Trangênicos: deputados atropelam direito à informação

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Aprovação de projeto que acaba com rotulagem atropela Direito à Informação, beneficia transnacionais e comprova: bancadas ligadas a poder econômico estão dispostas a tudo

Por Sandro Ari Andrade de Miranda*

A irresponsabilidade do arranjo conservador formado no Congresso Nacional parece sem limites, sem nenhuma preocupação com a estabilidade democrática ou com os direitos fundamentais dos cidadãos e cidadãs. Todos os dias somos bombardeados por alguma ação absurda nos nobres parlamentares na defesa dos interesses do poder econômico e em detrimento da maioria da população.

A chegada de Eduardo Cunha ao comando da Câmara abriu as porteiras para um passeio de preconceitos e ressentimentos sociais, além de interesses de grupos econômicos, por meio de projetos de lei absurdos, e por uma onda golpista que ultrapassa o ataque ao governo, elegendo os eleitores, de forma indiscriminada, como alvos. Continuar lendo

“Fui demitido porque saí da senzala”

Manifestantesse reuniram em frente à Câmara dos Vereadores

Garis do Rio perseguidos após alcançar conquistas históricas. Prefeitura demite lideranças e avança em projeto de terceirização, em vingança contra categoria

Por Célio Gari, no Círculo de Cidadania

Trabalho há 15 anos na Comlurb no final de abril fui demitido. Não fui o único. 77 colegas foram dispensados nos últimos dias. Todos garis que cometeram o “pecado” de exercer o direito de greve, que se organizaram e resolveram se fazer visíveis. O amigo Bruno da Rosa, por exemplo, foi demitido porque ousou responder a um dos gerentes que se portava como um verdadeiro capataz de escravos.

Um dia antes de receber a carta de demissão, eu participei da audiência pública “O direito de greve e manifestação na cidade do Rio de Janeiro” (vídeo de minha fala: http://tinyurl.com/lwghlv4). Foi minha primeira vez na Câmara dos Vereadores e motivo de orgulho. Vesti o uniforme da Comlurb e falei da dignidade de ser gari, trabalhador da limpeza, do meio ambiente e da saúde. Falei das conquistas que tivemos recentemente, mas também das retaliações. Falei do esforço de auto-organização da categoria e de discussão pela cidade que queremos, apesar das dificuldades impostas pela empresa, a prefeitura e o próprio sindicato, nenhum desses nos representam. Continuar lendo

A filosofia Dogon e a origem do mundo

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Aninhado em falésia gigante ou habitando pequenos vilarejos, povo autóctone do Mali estuda Astronomia com o mesmo empenho que dedica à dança e máscaras

No Afreaka

As falésias de Bandiagara carregam em seu ventre um pedaço de paraíso. O cenário contrasta o marrom avermelhado das rochas, o verde incisivo de árvores esparsas e das plantações familiares e o azul forte do céu sempre aberto. Ali, encaixados no cenário cru, espalham-se dezenas de vilarejos que dividem harmoniosamente o espaço com a natureza formando o País Dogon. Lembrando a origem do mundo, a região parece ter a resposta do equilíbrio entre homem e natureza que o futuro pede. Nos 150 quilômetros de falésia, antigas habitações encrustadas nas rochas, como cidades camaleões, se escondem na paisagem e dão um toque mágico à região.

Fugindo do processo de islamização na região sudoeste do Mali, os Dogon chegaram à região de Bandiagara no século XV, que antes era ocupada pelos ‘tellem’, responsáveis pelas construções das primeiras cavernas e casas incrustadas nas paredes da falésia. Dominando a região, posicionaram-se estrategicamente nas escarpas, construindo um refúgio natural contra possíveis invasores. Entrincheirada nas rochas e pendurada entre pedras, com vilas de difícil acesso no ambiente hostil, a população se protegeu por meio da arquitetura. O saldo, além da vitória contra as pressões históricas, foi a preservação de culturas e tradições seculares, que hoje tornam o povo Dogon uma das mais complexas e originais sociedades do mundo.

Com o fim do perigo de invasão e em razão de mudanças climáticas, no último século, a população começou a abandonar as habitações mais altas, ao longo das paredes da escarpa, instalando-se às bordas das montanhas e delineando os novos vilarejos. O resultado é uma paisagem excepcional onde passado e presente formam um coesivo encontro entre as duas disposições. Hoje, entre as três regiões que formam o País Dogon, planalto arenito, escarpa e planícies, existem 289 aldeias espalhadas, que abrigam aproximadamente 500 mil habitantes. As realizações arquitetônicas de cada vilarejo compõem estruturas únicas de casas, celeiros, altares e santuários, formando uma importante paisagem cultural, que reflete a engenhosidade e a filosofia da população local.

O povo Dogon carrega uma relação estreita com o meio ambiente, que é expressa em seus rituais e tradições sagrados, considerados pela Unesco entre os mais bem preservados da África subsaariana. Apesar do cristianismo e islamismo terem se espalhado pela região ao longo do último século, os valores ancestrais e a integração harmoniosa de elementos culturais permanecem autênticos e únicos. A população mantém uma série de tradições sociais como festivais, cerimônias e o culto dos antepassados. Entre os mais impressionantes patrimônios imateriais, está a Dança das Máscaras, um rito com alto grau de codificação, que para os Dogon experimenta em sua concretização a formação do mundo, a organização do sistema solar, o culto às divindades e os mistérios da morte.

A coreografia e a música que seguem a Dança das Máscaras são atribuídas a uma sociedade chamada Awa, palavra que pertence à linguagem secreta dos Dogon. Executada por um conjunto de mais de 20 dançarinos mascarados vestidos de roupas de fibras amarelas e vermelhas, a dança é também acompanhada pelos líderes tradicionais, líderes religiosos e pelos membros da sociedade de caçadores. Com mascarados em perna de pau, máscaras gêmeas e máscaras escadas, que chegam até seis metros de altura, a coreografia exige grande técnica dos bailarinos, cada um com vocabulário coreográfico específico conforme sua máscara. Os integrantes são todos homens, uma vez que apenas pessoas do sexo masculino e já iniciadas têm permissão para participar do ritual, apesar de que muitas máscaras homenageiam figuras femininas, evocando a importância da mulher na sociedade. Um por um, os membros da sociedade Awa vão entrando no palco, situado em um platô considerado sagrado. Aparecem usando máscaras de madeira pintadas em cores brilhantes, capuzes de tecido e roupas decoradas detalhadamente com búzios e palha. Cada máscara possui um significado que serve para conectar o mundo do Sol e da Terra, onde a vida e a morte se encontram.

A dança é recheada de mistérios cognitivos que representam os mitos e o pensamento simbólico local sobre o universo, que através da coreografia tece uma história paralela à tradição oral, transmitindo a cada geração os valores culturais da sociedade. Entre as estimas de mais importância está a cosmogonia Dogon, que abrange uma história complexa de lendas e crenças sobre as origens do universo e seus principais fenômenos. Com alto grau de conhecimento sobre astrologia, os Dogon acreditam que toda a criação está vinculada às estrelas. Antropólogos e sociólogos que estudaram a cultura revelam que a sociedade possui noções detalhadas sobre os quatro satélites de Júpiter, o satélite de Vênus, os anéis de Saturno e a o sistema binário da estrela Sirius. Alguns antropólogos e sociólogos como Germaine Dieterlen e Marcel Griaule, que viveram anos na região, acreditam também que o povo Dogon possui há séculos conhecimentos que a comunidade científica ocidental descobriu apenas recentemente.

O País Dogon, com seus mistérios e cenário deslumbrante é como um templo de um rico e complexo universo cultural. Uma região onde carros não existem, onde a natureza está intacta e onde o ciclo de vida é orgânico. Tombado como patrimônio mundial da Unesco, a falésia de Bandiagara e seus disfarçados vilarejos atraem turistas de todo o mundo em busca de uma experiência cultural única. A visita que pode demorar de 2 a 7 dias leva o visitante por caminhos virgens, passando por aldeias camufladas nas montanhas ou espalhadas nas planícies que rodeiam as escarpas. No caminho, entre as rochas, brotam jardins de cebola e alface, plantações familiares de milho, milhete e algodão. O contato com a população enriquece a estadia e poder dividir pequenos momentos do cotidiano Dogon transforma o viajante. Quilômetros de caminhada diária que abrem as portas para um mundo onde homem e natureza são intrínsecos e complementares.

Uma vida devotada à luta contra a tortura

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Morreu hoje Inês Etienne Romeu, responsável pela localização de um centro clandestino onde dezenas de opositores da ditadura foram mortos

Por Arlindenor Pedro

A morte de Inês Etienne Romeu, última sobrevivente da Casa da Morte de Petrópolis, encerra o ciclo da história oral dos que ali foram torturados. Agora que ela se foi, só nos restam os documentos escritos e as centenas de depoimentos que ela prestou sobre este triste episódio, que envergonha a história brasileira.

Obstinada na busca pela justiça, ela mostrou, a todos os que se dispuseram a ouvir, até que ponto pode chegar um sistema ditatorial que transforma os homens em fera e, no dizer da pensadora Hannah Arendt, banaliza o mal , transformando a ação bárbara da tortura em um ato de mera rotina profissional.

O fato de ter sobrevivido às sessões de tortura e o erro cometido por seus arrogantes algozes, que esperavam ter dominado sua mente, julgando-a incapaz de reagir, deu a nossa população as condições de saber exatamente o que eram os porões da ditadura e a existência desses centros clandestinos, como a Casa de Petrópolis, onde inúmeros opositores do regime militar de 1964 foram eliminados.

Inês Etienne foi incansável na sua vida após a prisão. Devotou o que restou dela na denúncia dos que participaram de seu sequestro, prisão, tortura e seviciamento: cobriu todo o país com palestras, e deu importantes depoimentos às Comissões da Verdade que mais tarde foram criadas. Mostrou o quanto foi cruel o Sistema ilegal montado por aqueles que se apropriaram do poder, derrubando um presidente legitimamente eleito, e a que ponto eles puderam chegar através dessas Casas de Tortura.

Certamente, trata-se de uma personagem importante na nossa história, honrando uma geração de jovens utópicos que não tiveram dúvidas em enfrentar um inimigo poderoso, na busca pela liberdade que naquele momento faltava ao país.

Oxalá sua vida e sua morte chamem à reflexão os incautos que acreditam que um sistema ditatorial pode ser melhor do que a liberdade política que ainda temos, e expressam tal vontade instigando os militares a se apropriarem novamente do poder político.

Nenhuma proposta de avanço econômico ou material pode justificar supressão da liberdade, em qualquer dos seus níveis, pois nos seus porões os regimes ditatoriais geram apenas excrescências inumanas – com as quais Etienne se deparou.

Sabemos que a sua luta não foi em vão e a história não se repetirá.

Cresce campanha contra redução da maioridade penal

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Começa hoje em São Paulo série de ações para deter PEC 171, que quer punir crianças e adolescentes pela negligência do Estado

Debate, ato público, audiência pública, manifestação. A semana de mobilização contra a maioridade penal em São Paulo começa com uma série de eventos de grupos e organizações que rejeitam decisivamente a redução da maioridade penal.

A mobilização começa nesta segunda-feira, 27, com o debate “Direitos das crianças e adolescentes e medidas alternativas ao encarceramento” e a presença de Verónica Silveira, uruguaia integrante da Casa Bertold Brecht e da frente #NoaLaBaja, que coordenou a mobilização que derrotou a redução da maioridade penal no plebiscito que aconteceu no Uruguai em 2014.

A iniciativa, promovida pela Ação Educativa, Fundação Perseu Abramo e Fundação Rosa Luxemburgo, com apoio da Prefeitura de São Paulo e do Conectas, conta com a participação da deputada federal Erika Kokay (PT-DF); de Paulo Cesar Malvezzi Filho, assessor jurídico nacional da Pastoral Carcerária; e de Rogério Sottili, secretário-adjunto de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo. Acontece das 18h30 às 21h30 no Sindicato dos Engenheiros (Rua Genebra, 25, Bela Vista), com transmissão online pela TV Aberta da Fundação Perseu Abramo.

A PEC 171/1993, proposta de emenda à Constituição que reduz a maioridade penal no país de 18 para 16 anos, está em andamento numa Comissão Especial do Congresso. Para Erika Kokay, uma das integrantes dessa Comissão, é inconstitucional, pois fere cláusula pétrea da Constituição Federal quanto aos direitos e garantias individuais para a proteção de crianças e adolescentes. Além disso, em vez de encaminhar menores em conflito com a lei para o cumprimento de medidas socioeducativas, cuja taxa de reincidência é menor do que 20%, a PEC autoriza o ingresso de adolescentes a partir dos 16 anos no sistema carcerário brasileiro – o terceiro maior do mundo, com taxa de reincidência acima de 70%.

Outros eventos

Amanhã, 28, às 11h, haverá Audiência Pública da Comissão da Criança e do Adolescente sobre as Consequências da Redução da Maioridade Penal na Câmara Municipal.

Já a Ação Educativa promove, a partir das 19h30, na sede da entidade (Rua General Jardim, 660, Santa Cecília), o evento Ação em Debate sobre os impactos da PEC 171/93. Estarão presentes Verónica Silveira, integrante da frente #NoaLaBaja; Roberto Dias, jurista e coordenador de graduação na Fundação Getúlio Vargas – Direito e Luciano Martins, jornalista do Observatório da Imprensa. A mediação é de Antonio Eleilson Leite, coordenador da área de Cultura da Ação Educativa
Haverá transmissão ao vivo pelo link: www.acaoeducativa.org/aovivo.

Também no dia 28, a partir das 19h, no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP (Largo São Francisco, Centro, São Paulo), haverá um Ato contra a Redução da Maioridade Penal com dezenas de grupos organizados em torno da pauta, além de centenas de apoiadores da causa. O Ato deverá consolidar um documento contrário ao prosseguimento da PEC 171/1993, a ser encaminhado ao Congresso Nacional.
Evento no facebook

Na quarta-feira, 29, acontece o “Amanhecer contra a redução em SP”, no Vale do Anhangabaú. Evento no Facebook. https://www.facebook.com/events/883534805057147/

site 18 Razões traz um calendário nacional das mobilizações.

Serviço

18h30min – Abertura

· Representante do  Sindicato dos Engenheiros
· Gerhard Dilger, representante da Fundação Rosa Luxemburgo
· Sérgio Haddad, coordenador da Ação Educativa
· Joaquim Soriano, diretor da Fundação Perseu Abramo. Representante do  Sindicato dos Engenheiros

19h  – Debate
· Verónica Silveira, Casa Bertolt Brecht e representamte da campanha #NoalaBaja, Uruguai
· Erika Kokay, deputada federal PT/DF
· Paulo Cesar Malvezzi Filho, assessor jurídico nacional da Pastoral Carcerária
· Rogério Sottili, secretário-adjunto de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo
Mediação: Daniel Santini, coordenador de projetos da Fundação Rosa Luxemburgo
20h30min: Debate com o público e considerações finais

Uma universidade brasileira debate Filosofia Árabe

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Filósofo e teólogo, Averróes, uma das figuras mais destacadas da filosofia árabe, num detalhe da obra “A Escola de Atenas” de Raffaello

Em momento de crise no pensamento ocidental, PUC-SP propõe revisitar tradição filosófica pouco conhecida para compreender conceitos fundamentais distantes dos currículos nacionais

Redação

A Coordenação do Curso de Filosofia da PUC-SP e o Centro de Estudos Árabes da Universidade do Chile organizam a primeira Jornadas Sul-Americanas de Filosofia Árabe em São Paulo. Todas as atividades serão gratuitas, não necessitando de inscrição prévia.

Um momento decisivo de toda a filosofia ocidental está na recepção medieval da filosofia aristotélica pelos árabes, oportunidade ímpar a todos docentes e discentes do Brasil para se defrontar com conceitos fundamentais pouco estudados nos currículos nacionais de Filosofia, em exposição feita por pesquisadores de destaque em suas respectivas áreas.

O evento foca numa integração entre pesquisas e diálogos acadêmicos em torno da filosofia árabe no cenário latino-americano. Trata-se da primeira edição de um encontro latino-americano bienal, no âmbito da Filosofia Árabe, a ser sediado no Brasil.

Abaixo a programação completa e atualizada:  Continuar lendo

O ajuste fiscal e a alternativa

Outras Palavras lançará em breve uma coluna em vídeo, para comentar grandes temas brasileiros e internacionais. Assista nosso primeiro piloto. Opine

Surgiu uma alternativa ao ajuste fiscal – o programa do governo Dilma que está destruindo programas sociais, paralisando obras, provocando demissões e afundando a popularidade da presidente. A alternativa é tributar os mais ricos, por meio de uma ampla Reforma Tributária.

Enquanto ela não acontece, há um atalho simples e eficaz. Em entrevista ao Outras Palavras, o auditor fiscal Paulo Gil Introini apontou o caminho. É preciso reverter a decisão do governo Fernando Henrique Cardoso que, no Natal de 1995, ofereceu um presente bilionário a algumas das pessoas mais ricas do país. Ele acabou com a tributação sobre os dividendos – a renda auferida por quem é proprietário ou acionista de empresas. Se um assalariado ganha 10 mil reais por mês, paga 27,5% ao Fisco. Se um acionista da Camargo Corrêa recebe, sem trabalhar, R$ 1,2 milhão por ano em dividendos (dez vezes mais) não paga nada.

A isenção foi adotada por Medida Provisória num dia 26 de dezembro, há vinte anos. Os governos do PT nunca ousaram desafiá­la, porque tentaram melhorar a vida das maiorias sem afetar os privilégios dos ricos.

Agora, que o país passa por dificuldades, os números chamam atenção. Segundo os cálculos de Paulo Gil, que foi presidente do Sindicato dos Auditores da Receita e é um dos fundadores do Instituto de Justiça Fiscal, bastaria reintroduzir o tributo sobre dividendos para arrecadar 120 bilhões de reais por ano – bem mais que o governo pretende economizar com o mal chamado ajuste fiscal.

A presidente Dilma tem, portanto, uma opção, e a sociedade pode ficar sabendo que não precisaria sofrer tanto. O ajuste fiscal reduziu as verbas de todos os ministérios – inclusive o da Educação.

No momento em que a presidente fala em Patria Educadora, os universitários ligados ao FIES padecem. As contas de luz estão subindo pelo menos 20%. Programas como o Luz para Todos foram afetados. Obras prioritárias estão cortadas. As empreiteiras demitem. Não seria muito mais justo fazer os ricos pagarem impostos?

Na entrevista a Outras Palavras, que vai ao ar segunda­feira que vem, o auditor Paulo Gil também contou segredos da Receita Federal. Mostrou que o órgão, que deveria fiscalizar o pagamento de impostos por todos, tem portas secretas, por onde os ricos podem escapar. Descreveu o Carf – uma espécie de tribunal secreto, que pode livrar as grandes empresas do pagamento de tributos e multas bilionários. Neste tribunal, todas as grandes federações empresariais têm representantse. Mas você, que paga impostos altos, não. Nas últimas semanas, a Operação Zelote da Polícia Federal descobriu casos de compra de votos, de pareceres, de decisões – tudo para livrar os mais ricos do pagamento de tributos.

A entrevista com Paulo Gil abre um esforço de Outras Palavras para debater em mais profundidade grandes temas brasileiros. Isso será feito também por conversas em vídeo em debates presidenciais. Aguarde, a partir desta segunda­feira. Vamos debater os impasses do país e as formas de superá­los. Reforma Tributária só é nosso primeiro assunto.

Belluzo e Maria Vitória Benevides debatem cenário brasileiro

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Mesa-redonda em defesa da democracia e soberania nacional será nesta quinta-feira, em SP. Cláudio Lembo, Marcelo Lavenère e Roberto Amaral também participam 

Cidadãos preocupados com o cenário brasileiro atual e seus possíveis desdobramentos promovem hoje, no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, um debate instigante. A socióloga Maria Victória com Benevides, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, o ex-governador do Estado, Cláudio Lembo (que, em 2006, desancou a “elite branca”) e Marcelo Lavenere (ex-presidente da OAB), dialogarão legalidade democrática e defesa da soberania nacional. O evento tem caráter suprapartidário e visa, também, denunciar “viés claramente golpista” que seus promotores identificam claramente em atitudes dos partidos e mídia conservadores.


Local:
Auditório do Sindicato dos Engenheiros
Rua Genebra, 25 (veja mapa) – Metrô Anhangabaú
A partir das 19h30

 

Contra os Muros, a dinâmica da Mata

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Christian Dunker, que lança hoje, em SP, livro sobre Brasil polarizado, sustenta: reencontro com Arte e Natureza pode livrar Brasil de dinâmica política marcada por alienação e ódio

Por Daniel Benevides Patrícia Rousseaux, na revista Brasileiros


MAIS:
Debate “O Brasil entre muros: segregação e ódio no Brasil partido”
Com Christian Dunker, Maria Rita Kehl, Vladimir Safatle e Paulo Arantes, mediação de Antonio Martins

Quinta, 16/4/15 | das 19h às 21h | Quadra dos Bancários | Confirme presença aqui
Rua Tabatinguera, 192 | São Paulo, SP | Metrô Sé | Veja mapa
Realização: Boitempo Editorial, Outras Palavras e Sindicato dos Bancários

A psicanálise, assim como a antropologia e a crítica de arte (para não falar na economia), tem uma linguagem própria, nem sempre fácil de compreender. No entanto, muitas vezes a recompensa para quem mergulha nesse universo é grande. É o que acontece com a leitura de Mal-estar, sofrimento e sintoma: uma psicopatologia do Brasil entre muros (Boitempo Editorial), de Christian Dunker, um livro cuja importância deve crescer muito à medida que for mais e mais discutido. E pode ter a chave ou chaves para o entendimento de nosso mal-estar, numa direção diferente daquela teorizada por Freud em seu clássico  O Mal-estar na Civilização.

Fundador do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da USP (LATESFIP), ao lado de Vladimir Safatle e Nélson da Silva Jr., Dunker é um sujeito alto, grande como suas ideias, ambiciosas, mas sempre expostas com modéstia e generosidade. Na conversa que tivemos em seu consultório, em uma casa simpática no Paraíso, bairro paulistano, o verbo correu solto, entre exclamações, risadas e momentos de profunda reflexão. Dunker, autor também de um livro premiado pelo Jabuti em 2011, Estrutura e Constituição da Clínica Psicanalítica (Editora Annablume), ressaltou temas de seu livro, como a lógica do condomínio, a brasilidade e a psicanálise enquanto sintoma social e formadora de nossa identidade, e fez uma análise da atual conjuntura, das manifestações de insatisfação e ódio, além de mostrar as relações estreitas entre o neoliberalismo e o surgimento de novos sofrimentos psíquicos a partir dos anos 1970. Também fez questão de dizer que seu livro não é tão difícil assim: “Tem capítulos absolutamente não acadêmicos, eu já sei que vou pagar uma conta por isso. Por exemplo, o capítulo em que eu procuro retomar Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Hollanda, misturando com música e literatura. Em termos acadêmicos é criminoso, né, porque o estudioso do Lima Barreto vai dizer que a internação dele não foi bem assim, que não se pode considerar apenas o modernismo paulista, etc. Você comete violações para fazer esse passeio macroscópico e dialogar com um público menos segmentado. Inclusive o capítulo sobre diagnóstico não é para psicanalistas, mas para pessoas ligadas ao direito, educação, medicina”. Continuar lendo

O Brasil sob a lógica do condomínio?

 

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Christian Dunker, Maria Rita Kehl, Paulo Arantes e Vladimir Safatle debatem hoje, em S.Paulo, regressões que ameaçam reduzir país a um Fla-Flu mesquinho. “Outras Palavras” participa

E se a polarização sem diferença real, a que a sociedade brasileira parece ter recuado nos últimos meses, revelar algo mais profundo sobre a formação do país? E se, ao nos descobrirmos espectadores de um Fla-Flu político que esconde os problemas reais, ao invés de desnudá-los, pudermos reverter este destino? Outras Palavras participa esta noite, em São Paulo, de um debate em que estarão em foco estas perguntas cruciais. O psicanalista Christian Dunker lançará, na Quadra dos Bancários (próxima ao Metrô Sé — veja detalhes ao final), seu novo livro: O Brasil entre muros. Debaterão com ele os filósofos Paulo Arantes e Vladimir Safatle e a psicanalista Maria Rita Kehl. Antonio Martins, editor do site, fará a mediação.

Dunker falará sobre sua original interpretação da lógica de condomínio enquanto sintoma social do Brasil contemporâneo. Numa entrevista recente, à jornalista Eleonora de Lucena, ele afirmou: “Parece que o problema do Brasil é o PT e o PSDB. Isso é um sintoma da impossibilidade de escutar o país. A escuta é de particulares, condomínios. Mas o Brasil é muito maior do que isso”. Acrescentou: agora, “a existência é pensada entre muros. Se eu sair do meu muro, vou sair para brigar, para quebrar o muro do outro. Não é que o outro esteja fazendo algo com o qual não concordo. Ele é de uma dimensão que eu não consigo reconhecer como semelhante à minha. Por isso, aparecem palavras como petralha, metralha, idiota, louco, deficiente mental –categorias entre o moral e psiquiátrico” Continuar lendo