Contra a onda conservadora, oito vídeos e o seu apoio

Em websérie instigante, coletivo tenta tornar populares argumentos que combatem redução da maioridade penal. Precisa de recursos, para completar trabalho — e você pode ajudar 

Por Marina D’Aquino

Desde que o Projeto de Emenda Constitucional (PEC) da Redução da Maioridade Penal voltou à pauta na Câmara dos Deputados, o Coletivo Rebento está produzindo uma websérie, chamada “O Filho dos Outros”, com o objetivo de trazer mais informação à população sobre o tema.

Para concluir o trabalho, eles decidiram buscar recursos por meio de um financiamento coletivo. A meta é conseguir R$ 50 mil até o dia 2/9 por meio do site de financiamento coletivo Cartase (www.catarse.me/ofilhodosoutros). Continuar lendo

Um olhar sobre o buraco negro das finanças globais

Mensagem gravada em muro em 2011, durante a revolta dos Indignados na Espanha

Mensagem gravada em muro em 2011, durante a revolta dos Indignados na Espanha

Livro de Ellen Brown revela como bancos organizam, dia a dia, apropriação da riqueza social. Sua alternativa: reinventar um sistema bancário público

Resenha de Ladislau Dowbor


Resenha de:
The Public Bank Solution: from Austerity to Prosperity
Por Ellen Brown
Third Millenium Press, Baton Rouge, 2013, 471p.
Disponível (em inglês) na Amazon ou (diversos capítulos) no
site da autora

Ellen Brown vai direto ao ponto: “Os bancos são de propriedade e controle privados, com o mandato de servir aos interesses limitados dos seus acionistas; e esses interesses e o interesse público frequentemente entram em conflito. O que é bom para Wall Street não é necessariamente bom para a economia…O edifício bancário privado constitui uma máquina massiva cujo objetivo principal é o de se manter a si mesmo. O que está sendo preservado é uma forma extrativa de atividade bancária que está se provando ser insustentável, e que atingiu os seus limites matemáticos. Um parasita que devora a sua fonte de alimentação e que perecerá junto com a sua fonte de alimentação”.(419) Quando vemos no Brasil o Banco Itaú aumentando em 22% nos últimos 12 meses os seus lucros já fenomenais, numa economia parada, temos de prestar atenção. Este enriquecimento vem de onde?

150829-PublicBanksO caos planetário gerado pelos sistemas financeiros privados, tal como existem desde a desregulação a partir dos anos 1980, só não vê quem não quer. E também – isto é crucial – quem não tem acesso a informações sobre como funcionam, e isto significa a imensa maioria da população. Professores, advogados, engenheiros, políticos dos mais variados tipos, com algumas honrosas exceções, simplesmente não entendem. Na realidade, não há tanto mistério nisto, pois apesar do dinheiro sob suas diversas formas ser na era moderna o principal vetor de organização da sociedade, por alguma razão os seus mecanismos não figuram em nenhum currículo escolar. Mesmo nos cursos superiores, simplesmente não figura, a não ser em economia, e ainda assim na versão assexuada, ou seja, aquela que não implica entender quem efetivamente se apropria do dinheiro e de que maneira, pois isso já seria política.

Depois de ter deixado a sua forma material – ouro ou outra expressão que tem valor em si – e depois de ter abandonado até o papel-moeda que hoje tem importância marginal, o dinheiro passou a ser apenas uma notação magnética, imaterial, com imensa volatilidade, podendo ser criada e transferida na velocidade da luz. Os mecanismos deste universo planetário são dominados por grandes corporações, em particular os 28 bancos “sistemicamente significativos”, onde trabalham especialistas que estes sim entendem tudo deste novo universo, onde o enriquecimento não se atinge produzindo riquezas, como no bom velho capitalismo, mas gerando sinais magnéticos que dão aos seus detentores direitos sobre o produto dos outros. Continuar lendo

Outros Traços retorna, para mostrar riqueza dos quadrinhos

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Reestreia em Outras Palavras, ampliada e aprofundada, a seção que fala da arte gráfica sequencial muito além de super heróis e garotinhas dentuças

Por Gabriela Leite | Quadrinho: Carolina Ito

As histórias em quadrinhos, que ficaram populares no começo do século XX e se desenvolveram imensamente desde então, passam a ter novo destaque no site. Escrita por nós, Gabriela Leite e Carolina Ito, e com colaborações de João Rabello, quadrinista, a nova seção Outros Traços pretende mostrar a riqueza dessa linguagem para além do que é feito pela indústria. Percebemos uma grande efervescência de histórias em quadrinhos, e por isso criamos um espaço para mostrá-la. A seção contará com resenhas de HQs, reportagens e entrevistas sobre o tema, tentando dar maior enfoque aos artistas brasileiros e independentes.

Outros Traços será publicada semanalmente, a partir de 2/9. Se tiver alguma sugestão, escreva para [email protected]

Rio experimenta o Jornalismo Gastronômico

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Curso oferecido por colaboradora de “Outras Palavras”, discutirá, em setembro, a questão alimentar, por meio de debates e estudos de caso. Em 17/9, encontro gratuito sobre o tema

No dia 17 de setembro, quinta-feira, os apaixonados por gastronomia poderão participar de uma roda de conversa, gratuita, sobre jornalismo gastronômico na Facha (Faculdades Integradas Hélio Alonso). Com o tema “De Apícius à Danúsia Bárbara: a construção do jornalismo gastronômico no Rio de Janeiro”, o debate terá apresentação da professora do curso de extensão em Jornalismo Gastronômico da Facha, Juliana Dias, com a participação da jornalista convidada Andreia Degmont, editora de mais de 200 livros neste segmento.

O encontro faz parte da II Semana de Extensão Facha, que acontecerá de 14 a 17 de setembro, e irá reunir diversos eventos gratuitos ao longo da semana, no auditório da faculdade, em Botafogo. Quem pretende dar continuidade aos estudos, e se aprofundar ainda mais no tema, pode se inscrever no curso de extensão em jornalismo gastronômico da Facha, que acontecerá também em setembro, durante quatro sábados consecutivos. A turma está prevista para começar no dia 12 e as aulas acontecerão das 9 às 14 horas, em Botafogo. Continuar lendo

E se lutas populares forem patrimônio histórico?

Foto 1. Legenda: Moradores de Perus utilizam arte e cultura para lutar pela desapropriação da fábrica. Foto: Arthur Gazeta

Moradores de Perus utilizam arte e cultura para lutar pela desapropriação da fábrica. Foto: Arthur Gazeta

Avança em S.Paulo projeto para tombar fábrica que foi cenário de greve memorável. Artistas e população organizam vasta programação cultural até próxima sexta-feira

Por Jéssica Moreira

Tombada como patrimônio histórico da cidade de São Paulo desde 1992, a Fábrica de Cimento de Perus – primeira do setor no Brasil – continua esquecida pelo poder público, enquanto o prédio se deteriora a cada dia. Mas os movimentos sociais da região não se cansam e, há mais de trinta anos, lutam pela construção de um centro de cultura e memória do trabalhador no local abandonado.

Em 2014, após intensa reinvindicação do Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus em parceria com a Universidade Livre e Colaborativa, a antiga indústria e seus arredores foram inseridos como Território da Cultura e da Paisagem no Plano Diretor Estratégico (PDE- Lei 16.050/2014) da capital paulista, sendo intitulado como Território Jaraguá-Perus, que, além do bairro peruense inclui a Terra Indígena do Jaraguá.

Além disso, o documento prevê, ainda, um parque chamado A Luta dos Queixadas (nome dado aos sindicalistas da fábrica responsáveis por uma greve de sete anos) e reconhece como patrimônio outros pontos do bairro, como a Ferrovia Perus-Pirapora, com seu trem maria-fumaça; a Vila ‘fantasma’ Triângulo, onde só há uma família residindo; o Sindicato Queixada e a estação de trem Perus da CPTM, que data de 1867. Continuar lendo

São Paulo corre para organizar Primavera Tupinambá

Alguns consideram-nos extintos. Ainda assim, resistem e exigem direitos. Querem vir à maior cidade do país, falar de suas lutas. Precisam de apoio 

Pelo Grupo de Trabalho em favor do Povo Tupinambá

“A história da luta do Povo Tupinambá por suas terras e tradições, como de todos os índios brasileiros, remonta à invasão portuguesa ao Brasil, em 1500. Neste processo, os Tupinambás foram historicamente e sistematicamente perseguidos. Tornou-se comum ler e ouvir que, como povo, não existem mais.

No entanto, mesmo com as tentativas de extermínio, os Tupinambás continuam a existir através de diferentes formas de vivências — e não abandonaram o seu território em Olivença, no sul da Bahia. Resistiram aos portugueses, ao poder dos grandes proprietários e à atuação quase sempre violenta do Estado. Um exemplo foi a chamada Revolta do Índio Caboclo Marcelino, entre as décadas de 1920-1940, contra o processo de espoliação. Na década de 1980, novamente a resistência Tupinambá ganhou maior visibilidade, com muitas pessoas valorizando seu sangue e sua alma indígena, retornando a suas terras e a seus parentes. Esta resistência foi um dos elementos fundamentais no processo de Reconhecimento Étnico, em 2002, e da Demarcação Territorial, em 2009. Continuar lendo

Diálogos pela liberdade na internet

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Congresso ameaça estabelecer vigilância na rede e comércio de dados pessoais dos internautas. Nesta sexta, Sérgio Amadeu e Flávia Lefèvre debatem, em S.Paulo, as alternativas

Por Fabrício Lima*

BRASÍLIA – Já era fim da tarde de terça-feira (18/8) quando a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados deu parecer favorável ao Projeto de Lei 215/2015  que modifica 4 incisos e acrescenta outros 2 em 4 artigos fundamentais do Marco Civil — a lei básica da Internet brasileira. As alterações podem criar um monstrengo. Se convertidas em lei, permitirão ao Ministério Público e às autoridades policiais exigir dos provedores de acesso à internet — sem sequer necessitar de autorização judicial – as informações particulares de navegação de qualquer usuário da rede. É o contrário do que foi ratificado do Marco Civil há pouco mais de um ano.

Pior: não se trata de fato isolado. Uma semana antes, a mesma Câmara dos Deputados aprovara uma controversa Lei Antiterrorismo que também pode ter consequências devastadoras para a liberdade na rede. Ela equipara as penas atribuídas a “danos à propriedade” — inclusive eventuais travessuras na internet —  aos crimes de estupro e assassinato. Continuar lendo

Para desbanalizar a mudança climática

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Feita por jovens, com metodologia inovadora apoiada em encontros presenciais, “Viração”, quer produzir número extra sobre aquecimento global. Veja como apoiá-la, em financiamento colaborativo

A Revista Viração, projeto social da ONG Viração Educomunicação, lançou no último dia 10 de julho, a campanha de financiamento colaborativo Eu tô no clima da Viração. Quer viabilizar a produção de uma edição especial sobre um tema que é tratado com banalidade pela velha mídia, mas tem enorme relevância. O número extraordinário debaterá as mudanças climáticas e os encontros internacionais que podem enfrentá-las — desde que haja vontade política e disposição para enfrentar interesses poderosos.

Com uma tiragem de 5 mil exemplares, a nova revista terá distribuição gratuita para escolas públicas e grupos juvenis de todo o Brasil. Será produzida também de maneira coletiva: surgirá a partir de discussões de estudantes de escolas públicas e grupos de jovens.  A ideia é contribuir para a discussão acerca do novo acordo mundial sobre o clima que será discutido por 193 países na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Paris, em dezembro deste ano. Continuar lendo

Tem “heavy metal” na sopinha

Por vender produto "inseguro e perigoso", Nestlé indiana foi condenada a pagar multa de 350 milhões de dólares

Por vender produto “inseguro e perigoso”, Nestlé indiana foi condenada a pagar multa de 350 milhões de dólares

Na Índia, marca famosa envolve-se em escândalo por vender macarrão contaminado com chumbo. Caso não é isolado e permite questionar: há níveis “seguros” de substâncias contaminantes na comida?

Por Julicristie M. Oliveira*

Foi noticiado no The World Post que a Agência Reguladora de Segurança dos Alimentos Indiana detectou metal pesado — no caso, o chumbo — em amostra de macarrão instantâneo de uma marca bem famosa. De acordo com a agência, a quantidade de chumbo estava acima dos “níveis máximos permitidos”, o que configurou um grande escândalo e um processinho contra a grande marca.

A intoxicação por chumbo, dependendo da gravidade, pode causar neurotoxicidade, polineuropatia, encefalopatia, alterações comportamentais, dentre outras. E resolver esta questão não é tão simples assim, pois o chumbo fixa-se no tecido ósseo e é mobilizado constantemente, especialmente em mulheres na gestação. Um problemão!

Além disto, se o chumbo faz mal e outros metais pesados também, por que as regras de segurança dos alimentos permitem os tais “níveis máximos permitidos”? Quem garante que em certos lotes não haverá uma contaminação acima do permitido? E quem garante que o fato de estar abaixo do permitido é sinal de segurança total? A flexibilização das regras ajuda a indústria. Temos sérios problemas de rastreabilidade, pois mal sabemos de onde vem o que comemos. Estamos expostos constantemente a uma série de incertezas alimentares e as marcas investem pesado em propaganda para nos convencer que são altamente confiáveis. Continuar lendo

“Adora Coca Zero, mas é magra e faz academia”

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Para manter lucros e abovinar consumidores, indústria alimentícia recorre a curiosa estratégia: insinua que é possível comer mal e pagar de saudável 

Por Julicristie M. Oliveira*

Discussões acerca das mudanças nos padrões alimentares, bem como corporais, no Brasil e em outros países, são constantemente noticiadas e divulgadas. O aumento no consumo de alimentos industrializados (processados e ultra-processados) ricos em carboidratos, gorduras saturadas, açúcar e sódio, bem como nas taxas de sobrepeso e obesidade, tornaram-se a pauta de muitas políticas públicas.

A ciência tem papel importante neste processo, pois a identificação de fatores de risco para doenças cardiovasculares e outras doenças e agravos não transmissíveis foi possível em decorrência da atuação de vários pesquisadores de diversos países. Refrigerantes, carnes processadas (salsichas, hambúrgueres, etc), biscoitos recheados, doces, dentre outros, foram vistos como alimentos que devem ser evitados, pois compõem as “dietas não saudáveis”. Em contrapartida, as combinações como “arroz com feijão”, frutas e hortaliças são consideradas fatores de proteção e devem ser consumidas, pois compõem as “dietas saudáveis”. Continuar lendo