Para transformar o lixo em energia

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Tecnologias já existentes permitiriam converter resíduos orgânicos em biogás — preservando atmosfera, evitando expansão de aterros e reduzindo extração de combustíveis fósseis

Por Carlos Sanches

O lixo que produzimos diariamente, também chamado, de modo mais técnico, de “resíduos sólidos urbanos – RSU”, tem como destino final lixões a céu aberto (17,8%), aterros sanitários (58%) e aterros controlados (24,2%). A quantidade gerada, no Brasil, chega a aproximadamente 200.000 toneladas de lixo por dia, sendo a região Sudeste responsável por quase metade desse total. Os dados são da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) de 2012, ano da mais recente publicação sobre o tema.

Diante disso, fica no ar a pergunta: não poderia ao menos parte desse lixo, esteja ele no lixão ou no aterro, ser utilizado para gerar energia e, desta forma, reduzir o volume ocupado em seu local de origem? A resposta é sim. Continuar lendo

Um domingo contra Alckmin

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Em Outras Palavras, dia 31/8, um iniciativa para afastar de São Paulo o conservadorismo e a repressão

A nova casa de Outras Palavras pode ser também um local para tramar futuros. Neste domingo (31/8), convidamos grupos e pessoas espantados com o alto risco de mais quatro anos de um governo autoritário em São Paulo a buscar saídas. Nâo se trata de apoiar candidatos, mas de afastar a pasmaceira. Que podemos fazer para mudar o rumo das eleições estaduais? São Paulo está fadado a ser apático, individualista e segregador? Ou podemos fortalecer gente disposta a fazer fluir a liberdade e projetos de justiça, compartilhamento e nova democracia?

A partir das 17h, traga seus desejos, ideias e abertura para ouvir e debater. Se der vontade, acrescente algo de beber ou comer. São Paulo não pode reduzir-se a volume morto. Que os vivos apareçam!

Rua Conselheiro Ramalho, 945 – Bixiga – a 50m. da Brigadeiro Luís Antonio e um quilômetro do Metrô São Joaquim (mapa)

 

S.Paulo: um encontro com o desconhecido Extremo Sul

 

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Atividades no próximo fim de semana revelam intensa produção cultural de região da metrópole onde convivem rap, coletivos de comunicação, agricultores orgânicos e aldeias indígenas

Imagem: Alexandre Orion

Cultura e Arte ocuparam, nos últimos anos, lugares centrais na afirmação das periferias brasileiras, e de sua luta pelo direito à cidade (leia texto de Joseh Silva a este respeito). Quem quiser se conectar e entender esse fenômeno de perto, poderá acompanhar as atividades da Virada Sustentável no extremo sul de São Paulo – sob cuidadoria do movimento Imargem. Agricultores, artistas, guaranis da aldeia Tenondé Porã (Parelheiros), coletivos de comunicação, entre outros comporão a cena da Virada na quebrada. Continuar lendo

Na periferia, o nome da Arte é Liberdade

Intervenção do projeto Imargem, que articula arte, defesa do meio ambiente e convivência para  enfrentar isolamento das comunidades às margens da Represa Billings, região do Grajaú, São Paulo

Intervenção do projeto Imargem, que articula arte, defesa do meio ambiente e convivência para enfrentar isolamento das comunidades às margens da Represa Billings, S.Paulo

Em São Paulo, Virada do Extremo Sul destaca papel da Cultura na lenta reconquista do espaço público, sequestrado durante décadas por medo, violência e preconceito

Por Joseh Silva

Como parte da cobertura compartilhada da Virada Sustentável 2014, o jornalista Joseh Silva analisa e coloca em debate a ocupação do espaço público a partir das bordas. Na quebrada, a ideia de direito à cidade é outra: significa, também, enfraquecer a cultura do medo. Pontos de resistência e formação surgem a partir dos saraus, coletivos de comunicação e cultura, movimentos espontâneos e organizados.

Em ambiente de opressão policial e violência, enfrentando o discurso segundo o qual quem está na rua procura problema, agentes marginais de transformação enfrentam a dispersão e se apropriam da rua como espaço de fazer política, conviver e existir.

No centro do debate e luta pelo direito à cidade, Joseh nos redireciona o olhar e nos faz a pergunta: para qual cidade estamos olhando?  Continuar lendo

De Copenhague a São Paulo: o porquê das bicicletas

teatroTambém na capital da Dinamarca, ciclovias foram tratadas com ceticismo e ironia. Como resistência foi vencida? Por que cidade tornou-se exemplo mundial?

Por Cauê Seginemartin Ameni e Manuela Beloni

Enquanto a Europa planeja se integrar com mais de 70 mil km de ciclovia e outras cidades almejam se ver livre dos carros nos próximo anos, São Paulo começa a caminhar no mesmo rumo: a prefeitura deseja construir, nos próximos dois anos, 400 quilômetros de ciclovias. No entanto, mal a alternativa foi anunciada, alguns focos de indignação têm convertido essa solução num suposto problema. Quando não são especialistas criticando a novidade na mídia, a indignação precipitada surge entre os próprios moradores.

Semana passada foi a vez de um grupo moradores e comerciantes de Santa Cecília — um bairro no Centro da cidade – mostrarem-se contrários à implementação de ciclofaixas na região. Fizeram “protesto”… na delegacia de polícia! — onde registraram um boletim de ocorrência. Sem saber a natureza da queixa registraram: “preservação de direito”. Colocar os direitos individuais acima dos direitos coletivos, sobretudo quando se trata de um espaço público como a rua, suscitou a resposta pública de um grupo de moradores e ativistas da região. O Movimento Ciclofaixa na Santa Cecília, que já marcou uma bicicletada para a próxima segunda (25/08), a fim apoiar a novidade e abrir o debate para os demais moradores da região. Continuar lendo

Por que o MTST volta às ruas esta tarde

Sem-teto manifestam-se na Praça da Sé, em junto de 2014

Sem-teto manifestam-se na Praça da Sé, em junto de 2014

Manifestação em São Paulo denuncia perseguições da mídia e Ministério Público contra sem-teto. Movimento articula ações com jornalistas independentes. “Outras Palavras” participa e convida leitores

Por Antonio Martins

Cada vez mais conhecido, desde o fim do ano passado, pela intensa mobilização que promove nas periferias das metrópoles, em favor do Direito à Cidade, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) promete lançar mais uma inovação política esta tarde. A partir das 17h, sem-teto de São Paulo (fala-se em milhares…) irão se concentrar no vão livre do MASP — Avenida Paulista. Desta vez, não protestarão contra um governante, nem apresentarão uma pauta de reivindicações específica. Promoverão um “ato-debate”. Querem tornar explícita sua indignação diante da velha mídia e do Ministério Público — que os tratam com preconceitos e tentam criminalizá-los. Estarão presentes, entre muitos outros, a arquiteta Ermínia Maricato, o juiz Jorge Souto Maior, o professor de filosofia Paulo Arantes, a Associação dos Juízes pela Democracia, a candidata à Presidência Luciana Genro (PSOL) e os deputados Renato Simões e Adriano Diogo (PT).

Como o MTST tornou-se capaz de mobilizar os sem-teto para temas políticos sofisticados — como a crítica à mídia e aos promotores? É algo que merece ser examinado em profundidade, mas algumas pistas parecem claras. O movimento tira forças de um ânimo novo nas periferias. Segundo Guilherme Boulos, um dos coordenadores da organização, as franjas das metrópoles passaram a reagiram com força, após junho de 2013, à especulação imobiliária e suas consequências. Disseminaram-se as ocupações de terrenos vazios (veja entrevista abaixo). O movimento parece ter desenvolvido tecnologias sociais que dão organicidade a estas iniciativas e, em especial, sentido de pertencimento aos que nelas se envolvem. Isso cria um ambienta favorável à politização. Durante a votação do Plano Diretor de São Paulo, no primeiro semestre deste anos, os sem-teto mobilizaram-se muito mais que a parcela culturalmente avançada da classe média. Exigiram da Câmara Municial a aprovação e avanços reais na lei (1 2) Continuar lendo

Outros Traços: O ônibus

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De Paul Kirchner 

O ilustrador norte-americano fez a série “The Bus” entre 1978 e 1985 para a revista de quadrinhos Heavy Metal, na qual publicava mensalmente. Nestas tiras, Paul inventa pequenas histórias envolvendo ônibus — sempre surrealistas e bastante existencialistas. Veja outras abaixo. Continuar lendo

O manifesto contra a inquisição na PUC-SP

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Toni Negri, Jacques Rancière, José Miguel Wisnik, Tarso Genro, Marilena Chauí e outros intelectuais denunciam perseguição de professores e obscurantismo na Universidade 

Uma carta disparada semana passada em apoio aos professores Peter Pál Perlbart, Jonnefer Barbosa e Yolanda Gloria Gamboa Muñoz, perseguidos pela reitora Anna Cintra da PUC-SP e o cardeal de São Paulo Dom Odilo Scherer, já conta com o apoio de mais de 1.500 assinaturas. Os professores são acusados de terem atentado contra o “patrimônio moral” da universidade, e estimulado a “indisciplina entre os discentes” ao convidarem o diretor de teatro Zé Celso a apresentar trecho de uma peça, durante a greve de 2012. Entre as assinaturas, há intelectuais de renome internacional e personalidades progressistas, como Antonio Negri, Tarso Genro, Marilena Chauí, Maria Rita Kehl, Michael Hardt, Maurizio Lazzarato, Tomie Othake, José Miguel Wisnik, Ricardo Musse, Vladimir Safatle, Raquel Rolnik e muitos outros.

Confira a carta e assine você também.

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Parabéns, abuelas argentinas!

Guido e Estela de Carlotto

Guido e Estela de Carlotto

Por Juana Kweitel*

Reencontro de avó com neto desaparecido na ditadura recompensa inovações políticas lançadas, na luta pelos direitos humanos, por mulheres com mais de 80 anos

Estes têm sido dias especiais. Talvez pela primeira vez em onze anos, senti que não estava no “meu lugar”. Terça foi um dia de “catarse coletiva” na Argentina (como um amigo chamou) e eu estava no Brasil. Não consigo parar de postar coisas no facebook sobre Guido Carlotto, o neto da presidenta das Abuelas [Avós] de Plaza de Mayo, sequestrado pelos militares durante a ditadura e agora encontrado. Foi um dia de enorme alegria e reflexão.

Alegria das mais simples: porque uma avó encontrou seu neto e eu, sendo mãe, consegui sentir isso na pele. Alegria, porque, como Estela de Carlotto falou, vai conseguir dar um abraço no seu neto antes de morrer – porque as Abuelas estão velhinhas. Alegria pelo resultado da persistência, no tempo das coisas efêmeras.

Estes dias também me fizeram pensar muito também nos debates atuais no movimento por direitos humanos. Senti que fiz uma volta de 360 graus, dei a volta inteira para voltar no meu lugar original, mas aprendi muito no caminho.

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