com argumento.

  13. do renomado Psicologo Clinico Jose Antonio Zago, no artigo “Drogadição um jeito triste de viver” de 1994, tem o trecho:

    retirado: http://www.existencialismo.org.br/jornalexistencial/zagosociedade.htm

    ……………..”Queremos destacar três significados interligados sobre o que entendemos por adoecido existencialmente :-

    1-O contexto social consumista, onde a aparência é colocada como mais fundamental que a essência.

    Essa visão é determinada pelos magnatas da produção que se utilizam da mídia para inculcar nas pessoas formas de pensar, sentir e agir.

    Então, ideologicamente, somos levados a aceitar como natural e verdadeiro que os valores estão nos objetos externos. À medida que a pessoa mais possui, mais se sente identificada com seu meio social. Só aquilo que possui é que tem valor.

    Tal ideologia pode levar o ser a ficar distante de seu intimo, com dificuldade de mostrar-se por inteiro e, portanto, ausente de uma comunicação real para com o próximo. Rogers [5] denomina essa carência de sentimento de solidão, ou seja, a incapacidade da pessoa exprimir um contato autêntico ou transparente para com o outro, exatamente por estar distante de si mesma.

    Desse modo, o ser é levado a relacionar com um outro não-pessoa, isto é, com um outro coisificado porque o ser se percebe coisa ou mero instrumento, ou, ainda, os objetos que tem.

    Isso gera uma sensação de vazio, de ausência, de tristeza íntima porque a ‘riqueza’ está no fora. Esse mesmo sentimento pode estar mais em evidencia naqueles que, apesar de estimulados ou multissolicitados ao consumo, não tem acesso a ele, ficando com a percepção de serem os falidos ou os fracassados do sistema.

    Essa característica do adoecer existencial é selada quando o ser, passivo e dependentemente, aceita que esse mundo dado é pronto, acabado…………………..

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  15. Um pergunta… se o usuario tem menos chances de recaida estando ‘solto’ por que as ruas de grandes cidades estao cada vez mais cheias de dependentes de crack?

    Depois de mais de 15 anos convivendo com diferentes recaídas do meu pai, nao tenho duvida que o internamento, pelo menos provisorio, é essencial. Sob o efeito de qualquer droga, principalmente o crack, o dependente deixa de ser gente e passa a ser um ser inerte, sem sentimento e vida. Exigir dele uma decisão é afunda_lo de vez jo inferno.

    Na teoria e com os ratos soa tudo muito bonito, mas na minha experiência pessoal e na minha observação da realidade, o quadro é bem diferente.

    • talvez porque viver solto nas grandes cidades possa significar viver preso em uma gaiola. a pesquisa traz essa discussão: “será que os seres humanos precisariam viverem presos em uma gaiola? ou existem outras formas de isolamento que podem levar ao vício?”. Pra entender essa publicação, é essencial entender a natureza da pesquisa científica, que está baseada no método científico. Os resultados devem ser validados ou não pela repetição da experiência usando a mesma metodologia, que deve estar bem documentada no artigo (mas não necessariamente nos quadrinhos que se prestam a outro objetivo, enfim…). Seria inocente dizer que ‘soltar’ o usuário pelas ruas de uma grande cidade diminui a chance de uma recaída, e o quadrinho em nenhum momento diz isso. Além disso, há outras variáveis para que as ruas de grandes cidades estejam cada vez mais cheias de dependentes de crack, como a oferta da droga, o estilo de vida das pessoas que vivem nas grandes cidades e o próprio desenho da cidade (pra mencionar o urbanismo).
      Por fim, a pesquisa me parece ser generalista. Ela não foca em UM usuário de crack tentando resolver seus problemas, mas em uma situação que atinge muitos viciados. sua contribuição é na discussão por um tratamento mais humanizado, algo que em algum momento poderá ajudar na recuperação desses casos mais específicos, da vida real

    • Olá, os problemas externos, são sempre um risco para quem é ou foi viciado em estupefacientes, chamam-se de motivações externas todo aquele motivo que nos leva ao consumo, são as que ultrapassam ou “ganham” às motivações internas, pessoais … se um ex toxicodependente não passar pelo processo de auto-conhecimento, com o apoio de pessoas e instrumentos terapêuticos, nunca estará “curado” significativamente para ter forças intelectuais para deixar os consumos, pois faz o tratamento, mas volta para a sua rotina diária, não muda hábitos, não muda consciência, não reconhece os seus limites nem tem instrumentos para se contrariar ou defender de todos esses aspetos, como, a ruas de venda, amigos consumidores, ambientes negativos…etc O q realmente importa mexer no caso de toxicodependente em tratamento, é exatamente no seu intelecto, uma preparação psicológica para a vida, uma nova vida com algumas limitações, um reiniciar de hábitos e rotinas e ciclo de amigos/relações e consciência q foi perdida, pois os consumos levam-nos a regredir emocionalmente, intelectualmente e afetivamente. deixamos portanto de dar valor a esses aspetos e valores q para qualquer humano é básico, e deixamos de ter esse controle. Quando somos chamados à realidade dos factos, de paramo-nos com todas as emoções que fomos abafando e guardando ao longo de todo o tempo de consumos, basta para isso fazermos a desintoxicação física, mas se não estamos preparados psicologicamente para enfrentar a nova fase da vida, o caminho será o consumo de novo. Por isso é q um acompanhamento psicológico é necessário para nos libertarmos da negatividade e atitude de auto destruição. A Gaiola para mim é exatamente esse estado negativo em que vivemos e que nos leva aos consumos de drogas, a outros ao álcool, jogos, apostas e outras tantas formas de vicio!!!

  16. Concordo que o processo para tratar a dependência química é melhor conduzido com a socialização do que com o isolamento.

    PORÉM, o texto (em especial o último parágrafo) parece tentar passar uma idéia que drogas são boas, não fazem mal a ninguém e que não deveriam ser proibidas. O que é um absurdo, uma verdadeira desinformação ao público!

    • Não enxergo o texto desse jeito. Pra mim desinformação é deixar de explicar quais são os verdadeiros efeitos das drogas ilicitas, e enquanto isso vc pode comprar na farmacia remédio tarja preta e achar que nada vai acontecer com vc.

      Falar que as drogas ilicitas viciam compulsivamente é a mesma coisa que falar que você nunca mais vai conseguir dormir sem rivotril se você experimentar uma vez.

      A desinformação está ai desde que a guerra às drogas existe

  17. Texto e quadrinhos considero perfeitamente adequados ao tratamento atual da dependência química. Participo de uma entidade que usa a terapia em grupo (SOCIALIZAÇÃO) para tratar dependentes do álcool e de outras drogas, através de reuniões nas quais os recuperandos dão testemunhos de seu período ativo e das mudanças sentidas no seu processo de abstinência. Ao final da reunião oferece-se ao participante de primeira vez a oportunidade de vir a fazer parte do grupo. Segundo o Dr. Ronaldo Laranjeira (UNIFESP), a terapia em grupo é o meio mais eficaz para o tratamento de dependentes químicos.

  18. Na tentativa de explicar que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, confunde-se “piormente” uma coisa com outra coisa. Como consequência há o continuísmo do desrespeito ao trabalho dos profissionais (médicos e psicoterapeutas) e das iniciativas governamentais na saúde e segurança. O maior prejuízo fica para os usuários e dependentes de drogas que, devido à multiplicidade de características pessoais e da doença com seus estágios graduáveis, necessitam das diferentes abordagens terapêuticas e institucionais.
    Por que um experimento tão estimulante à análise é interpretado com tanta restrição?

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  20. Li sua matéria e gostei muito, escrevi um livro de poesias cujo o título é Suicídio Anacrônico que tem a dependência química como tema, levanta a visão e os sentimentos dos familiares dos dependentes que se tornam co-dependentes, portanto pessoas que também necessitam de tratamento(o que não acontece)… os ratos da ratolândia viviam ” em família” em cooperação… no livro faço a mesma observação…do tratamento entre os familiares, e coloco a arte, como uma forma terapêutica.

  21. fantasia pura, no mundo que vivemos nao existe rat park, um ambiente em que se tem comida e drogas a vontade, e todos os seres sao iguais como os ratos do experimento. se fosse pra aplicar esse experimento na vida real seria vida de playboy, poder ir pras baladas todo dia se socializar e ter comida e bebida a vontade, coisa pra poucos. Seria necessario muitos recursos financeiros, educacionais e sociais para criar esse ambiente perfeito, o bom é internação mesmo.

  22. eu acredito em tudo, mas o mundo como ele é seria o ambiente criado em ratolandia? claro que sim e …..existem, as cores, odores e sabores inseridos na experiencia e como estão as pessoas??? usando drogas ….e penso que elas tem raciocínio e opção .

  23. Pingback: Seremos corajosos para aprendermos com animais? : Por mais uma

  24. Pessoal, as imagens estão quebradas. Não aparece nada. Já li esse post antes e é muito, muito bom. Contudo, agora as imagens estão com link quebrado.
    Quando concertarem por favor me avisem por email.
    Obrigado

  25. Bom dia Cauê! Já havia lido este artigo na sua versão original e também participei de debates acerca do tema. Respeito esta ótica como uma tentativa de explicar um fenômeno tão complexo, mas a comunidade cientifica mundial encontrou tantas falhas metodológicas neste experimento, que certamente ele não explica a dependência de drogas na sua amplitude. Pesquisas indicam que a dependência química, abrange três aspectos, biológico, psicológico e social e o experimento de Bruce, explica, quiçá o aspecto social, se fossemos ratos, talvez. Biologicamente somos muito semelhantes aos ratos, mas não temos similaridades culturais, tendo em vista que a raça humana vem se afastando do processo evolutivo das sociedades naturais, podemos olhar um grupo de primatas e encontrar diversas semelhanças na estrutura societária, mas por mais que quiséssemos isto, nossa sociedade desenvolveu tecnologia, casamentos, trabalho, aumentou a longevidade, artes, arquitetura, viagens espaciais, alimentação industrializada, crime e drogas, fatores estes e milhares de outros que não existem na vida dos ratos ou de qualquer outra espécie e que certamente influenciam nos contextos de drogas. Falando de fatores Psicológicos e neurológicos, não se pode comparar uma espécie que pratica genocídio e manda alguém a Lua, com outra, que as maiores motivações são sexo, comida e água. É o mesmo que comparar as pirâmides do Egito com um ponto de ônibus e dizer que as duas construções são a mesma coisa! E por fim o desafio do pragmatismo! Na prática a teoria não funciona! Pode sim amenizar a adesão de pessoas com boa estrutura social as drogas, mas quando a dependência já se estabeleceu é muito difícil apenas um ambiente social saudável dar conta do recado, ele com certeza é parte da solução, mas só uma parte! Nos meus 13 anos de convivência com dependentes químicos, buscando recuperação nunca vi ou ouvi falar de alguém neste processo, que simplesmente abandonou as drogas por ter um vida legal, família estruturada, acesso a lazer, alimentação e cultura, mas já vi, talvez centenas de casos exatamente o contrário, pessoas abandonarem tudo o que lhes é mais caro para usar drogas.

    • Antoani, de fato a sociedade humana é mais complexa que a dos ratos, os homens tem muitas coisas além de comida, água, rodinha de correr e sexo para os motivarem.
      Aliás, o que me motiva pode não ser, e geralmente não é, o mesmo que motiva você. Ai que se encontra o engano de achar que a pessoa tem uma “vida legal” ou não. Você conhece a pessoa o suficiente para saber o que é legal para ela ou você simplesmente está generalizando coisas que acredita serem “legais” para todo mundo?

  26. Olá amigos, estamos com um grupo no whatsapp com diversas experiencias, pessoas que ainda usam drogas mas querem se livrar, e é uma oportunidade legal de conversar, desabafar, afinal é um espaço onde muitos estão na mesma situação e precisando de apoio, e outros que já passaram pelo vicio e estão tentando ajudar. Se quiser entrar no grupo é só acessar pelo link direto do grupo do whatsapp:::

    https://chat.whatsapp.com/4iXzUWhSoPU2ZhrXWttpJP

    Esperamos vocês

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