Curso: para enxergar História e Cultura indígenas em SP

Centenas de índios protestam em S.Paulo, em outubro de 2013, contra tentativas de frear demarcação de suas terras. Curso demonstrará que presença dos povos originários é marcante também no quotidiano da metrópole

Centenas de índios protestam em SP (2013), contra tentativas de frear demarcação de suas terras. Presença dos povos originários é marcante também no quotidiano da metrópole

Investigue neste fim de semana – na redação de “Outras Palavras” e nas ruas do centro – a vasta presença dos índios na metrópole. Saiba como não ser indiferente a ela

Por Antonio Martins

Num texto recente, o linguista e dissidente norte-americano Noam Chomsky notou que os governos e mídia alinhados a Washington precisam efetuar uma operação ideológica especial, para justificar a agressão permanente praticada por Israel contra os palestinos. Implica tratá-los como impessoas (“unpeople”). Só tornando-os invisíveis é possível apoiar Telaviv e considerar-se, simultaneamente, partidário da Democracia e dos Direitos Humanos.

Neste fim de semana, em São Paulo, será possível compreender e debater um fenômeno semelhante: a invisibilização dos povos indígenas brasileiros. Num curso em duas etapas – conceitual no sábado, prática-peripatética, no domingo – o historiador Carlos José Santos abordará a presença dos povos originais no coração metrópole. Além disso (e talvez mais importante), fornecerá elementos para reenxergá-los, invertendo o processo descrito por Chomsky. Autor de diversos livros e artigos sobre a tentativa de dominação simbólica dos oprimidos, também doutor pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, Carlos é professor na Universidade Federal de Santa Cruz, em Ilheus-BA. Indígena ele próprio, participa ativamente das lutas pela demarcação da terra tupinambá, na região. Estará acompanhado de quatro líderes deste movimento, o que permitirá, além de tudo, um debate sobre a relação atual entre o Estado brasileiro e os povos indígenas. Continuar lendo

SP: coletivos ampliam Virada Sustentável

Grupos articulam luta pela ocupação do espaço público na metrópole, programando sábado de debates e domingo de mutirão na Ilha do Bororé, quase desconhecida

Por Carol Gutierrez

Dia 30 e 31 de agosto, São Paulo viverá, com a Virada Sustentável 2014, um encontro sobre ocupação do espaço público e direito à cidade. Mas o evento, na verdade, reconhece algo que começou há muito. Coletivos de toda São Paulo vem se reunindo há mais de um mês para fomentar o debate, as conexões e atuações em rede.

No próximo sábado (30), os coletivos se reunirão no Largo da Batata e participarão de programação diversa: rodas de conversa, piquenique comunitário, atividades lúdicas e culturais, instalações e conexões envolvendo diferentes grupos e pessoas (veja a programacão completa aqui) Continuar lendo

Para entender os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

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Abertas inscrições de oficina para comunicadores sobre metas traçadas pela ONU; ideia é fomentar, na sociedade, debate sobre tema quase ignorado

Estão abertas as inscrições para a oficina “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – entender o tema para pautar a sociedade”, que acontece em São Paulo dia 9 de setembro. A oficina será seguida do seminário “Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável: o que está em jogo nestas negociações? Análise e estratégias da sociedade civil”, no dia 10.09. A iniciativa é fruto de parceria entre a ARTIGO 19, a Abong (Associação Brasileira de ONGs) e a FES (Friedrich-Ebert-Stiftung).

A oficina é voltada para comunicadores, tais como jornalistas e blogueiros, e vai informar sobre o histórico e significado dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Os ODS são metas de desenvolvimento social, econômico e ambiental a serem alcançadas pelos países do mundo todo. A nova agenda global vem sendo construída há dois anos pela ONU, com a participação de vários setores da sociedade, e deve entrar em vigor dia 1º de janeiro de 2016. Ela irá substituir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), criados em 2000 para ser alcançados até 2015. Continuar lendo

Agricultura de Gaza devastada pela ofensiva israelense

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ONU aponta: ataques dizimaram cultivos, criação e pesca, arruinando agricultores e provocando forte alta dos preços de alimentos. Só ajuda externa evitará fome

Na RT | Tradução Cauê Seignemartin Ameni

A operação militar israelense em Gaza devastou o centro da produção de alimentos anunciou a ONU, alertando que a falta de alimentos afetará  “severamente” a população local e que a recuperação exigirá “ajuda externa significante”.

“Os recentes conflitos resultaram em danos substanciais aos 17 mil hectares de terras agrícolas de Gaza, bem como grande parte de sua infraestrutura, incluindo estufas, sistemas de irrigação, fazendas de pecuária, galpões de armazenamento e barcos de pesca,” disse em comunidade a Organização para Alimentos e Agricultura (FAO) da ONU.

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Porque sem terra, não há cultura

Documentário revela a importância da demarcação das terras guaranis para manter viva a cultura e vida dos povos indígenas

Ao longo dos séculos, Parelheiros foi rota de passagem entre o planalto onde se localiza São Paulo e o litoral. Por lá passaram tanto os portugueses quanto, muito antes, deles, os habitantes originais da terra. Muito mais tarde, na década de 1950, alguns desses índios se fixaram no local, à margem da represa Billings. Hoje, existem três aldeias na região – Tenondé Porã, Krukutu e, mais recentemente, Tekoa Eucalipto.

Atualmente, a luta guarani é pela demarcação de um território de 15 mil hectares na Serra da Mar, que integraria as aldeias em São Paulo e Itanhaém. Enquanto isso, mais de 1,5 mil pessoas vivem em uma área de apenas 26 hectares

“Até hoje nós Guaranis sofremos pela demarcação das terras. Muitos falam que o índio não precisa de terra, mas na verdade todos nós seres humanos precisamos de terra. Aqui nesta aldeia nós temos somente 26 hectares. Não temos espaço para fazer uma plantação e um bom projeto porque a terra é pequena. A população tem crescido e não temos mais espaço para morar.”(Verá-Mirim, cacique da aldeia Tenondé Porã)

Fotografia: Andre Bueno e Deborah Stucchi
Edição: Andre Bueno
Roteiro: Carol Gutierrez, Jaime Leme, Mariana Belmont, Mauro Neri

Um mito e algumas verdades sobre os tributos no Brasil

"O contador e sua mulher", de Marinus van Reymerswaele, 1539

“O contador e sua mulher”, de Marinus van Reymerswaele, 1539

Debate questiona crença segundo a qual carga tributária brasileira é “altíssima”. Problema real é outro: ricos e poderosos pagam pouquíssimo; somos o país dos impostos injustos

Por Antonio Martins

Ao longo do processo eleitoral deste ano, um mito voltará a bloquear o debate sobre a construção de uma sociedade mais justa. Todas as vezes em que se lançar à mesa uma proposta de políticas públicas avançadas, demandando redistribuição de riquezas, algum “especialista” objetará: “não há recursos para isso no Orçamento; seria preciso elevar ainda mais a carga tributária”. A ideia será, então, esquecida, porque a sociedade brasileira está subjugada por um tabu: afirma-se que somos “o país com impostos mais altos do mundo”. Sustenta-se que criar novos tributos é oprimir a sociedade. Impede-se, deste modo, que avancemos para uma Reforma Tributária.

A partir das 10h desta sexta-feira (29/8), três conhecedores profundos do sistema de impostos no Brasil enfrentaram este mito, num debate transmitido por webTV (acesse aqui). O auditor da Receita Federal Paulo Gil Introini, ex-presidente do sindicato nacional da categoria e os economista Jorge Mattoso e Evilásio Salvador argumentaram, com base em muitos dados, que o problema da carga tributária brasileira não está em ser “a mais alta do mundo” (uma grossa mentira), mas em estar, seguramente, entre as mais injustas do planeta. Os grandes grupos econômicos e os mais ricos usam seu poder político para criar leis que os isentam de impostos — despejados sobre as costas dos assalariados e da classe média. A mídia comercial esconde esta realidade, para que nada mude. No debate, organizado em conjunto pela Campanha TTF Brasil e Fundação Perseu Abramo, emergiram alguns fatos muito relevantes, porém pouquíssimo conhecidos.

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Ingressos na internet: atravessadores estão fora da lei

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Ao cobrar “taxa de conveniência” de 20%, empresas elitizam acesso ao desfrute da Cultura e Esporte, ganham (muito) se oferecer contrapartida e praticam seis irregularidades enquadradas no Código de Defesa do Consumidor

Por Guilherme Scalzilli (*)

As chamadas “taxas de conveniência” tornaram-se rotineiras no comércio eletrônico de ingressos para espetáculos artísticos e esportivos. Apesar da tolerância do Judiciário, entretanto, essa cobrança desrespeita vários dispositivos legais e deve ser regulamentada ou coibida com urgência.

É importante lembrar que a taxa não inclui o envio do ingresso a domicílio, mas apenas a disponibilização de um canal para transações realizadas à distância. Trata-se, portanto, de mero instrumento de comercialização, e não de um serviço autônomo, caracterizado por contrapartidas que justificassem remuneração extra.

A internet é parte fundamental da vida cotidiana, e jamais onerou as muitas atividades produtivas que a utilizam. Ninguém precisa recolher taxas para pagar boletos bancários ou realizar compras pelo computador. Ademais, a facilidade, a agilidade e a segurança da operação comercial constituem direitos do consumidor, não privilégios ou favores.

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Cultura periférica toma volta a mobilizar São Paulo

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Ruas do Grajaú abrem-se à cidade. Sábado, tocam sambistas que compõem para Leci Brandão. Domingo, DJs resgatam vinis brasileiros, e grupo de teatro apresenta peça às margens da Represa Billings

Por Thiago Borges, na Periferia em Movimento | Fotos Jaime Leme

Taco, bicicleta, carrinho de rolemã, narguilê, pancadão, lavar o carro no sábado, jogar conversa fora na calçada… Nas periferias, a rua é ponto de convivência. E, não por acaso, é ambiente de afirmação de luta dos artistas periféricos.

Não por acaso uma das principais rodas de samba da cidade homenageia o espaço público. Criado em 2005 por um grupo de amigos do Grajaú, Extremo Sul de São Paulo, o Pagode da 27 acontece no logradouro de mesmo nome: a “Rua 27”, outrora considerada das mais violentas da cidade. Continuar lendo

Para transformar o lixo em energia

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Tecnologias já existentes permitiriam converter resíduos orgânicos em biogás — preservando atmosfera, evitando expansão de aterros e reduzindo extração de combustíveis fósseis

Por Carlos Sanches

O lixo que produzimos diariamente, também chamado, de modo mais técnico, de “resíduos sólidos urbanos – RSU”, tem como destino final lixões a céu aberto (17,8%), aterros sanitários (58%) e aterros controlados (24,2%). A quantidade gerada, no Brasil, chega a aproximadamente 200.000 toneladas de lixo por dia, sendo a região Sudeste responsável por quase metade desse total. Os dados são da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) de 2012, ano da mais recente publicação sobre o tema.

Diante disso, fica no ar a pergunta: não poderia ao menos parte desse lixo, esteja ele no lixão ou no aterro, ser utilizado para gerar energia e, desta forma, reduzir o volume ocupado em seu local de origem? A resposta é sim. Continuar lendo

Um domingo contra Alckmin

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Em Outras Palavras, dia 31/8, um iniciativa para afastar de São Paulo o conservadorismo e a repressão

A nova casa de Outras Palavras pode ser também um local para tramar futuros. Neste domingo (31/8), convidamos grupos e pessoas espantados com o alto risco de mais quatro anos de um governo autoritário em São Paulo a buscar saídas. Nâo se trata de apoiar candidatos, mas de afastar a pasmaceira. Que podemos fazer para mudar o rumo das eleições estaduais? São Paulo está fadado a ser apático, individualista e segregador? Ou podemos fortalecer gente disposta a fazer fluir a liberdade e projetos de justiça, compartilhamento e nova democracia?

A partir das 17h, traga seus desejos, ideias e abertura para ouvir e debater. Se der vontade, acrescente algo de beber ou comer. São Paulo não pode reduzir-se a volume morto. Que os vivos apareçam!

Rua Conselheiro Ramalho, 945 – Bixiga – a 50m. da Brigadeiro Luís Antonio e um quilômetro do Metrô São Joaquim (mapa)