S.Paulo: o Teatro tem uma proposta para o Centro

Um dos projetos para o Teatro-Estádio Oficina. Aqui, no Bixiga estaria um dos pólos do corredor, que se estenderia até a Praça Roosevelt

Um dos projetos para o Teatro-Estádio Oficina. Aqui, no Bixiga estaria um dos pólos do corredor, que se estenderia até a Praça Roosevelt

Em alternativa à especulação imobiliária, grupos articulados pelo Oficina, de Zé Celso, propõem um corredor-Teato, unindo Bixiga e Praça Roosevelt, fluxo de circulação de cultura, arte e política transformadora

No dia 8 de março de 2016, atuadores do Teat(r)o Oficina, da SP Escola de Teatro, dos Satyros e dos Parlapatões, Terreyro Coreográfico, conectando diferentes perspectivas culturais sobre a cidade de São Paulo, reuniram-se na sede do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona para pensar, juntos, a relação latente entre cultura, teatro e cidade — instigadas em grande parte pela licitação de ocupação onerosa/ edital de concorrência pública, proposta para os baixios do viaduto Júlio de Mesquita Filho.

Desse encontro emergiu a ideia de um grande Teato, nossa cobra-grande em escala urbana, que aconteceu no dia 19 de março. Tratou-se de uma ação de acupuntura urbana, para um espaço que precisa ser olhado a partir de sua diversidade como qualidades a serem consideradas em ações de empreendedorismo pela cidade. Habitantes e atuadores da cidade se conectaram, na potência de uma experiência estético-afetiva coletiva, para traçar um território cultural, que, acreditamos, se dê entre dois pólos magnéticos de São Paulo: o bairro histórico do Bixiga (Bela Vista), e a praça Roosevelt — fortalecendo nesse gesto a criação do Anhangabaú da Felizcidade.

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Em Filhos do rio-mar, caminho para enxergar a Amazônia

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Letícia Freire expõe, em S.Paulo, imagens de comunidade ameaçada. Exposição — que retrata, além dos clichês, ribeirinhos e sua relação com rio,  propõe visita guiada e rodas de conversa

Por Gabriela Leite

Em uma mistura de arte, crônica e jornalismo, a exposição de fotos Filhos do rio-mar, da fotógrafa Letícia Freire, mostra uma comunidade à beira do rio Tapajós, na Amazônia. A área está ameaçada por um grande complexo hidrelétrico, que arrisca devastar a mata, o rio e os seres que ali vivem. Nas imagens de Letícia, acompanhamos uma fração do cotidiano de pessoas que cultivam uma rica relação com seu ambiente.

A mostra carrega fragmentos da Amazônia diretamente para um pedaço de Mata Atlântica no meio do asfalto: o Instituto Butantan, em São Paulo. Com visitas guiadas e rodas de conversa, será possível conhecer outro lado do Brasil para além do clichê. Letícia, a fotógrafa e colaboradora editorial de Outras Palavras, chegou ao Tapajós junto com a pesquisadora Ana Teresa Reis da Silva, da UnB. Tinha a ideia de retratar os ribeirinhos, a importância do rio e de seus afluentes. Algumas das fotos da exposição foram publicadas em nossas páginas . Continuar lendo

Desde o asfalto, novas subjetividades em formação

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Uma crônica de certas ações contra o golpe — e um palpite sobre a necessidade de rever programas, formas de luta e protagonismos sociais, para criar uma nova esquerda

Por Inês Castilho

Nem bem se arrancaram à força os secundaristas de suas escolas, mal algumas torcidas de futebol acabavam de denunciar a rede golpista com Temer Jamais, nas finais dos campeonatos estaduais, o que se viu em São Paulo no primeiro fim de semana de afastamento da presidente eleita para a consumação do golpe inspira as mais descabidas esperanças.
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No domingo, enquanto na Paulista uma massa compacta de gente popular, bonita, colorida, diversa, as vozes femininas predominantes, clamavam #ForaTemer,   no Parque do Ibirapuera um pequeno formigueiro humano tratava de plantar mais uma Floresta de Bolso, num projeto de resgate da mata nativa de São Paulo para chamar “as borboletas, os passarinhos, nossas frutas nativas e a chuva!”.

Um dia antes, no sábado, a Marcha da Maconha reunira uma juventude que sentou-se sobre o asfalto da mesma Paulista para acender seus baseados. Na Cidade Universitária, cerca de 200 mulheres faziam o último ensaio do Coralusp com Ilú Obá de Min para apresentações públicas de cantos devotados às yabás, as orixás femininas. Continuar lendo

No Brasil exuberante, as marcas da maldade

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Parque Nacional do Iguaçu, PR, Julho de 1974. O Parque abriga as Cataratas do Iguaçu, uma das Novas Sete Maravilhas da Natureza, e tem uma das maiores e mais importantes áreas de Mata Atlântica do país. Ali aconteceu a Chacina do Parque Nacional do Iguaçu: a execução de seis militantes ligados à Vanguarda Popular Revolucionária – VPR, liderados pelo ex-sargento Onofre Pinto. O grupo tentava voltar ao Brasil, vindo da Argentina, após o golpe militar chileno em 1973.

Em exposição provocadora, fotógrafo relaciona os grandes cartões postais do país à violência cometida pela ditadura pós-64. Acabou? Pergunte aos Amarildos

Por Patricia Cornils


EXPOSIÇÃO: “POSTCARDS FROM BRAZIL — CICATRIZES NA PAISAGEM”
Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Av. Paulo Gama, 110 – Farroupilha, Porto Alegre-RS (mapa)
Até 15 de julho


“Aqui é o Paraíso!”, dizem as pessoas sobre lugares onde a natureza parece sugerir possibilidades de outra vida. “Nossos bosques têm mais vida”, diz o Hino Nacional brasileiro, reiterando a ideia do país como o Paraíso na Terra. Mas nada, nem a natureza e muito menos um hino, é em si toda a verdade, como mostra o fotógrafo Gilvan Barreto. Sem esconder a beleza de lugares como o Parque Nacional do Iguaçu, o Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Ceará, Goiás, e região do Araguaia, divisa dos estados do Pará, Goiás e Maranhão, Gilvan nos devolve outra parte da verdade do Paraíso: a da expulsão, da espada de fogo, da morte.

Postcards from Brasil – Cicatrizes na Paisagem é uma mostra de cartões postais cedidos pela Embratur e por outros órgãos oficiais de turismo, baseada no relatório da Comissão Nacional da Verdade. São fotografias de lugares onde pessoas foram torturadas, assassinadas e “desaparecidas” por agentes do Estado brasileiro durante Ditadura Militar. Lugares belos.

No Parque Nacional do Iguaçu, seis exilados foram mortos a tiro de fuzil quando tentavam voltar ao Brasil e seus corpos podem ter sido enterrados ali, clandestinamente.
No mar em frente à cidade do Rio de Janeiro a Aeronáutica jogou, de aviões P-16 que decolavam da Base Aérea de Santa Cruz, corpos de militantes assassinados, para que nunca mais fossem encotrados. Os voos da morte também foram feitos no Araguaia. Na Granja São Bento foram executadas seis pessoas, entre elas Soledad Barett Viedma, grávida do agente duplo José Anselmo dos Santos. Da Casa da Morte, em Petrópolis, somente uma vítima saiu com vida. Para cada morte e desaparecimento, um buraco na fotografia. Uma cicatriz. E uma lembrança: neste momento, em centenas de “paraísos” do Brasil, homens e mulheres lutam para que a natureza dos lugares não seja também a natureza dos massacres. É preciso resistir. Continuar lendo

A urgência das hortas urbanas

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Voluntária trabalha na Horta das Corujas, na Vila Beatriz, São Paulo

Ao cultivar comida em espaços antes “mortos”, hortelões congregam pessoas, geram identidade comum e reverenciam alimento como fonte de saúde e soberania

Por Andre Ruoppolo Biazoti

Viver em São Paulo não é para os fracos. Ainda mais quando se pretende transformar a cidade em algo próximo do habitável, do justo, do humano. A cidade acumula urgências, que gritam em bueiros entupidos, bocas famintas e cantos abandonados. Estreio aqui para falar de uma urgência que vivo no peito e na rua: a necessidade de nos conectarmos com nosso alimento.

Quando falo em alimento, quero retomar o caráter social e sagrado que isso implica. Alimentos eram ofertado aos deuses. Sabíamos de quem eram os melhores feijões da região. Olhávamos no olho do agricultor e conversávamos sobre o clima, as receitas e as miudezas da vida. Nos reuníamos na mesa, agradecíamos, trocávamos afetos e aprendíamos a arte da conversação, responsável pela formação da nossa civilização. Hoje não temos nada, talvez um “não” ao cartão promocional do mercado, talvez uns glutamatos monossódicos, uma nova série do Netflix ótima para assistir durante o jantar.

Muitos de nós quiseram voltar ao aspecto comunitário da produção de alimentos e, junto com a presidenta, saudar a mandioca e o milho. E não houve lugar melhor para isso do que ir para a rua, para a praça, para as instituições públicas. As hortas urbanas de São Paulo, muitas surgidas da rede dos Hortelões Urbanos, tornaram-se espaços de resistência nessa urbe caótica e promoveram um alívio a muitos angustiados, ávidos por colocar as mãos na terra e embarcar em uma aventura promissora de produzir o próprio alimento. Continuar lendo

Assim funcionam os paraísos fiscais

Consórcio Internacional de Jornalistas torna públicos milhares de documentos sobre mais de 200 mil contas secretas. Veja como os “centros offshore” são eficazes para sonegar impostos, esconder fortunas e proteger criminosos

Um vídeo do Inesc

O Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês) liberou na semana dados inéditos dos chamados Panama Papers, jogando mais luz sobre os esquemas que grandes corporações e milionários usam para sonegar impostos e esconder o dinheiro em paraísos fiscais. Em meio a críticas (inclusive de Slavoj Ziziek), segundo as quais havia feito vazado seletivamente, há algumas semanas, as informações que obteve, o ICIJ tornou público, em seu site um banco de dados com documentos sobre mais de 200 mil contas ‘offshore’.

Quanto mais dinheiro é sonegado e enviado para contas escondidas em paraísos fiscais, mais sobra para o cidadão comum, que paga seus impostos a duras penas, e para quem depende de serviços públicos e políticas públicas de promoção de direitos.

E como esse pessoal consegue esconder tanto dinheiro em tantas contas falcatruas nesses paraísos fiscais? O Inesc e organizações parceiras produziram um vídeo curto que explica isso. Assista acima.

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Para examinar em profundidade a onda evangélica

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Outras Palavras exibe e discute Púlpito e Parlamento. Produzido por Felipe Neves, filme sugere que poder pentecostal é mais enraizado que pensamos – porque apoia-se em sólido trabalho político e social de base


Cine-Debate: Púlpito e Parlamento
Quarta-feira, 18 de maio, às 19h30
Rua Conselheiro Ramalho, 945 – São Paulo (mapa)– Metrô São Joaquim ou Brigadeiro
Ingresso: contribuições voluntárias
Confirme sua presença e divulgue

No remoinho de novidades chocantes em que o governo ilegítimo de Michel Temer tenta envolver o país, certas perguntas ainda estão sem resposta. Ao propor um leque tão vasto de medidas retrógradas e antipopulares – o corte de direitos dos usuários do SUS é a mais recente –, Temer e os que o apoiam sobreviverão? Por que eles não temem os movimentos de resistência, que também se espalham rapidamente? Cometem um erro de cálculo brutal ou imaginam que os protestos não atingirão sua base – composta inclusive pela poderosa bancada evangélica?

Púlpito e  Parlamento, filme que Outras Palavras exibirá nesta quarta-feira (17/5), às 19h, convida, precisamente, a examinar melhor a crescente influência pentecostal na vida política brasileira. O autor, Felipe Neves, um jovem jornalista, não esconde sua repulsa diante de figuras como o deputado Pastor Feliciano. Mas sugere ir além: a oposição a Feliciano e seus iguais não será eficaz enquanto não compreendermos em profundidade as raízes de sua força e, num certo sentido, enquanto não a questionarmos lá mesmo onde ela se fincou.

Felipe conhece esta força de perto. Crescido em família evangélica, ela acompanhou em casa a simbiose que os pastores pentecostais buscam promover entre fé, socialização e opções políticas, Há dois anos, foi a campo para investigar este fenômeno num plano menos restrito. Colheu dezenas de depoimentos, em trinta horas de gravação em São Paulo, Rio e Brasília. Desta pesquisa resultou o filme.

Uma das principais recomendações que despontam da obra é não enxergar os evangélicos nem como rebanho, nem como grupo uniforme. “São mais de 40 milhões, divididos em inúmeras denominações, cada uma com códigos sociais, culturais e políticos próprios”, frisa o diretor. A presença pentecostal está tão capilarizada pelo país – especialmente nas periferias em grotões – quanto seus templos. Em muitos sentidos, eles ocuparam o espaço que a esquerda abandonou, com a institucionalização de partidos como o PT e o declínio das Pastorais Sociais ligadas à Teologia da Libertação.

Como recuperar o terreno perdido? Não há, é claro, respostas simples. Mas vale aceitar o convite a investigar e refletir, feito por Púlpito e Parlamento. Após a exibição, nesta quarta-feira, haverá debate. Participarão, além do próprio Felipe Neves, os seguintes convidados:

Magali Cunha – Professora de Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo

Edin Sued – Professor de Teologia da PUC, integrante do Núcleo de Fé e Cultura

Gedeon Alencar – Doutor pela PUC em Ciências da Religião, com foco em questões dos pentecostais.

Em clima de golpe, PM invade escolas paulistas

Estudantes — muitos deles menores de idade — arrastados e presos. Velha mídia oculta repressão. Nova assembleia e ato de solidariedade convocados para esta tarde

Pela Redação | Vídeo de Martha Kiss Perrone

Os sinais de que pode haver, sob o governo ilegítimo de Michel Temer, recrudescimento da repressão aos movimentos sociais tornaram-se mais nítidos esta manhã. Agindo contra a lei, destacamentos da tropa de choque da Polícia Militar de São Paulo invadiram nas primeiras horas da manhã quatro prédios públicos ocupados por estudantes em luta por melhores condições de ensino. Fizeram-no sem mandado judicial. Dezenas de jovens foram arrastados e conduzidos a distritos policiais. Aparentemente, muitos deles ainda estão detidos.

Após ação policial, ônibus-camburão conduz estudantes a distrito policial

Após ação policial, ônibus-camburão conduz estudantes a distrito policial

Para justificar a operação ilegal, o governo paulista, dirigido por Geraldo Alckmin (PSDB) serviu-se de um artifício. Encomendou à Procuradoria Geral do Estado um parecer segundo o qual as secretarias de Estado já não precisam requerer autorização judicial para desocupar prédios públicos. Segundo o advogado Hugo Albuquerque, tal interpretação fere os princípios constitucionais de Legalidade e, complementarmente, os da Liberdade de Expressão e Manifestação, Direito à Educação e Proteção à Criança e Adolescente.

A ação ilegal contou com amparo da velha mídia. Às 2h da madrugada, a Folha de S.Paulo divulgou, em seu site, a notícia da emissão do parecer da Procuradoria, sem mencionar sua ilegalidade. Até o momento de fechamento deste texto, 12h35, nenhum dos jornais mais vendidos do país estampava, em seus sites, notícia sobre a invasão policial.

Estudantes e pais protestam em delegacia policial de S.Paulo e prometem resistir

Estudantes e pais protestam em delegacia policial de S.Paulo e prometem resistir

No vídeo acima, duas estudantes detidas relatam, em detalhes, a operação repressiva. Os quatro prédios públicos invadidos foram a Escola Técnica Estadual de S.Paulo (Etesp) e as delegacias de ensino do Centro Oeste e Norte da capital e da cidade de Guarulhos. Os estudantes foram conduzidos aos 3º, 7º, 23º distritos policiais de S.Paulo e ao 1º de Guarulhos.

Libertados, estudantes de Guarulhos protestam diante do 1º D.P. da cidade

Libertados, estudantes de Guarulhos protestam diante do 1º D.P. da cidade

A solidariedade e a reação já começaram. Estudantes de diversas escolas marcaram, para as 14h de hoje, assembleia geral na Casa do Povo — Rua Três Rios, 252, Bom Retiro (metrô Tiradentes). Mas tarde, a partir das 17h, haverá manifestação de solidariedade na Praça do Ciclista — esquina entre avenidas Paulista e Consolação, Centro.

Maconha: a experiência de Carl Sagan

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No mês das marchas pela legalização, vale especular também sobre efeitos psíquicos da planta. Para astrônomo, além de influir na percepção da música e do sexo, ela favorecia insights psicanalíticos e teóricos

Por Antonio Martins

São Paulo e outras cidades brasileiras realizarão, neste sábado, mais uma Marcha da Maconha. Em tempos de golpe e de graves ameaças de retrocesso, é possível que a manifestação recupere parte da centralidade que teve em 2011 ou 2012 — quando foi um dos espaços para formação de uma nova geração política. É o que ocorreu, neste sábado, em Buenos Aires. Em meio ao ataque aos direitos sociais e a medidas de repressão política, adotadas pelo governo de Maurício Macri, mais de 100 mil pessoas reuniram-se numa marcha que, normalmente, atraía poucos milhares.

Mas qual é, de fato, a importância de lutar pela legalização e controle público do uso de substâncias psicoativas? As sociedades parecem compreender cada vez melhor que a descriminalização tem enorme papel na garantia de uma nova segurança pública — já que retira das organizações criminosas, e dos policiais corruptos, o que é hoje um monopólio. Às vésperas da marcha, contudo, vale abrir também o debate sobre um tema-tabu. A maconha, e outras drogas que alteram a percepção normal da realidade, têm valor psíquico, além do recreacional? Estas propriedades compensam os riscos à saúde pessoal e pública representados pelos casos de abuso?

Para enriquecer o debate, o site High Times, partidário da legalização, republicou há dias uma opinião ilustre: a do grande astrônomo e escritor norte-americano Carl Sagan. Conhecido tanto por suas contribuições teóricas relevantes quanto por seu trabalho extraordinário de divulgação científica — que deu origem, entre muitos outros trabalhos, ao livro e à série Cosmos –, ele foi também um ativista político. Ficou famosa, por exemplo, sua denúncia do programa de militarização do espaço pelos EUA, iniciado no governo Ronald Reagan sob o nome Star Wars. Continuar lendo

Eclode a primeira crise do “governo” Temer

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Vice acaba de cancelar reunião crucial para montagem do ministério. Por que a queda de Eduardo Cunha mergulha a equipe de Temer, e os próprios rumos de seu período, em grande zona de dúvidas

Por Antonio Martins

Na manhã desta segunda-feira, quando se abre a semana em que Michel Temer assumirá, sem votos, a presidência da República, as TVs e portais atraem a atenção do público para a coerção do ex-ministro Guido Mantega, pela Polícia Federal. É pura marola – o fato relevante é outro.

Ao afastar Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados, na última quinta-feira, o STF deflagrou a primeira grande crise do “governo” Temer. Ela cresceu sem parar, nos bastidores, durante o fim de semana. A ponta do iceberg acaba de surgir. O vice-presidente cancelou há pouco, reunião com os presidentes dos partidos que apoiam seu governo, marcada ainda ontem à noite. Faltando apenas três dias para sua provável posse, pelo Senado, Temer não tem mais certeza alguma sequer sobre a equipe de ministros que anunciará. Continuar lendo