A vida como ela é, em ocupações

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José optou mudar para a ocupação por ter mais segurança que as invasões

Novo projeto parceiro, Centro Ocupado aborda situações e acontecimentos de gente que ainda não tem onde morar. A primeira história é de José, pai de família

Por Rafael Rojas, do Centro Ocupado

A partir desse post, o Blog da Redação do Outras Palavras passa a reproduzir publicações do projeto de jornalismo independente Centro Ocupado, sobre ocupações de moradia. Iniciado como um trabalho de conclusão de curso de faculdade, o projeto agora se expande, tornando-se cada vez mais aberto a colaborações externas.

O objetivo é sistematizar informação, acompanhar os processos e qualificar os registros, contribuindo assim para o debate da questão da moradia na capital paulistana e no país. Em um mapa de vista, pontuam, e a partir daí detalham todos os locais atualmente ocupados por movimentos de moradia e os reintegrados no centro da cidade. Anexam a esses pontos reportagens de caráter jornalístico em forma de foto, texto e vídeo.

O tipo de conteúdo é variado: “modelos puramente informativos e de apuração bruta com textos que possam mostrar a vida – como ela realmente é – de quem mora e luta por essas moradias” – eles dizem no site, que deve em breve mudar de plataforma, para facilitar ainda mais a criação e inteligência coletiva. Quem já quiser contribuir pode escrever para centroocupado@gmail.com

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José Carlos vive na Quintino Bocaiúva com a mulher e o filho

Um cômodo simples e vários brinquedos espalhados pelo quintal mostram uma parte da vida de José Carlos Teixeira Santiago, 36, pai de um garoto de quatro anos e morador de ocupação na Quintino Bocaiúva. Ao longo dos anos, o ajudante-geral participou de várias ocupações de casas no centro de São Paulo.

Uma delas, a mais marcante para José, aconteceu em um imóvel em frente ao Fórum João Mendes, localizado na praça homônima. “Foi o maior tempo que permaneci em um mesmo local, quatro anos vendo o fórum da janela. Morei com outras famílias, mas a prefeitura reintegrou a casa. Se não saíssemos, a polícia e a ROTA entrariam em ação. Impressionados, deixamos a residência”, lembra o experiente morador do centro.

Os móveis simples e a casa adaptada mostram a busca por uma melhor condição de vida da família simples que mora ali. “Eu, minha mulher e um pessoal vivíamos em casas ocupadas. Entravamos, abríamos e morávamos”, conta José, comparando o começo da batalha por moradia com o momento atual. Por meio de outros amigos, que já tinham participado de movimentos, conheceu a Frente de Luta por Moradia (LFM). “Quando vi que o chicote estava meio apertado, vim conhecer o que era o movimento”, comenta o morador do antigo casarão, tombado pelo patrimônio.

Levantando bandeiras

José já participou de outras ocupações de prédios da FLM. “Dei um apoio na 9 de Julho. Via os pais com crianças e fui ver como era”, lembra José, referindo-se ao prédio do Hotel Cambridge, parte da luta do movimento no centro de São Paulo. Sente falta da presença do poder público, que “podia dar uma força pra gente”.

Nem pensar

Quando mais jovem não pensava em morar em casas ou prédios ocupados. “Nunca imaginei na vida que ia participar de um movimento desses. Estar com um filho de quatro anos, mulher, tudo. E participando!”, afirma. “Quando eu tinha 21 anos, via na televisão. Metendo bomba. Nunca pensei que um dia estaria no meio deles”, confessa, em meio ao quintal de sua nova casa.

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