Para praticar futebol e política

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MST planeja construir, em sua escola nacional, campo para muitos esportes. Arquitetos já ajudam, voluntariamente. Você também pode contribuir

O futebol não é o ópio do povo, mas trincheira de luta. É o que afirma e quer consolidar a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), do MST, com o projeto de construir o Campo Dr. Sócrates Brasileiro. Em uma parceria com o Laboratório de Habitação (LabHab), da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU), o grupo Amigos da ENFF acredita que “o campo será um espaço de saúde e lazer que atenderá os mais de 200 educandos e educandas que frequentam a escola para estudar por semanas ou meses”, além das crianças de comunidades próximas ao local.

O centro esportivo abrigará, além do campo de futebol (que passará por drenagem do terreno, plantação de grama, iluminação e arquibancadas), uma quadra de vôlei, equipamentos de ginástica e um memorial de futebol e política. Para a primeira parte do projeto — a construção do campo — pretendem arrecadar dinheiro com um crowdfunding. A própria escola foi construída por meio de um esforço voluntário de cerca de mil trabalhadores de assentamentos e acampamentos do MST de vários estados do Brasil. Por isso, acreditam que financiamento coletivo é a melhor maneira de viabilizar o campo. Continuar lendo

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Para que a luta por Moradia seja sua também

mtstcapa O MTST, um dos movimentos que melhor luta contra o conservadorismo e o golpe no Brasil, pede sua ajuda material, para continuar nas ruas. Veja como estar presente

Pelo MTST

No último mês, se consolidou o golpe Brasil. Logo no primeiro dia de seu mandato, o presidente interino empossou sete ministros envolvidos na Lava-Jato, acabou com o Ministério da Cultura, com as Secretarias de Mulheres e de Igualdade Racial e montou uma equipe de ministros sem incluir sequer uma mulher ou negro, fato que não acontecia desde o governo Geisel, durante a ditadura militar.

E os retrocessos não ficaram por aí. As primeiras declarações de seus ministros demonstraram que o governo está disposto a atacar todos os nossos direitos. Entre as propostas estão a diminuição do tamanho do SUS e o aumento da participação dos planos privados de saúde com menor fiscalização; o corte de 10 mil vagas do programa Mais Médicos; cortes no Prouni e Pronatec; avanço na “Reforma” da Previdência com previsão de idade mínima para aposentadoria de 65 anos. Continuar lendo

China, potência científica?

Cientistas chineses controlam o Sunway TaihuLight, mais poderoso supercomputador do mundo, no Centro de Supercomputadores de Wixi

Cientistas chineses controlam o Sunway TaihuLight, mais poderoso supercomputador do mundo, no Centro de Supercomputadores de Wixi

Principal revista científica ocidental admite: supremacia dos EUA cairá em breve, também neste domínio. Consequências geopolíticas podem ser vastas

Por Antonio Martins

Para boa parte da opinião pública no mundo ocidental — inclusive a que se julga “de esquerda” –, a China é, ainda, um tigre de papel. Ela produz quase todos os eletrônicos e eletrodomésticos que usamos, mas, segundo a crença, apoia-se para tanto em mão de obra barata. Ela tornou-se, desde 2014, o país de maior PIB do planeta (quanto se considera o poder de compra real das moedas); porém, seria apenas graças a sua gigantesca população. Um estudo recente da revista Nature — possivelmente, a publicação científica mais respeitada do mundo — poder corroer mais um pilar deste pensamento preconceituoso.

A China, diz a Nature, está à beira de converter-se no principal centro de investigações científicas do mundo. A avaliação emerge da edição mais recente (2016) do Indice Nature, um sistema sofisticado e complexo de aferições, criado e mantido pela revista. Baseia-se na publicação de artigos originais naquelas que são consideradas as 68 revistas científicas mais importantes do mundo. Leva em conta, portanto, cerca de 60 mil artigos por ano. Continuar lendo

Stiglitz: por que a Grã-Bretanha pode deixar a União Europeia

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Londres: Nigel Farage, líder do Partido Independentista do Reino Unido (UKIP), aparece num ônibus-cartaz pelo “Brexit”

Nobel de Economia sustenta: uma Europa cada vez mais desigual e não-solidária frustrou sonhos e despertou rancores. Ele adverte: eventual vitória do “Brexit” terá consequências dramáticas

Por Antonio Martins

Faltando dois dias para o plebiscito (quinta-feira) em que os britânicos decidirão se permanecem na União Europeia (UE) ou deixam o maior bloco econômico do planeta, todas as luzes vermelhas da aristocracia financeira estão acesas. As pesquisas de opinião sugerem que a decisão será tomada por margem mínima. O moderno Guardian, que em certas ocasiões acena à esquerda, parece hoje convertido numa Rede Globo às vésperas da eleição Collor x Lula, em 1989. O jornal oferece sua capa para um artigo em que megaespeculador George Soros adverte: a eventual retirada do Reino Unido desencadeará uma “sexta-feira negra”; as poupanças da população serão corroídas por uma desvalorização abrupta da libra. Os prejuízos se multiplicarão em alta dos preços, queda dos investimentos, falta de empregos.

Quase todo o establishment político — do primeiro-ministro conservador David Cameron ao líder trabalhista “rebelde” Jeremy Corbyn — apoia a permanência da Grã-Bretanha na UE. Mas o Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz foi mais fundo, numa conferência proferida há uma semana, na Itália, a estudantes do Instituto de Iseo, fundado pelo também economista Franco Modigliani. Melancólico, Stiglitz também lamentou o risco de um “Brexit”, lembrando que projetaria sombras tão densas, sobre o cenário global, quanto a eventual vitória de Donald Trump, nas eleições presidenciais norte-americanas. Porém, fez questão de colocar o dedo na ferida: a culpa pelo mal-estar cabe às elites europeias.

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“Bem viver” indígena: caminho para reinventar a democracia?

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Seminários sondam a partir desta segunda-feira, em S.Paulo, como construir outra política em diálogo com saberes dos povos originários. Luiza Erundina participa


Seminário “A Reinvenção da Democracia: Bem Viver/Teko Porã, Ubuntu e Ecossocialismo”

Dias 20/6 (Tucarena), 27/6 (Auditório 117) e 4/7 (Tucarena)
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC)
Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes – São Paulo
Bem Viver na cidade
Dia 20/6, das19h30 às 22h30
Com Luiza Erundina, Cristine Takuá, Suely Rolnik, Vanessa Lafayette, Daniel Caballero e Wellinton Nogueira
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Na próxima segunda-feira, 20 de junho, um seminário apresentará e discutirá as noções de Bem Viver, Teko Porã, Ubuntu, Ecossocalismo e Democracia Direta aplicadas à cidade de São Paulo. Os debates terão continuidade nos dias 27 de junho e 4 de julho, sempre às 19h30, no Tucarena, teatro da PUC-SP reconhecido por ter sido palco aberto histórico de experiências democráticas. Luiza Erundina, candidata a prefeita em São Paulo, participa ativamente do processo de investigação e debate coletivos.

Originados na cultura de populações indígenas e africanas e na crítica tanto ao neoliberalismo quanto a um desenvolvimentismo que não dialoga com as novas realidades do século 21. Os princípios do Bem Viver, Ubuntu e Ecossocialismo são uma fonte de inspiração importante para a defesa do Direito à Cidade.

O Bem Viver – tema do primeiro encontro – tem origem na sabedoria indígena e na resistência de cinco séculos dos povos latino-americanos contra o avanço da colonização, do progresso e do desenvolvimento que desde a Conquista vêm esbulhando seus territórios, submetendo suas populações e combatendo seus modos de vida. Graças a intensas mobilizações ocorridas no final do século 20, as comunidades tradicionais equatorianas e bolivianas conseguiram incluir os princípios do Bem Viver na Constituição de seus países, aprovadas em 2008 e 2009.

O Bem Viver, no entanto, não se aplica apenas à vida das populações indígenas. Seu arcabouço conceitual comporta ideias que podem renovar a democracia, com novas formas de economia solidária e participação política, além de um amplo reconhecimento às diversidades sociais, culturais, étnicas e religiosas. Ao propor uma comunhão entre os Direitos Humanos e os Direitos da Natureza, o Bem Viver também prega um profundo respeito à vida e aos ecossistemas – temas urgentes para uma cidade violenta, segregada e que passa por períodos climáticos extremos.

Além da participação de Luiza Erundina, o debate sobre Bem Viver contará com a presença de Cristine Takuá, filósofa e educadora indígena; Vanessa Lafayette, secundarista do movimento Juntos; Daniel Caballero, artista plástico; e Suely Rolnik, psicoterapeuta do Núcleo de Estudos da Subjetividade da PUC. A mediação será de Célio Turino, ex-secretário de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura, criador dos Pontos de Cultura e um dos fundadores do RaiZ Movimento Cidadanista.

Amazônia: terras indígenas aos madeireiros?

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Mandurukus do Tapajós protestam: governo recusa-se a demarcar seu território, mas quer leiloar enorme área florestal à extração predatória. Medida ameaça sítios arqueológicos, além de roçados, caça e pesca tradicionais

Em 9 de junho, guerreiros munduruku realizaram um ato na reunião do Conselho Consultivo das Florestas Nacionais (Flona) Itaituba I e II, em protesto a um histórico de desrespeitos, pelo governo brasileiro, aos processos decisórios do povo indígena. Divulgada com três dias de antecedência, a pauta da reunião incluía uma concessão madeireira, por meio da qual o Serviço Florestal Brasileiro pretende leiloar 295 mil hectares (quase o dobro do tamanho da Terra Indígena vizinha, Sawre Muybu). Essa área conta com a presença de sítios arqueológicos e é onde Munduruku e ribeirinhos do Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Montanha e Mangabal caçam, fazem seus roçados e pescam de maneira tradicional.

Durante o protesto, Munduruku do Médio e Baixo Tapajós, que viajaram urgentemente para Itaituba, salientaram a perda de confiança nas instituições governamentais de participação, uma vez que já protocolaram junto ao governo brasileiro como devem ser consultados antes de qualquer projeto que possa impactar seu território.
De acordo com esse Protocolo de Consulta (ver aqui), elaborado com base na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, o povo Munduruku deve ser consultado em conjunto, antes de o governo tomar suas decisões. Continuar lendo

Para conhecer Marguerite Duras e atualidade de sua obra

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Marguerite Duras e Delphine Seyrig durante filmagens de India Song. Atriz de diretores como Resnais, Truffaut e Buñuel, Delphine Seyrig foi também importante militante feminista na França

Em S.Paulo, palestras e filme relembram autora que fustigou moral burguesa e articulou feminismo, liberdade sexual e luta contra desigualdades. Encontro homenageia vinte anos de sua morte
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Palestras e bate-papo com Maria Cristina Vianna Kuntz e Maurício Ayer
Apresentação do filme India Song
18 de junho, sábado, das 15h às 20h
Inscrições: R$ 60,00
Participantes de Outros Quinhentos, estudantes e professores da rede pública: 30,00
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Há 50 anos, Marguerite Duras publicava um de seus principais romances, O Vice-cônsul, que permanece instigante e atual em sua escritura do desejo, da loucura, da liberdade sexual, da mulher, da política. Seu principal desdobramento é o longa-metragem India Song, obra-prima escrita e dirigida por Duras, em que o enredo é condensado em imagens e sons cindidos, que jamais se fundem. Neste evento, dois especialistas na obra de Duras vão abordar O Vice-cônsul e India Song em palestras e bate-papo, seguidos da projeção do filme (legendado).

No enredo do romance e do filme, um membro do Estado comete crime hediondo e seu superior procura uma saída para abafar o caso e devolver as coisas à “normalidade”, num clima de profunda deterioração moral; do outro lado das cercas e muros que protegem essa elite, assolam a fome, a miséria e doenças como a lepra e a peste. Percebe-se por que o romance O Vice-cônsul, publicado há 50 anos, e o longa-metragem India Song, principal filme escrito e dirigido por Marguerite Duras, mostram-se extremamente instigantes e atuais. Continuar lendo